terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crise à vista?

Anúncio na TV espanhola: uma menininha brincando com umas bonecas que estão todas maquiadas, têm carta de motorista e saem de farra por aí. "Já somos maiores", dizem.

Vaya, não sou o cara mais certinho do mundo. Mas, sinceramente, acredito que deveria existir limite pra tudo. Fazer meninas de 10 anos quererem ser mais velhas, por exemplo. Ou então, que anunciem de uma vez o vibrador da Hanna Montanna ou a mamadeira com whisky pro bebê de olhos vermelhos.

Eu gosto demais do que faço, sou apaixonado por criar, minha profissão é divertida, blablablá. Mas isso me lembra meu primeiro trabalho (pra cigarro, quando ainda era becário na DPZ). Ter que fazer algo desse nível me faz mal. Dói na consciência. E não adianta dizer que "se não quiser, não faz". É mentira. Ou faz, ou fica na corda bamba.

Cada vez tenho mais claro por que estou aqui - com relação a mim. Profissionalmente, cada dia imagino uma coisa diferente.

Mas calma. Que ninguém ache que vou surtar ou vender pulseirinhas nas Ramblas (o equivalente a vender mel no Sana). É só fase. Daqui a pouco me encontro, encontro o caminho certo e pronto. Ou ao menos que eu descubra logo como voltar a escrever diariamente porque, mesmo com tudo o que tenho visto e vivido, não tenho conseguido colocar nada no papel.

E crise pra escrever, a essa altura da vida, é muito retardado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Balanço do mês (e pouco)

NE: devido às obrigações de um estudante sem grana e ainda com muito por fazer, este texto está uma semana atrasado.

Depois de pouco mais de um mês na terra dos brancos de olhos azuis, e há um tempo sem escrever para a Ponte, volto com uma auto-entrevista pra resumir, explicar, dar notícias etc de como andam as coisas em Barna.

Eu: Barna?
Eu: Sim, Barna. Já me considero íntimo da cidade. Posso falar de bares, restaurantes, linhas de metrô, quanto está o quilo da laranja e forma de abordagem dos paquistaneses nos diferentes bairros turísticos. Assim, acho normal chamar pelo apelido. Como Zico, Mengo ou Pet.

Eu: Peraí, porque seus exemplos foram todos do Flamengo?
Eu: Porque o todo-poderoso acaba de colar de vez nos paulistas. E, quando você está fora de casa, qualquer alegria é uma grande vitória. Como esse 3x1. Essa taça vamos conquistar!

Eu: Concordo. Mas, voltando. Como é a vida em Barcelona?
Eu: Excelente. A cidade é tranqüila, limpa, o transporte público funciona perfeitamente, as pessoas têm se demonstrado simpáticas. Além do mais, quando se vive em outro país o dia-a-dia parece um grande período de férias. O único problema é que está chegando o frio.

Eu: Muito forte?
Eu: Pra um carioca, sim. Essa história de andar à noite ou ter que acordar às 7h fazendo 10 graus na rua não é nada legal. Fora que, por ser uma cidade de praia, venta muito. A sensação térmica agora deve ser de 273 kelvin.

Eu: Mas seu casaco agüenta, né?
Eu: Depende. Sempre esqueço do mais pesado. Saio sempre com um meio bunda que, na hora do vamos ver, peida. Eu até comprei um da Adidas por módicos 25 euros, que rasguei no metrô. Já era. Qualquer brecha que deixe passar frio congela até a alma dos seus ossos. Mas não tem nada. Março tá chegando, o sol vem aí!

Eu: Você esta conseguindo resolver tudo?
Eu: Espero. Sexta agora pego minha identidade de estrangeiro (NIE) - uma forma de te tacharem gringo e saberem que não está aqui escondido num cafofo e limpando privada no McDonald's no lugar de um espanhol. Com meu NIE posso abrir uma conta, pra pegar a grana que deixei no Brasil. Também vou poder faze o Bicing, um esquema de bicicletas da prefeitura que você pega e deixa em pontos espalhados pela cidade e sai por míseros 40 euros. Quando me mudar pra Barna, vai ser muito útil.

Eu: Ué, você não mora em Barna?
Eu: Quase. Vivo em El Prat de Llobregat, um ainda pueblo mas quase bairro de lá que fica a 10 minutos em trem. Como ele é pontual e tem o dia inteiro, é do lado. Mais perto que muita gente de lá mesmo. Além do mais, está me saindo bem em conta.

Eu: E as aulas?
Eu: Do mestrado, foram melhores esta semana. Na primeira foi tudo muito básico. Achei um absurdo mas, como o professor teve que explicar pra uma menina que apertando CTRL+Z juntos ela conseguiria voltar a cagada que tinha feito, entendi um pouco melhor. Na verdade, ainda não está do jeito que quero. Mas como o principal do máster é arrumar trabalho por aqui, não me preocupo tanto. Por enquanto.

Já as aulas de catalão estão muito boas. Às vezes, me parece que escolhi a carreira errada. Gosto de línguas e me saio bem com elas. Outra coisa: o català é muito parecido com o português. Mais que o espanhol. À primeira vista, parece complicado. Mas com um mínimo de boa vontade e inteligência, bastam duas aulas pra você entender o básico. Mas, como ajuda, basta pensar como o Mussum fala e tentar imitar. Vou escrever sobre isso mais pra frente.

Eu: Está saindo muito? Está em casa direto? Pode falar sobre isso?
Eu: Posso, Carol sabe o que tenho feito.

Eu saio muito com os amigos do Alberto, meu companheiro de piso, e da Bella, carioca que faz um máster em gestão cultural. Conheci os dois em Sevilla, e a vida nos colocou juntos de novo aqui. Os amigos deles são muito legais, alguns inclusive estão se tornando meus amigos. Vamos a muitos bares e restaurantes locais, o que me transforma num semi-camaco.

(camaco: do catalão "que maco!", ou "que bonito"; os daqui falam ou falavam muito isso, e acabaram sendo apelidados dessa forma pelos outros da província)

Não sou de boates, mas ontem fui a uma porque os amigos do Alberto estavam. Era como festa Ploc, mas com músicas espanholas dos 80 e 90. Mais perdido, impossível. Também fui num show de jazz grátis. E já recebi uns amigos gringos aqui em casa - apesar de que o conceito de gringo, agora, está muito expandido.

Mas estou boa parte do tempo em casa. Um, porque já conhecia a cidade. Dois, porque não sou turista e sim morador. Três, porque não tenho grana pra sair. Quatro, porque os deveres me chamam - dos trabalhos do mestrado a lavar cuecas. Poderia encontrar mais motivos, mas como não devo explicação a ninguém e já citei quatro, está de bom tamanho.

Eu: Já começou a procurar trabalho?
Eu: Fui a duas agências, falei com dois brasileiros, não consegui nada em nenhuma delas. Mandei e-mail pra uma conhecida de um deles que não me pareceu muito simpática. Tenho mais um contato e, depois, estou por conta própria. Vim sabendo que o mercado de trabalho não estava lá essas coisas, mas nunca é bom quando suas más suspeitas se confirmam. De qualquer jeito, agora que as aulas começaram eu posso procurar pelo cole. Eles devem me ajudar. Assim espero, claro.

Eu: Tem mais?
Eu: Claro! Acha que minha vida é só o que contei até agora? Acontece que já falei muito nessa postagem. E é bom saber o que os outros querem saber. Vou esperar comentários com novas perguntas (ou não) e escrevo outro texto.

Além do mais, tenho que estudar, escrever e não dá pra ficar me auto-entrevistando por muito tempo. Sou um homem ocupado. Marcamos um próximo papo entre você e eu em breve, vale?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bud Spencer vai ao banco

Vocês lembram do Bud Spencer? Aquele que só andava junto do Terence Hill, aprontando as maiores confusões e botando pra quebrar - numa linguagem bem sessão da tarde. Não?


Bom, então, ele é esse aqui.


Depois de muito tempo sumido (ao menos pra mim), eis que ligo a TV e vejo sua cara de novo. Não numa reprise de Miami Supercops, mas sim num anúncio da Bancaja, um banco espanhol.



Sinceramente, não tenho visto muitos anúncios realmente inovadores, diferentes ou mesmo bons por aqui. Mas ver o velho Bud (que escolheu esse nome porque gostava de Budweiser) distribuindo tapa no meio da rua compensa.

Sitges

Segundo meu olhar fotográfico super aguçado.



Por esse belo cenário, passearam zumbis ridículos no sábado à noite. Ao fundo, um lugar que não sei o nome.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Acidentes

Durante 12 dias, Sitges, um povoado nos arredores de Barna, se transforma na capital intergaláctica da ficção científica. É que esse lugar bonitinho de praias limpas com casinhas brancas, mulheres de topless e um solitário banhista pelado sedia o Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha, que já está em sua 42a edição.

Dá de tudo no festival. Lançamento de produções como Rec 2, animes esquisitos, caminhada de zumbis (é sério, sábado tem a Zombie Walk, com direito a maquiagem grátis, pra todo mundo se sentir um pouco Thriller) e filmes que pessoas normais, como eu e vocês tentamos ser, queremos assistir.

Já que a carteira de estudante não dava direito à meia-entrada (alô, galera da UNE, chega aê pra gente protestar!), fui obrigado a escolher um filme. Eram várias opções, pra deixar qualquer um com sangue na boca – como o de um ator que interpretava a si mesmo ou uma série de entrevistas com velhos de um pueblo falando de coisas ruins que aconteceram onde viviam e que se relacionavam à loucura. Assim que rapidamente escolhi um filme que tinha buena pinta, como se diz aqui.

Acidentes (com direito à trailler, vale o clique). Filmado por um grande diretor de Hong Kong. Passado no país (província, segundo a China – tome partido e siga o texto). Sobre um grupo que assassinava forjando acidentes, até que algo acontece, o líder do grupo fica neurótico e caga tudo.

Ruim, não é. Mas achei lento, a ponto das cerca de 1h30 que estive dentro da sala parecerem o dobro. Além do mais, o pré-final é um pouco exagerado. Ainda assim, vale a pena baixar. Nem que seja pra saber o que andam fazendo do outro lado do mundo além de forjar acidentes.

Seja como for, nunca parem no meio da rua durante um eclipse solar.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tipos que você seguramente encontra em Barcelona

Considerem isso um guia de variedade cultural da capital catalã. Assim, quando vierem (ou voltarem) aqui, saberão o que encontrar e poderão se preparar pra qualquer situação. E atenção à equação: a ordem dos povos não altera a post.

Brasileiros
Não tem um dia que eu saia de casa sem encontrar vários. Grupos, obviamente. É impressionante como nosso povo viaja, independente de crise financeira, desemprego ou o que for. Eu queria saber que Brasil é este, pra me mudar pra lá.

Vale a pena evitá-los, a não ser que você esteja se sentindo só ou queira falar português. Porque existe um ímã verde-amarelo que simplesmente não dá pra desligar. Uma vez feito contato, vocês vão se esbarrar em todas as esquinas do universo.


Marrons
Primeiro: não são os parentes da Alcione. Segundo: essa classificação não é preconceito. É apenas pra facilitar o “reconhecimento de grupo”.

Em sua maioria, africanos são negros, europeus são brancos e asiáticos são os que andam com câmeras penduradas no pescoço. Mas existe um grupo, normalmente imigrantes-não-turistas, que tem um biotipo característico. São compostos basicamente por indianos, paquistaneses, marroquinos e o que os Simpsons já chamaram de “miscellaneous”. A única diferença entre eles é o bigode, mas ainda não sei dizer quem é quem.

Eles têm apenas das expressões: cansaço/tristeza e desafio.

Cansaço/tristeza – são os que parecem ter jogado a toalha. Sabem que não vão mudar de vida ou ser mais respeitados, que continuarão sendo olhados com desconfiança e nada do que fizerem vai mudar isso.

Desafio – sabem de tudo isso aí de cima, mas parece que, se não é pra serem respeitados, querem ser temidos. Variam entre a cara de mau e a de desdém. Toda vez que você passa por eles, acha que vai ser linchado.

Como estes dois tipos só andam em grupos grandes, tenho a forte sensação de que os figurantes de “Quem quer ser um milionário” se mudaram pra cá depois de ganharem uns trocados com o filme.

Turistas
Estamos no outono, Barna não é a cidade mais barata do planeta e, ainda assim, as ruas estão sempre lotadas deles.

Dizem que aqui era um lugar horrível, e que as Olimpíadas de 92 é que promoveram tantas mudanças. De um lugar em que mal dava pra chegar à praia (segundo os próprios catalães), hoje este é um dos principais destinos turísticos do mundo.

Espero que o Rio siga o exemplo. Há muito o que se fazer na cidade maravilhosa pra que ela mereça de fato este apelido e, se não for agora, eu sinceramente não sei quando vai ser.

Barcelona é a prova de que turista rima com competência. Metaforicamente, mas rima.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Barcelona – Japeri parador

O tempo fechou em Barcelona. Ao menos dentro do trem entre El Prat de Llobregat e Sants. Hoje, por alguns instantes, me senti num vagão saído da Central do Brasil.

Primeiro, entra um homem puxando um carrinho de feira com uma caixa de som e um minidisc (alguém ainda lembra o que é isso?). Traz também um daqueles instrumentos de sopro pra criança – de plástico, tipo brinquedo da Estrela – que tem tecladinho em cima.

Ele pára no meio do carro, liga o aparelho pra deixar rolando um som de fundo tipo arquivo midi de karaoke, e começa a solar umas músicas em espanhol famosas. O som tava alto, mas pelo menos o coitado tava se esforçando pra ganhar uns trocados honestamente.

Logo vira uma mulher alguns bancos à frente e, de forma exageradamente ríspida, pede pra ele baixar o som. Seu tom de voz estava alto, ela não precisava ser grossa, mas era o que pensava.

O homem desliga o som e corre a sacolinha pro lado do trem onde ela não estava. Volta, pega seu carrinho e vai pedir dinheiro na outra direção. Quando passa por ela, pára e pergunta qual o problema com sua música. E está armado o barraco.

Ela começa a falar, outra vez rispidamente, que o som estava alto. Ele diz que, se ela estava incomodada com o som que ele fazia no trem, que comprasse um carro. Ela grita que pagou pelo bilhete e que está no seu direito. Ele insiste que ela deveria comprar um carro. Uma jovem toma partido dele. A mulher se descontrola. Ele agradece à menina e sai de perto. Os dois ficam resmungando alto por mais algum tempo.

Se eu dissesse agora que passou um cara vendendo “bixcoito Grobo” e o auto-falante anunciou que a próxima estação era Coelho Neto dava até pra acreditar, não é mesmo?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Tira a camisa!

Se você pensou que eu ia usar uma frase de funk como recurso barato pra começar o texto, parabéns. Mas isso não vem ao caso, e sim a história abaixo.

Sábado eu quis fazer um agrado aos espanhóis, que sempre me recebem tão bem e ainda são obrigados a me aturarem com cara de perdido toda vez que vou ao Camp Nou.

nota 1: sim, Camp Nou. Dessa vez, a ver Barça x Almería. De graça.
nota 2: eu estava com cara de perdido, mas eles é que não sabem torcer. Não pulam, quase não gritam. O sangue latino faz diferença nessas horas.

Voltando, meu agrado foi assistir a partida com a camisa da seleção espanhola. Legal, né?

NOT!

No estádio, ninguém se manifestou (apesar de não poder afirmar se deixaram passar ou me olharam de cara feia). Mas, num show pelo aniversário do bairro de Sarriá, um cara veio falar comigo sobre a camisa e quem deveria ser convocado, e uns amigos do Alberto (com quem divido apartamento agora) disseram que era um erro sair vestido assim. Assunto que se estendeu no almoço da sua família no domingo e dividiu opiniões.

A verdade é que a maioria dos catalães leva a história de identidade própria pra todos os campos de suas vidas. De futebol, inclusive. Eles têm sua própria língua, seus próprios costumes e, pelo visto, gostariam de ter sua própria equipe.

Seria bom, se pensarmos que eles se livrariam do Raúl. Porém, pensando no geral, é difícil entender tamanha distância entre dois povos que formam uma única nação. Aliás, o conceito de nação aqui é muito diferente do que conhecemos e de como o entendemos. Se no Brasil a mistura das raças e tudo o que passamos ao longo dos períodos de colônia, império e república nos deu a idéia de unidade (salvo os fracos suspiros separatistas dos sulistas), aqui nem mesmo a longa história do país, com séculos de vitórias e derrotas empapadas de sangue ajudou na construção dessa mentalidade. Talvez, e vou me informar melhor, tenha até piorado a coisa. Basta pensar que, não à toa, o País Basco é chamado de País.

É complicado, depois de ver isso, falar das guerras civis africanas, por exemplo. Daqui pra lá, o que muda é o grau de violência dos grupos étnicos. Enquanto nas ex-colônias o negócio é chacina, vingança generalizada e sangue jorrando pior que em Kill Bill, aqui o papo varia entre a pressão política e atentados esporádicos - normalmente avisados com uma certa antecedência - que visam aumentar a pressão no governo.

Engraçado também que na Andalucía, por muito tempo sob domínio dos mouros, a idéia de nação seja mais presente. Talvez para fugir do estigma de terceiro mundo da dominação árabe.

Tudo isso dá à "pátria de chuteiras" um significado muito mais forte, que vai muito além de um país que só se une nos jogos da seleção e canta o hino que nem a Vanusa. Por mais que seja verdade, de certa forma.

Certo é que, em matéria de união futebolística, os espanhóis são terceiro mundo se comparados a nós. E daqui a alguns anos teremos a chance de mostrar a eles como se resmunga a letra do seu Francisco (Manoel da Silva) - com a mão no peito e lágrimas nos olhos.

Que venha a Copa de 2014!

domingo, 4 de outubro de 2009

Lo siento

Estamos temporariamente fora da área de cobertura, contando apenas com a boa vontade alheia de não colocar senha em rede sem fio. Assim que, muito provavelmente, só volte a contar histórias a partir de segunda. E olha que já tenho histórias pra contar.

Como dizem aqui, ¡ojo, eh!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Enrolando em Congonhas

Ao contrário do que possa parecer, não gosto de acordar cedo. Odeio, na verdade. Mas como hoje era (está sendo) um dia atípico e especial, não teve jeito. Às 5h já tava de pé, ainda que cambaleando, indo ao banheiro colocar as lentes. Porque eu só acordo mesmo quando estou de lente.


Como sempre, saí de casa atrasado. Nada de anormal, já que terminei de arrumar as malas mais de uma da manhã. E deixei algumas coisas do lado de fora, pra quando acordasse. Ou seja, depois de colocar a lente. Mesmo saindo tarde, cheguei no horário. Quase em ponto. Mal fiquei com pais, irmão, namorada e sogros. Foram 10 minutinhos de alegria, só pra evitar chororô excessivo, e embarquei.


Com o Minc.


Mas a verdade é que, apesar de fanfarrão (tava cheio de gracinha com a esposa e um casal de amigos, antes de embarcar), é bom ter um político ou outro tipo qualquer minimamente importante no seu avião. Assim, você sabe que vão cuidar pra que ele não caia.


Eu disse avião. Né, Ulisses?


***


Cheguei em sampa com tempo escroto e horas de sobra. Fui dar uma volta e resolvi olhar pela janela do terminal 2, asa C – ou algo do gênero. E percebi que a logo da Korea(n) Airlines é muito parecida com a da Pepsi. A antiga, ainda por cima.


Ou o refrigerante patrocina a companhia, ou é muito desleixo do designer deles. Essa história de “logo express” pra criar marcas de empresas, pelo visto, também é moda lá fora.


***


Descobri também que esse aeroporto tem um Coffee Shop.


Pera lá, cambada de viciados mulambentos. Nesse caso, é um café mesmo. Que só serve comida. E que acabou sendo minha opção saudável aqui. A única, diga-se de passagem.


Dose foi ter que pedir um “big boss no croissant”. Mais escroto, impossível.


***


Políticos vão e vêm. Logos mudam com o tempo. Cafés variam de porta para porta. Mas papel higiênico será sempre papel higiênico.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Desespero

Segundo o Aurélio, vulgarmente conhecido como seu pai, "desespero" é "desesperança acompanhada de cólera; zanga". Seguindo ao pé da letra essa definição, eu estaria desesperado com os malditos mosquitos que vêm à casa dos meus pais acabar com o meu sangue. Infelizmente, existem motivos maiores que esse me deixando desesperado.

Teoria
Alexandre viaja no dia primeiro de outubro. Saindo do apartamento dia 5 e da agência dia 11 de setembro, os dias que restam até o final do mês são mais que suficientes para arrumar suas coisas, resolver pendências e ainda dar uma moral pra saúde, visitando médicos e se exercitando feito um búfalo adolescente.

Prática
Alexandre sai do apartamento dia 5 e da agência dia 11 de setembro. Vai a tantos médicos que acaba inclusive fazendo exames repetidos. Depende de empresas, organizações e pessoas que não necessariamente colaboram no mesmo ritmo. Sofre com a falta de datas, ou o excesso delas - caso viajasse um mês ou dois mais tarde. Vê seu tempo ser ocupado por telefonemas intermináveis cobrando pendências que nem sabia que existia.

Problemas se acumulam. Amigos, não - afinal, a prioridade é resolver as pendengas que perturbam o seu sono. Que são muitas, contrastando com as poucas horas bem dormidas pensando nos milhares de assuntos do dia seguinte. Aliás, o dia seguinte sempre se estende para o dia seguinte, fazendo o dia seguinte ao seguinte demandar ao menos 1428 horas. Algo que obviamente não vai acontecer, deixando o dia seguinte a esse ainda mais lotado de assuntos a resolver. Que, provavelmente, não serão resolvidos.

O dinheiro vai embora antes da viagem. Não tem nem a decência de se despedir, só vira as costas e ri. Em espanhol, pra sair mais caro.

Resultado
Já é quase 30 de setembro (o dia deve ter virado quando acabar esse texto), não arrumei as malas, não preparei o portfólio, não ajeitei o que está no chão do quarto desde a mudança. Não comprei tudo o que vou levar, não separei documentos nem encerrei a conta corrente. Carol me espera no quarto, Alan está na sala e ainda nem limpei o mochilão - o que pelo menos me liberaria pra subir.

E eu aqui, escrevendo na Ponte.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O bom, o ruim e o desnecessário

Dizem que tem coisas que só acontecem com o Botafogo. Deus me livre de ser minimamente parecido com ele, mas algumas coisas bem escrotas têm acontecido:

1) Meu querido laptop está comigo há três anos. Passamos por muitas coisas boas e ruins, mas sempre mantivemos uma relação saudável. Até que, em uma noite tranqüila e divertida (a de ontem), ele contraiu um vírus. Eu me descuidei, é verdade, mas ele também deveria ter tomado precauções. Agora desconfiamos um do outro, e ele deve dar entrada no CTI amanhã. E o pior: quem morre na grana sou eu.

2) Meu querido CPF está comigo há sei lá quantos anos. Sempre cuidei bem dele, protegi sua reputação. Até que, um dia nebuloso e assustador, alguém faz três cartões em meu nome, usa meu CPF, gasta horrores, cria dívidas absurdas e totalmente irreais e acaba com meu crédito. E como só descubro isso perto de viajar, não consigo solucionar a tempo, tendo que contar com advogados, procurações, termos esquisitos na justiça e, acima de tudo, com a boa vontade alheia. E quem morre numa grana sou eu.

Mas pra não dizer que viraram um grande penico em cima da minha cabeça, tenho conseguido resolver pendengas importantes que só eu poderia dar um jeito. Nadei 1.000.000 de milímetros hoje e, como fez sol de verão sueco, pude adiantar um pouquinho o projeto "estereótipo-de-brasileiro-negão-malandro-carioca Barcelona 2009". E vi pessoas muito importantes na minha vida, que estavam sumidas mas não esquecidas.

Mas nada se iguala a essa notícia: vou cortar cabelo amanhã. Só não pode raspar a cabeça.

***

Por falar em notícias importantes, não poderia terminar o post sem essas dicas: pra quem gosta de subcelebridades sendo alvo de piadas, esse site; pra quem adora subcelebridades e sua vida cheia de acontecimentos interessantes e filosofias profundas em doses diárias, esse twitter.

Esse foi meu quinhão de notícias totalmente dispensáveis de hoje. De nada.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

4+7(+3)+3(+5)

Não, não é aquela prova das Olimpíadas do Faustão em que a pessoa ia num carrinho fazendo contas e, se errasse ao chegar no fim do percurso, ia de cara no chão. Nem é um teste pra saber se vocês precisaram colar pra passar de ano. Até porque, quem precisa de ajuda pra fazer a conta aí de cima provavelmente mal sabe assinar o nome - apesar de que tem muito miserável que não consegue assimilar que precisa lavar a mão depois de cagar, mas não erra uma maldita conta do crediário das Casas Bahia. E a conta não dá 22.

Seguindo a minha vontade de não fazer despedidas, acabei me despedindo de mais um monte de gente no fim de semana. Primeiro, 4 pessoas que marcaram meus 2 anos em Copa (estou arredondando o tempo porque nunca lembro o período exato). Depois, 10 pessoas da família, de sangue ou por afinidade. Fechando com mais 8 da família, pra todo mundo ter certeza de que vai se livrar de mim.

Foram dias de relembrar histórias, algumas que nem fazia tanta questão mas que acabaram me divertindo do mesmo jeito. Ir a lugares legais, ou ficar no melhor deles (quem mora ou já morou fora sabe que não existe nada igual à casa dos pais). E, como parte da tradição familiar, comer feito um porco depressivo com tênia.

Também foram dias de aprendizado. Por exemplo, descobri que o Dênis Marques sabe matar a bola no peito, ainda que ele faça isso muito bem no treino e no jogo mate todos os ataques do todo-poderoso (ps: Mengão rumo à Júpiter, que Tóquio é coisa de quem sonha baixo). Aprendi também que quem passa o carnaval em Ouro Preto pode voltar com a gengiva verde. Guna, se vocês preferirem.

Outra coisa muito importante que descobri: eu não sou um saco sem fundo, e como dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, meu estômago só pode aceitar algo se estiver minimamente liberado. Garganta não serve de depósito pra guardar coisas. Quer dizer, pra certas pessoas e casos, sim, mas eu não tenho nada a ver com isso.

É possível sair e economizar dinheiro. O nome disso é auto-controle. Finalmente eu aprendi mas, por segurança, vou escrever um manual de instruções sobre o assunto e deixar na carteira.

Dormir é importante, mas não pra mim. Posso descansar até 4 horas umas duas vezes por semana sem problemas.

São Pedro não é seu pai nem seu amigo. Se você quiser algo com relação ao tempo, fale com os russos, que jogam sal em nuvem e oscambau. Pedro não se importa com você.

Nem todos são amigos. Mas quando são, são muito. E nem distância ou tempo longe não fazem diferença.

***

Caso alguém ainda se lembre da minha promessa de escrever sobre a Bienal, explico: eu não quis. Mas isso é hoje; falo dela amanhã. E se alguém achar que o post acabou meio perdido, explico: não estava mais prestando a menor atenção ao que estava escrevendo. Tá vindo um cheiro absurdamente bom de empadão lá da cozinha. Quem mora na casa dos pais (e tem uma mãe que cozinha muito muito bem) sabe do que estou falando.

Viajar tem um quê de corredor da morte. Você sempre consegue umas regalias antes de ir.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A justiça é cega e malandra

Primeiro, eu era apenas uma criança ingênua. Cresci e me tornei um adolescente ingênuo. E foi com toda essa ingenuidade que escolhi fazer propaganda. Verdade seja dita, a escola não ajudou em nada na minha decisão. Digo isso porque, se alguém tivesse me orientado melhor e mostrado quanto dinheiro é possível ganhar simplesmente sendo dono de cartório, hoje eu não estaria dando dinheiro de bobeira para eles, e sim tomando dinheiro de bobeira de outros ingênuos como eu.

Pra quem não sabe como funciona o processo de abrir um cartório, eu explico. Ou melhor, o SEBRAE-SP explica: "os serviços prestados pelos cartórios de registro e notarias são considerados públicos e, por esse motivo são exercidos em caráter privado por meio de delegação do Poder Público. Dessa forma, o interessado deve participar de processo licitatório sob a modalidade de concurso público de provas e títulos". Entendeu?

Não importa. Pulem essa parte e façam as contas. Pra conseguir um documento de duas páginas que diz "eu, pai do Alexandre, tenho dinheiro pra manter meu filho no exterior", paguei 200 reais. Hoje, pra tirar um de três páginas que diz "eu, Alexandre, dou o direito dos meus pais cuidarem dos meus assuntos no Brasil", paguei mais 100 reais. Ou seja, 300 reais por 5 páginas. 60 reais por página. E ainda tem gente que discute se o melhor investimento são ações de risco da exportadora vietnamita de kiwi ou títulos James C-Bonds. O melhor investimento é vender documentos, ora!

Dizem que a justiça é cega. Pode ser, mas enxergou um meio bem fácil de ganhar dinheiro. E eu, que enxergo (não muito bem, pelo meu grau de miopia, mas enxergo), fico gastando o dinheiro que deveria me manter lá fora com ela.

***

Outra coisa que tenho feito muito ultimamente, além de dar dinheiro pra cartório, é ir a consultório. Consegui a façanha de fazer o mesmo exame duas vezes, porque dois médicos diferentes me pediram e eu nem me dei conta disso. O pior é que eu tinha que beber uma Jacuzzi de água e me segurar até acabar o ultrassom. Algo que me deixou literalmente de saco cheio.

Até aí nada demais, se não fosse um detalhe: fiz uma aplicação de laser nos olhos que, além de deixar minha retina com aquelas visões psicodélicas do Jimi Hendrix, ainda me obriga a ficar uma semana sem fazer atividades de impacto. Ou seja, minha córnea torta interfere também nos meus exercícios físicos. E pra completar, isso acontece com dias de sol de verão - sim, porque quando caía aquela chuva escrota dos últimos dias eu "podia" fazer o esporte que quisesse.

Das três semanas de natação, corrida e partidas de tênis que tinha planejado, vai me restar uma. Fora de ritmo e bem da xumbrega.

É melhor eu começar a rever o projeto "estereótipo-de-brasileiro-negão-malandro-carioca Barcelona 2009".

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

E eu não queria despedida

Pois é. Não queria. Mas elas estão acontecendo, e tudo o que eu posso fazer é comparecer. Afinal, a despedida é minha.

Mas não tenho do que reclamar, elas têm sido bem agradáveis - e nada tristes. Hoje foi a vez dos meus queridos mestres propagandeiros e incentivadores Felício e Caveira. Com a presença ilustre do Judá, a única pessoa que conheço que teve gripe suína e não precisou ficar em quarentena.

Almoçamos elegantemente olhando pra enseada de Botafogo, belos pratos de massa num excelente restaurante que não lembro o nome. Fechamos com cafés boladões do Starbucks. Conversamos bastante, rimos muito e ainda trocamos informações confidenciais que o Adonis e o Ehrlich (pra quem não conhece, o primeiro tem um blog sobre propaganda e o segundo... bom... tem o Colunistas) estão longe de saber. Por exemplo, a Euro RSCG vai virar CavEuro RSCG. Corram e mostrem a pasta pro Caveira, galera!

É sempre bom ver que você fez grandes amizades pelas agências que passou, em um meio lotado de egos inflados. Eu só tenho que agradecer por tudo.


***

Hoje também foi dia de Bienal. Só vou falar dela amanhã, na verdade. Mas não posso deixar de colocar aqui uma das melhores propagandas que vi nos últimos tempos. Mais um exemplo de criatividade com cara de Brasil, aquela irreverência e o jeito moleque que dão à publicidade do país um sotaque inconfundível. Outra peça de uma campanha que gostaria muito de ter feito, que abriria meu portfólio e me faria um profissional realizado:

 
Depois de criar algo assim lá fora, vou ganhar Cannes e voltar ao Brasil pra montar a TBWAlexandre.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Eu te amo!

Sete anos falam por si só. Mas não me importo nem um pouco em repetir.

 
É Albacete? Não resisto! (a foto é pra Carol; a piada, pros friburguenses)