Eu não gosto de MMA, vale-tudo etc. Acho mongolóide entrar num ringue pra encarar um bombadão que vai bater em você caído, de preferência até que apague. São animais no cio lutando pelo controle de um território octogonal gradeado, ou por uma fêmea que não existe. Pra mim, arte marcial misturada é coisa de moleque que briga em saída de boate.
Mas ontem fui ver dois grandes amigos e eles curtem isso. Como era dia de UFC 2983 ou outro número menor, abrimos uns bons vinhos (porque somos civilizados demás) e fiquei fazendo piadas escrotas enquanto eles se divertiam com juízes patolando lutadores e marmanjos arranhando outros com a barba.
Mas a experiência psicossocioantropológica me ajudou a chegar numa conclusão: o cara que resolve ganhar a vida tomando bomba, usando shortinho da Bad Boy atochado e sendo estrangulado na frente de milhares de pessoas tem mais é que apanhar mesmo.
E, se um dia eu encontrar um desses cretinos na rua, dou logo um pescotapa pra ficar esperto.
Pescotapa, não. Faço que nem o Zangief mirim e dou logo um pilão pro cara ficar esperto.
***
Se fosse Twitter, eu lançaria uma hashtag "ficaadica". O que seria escroto, já que ninguém pediu minha opinião. Mas, se for pra parecer um animal, tio Alceu já mandou a real.
Pra deixar em pedaços o meu coração e meus nervos de aço no chão, que seja assim.
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domingo, 20 de março de 2011
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Amigo oculto
Os caras eram reis, magos e empreendedores. Caminharam um tempão no deserto, seguindo uma estrela, pra dar mirra, ouro e incenso a um menino que nem conheciam. O investimento deu certo, e hoje eles fazem parte da história da humanidade - ainda que poucas pessoas se lembrem do nome dos três.
Assim surgiu o amigo oculto. As regras mudaram. Hoje, nem mesmo o filho do chefe leva todos os presentes. A não ser que ele seja filho do Chefe, mas há mais de 2000 anos que isso não acontece. A intenção, porém, é a mesma: dar um presente a alguém que talvez você nunca tenha visto na vida. Ou não tem intimidade. Ou não se importa, mesmo.
Isso faz qualquer ser com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor pensar no valor de suas amizades. Outro dia, abri a carteira e pude contar quanto me custaram algumas. Guardei na gaveta da memória, tranquei a chave e joguei na cápsula que estão mandando pro espaço. Obrigado, Nasa.
Conhecidos, são inúmeros. Colegas, quem tem é a garota da laje de Mesquita. Bons colegas, o pai dela. Amigos - no sentido strictu/latu/ponderadu sensu da palavra, são poucos. E, pela primeira vez na minha vida, percebi que posso contar nos dedos. Mãos e pés, mas bem menos do que imaginava.
Obrigado a todos os envolvidos no processo. Vou começar 2011 muito mais feliz. E gastando menos dinheiro com amigo oculto.
Assim surgiu o amigo oculto. As regras mudaram. Hoje, nem mesmo o filho do chefe leva todos os presentes. A não ser que ele seja filho do Chefe, mas há mais de 2000 anos que isso não acontece. A intenção, porém, é a mesma: dar um presente a alguém que talvez você nunca tenha visto na vida. Ou não tem intimidade. Ou não se importa, mesmo.
Isso faz qualquer ser com telencéfalo altamente desenvolvido e polegar opositor pensar no valor de suas amizades. Outro dia, abri a carteira e pude contar quanto me custaram algumas. Guardei na gaveta da memória, tranquei a chave e joguei na cápsula que estão mandando pro espaço. Obrigado, Nasa.
Conhecidos, são inúmeros. Colegas, quem tem é a garota da laje de Mesquita. Bons colegas, o pai dela. Amigos - no sentido strictu/latu/ponderadu sensu da palavra, são poucos. E, pela primeira vez na minha vida, percebi que posso contar nos dedos. Mãos e pés, mas bem menos do que imaginava.
Obrigado a todos os envolvidos no processo. Vou começar 2011 muito mais feliz. E gastando menos dinheiro com amigo oculto.
segunda-feira, 12 de julho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Parabéns per tothom
No aniversário do amigo, quem ganha o presente é... bem, ninguém. Em todo o caso, parabéns, sinhô Serpa-chefe-de-seção. Parabéns também Dioguinho, que tenho certeza absoluta que não lê a Ponte mas merece a homenagem de qualquer forma.
E nessa mistura de português com catalão, lembro que minha contagem regressiva acaba de chegar aos supimpas 64 dias.
E nessa mistura de português com catalão, lembro que minha contagem regressiva acaba de chegar aos supimpas 64 dias.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Há dias
O verbo haver é engraçado, apesar de eu nunca rir muito dele. Ou com ele, pra não ser irônico com um grande auxiliar da nossa língua. Caso você fale como eu, claro. Sendo que eu relevo sotaques, gírias e palavras diferentes em geral. Tudo em prol de Camões, Fernando Pessoa e Beto Jamaica.
Há dias eu penso em escrever algo além do que tenho feito. Mais do que problemas de caráter pessoal. Até que, de repente, a gente percebe que "problema" é uma palavra mal utilizada. Problema é tão relativo quanto a teoria de Eistein, só que envolve semântica - aquela palavra que ninguém entende muito bem onde entra ou como funciona no dia-a-dia.
Há dias em que a gente espera A e acontece B. Há dias em que estamos assim e passa assado. Há dias tenho uma sensação estranha que defino como saudade. Há dias eu espero que algo aconteça, que algo venha e me mostre porque há dias em que um simples telefonema muda tudo.
Pois aí está. Aqui, no caso. Hoje. Uma perda que dói como se fosse minha, que mexe comigo como se estivesse batendo no meu ombro enquanto penso no que não gosto de imaginar. Como aquele conhecido distante que, vez ou outra, chama baixinho pra avisar que ainda existe, que nunca esquece de ninguém e que estará sempre ali, à espreita, esperando uma oportunidade para se fazer maior que você.
Há dias em que a gente entende porque é tão pequeno, se comparado ao universo que nunca vamos conhecer mas que nos espera a todos.
Há dias eu penso em escrever algo além do que tenho feito. Mais do que problemas de caráter pessoal. Até que, de repente, a gente percebe que "problema" é uma palavra mal utilizada. Problema é tão relativo quanto a teoria de Eistein, só que envolve semântica - aquela palavra que ninguém entende muito bem onde entra ou como funciona no dia-a-dia.
Há dias em que a gente espera A e acontece B. Há dias em que estamos assim e passa assado. Há dias tenho uma sensação estranha que defino como saudade. Há dias eu espero que algo aconteça, que algo venha e me mostre porque há dias em que um simples telefonema muda tudo.
Pois aí está. Aqui, no caso. Hoje. Uma perda que dói como se fosse minha, que mexe comigo como se estivesse batendo no meu ombro enquanto penso no que não gosto de imaginar. Como aquele conhecido distante que, vez ou outra, chama baixinho pra avisar que ainda existe, que nunca esquece de ninguém e que estará sempre ali, à espreita, esperando uma oportunidade para se fazer maior que você.
Há dias em que a gente entende porque é tão pequeno, se comparado ao universo que nunca vamos conhecer mas que nos espera a todos.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Saudade?
Talvez, se isso for aquela coisa que faz tudo recordar o que deixamos pra trás - ou momentaneamente de lado. Desde um dia que começa com o sol batendo forte na sua janela até um mísero meio pacote de feijão guardado no fundo do armário, e que você encontra sem querer.
Talvez, se isso for aquela palavra que só existe em português e que precisamos de um dia inteiro para explicar. Ou um telefonema para justificar.
Talvez, se isso for aquela história de "tá tudo certo", "não vou pensar nisso agora", "tudo se ajeita, sem problema" ou outras frases entre aspas.
Talvez, se isso for aquela vontade de saber de quem é importante para você.
Notícias de todos, quero saber.
Talvez, se isso for aquela palavra que só existe em português e que precisamos de um dia inteiro para explicar. Ou um telefonema para justificar.
Talvez, se isso for aquela história de "tá tudo certo", "não vou pensar nisso agora", "tudo se ajeita, sem problema" ou outras frases entre aspas.
Talvez, se isso for aquela vontade de saber de quem é importante para você.
Notícias de todos, quero saber.
domingo, 28 de março de 2010
"... no túnel do tempo"
São 5h e ainda estou acordado. É verdade que hoje adiantamos o relógio em uma hora, mas só isso não justificaria eu estar escrevendo. Tampouco posso resumir a volta da minha insônia ao fuso horário - depois de mais de cinco meses em Barcelona, seria algo tão factível quanto o Barrichello dizer que perdeu (mais) uma corrida porque está se acostumando à forma de conduzir da F1.
Sinceramente, tenho sentido saudades do Brasil nas últimas semanas. Mais do que das fronteiras imaginárias que limitam nosso país e não acredito muito, mas sim de tudo o que está contido nelas. A milionésima crise mental que me assola me faz pensar em tudo o que tenho, ou creio que ainda tenho, na minha querida terra.
Nesse momento os vazios são mais vazios, o silêncio grita ainda mais alto, o skype que não toca me deixa mais mudo, o emprego que não tenho aponta o dedo com mais convicção. Aquela ligação besta de cinco minutos pra um amigo faz tanta falta quanto feijão com arroz, a pipoca do cinema me faz salivar, um chope com os que ficaram é um porre de tristeza. E até a felicidade que deveria sentir em pensar em espanhol antes do português na hora de escrever este text me parece uma enorme babaquice.
Pois calhou de eu entrar nos quilométricos túneis do metrô de Barna hoje à noite, indo ver o jogo do Barça, e sentir um pouco de nostalgia extra. No caminho para Joanic (linha 4, amarela) - também conhecido como corredor polonês - havia um cara com toda a pinta de gringo, tocando teclado. A música? Essa! Pra ser sincero, estava bem bosta. Mas foi engraçado ver duas mulheres passando pelo cara e rebolando de leve, brincando com ele - e ver como ele errava as notas depois, e demorava a se reencontrar.
Não dei dinheiro, tanto por estar estragando minhas belas memórias como porque, se fosse pra ajudar alguém, seria um brasileiro. Muy bien, eis que desço um par de escadas e escuto "hoje à tarde a Ponte engarrafou, e eu fiquei a pé...". O sotaque era inconfundível: brasileiro!
Passei, encontrei um euro na carteira e, mesmo correndo o risco de inflacionar o mercado, deixei a moeda no chapéu estilo quipá-baiano-da-vovó de um tiozinho com dread. Sem pedir troco. Ele pára, me olha e diz "muy amable". Achei legal e respondi "tá maneiro, brasileiro, você merece". Eis que ele abre um sorriso e, mal eu viro e volto ao meu caminho, ele manda "então, tá". E me sai com isso aqui. Com uma voz bem melhor que a do papai da Bossa Nova.
Admito que o dia não foi exatamente como esperava, depois de me levantar com boas sensações e um sorriso enorme no rosto. Mas isso me fez um bem como poucas coisas - inclusive as que esperava - teriam conseguido. Por alguns momentos, isso aqui (ô, ô) foi um pouquinho de Brasil (iá, iá).
Sim, com saudade e sentindo muito algumas coisas. Mas, sim, feliz.
Sinceramente, tenho sentido saudades do Brasil nas últimas semanas. Mais do que das fronteiras imaginárias que limitam nosso país e não acredito muito, mas sim de tudo o que está contido nelas. A milionésima crise mental que me assola me faz pensar em tudo o que tenho, ou creio que ainda tenho, na minha querida terra.
Nesse momento os vazios são mais vazios, o silêncio grita ainda mais alto, o skype que não toca me deixa mais mudo, o emprego que não tenho aponta o dedo com mais convicção. Aquela ligação besta de cinco minutos pra um amigo faz tanta falta quanto feijão com arroz, a pipoca do cinema me faz salivar, um chope com os que ficaram é um porre de tristeza. E até a felicidade que deveria sentir em pensar em espanhol antes do português na hora de escrever este text me parece uma enorme babaquice.
Pois calhou de eu entrar nos quilométricos túneis do metrô de Barna hoje à noite, indo ver o jogo do Barça, e sentir um pouco de nostalgia extra. No caminho para Joanic (linha 4, amarela) - também conhecido como corredor polonês - havia um cara com toda a pinta de gringo, tocando teclado. A música? Essa! Pra ser sincero, estava bem bosta. Mas foi engraçado ver duas mulheres passando pelo cara e rebolando de leve, brincando com ele - e ver como ele errava as notas depois, e demorava a se reencontrar.
Não dei dinheiro, tanto por estar estragando minhas belas memórias como porque, se fosse pra ajudar alguém, seria um brasileiro. Muy bien, eis que desço um par de escadas e escuto "hoje à tarde a Ponte engarrafou, e eu fiquei a pé...". O sotaque era inconfundível: brasileiro!
Passei, encontrei um euro na carteira e, mesmo correndo o risco de inflacionar o mercado, deixei a moeda no chapéu estilo quipá-baiano-da-vovó de um tiozinho com dread. Sem pedir troco. Ele pára, me olha e diz "muy amable". Achei legal e respondi "tá maneiro, brasileiro, você merece". Eis que ele abre um sorriso e, mal eu viro e volto ao meu caminho, ele manda "então, tá". E me sai com isso aqui. Com uma voz bem melhor que a do papai da Bossa Nova.
Admito que o dia não foi exatamente como esperava, depois de me levantar com boas sensações e um sorriso enorme no rosto. Mas isso me fez um bem como poucas coisas - inclusive as que esperava - teriam conseguido. Por alguns momentos, isso aqui (ô, ô) foi um pouquinho de Brasil (iá, iá).
Sim, com saudade e sentindo muito algumas coisas. Mas, sim, feliz.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Palamós, Girona, Catalunya, España (ou não)
Quer viajar barato? Pergunte-me como.
E a resposta será "com amigos legais que façam aniversário quando você tem disponibilidade de dias e horas e que resolvam passar um dia na casa de veraneio da família". Pois foi exatamente o que aconteceu nesse fim-de-semana. Por isso, no capítulo de hoje da Ponte Elétrica...
Palamós
Sorrio, eu estive em Palamós.
Pré-história
Alexandre acorda às 8h de sexta e vai pra classe de catalão. Está de volta 13h, almoça e vai pro mestrado às 15h30. Tem aula de 17h às 21h e vai pra casa do aniversariante, Alex (o mesmo da foto de umas postagens atrás). Sai às 5h30, vai dormir às 6h - na casa de um casal de amigos - e levanta às 8h para outro dia de mestrado. Tem aula de 9h às 14h, sai e pega a estrada direto para a casa dos pais do seu companheiro de piso, que fazem uma (outra) calçotada. O almoço pesa, mas ele sai de Premià del Mar - onde vivem - às 18h e pega a estrada outra vez, para Palamós.
Período contemporâneo
Alexandre chega às 20h, a tempo de ver o jogo do Barça. Que empata, e cede a liderança pro (maldito) Madrid pelo saldo de gols. Nesse meio tempo chega o dono da casa, sua namorada e mais um casal de amigos, e vamos jantar. E, a partir daqui, posso descrever tudo pra vocês.
Palamós é um povoado de praia lá pras bandas de Girona, cidade distante 1h40 de Barcelona, onde fica um dos aeroportos grandes da província. É pequenininho, tem cara de cidadezinha da costa nordestina com o turismo como única vocação. Mas não decepciona, porque sabe como explorá-lo.
As ruas são limpas e tudo é bem sinalizado. A praia é limpíssima (vi no dia seguinte, porque à noite é escuro - momento Cléber Machado). Os restaurantes são excelentes, tanto que vão ganhar um parágrafo ou dois à parte. Não tem muito o que fazer à noite, ao menos no inverno. Mas isso não importa quando seu plano é viajar pra casa de um amigo em vez de um hostel em Mikonos.
Coincidentemente, todos os (dois) restaurantes que fomos ficam na carrer Mauri Vilar. Sábado à noite, Can Camí (acho que esse é o nome), um "serve-serve-se" de tapas - que ficam em cima da barra do bar. Você pega, come e deixa os palitinhos que vêm cravados nela no seu prato. Na hora de pagar, contam os palitinhos e te cobram. Existem grandes chances de você topar ali com uma galera mais velha bailando flamenco de forma no mínimo esquisita (talvez por estarem meio borrachos). Além do mais, o local é tomado de desenhos pornográficos na parede. Charmosão.
Já o almoço de domingo foi num local todo bonitinho, com pratos regados e atendimento personalizado (meia hora depois de chegarmos, só tinha a gente) por 15 € o menú. Ô, 15 €! Se pensar que um Burger King te sai à uns 8 €, "tá delícia, tá gostoso". Há muito tempo um espaguete à bolonhesa e um peito de frango com molho alioli não descia tão bem.
Pra fechar o domingão com chave de ouro (apesar de ter vindo antes do almoço), fizemos uma trilha por Castell, que, tal qual a África do Sul, fica logo ali. Pena não ter levado a câmera, porque teria feito umas fotos lindas do lugar. Que é lindo. Uma água transparente estilo filme de 007 que você vê ainda melhor quando sobe o morrinho que fica do lado. Tipo o costão de Itacoatiara, só que menos costão e mais morrinho. Aprendi a encontrar aspárragos, vi um cachorro-vaca e a casa de Dalí - que não sei se era realmente dele, mas tem uma porta em diagonal pra entrar e se parece muito um estúdio, mas sem banheiro (talvez ele levasse a história de "cagar no mato" ao pé da letra). Ah, e também aprendi um pouco sobre a história do lugar, já que em cima do morro tem um sítio arqueológico e eles explicam muita coisa bacana numa daquelas placas turísticas gigantes. En català, cla. Espanhol, em segundo plano.
Pois fica a dica. Se você vier morar em Barcelona ou mochilar por mais do que aqueles três dias de turismo Gaudí-Ramblas-Raval-Gótico, comece a procurar uma pessoa legal que te convide pra um final de semana em Palamós, Girona, Catalunya. Ou, se eu não estiver mais aqui, me pague um bilhete de avião que te levo com o maior prazer.
Adendo: Palamós, o time da cidade, tomou de seis do time daqui de El Prat hoje. Visc al Prat! Visc a Catalunya!
E a resposta será "com amigos legais que façam aniversário quando você tem disponibilidade de dias e horas e que resolvam passar um dia na casa de veraneio da família". Pois foi exatamente o que aconteceu nesse fim-de-semana. Por isso, no capítulo de hoje da Ponte Elétrica...
Palamós
Sorrio, eu estive em Palamós.
Pré-história
Alexandre acorda às 8h de sexta e vai pra classe de catalão. Está de volta 13h, almoça e vai pro mestrado às 15h30. Tem aula de 17h às 21h e vai pra casa do aniversariante, Alex (o mesmo da foto de umas postagens atrás). Sai às 5h30, vai dormir às 6h - na casa de um casal de amigos - e levanta às 8h para outro dia de mestrado. Tem aula de 9h às 14h, sai e pega a estrada direto para a casa dos pais do seu companheiro de piso, que fazem uma (outra) calçotada. O almoço pesa, mas ele sai de Premià del Mar - onde vivem - às 18h e pega a estrada outra vez, para Palamós.
Período contemporâneo
Alexandre chega às 20h, a tempo de ver o jogo do Barça. Que empata, e cede a liderança pro (maldito) Madrid pelo saldo de gols. Nesse meio tempo chega o dono da casa, sua namorada e mais um casal de amigos, e vamos jantar. E, a partir daqui, posso descrever tudo pra vocês.
Palamós é um povoado de praia lá pras bandas de Girona, cidade distante 1h40 de Barcelona, onde fica um dos aeroportos grandes da província. É pequenininho, tem cara de cidadezinha da costa nordestina com o turismo como única vocação. Mas não decepciona, porque sabe como explorá-lo.
As ruas são limpas e tudo é bem sinalizado. A praia é limpíssima (vi no dia seguinte, porque à noite é escuro - momento Cléber Machado). Os restaurantes são excelentes, tanto que vão ganhar um parágrafo ou dois à parte. Não tem muito o que fazer à noite, ao menos no inverno. Mas isso não importa quando seu plano é viajar pra casa de um amigo em vez de um hostel em Mikonos.
Coincidentemente, todos os (dois) restaurantes que fomos ficam na carrer Mauri Vilar. Sábado à noite, Can Camí (acho que esse é o nome), um "serve-serve-se" de tapas - que ficam em cima da barra do bar. Você pega, come e deixa os palitinhos que vêm cravados nela no seu prato. Na hora de pagar, contam os palitinhos e te cobram. Existem grandes chances de você topar ali com uma galera mais velha bailando flamenco de forma no mínimo esquisita (talvez por estarem meio borrachos). Além do mais, o local é tomado de desenhos pornográficos na parede. Charmosão.
Já o almoço de domingo foi num local todo bonitinho, com pratos regados e atendimento personalizado (meia hora depois de chegarmos, só tinha a gente) por 15 € o menú. Ô, 15 €! Se pensar que um Burger King te sai à uns 8 €, "tá delícia, tá gostoso". Há muito tempo um espaguete à bolonhesa e um peito de frango com molho alioli não descia tão bem.
Pra fechar o domingão com chave de ouro (apesar de ter vindo antes do almoço), fizemos uma trilha por Castell, que, tal qual a África do Sul, fica logo ali. Pena não ter levado a câmera, porque teria feito umas fotos lindas do lugar. Que é lindo. Uma água transparente estilo filme de 007 que você vê ainda melhor quando sobe o morrinho que fica do lado. Tipo o costão de Itacoatiara, só que menos costão e mais morrinho. Aprendi a encontrar aspárragos, vi um cachorro-vaca e a casa de Dalí - que não sei se era realmente dele, mas tem uma porta em diagonal pra entrar e se parece muito um estúdio, mas sem banheiro (talvez ele levasse a história de "cagar no mato" ao pé da letra). Ah, e também aprendi um pouco sobre a história do lugar, já que em cima do morro tem um sítio arqueológico e eles explicam muita coisa bacana numa daquelas placas turísticas gigantes. En català, cla. Espanhol, em segundo plano.
Pois fica a dica. Se você vier morar em Barcelona ou mochilar por mais do que aqueles três dias de turismo Gaudí-Ramblas-Raval-Gótico, comece a procurar uma pessoa legal que te convide pra um final de semana em Palamós, Girona, Catalunya. Ou, se eu não estiver mais aqui, me pague um bilhete de avião que te levo com o maior prazer.
Adendo: Palamós, o time da cidade, tomou de seis do time daqui de El Prat hoje. Visc al Prat! Visc a Catalunya!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Tempo vai, tempo vem...
...e as coisas vão acontecendo. Mudando, seguindo, deixando e se revelando. Passando, no sentido bilíngüe da palavra. Mas, depois de quatro meses e meio, o que eu poderia esperar?
Muita coisa. Começo a pensar em catalão, não apenas antes do castelhano mas antes mesmo do português. De vez em quando me pego ouvindo "cla" ou "altre vegada més, Alexandre?" dentro da minha sempre confusa cabeça. O que é bom, já que significa que aprendo rápido. E ruim, pois me dá uma língua mais pra errar. Como errar é humano, defequei pro fato.
Sinto minhas novas amizades cada vez mais minhas de verdade. Pessoas que gostam de mim e me têm como amigo, boa pessoa, ser diferente e interessante, qualquer coisa dessas que no fim das contas me agrada. Na minha segunda calçotada, domingo passado, infelizmente Alberto passou mal e foi embora mais cedo. Infelizmente mesmo, foi uma perda e tanto no dia. Mas fiquei com a galera, preparei calçots, conversei e ri e aprendi e fiz planos. Divertidíssimo. É muito bom você se sentir parte da vida de pessoas que gosta:
Ilde (esq), Alex, Alex e Carmelo, por exemplo.
Ou Alex (esq), Alex, Martí, Danae e (mão do) Carmelo, por outro exemplo.
Fazendo justiça às amizades, explico o porquê da minha felicidade com todos. Ilde é gente finíssima e me pôs como parte do bando. Alex de óculos me adotou desde que estive em Sevilla. Alex sem óculos, desde que cheguei - e por ser uma pessoa extremamente criativa (como muitos outros; não quero desmerecer ninguém), tem me ajudado muito no momento inspiradíssimo pelo qual tenho passado. Carmelo também me adotou desde que cheguei (assim como Neus, sua parella) e me tem uma amizade que dá gosto. Danae, namorada de Alex de óculos, não só me deu toda atenção do mundo desde que nos conhecemos como foi a primeira a me adotar como catalão - inclusive com "el kit del bon català" de amigo-oculto de Natal (inclusive, tirei ela). E Martí, além de me adotar como amigo de cara, foi a única testemunha do meu sofrimento (e êxtase) no último jogo do todo-poderoso, contra o Grêmio, televisionado e chorado mas com final feliz.
A descrição é grande, eu sei. Mas o carinho que tenho por eles, e outros que não estão nas fotos, é incomparavelmente maior. É a maior prova de que coisas maravilhosas podem vir em um curto espaço de tempo.
***
E o tempo vai levando coisas boas, deixando no lugar certa sensação de vazio e tristeza. O carnaval daqui é uma bosta. Juntando o fato de eu ser vidrado no do Brasil, tenho passado dias caídos. Escrotos, pra ser mais exato.
Mas, sinceramente, isso é o de menos. O pior é ver que todo um país (também conhecido como "pessoas que você gosta muito") te deixam em segundo plano nessa época. Defequei novamente - disse, acabou e pronto. Começo a entender como as coisas devem funcionar a partir de agora. Se ninguém é sincero comigo ou me tem como prioridade, farei o mesmo.
De repente isso me relaxa, tira o peso dos meus ombros e me permite tocar os projetos que tenho por aqui. Que são muitos. E não interessam a mais ninguém além de mim.
Muita coisa. Começo a pensar em catalão, não apenas antes do castelhano mas antes mesmo do português. De vez em quando me pego ouvindo "cla" ou "altre vegada més, Alexandre?" dentro da minha sempre confusa cabeça. O que é bom, já que significa que aprendo rápido. E ruim, pois me dá uma língua mais pra errar. Como errar é humano, defequei pro fato.
Sinto minhas novas amizades cada vez mais minhas de verdade. Pessoas que gostam de mim e me têm como amigo, boa pessoa, ser diferente e interessante, qualquer coisa dessas que no fim das contas me agrada. Na minha segunda calçotada, domingo passado, infelizmente Alberto passou mal e foi embora mais cedo. Infelizmente mesmo, foi uma perda e tanto no dia. Mas fiquei com a galera, preparei calçots, conversei e ri e aprendi e fiz planos. Divertidíssimo. É muito bom você se sentir parte da vida de pessoas que gosta:
Ilde (esq), Alex, Alex e Carmelo, por exemplo.
Ou Alex (esq), Alex, Martí, Danae e (mão do) Carmelo, por outro exemplo.
Fazendo justiça às amizades, explico o porquê da minha felicidade com todos. Ilde é gente finíssima e me pôs como parte do bando. Alex de óculos me adotou desde que estive em Sevilla. Alex sem óculos, desde que cheguei - e por ser uma pessoa extremamente criativa (como muitos outros; não quero desmerecer ninguém), tem me ajudado muito no momento inspiradíssimo pelo qual tenho passado. Carmelo também me adotou desde que cheguei (assim como Neus, sua parella) e me tem uma amizade que dá gosto. Danae, namorada de Alex de óculos, não só me deu toda atenção do mundo desde que nos conhecemos como foi a primeira a me adotar como catalão - inclusive com "el kit del bon català" de amigo-oculto de Natal (inclusive, tirei ela). E Martí, além de me adotar como amigo de cara, foi a única testemunha do meu sofrimento (e êxtase) no último jogo do todo-poderoso, contra o Grêmio, televisionado e chorado mas com final feliz.
A descrição é grande, eu sei. Mas o carinho que tenho por eles, e outros que não estão nas fotos, é incomparavelmente maior. É a maior prova de que coisas maravilhosas podem vir em um curto espaço de tempo.
***
E o tempo vai levando coisas boas, deixando no lugar certa sensação de vazio e tristeza. O carnaval daqui é uma bosta. Juntando o fato de eu ser vidrado no do Brasil, tenho passado dias caídos. Escrotos, pra ser mais exato.
Mas, sinceramente, isso é o de menos. O pior é ver que todo um país (também conhecido como "pessoas que você gosta muito") te deixam em segundo plano nessa época. Defequei novamente - disse, acabou e pronto. Começo a entender como as coisas devem funcionar a partir de agora. Se ninguém é sincero comigo ou me tem como prioridade, farei o mesmo.
De repente isso me relaxa, tira o peso dos meus ombros e me permite tocar os projetos que tenho por aqui. Que são muitos. E não interessam a mais ninguém além de mim.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O ritmo da vida
Escutando: Trem das onze, com Gal Costa
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua
Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos maispreguiçosos rápidos que deve ser um texto um pouco mais longo. Assim que vou colocar umas partes em negrito pra quem quiser fazer leitura dinâmica.
Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.
Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.
As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.
Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?
Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.
Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.
Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.
A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.
Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.
Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.
Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.
De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.
Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua
Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos mais
Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.
Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.
As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.
Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?
Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.
Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.
Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.
A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.
Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.
Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.
Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.
De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.
Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.
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