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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Máquina de escrever

Se digo que vou fazer, faço. Ainda mais quando me dão motivos pra acreditar que o que penso faz sentido, e que estou no caminho certo:

"...and I write a lot. I have to… because I don’t want to be reminded again what happens when I stop."

Está mais do que na hora daquele bom e velho "deixa de ser fresco!" começar a valer de verdade.

***



Não que eu vá escrever poesia e ser cantado por ela mas, se é pra mirar alto, atira logo numa nuvem.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Seu lugar no mundo

O mundo é grande à beça. Pelo menos vinte e oito vezes maior que minhas pernas, tenho certeza. Talvez por isso você ande vários quilômetros, e outros tantos mais depois, e nunca chegue exatamente àquela placa de "bem-vindo a XXX" que esperava encontrar.

E não adianta esse monte de tecnologia que já inventaram, GPS, GoogleMaps e faróis de xenônio; encontrar o lugar onde quer passar um tempo da sua vida, algo entre 15 minutos e duas encarnações, não tem indicação clara disponível. Ou até tenha, mas é escrita em sânscrito rudimentar - e o único que poderia traduzir morreu há muito tempo. Que eu saiba.

É que seu lugar no mundo não é só onde você ganha dinheiro pra pagar a conta do seu celular, ou compra um lençol novo pra dar sorte no ano novo. Principalmente pra quem tem um mínimo de ambição. Seu lugar no mundo é - ou deveria ser - um pedaço de terra onde você ganha um salário pra fazer todas essas coisas, e muitas outras. Mas onde essa grana vem por um trabalho legal que te deixa feliz e realizado. Também é um lugar onde existem coisas pra se fazer pelos outros, de preferência em grande escala. Ou na maior escala possível. "Devagar se vai ao longe", que nada! Quem caminha com passos curtinhos é pinguim, e por isso ele só consegue sair do pólo Sul se der a sorte de viajar num iceberg desgovernado. E o animal ainda por cima tem asa e não voa, uma prova viva de desperdício de possibilidades.

Tão feliz quanto quem já encontrou seu lugar no mundo é quem tem a coragem de buscar esse lugar.


Se você luta contra quem você é, se machuca.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Fomentando o desemprego

Crise, postos de trabalho sumindo, grana curta. Não importa. Sou a favor de acabar com a "profissão" de crítico.

Profissão entre aspas, mesmo. Ó só: como o próprio nome diz, a função do crítico é criticar - coisa que todo mundo pode fazer, já que costumamos ter opinião sobre tudo. É só pensar que somos 190 milhões de técnicos em ano de Copa, 190 milhões de autores na última semana da novela e 190 milhões de analistas políticos em... bom, não é pra tanto. Mas o importante é que cada um tem a sua opinião, não faz falta que pensem por nós. Por mais que alguns prefiram.

Outro ponto importante: as críticas dos "profissionais" tendem a ser destrutivas. Dificilmente você vai ler "excelente obra, um poço de criatividade" ou "finalmente uma obra inspiradora e que desafia os paradigmas". A não ser que role o famoso jabá. Caso contrário, a chance de ser humilhado, trucidado e mijado - com uma alta dose de ironia - é grande. E, convenhamos, pra destruir o trabalho de um já bastam seus competidores e inimigos em geral.

Além disso, não é necessário que alguém diga o que devemos ou não gostar, o que vale a pena ser visto e o que  (ou quem) deve ser queimado. Como deveria ter ficado subentendido há dois parágrafos, gosto é pessoal. Se eu gosto de uma coisa e você não, problema meu. Ou seu. E vice-versa. Mas "eles não têm aquela chispa, aquele quê de inovação e o frescor da nova geração que provoca inquietude"? Pois vá pro inferno, eu curti e ponto final. Vai cagar regra pros seus filhos - se alguém topar ter filhos com uma pessoa tão insuportável como você.

Meu consolo é que essa raça parece ser estéril, tipo cruzamento de cavalo e burro (uma das duas espécies sendo fêmea, claro). E, se não se reproduzem, mantenho a esperança de que um dia eles entrarão em extinção. Sem nenhuma ONG que mantenha um par em cativeiro.

No mais, por que alguém deveria ganhar dinheiro para fazer (mal, ou de má vontade) o que fazemos grátis todo santo dia? Receber para conhecer arte antes dos outros para falar mal e cortar a possibilidade de que as conheçamos? Isso me cheira a uma forma barata (para eles, que ganham pelo "trabalho") de disfarçar a ranzinzez de não ter talento para fazer arte. Aí, o que sobra é falar dela. Destruí-la, na verdade. "Se eu não faço, ninguém faz".

Por mim, iam todos ficar de flanelinha na porta do Caldeirão da Via Show. Ouvindo cover do Soweto a noite inteira.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O ritmo da vida

Escutando: Trem das onze, com Gal Costa
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua

Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos mais preguiçosos rápidos que deve ser um texto um pouco mais longo. Assim que vou colocar umas partes em negrito pra quem quiser fazer leitura dinâmica.

Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.

Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.

As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.

Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?

Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.

Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.

Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.

A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.

Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.

Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.

Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.

De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.

Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Concurso "Cara limpa, bunda suja"

Nos últimos dias, alguns esportistas famosos deram muito o que falar na mídia. Primeiro, Henry e sua mão no jogo contra a Irlanda, que classificou a França pro mundial da África do Sul - aquele que é logo ali. Depois, Tiger Woods e a fofoca notícia do seus casos extraconjugais.

O curioso é que ambos são garotos-propaganda da Gillette. O que me fez pensar: o que vão aprontar seus outros dois companheiros de barba feita, Kaká e Roger Federer?

Assim, acabo de lançar o primeiro concurso da Ponte Elétrica. Cara limpa, bunda suja. Opinem, divulguem e torçam. O resultado sai assim que eles fizerem alguma cagada, claro. E, além de se divertir, você ainda tem a chance de levar um exclusivo prêmio pra casa: um Mach 3 Champions com duas giletes de refil e um saco de papel - pra esconder sua cara dos fotógrafos se um dia for famoso e fizer besteira.

Boa sorte!
















Eu dou minha cara à tapa se você acertar e o Alexandre não mandar o prêmio!