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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Incluzão diji e tau (sei lá como se escreve)

Muita coisa mudou desde o início da internet comercial no Brasil - do barulinho irritante do modem que se conectava a 0.5 kb/ano-luz ao conteúdo divulgado (pornô em 95, pornô HD em 2011). O brasileiro tem acesso cada vez mais fácil ao mundo virtual. Seja no iPad 3G, nas lan houses nas favelas ou com a wireless-pra-inglês-ver no calçadão, você só não está checando seu Orkut e curtindo as últimas notícias do Kibe Loco se não quiser. E a principal vantagem da internet continua sendo o acesso à informação, referências, cultura em geral. Finalmente, você pode ler/ver/ouvir o que sempre quis ou nem sabia que queria, sem precisar sair de casa ou gastar uma grana indo pra longe.

Mas a inclusão digital está mostrando que o "avanço na educação" é, no mínimo, relativo. Eu continuo sendo crítico com relação aos dados divulgados pelos governos Lula e antecessores. Afinal, a aprovação automática ainda existe, sim, mesmo que não oficialmente. O salário dos professores e as condições de boa parte das escolas municipais e estaduais são medíocres. O sistema de ensino decoreba cria repetidores de mensagens, não cidadãos pensantes. As cotas nas universidades mascaram a deficiência dos estudantes no ensino de base, e a proliferação das faculdades privadas transformou a educação superior em um negócio lucrativo e ineficaz. Tudo com a permissão do Ministério da Educação.

Pra quem discorda, "...sou oneste ecarilhoso telho tande carinho para dar sou uma peços mega e muite carinhoso..." (todo o texto aqui). Ou, "chupa de cranismo".

É triste admitir mas, pelo visto, nem o jardineiro salva.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Um assunto polêmico

Não, não estou falando disso. Eu bem que tentei resistir, mas não consigo não comentar a ocupação da reitoria da USP por alguns estudantes.

Resumindo a situação: a USP é uma universidade pública, portanto quem tem poder de atuar lá dentro é a PF. Porém, a presença da PM foi aprovada pelo Conselho Gestor da universidade após um estudante de engenharia ter sido assassinado no estacionamento da faculdade. Há pouco tempo, a polícia prendeu três estudantes que puxavam um lá dentro. Começaram os protestos, contra e a favor da presença dos homens de farda. Após manifestações e conflitos, alguns estudantes invadiram a reitoria, não cumpriram prazos de reintegração de posse e só foram retirados após a entrada da tropa de choque.

Não interessa minha posição com relação à maconha, a questão aqui é outra. Ou melhor, são outras:

- os estudantes reclamam de uma possível agressividade policial, assim como jornalistas reclamam de uma suposta agressão por parte dos invasores - que teriam inclusive danificado seus equipamentos. Por questão de coerência e justiça, acho que eles devem defender a investigação das duas acusações;

- tem gente comparando a ação policial dentro da USP a "resquícios da ditadura", o que demonstra um certo simplismo, pra dizer o mínimo. Comparar a luta pelo voto e pela liberdade com a vontade de fumar na faculdade e a presença da polícia é comparar banana com pneu recauchutado. Fora que o ato de fumar é ilegal, caso os defensores da justiça tenham se esquecido;

- o protesto não é apoiado por todos os alunos, o que mostra uma divisão de pensamentos lá dentro que não é considerada pelos que protestam - o que não me parece muito democrático. Fora a tentativa de barrar alunos que queriam ir para suas aulas, que me poupo de comentar;

- a presença da PM foi consentida devido à morte de um aluno, companheiro de estudos dos mesmos que acham um absurdo a presença dos policiais. E, até onde eu sei, uma vida vale mais que um baseado;

- os invasores, após terem sido expulsos, pedem a "não punição dos envolvidos em ocupações", o que se configura numa espécie de anistia a um ato criminoso (a invasão, não o protesto). Ou seja, defendem a impunidade que, na teoria, são contra.

Como se não bastasse, os alunos retirados da reitoria decretaram greve estudantil. Infelizmente, na minha época, nós só não tínhamos base teórica de um estudante de História pra dar um nome tão bonito a matar aula.

Enquanto rola(va) a Primavera Árabe e o mundo ainda presta atenção em Occupy Wall Street (eu, inclusive), aqui nós fazemos passeata "contra a covardia" - leia-se pelo dinheiro do petróleo - e ocupamos universidades pelo direito de dar unzinho. Aliás, que fique bem claro: nós oscambau, porque eu jamais vou me meter nessa.

Por que o governo não decreta ponto facultativo para protestar contra a corrupção, ou pelo bom uso do dinheiro público? Por que os estudantes da USP não acamparam pedindo a solução do crime que resultou na presença da PM no campus? Por que essa galera que fica postando babaquices de esquerda ou direita no Facebook e escrevendo frases de (às vezes, não muito) efeito no Twitter não arma uma passeata a favor do Freixo, ou serve de escudo humano pra sua família? Ou para de comprar drogas e sustentar os traficantes/milicianos/policiais/qualquer um que ameaçam o deputado?

Aliás, por que ainda acreditam em esquerda e direita? Se é que acreditam, porque me parece muito legal bancar o intelectual e citar meia dúzia de pensamentos decorados de Karl Marx pra tirar onda na rodinha de amigos hypes descolados e com grana, aliviando sua consciência, em vez de fazer um trabalho social e aliviar de verdade a vida de quem realmente precisa.

Teoria é bonito, mas não é tudo. E, muitas vezes, ainda se configura em algo totalmente desnecessário, dispensável. Favor voltarem ao planeta Terra e se inteirarem do que acontece nas ruas antes de cagar regra, porque o dia que a realidade bater à porta é pouco provável que algum pensador sustente sua mudança de discurso.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

A verdade está lá fora

Não me refiro a outro planeta, ou a uma das poucas séries que me dá saudade de assistir. Falo da onda de protestos que sacode o mundo, com as revoluções no Oriente Médio, África e a ocupação do ícone financeiro estadounidense.

Uma das grandes vantagens do nosso tempo é o acesso à tecnologia, que permite a difusão de idéias de forma rápida e democrática. Há alguns anos, seria impossível reunir tanta gente, e tão rápido, para protestar contra o governo - legítimo ou não - ou instituições que estejam indo de encontro aos interesses da maioria, denunciar abusos e reportar o que acontece de verdade no país, desmentindo a imprensa oficial.

É cada vez mais forte a idéia do "jornalismo independente", e essa é uma grande prova do seu poder. Como eles mesmos se definem,

Global Revolution brings you live streaming video coverage from independent journalists on the ground at nonviolent protests around the world.



Right Here All Over (Occupy Wall St.) from Alex Mallis on Vimeo.
Citizen media is not a crime.


Não sei se o convite a essa iniciativa, de deixar o banco malvado e levar seu dinheiro pra uma simpática cooperativa de crédito, faria tanto sucesso por aqui. Não pela instituição em si, mas pelo nosso péssimo hábito de não tomar parte em questões importantes. E é isso que me incomoda.

Na Argentina, pra citar um exemplo próximo, fazem panelaço. Aqui, preferimos xingar muito no Twitter. E, geração após geração (principalmente pós-caras pintadas), é isso que estamos formando. É nesse povo que estamos nos transformando.

Antes, eu acreditava que não fazermos mais era um reflexo do fim relativamente recente da ditadura e de não termos o hábito de chiar. Depois, que era por ainda estarmos nos acostumando às novas tecnologias. Mas a verdade é que tudo isso parece se resumir à preguiça e à confiança no jeitinho brasileiro. Tudo sempre vai ter como ser resolvido, ainda que não seja de uma forma lá muito honesta. E sempre vai ter alguém pra resolver, mesmo que esperar nos prejudique. E que a solução possa não ser o que gostaríamos.

Enquanto o mundo busca mudanças lá fora, gozamos com Mundial e Olimpíadas e ignoramos os escândalos que surgem por aqui. Quando surgem, porque vai depender do interesse de quem divulga as notícias.

Quem diria que a gente usaria nossa liberdade de expressão pra coisas como isso aqui.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A Nação vai ao Circo

A não ser que algo dê errado, e espero sinceramente que não, finalmente eu verei ao vivo uma das melhores bandas que conheço.

Minha noite do dia 19 de novembro está mais do que reservada pra ver a galera da Nação Zumbi no Circo Voador. Está aberta a temporada de shows seletivos.


Quem vai ficar, quem vai ouvir, quem vai ver? Eu.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

"O Pelé, calado, é um poeta"

O que permitiu ao Romário falar isso do Pelé, e a este opinar contra a convocação do primeiro pra Copa de 2002, foi a famosa liberdade de expressão. É ela que permite aos cidadãos manifestarem suas opiniões, idéias e pensamentos de forma livre. É um dos pilares da democracia; está garantida constitucionalmente.

Bom senso não está garantido na Constituição. Não é nem mesmo um conceito fechado, acordado entre os seres humanos. Ele diz respeito, basicamente, à educação e ao uso da razão na hora de se expressar sobre determinado assunto. Não é pré-determinado por juízes ou filósofos; na verdade, costuma vir de casa e das experiências que cada um teve ao longo da sua vida.

(Antes de continuar o texto, vale lembrar a quem me conhece e avisar a quem não sabe que eu não suporto o CQC e seus integrantes. Pra mim, são pseudohumoristas e pseudopolíticos, sem fazer direito nenhum dos dois. Mas vou deixar o gosto pessoal de lado e falar baseado em fatos reais.)

Não sei exatamente qual a experiência de vida do tal Rafael Bastos. Desconheço a educação que teve em casa e onde estudou, e isso pouco me importa. Mas a liberdade de expressão da qual ele abusa passa a anos-luz do seu bom senso, se é que ele tem algum. Há pouco tempo, disse que "estuprador de mulher feia merece um abraço". Agora, que "comeria a Wanessa Camargo e seu bebê". Se eram piadas, deram errado. Se pensa assim, deveria abrir o jogo num churrasco da Band, não em rede nacional.

(Algumas piadas, ou "piadas", têm lugar certo pra serem feitas. Adoro piadas de humor negro, mas não faria num velório. Os negros aqui da agência fazem piadas de preto, mas não imagino que contariam uma num gueto. Isso faz parte do tal bom senso. Se o Rafael Bastos for pago pra fazer um "stand-up" num clube judaico, vai fazer piadas com judeus e cinzeiros?)

Ah, só afastaram porque senão o programa perderia anunciantes. Provavelmente. Ah, negócios são assim mesmo, ele foi ingênuo achando que podia falar qualquer coisa. Talvez. É o sujo falando do mal lavado, seus hipócritas amantes da ditadura! Discordo, mas a liberdade de expressão te dá o direito esse texto - que ainda mete Hitler no meio, em outro excelente exemplo do uso do bomsenso na defesa do seu ponto de vista.

A verdade é que ninguém do CQC tem o direito de reclamar de liberdade de expressão. Pra começo de conversa, porque não é o primeiro deslize do grupo (e apagar o que disse em vez de se desculpar não é lá muito honesto, não acham?). Segundo, porque Marcelo Tas e seus pupilos não são exatamente um exemplo da defesa do direito de opinião. Na minha humilde opinião, já que ao menos na Ponte eu posso escrever o que quiser (até que o Tas me processe), eles se consideram acima de qualquer coisa por serem o carro-chefe da emissora, e garantirem uma grana forte todo mês. A mídia constrói a imagem que quiser, e o povo sempre acaba comprando. Até que algo aconteça e a mídia desconstrua a imagem que criou - e o povo compre outra vez.

Há alguns meses, saiu na (chata) revista de domingo dO Globo uma matéria com alguns humoristas e vários "humoristas" sobre as polêmicas "piadas" da galera do CQC. Entre opiniões diversas e várias puxadas de saco entre amigos, uma me pareceu bem sensata. Acho que foi do Andre Dahmer, do Malvados ("acho", ok?), e dizia mais ou menos isso:

A questão não é se uma piada é ofensiva a esse ou aquele grupo, mas se tem alguma graça. E muitas delas não tem.

É exatamente assim que eu vejo o CQC e seus integrantes. Sem a menor graça. E, cada vez mais, sem o mínimo de bom senso.

ps: tuitar isso - "Que noite triste pra mim: Foto1 - Foto2 - Foto3- http://t.co/ILrICqmH" - me parece uma bela demonstração de caráter. Parabéns a todos os envolvidos na defesa do tal Rafael Bastos.

ps2: ia colocar "humor" como mais uma tag do post, mas isso não combina com o CQC.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Papagaio de pirata

Tudo começou com a notícia de que "o Partido Pirata alemão está chegando aos 5% necessários para entar no parlamento de Berlim". Daí, fui parar no artigo escrito por um catalão que explica seus motivos para votar no partido, que me levou à página deles. E pronto, já estava no PPI.

O mais interessante disso tudo não está na discussão sobre o uso de softwares livres pelo governo, ou em "defender uma via pública no Espectro eletromagnético!". Está no que o Cal Almeida coloca em seu texto: "el domingo votaré Pirata para poder votar a otro partido algún día". Uma mistura de desilusão com suas opções eleitorais e crença numa via alternativa de certa forma irreal. Porque, convenhamos, a chance de membros do Partido Pirata se elegerem em qualquer lugar é microscópica.

Ou não? (dica: procurem "Pirate Party movement worldwide")

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Londres flambada

Chamem o John Cleese de volta! Estão matando o humor inglês, e é de porrada. Faltando menos de um ano para as Olimpíadas, com os olhares de todo o mundo voltados para a cidade, protestos pela morte de um jovem transformaram o país inteiro em um campo de batalha. O chazinho das cinco foi trocado pela sarrafada 24h.

Pelo visto, o motivo inicial não importa mais. A situação descambou pro vandalismo: saques, fogo, aquela coisa toda que os meios de comunicação não cansam de mostrar. O que não deixa de ser surpreendente, em um país com educação, consciência política e etcéteras que a gente (eu, pelo menos) gostaria de ver no Brasil. Bela imagem que estão passando para o mundo, hein, sir's!

Tudo bem que a PM deles é a Scotland Yard, e que é bem mais fácil controlar um tumulto pontual do que facções criminosas estabelecidas e bem armadas, mas como eles vão falar da gente agora?

Ah, é. Assim. Fica pra próxima, Rio de Janeiro.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Gentílico F.C.

Como não estava nem um pouco preocupado com o Vice da Gama pegando o todo-poderoso Mengão na final da Taça Rio, comecei a pensar em como seria se eu tivesse um time de futebol. Natural, já que sou brasileiro e, como todo brasileiro, sou um potencial técnico de clube, seleção ou combinado formado para a despedida de qualquer gordinho famoso.

Aproveitando a miscigenação tupiniquim e o constante processo migratório, tive uma idéia. E se formasse uma equipe só com gentílicos?

Sem nenhum compromisso com posição ou mesmo com a verdade, minha escalação seria essa:

Alex Maranhão
Bruno Mineiro
Marquinhos Capixaba
Júnior Baiano
Dudu Cearense
Marquinhos Paraná
Juninho Pernambucano
Marcelinho Carioca
Renato Gaúcho
Marcelinho Paraíba
Wellington Paulista

"Ai, Alexandre, Paraíba e Paraná não são gentílicos, Maranhão também não, mimimi...". Se você não entendeu a idéia, pegue a Transjegue. A questão aqui é ter jogador de todos os Estados. O que seria uma façanha, já que o Acre não existe.

Promovendo a integração assim, falta muito pouco pra eu virar presidente pra logo depois me tornar ditador.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Quando eu for ditador

Final de semana entre grandes e velhos e novos amigos numa cidadezinha perto de Teresópolis. Horas de trânsito e inúmeras demonstrações de estupidez alheia me deram razões de sobra pra levar adiante minha teoria legislativa, valendo a partir do dia em que assumir como ditador universal intergaláctico tupiniquim:

burrice deveria ser crime inafiançável.

O raciocínio é simples. Vários dos problemas que temos hoje em dia, pequenos e grandes, vêm da capacidade humana de não entender o que está ao seu redor, o que dizem... enfim, tudo. Pessoas burras reagem exageradamente, geram discussões e brigas, vão de encontro à teoria da evolução e fazem os tatatataravós dos vermes que devoraram Darwin se revirarem debaixo da terra.

Por isso, vou começar o quanto antes minha subida hierárquica nas entranhas do poder no país. Quando chegar ao topo dou um golpe de Estado e pronto, aplico minhas leis que vão finalmente colocar o país nos trilhos.

Mas se você é burro e está lendo isso... Caguei. Quando você entender já vai estar a caminho do exílio no Acre, para abrir caminho na mata com as mãos e construir o curralzinho Acre-Bolívia, também conhecido como transjegue.

domingo, 3 de abril de 2011

O blablabla da semana

Na verdade, nem sei se foi essa semana mesmo. Sei que a ordem do dia é bater no Bolsonaro. Ou colocar o cara no pau de arara, como imagino que ele prefira. Com as declarações no (horrendo) CQC, ele explanou toda a sua imbecilidade: sente falta dos ditadores, bateria nos filhos numa boa - não por serem gays, porque eles jamais seriam - e muito menos teria o problema de ver um deles namorando uma negra. Hitler já deve estar preparando uma festinha surpresa pra quando seu querido amigo morrer.

Por outro lado, quem levantou a questão foi a Preta Gil, a famosa quem filha de ministro que promove toda sua falta de talento a troco de polêmicas. O fato de se chamar Preta não faz dela filha do Zumbi dos Palmares. Até porque, ela está longe de passar qualquer tipo de sufoco na vida além de atravessar uma porta estreita.

A verdade é que o povo tem o que merece: um programa com pseudohumoristas como o CQC fazendo as vezes de jornalista investigativo e justiceiro, uma ninguém como a Afrodescendente Gil no papel de mulher forte e batalhadora e um boçal como o Jair Bolsonaro cuidando dos seus interesses. A corja toda ocupando espaço na mídia, que não está lá muito preocupada com a importância do que debate. Se é que se pode chamar isso de debate.

Parabéns, Brasil.

sábado, 15 de janeiro de 2011

"Ex-BBB é isso, né?"

Vou aproveitar que estou chegando aos 28 anos pra puxar assuntos polêmicos e, se possível, conseguir gente esbravejando e ameaças de morte virtuais.

Vamos falar de BBB. Ele está na edição 11, se não me engano. Nunca vi, e me orgulho disso. "Publicitário tem que ver tudo" é oscambau, sou eclético mas tenho limites.

BBB é o voyeurismo da futilidade. É fórmula, é batida e só dura porque o ser humano padrão tende a viver a vida dos outros pra dar algo de emoção à sua existência - e quando a gente pensa em "emoção" o choro por estar uma semana longe de casa ou uma discussão sobre quem comeu e não lavou a louça, percebe que há algo de errado com a humanidade.

Todos os slow food, slow money e slow movement e qualquer dessas idéias de viver melhor, aproveitar a vida real e não a virtual etc ainda estão muito restritas aos gringos. E não chegam perto de equilibrar a quantidade de porcarias disponíveis por aí. Eu sei que existe gosto pra tudo, e não dá pra julgar o que é bom ou ruim baseado no que eu acho legal, mas a Ponte é minha e eu digo o que quiser.

Mas pra não dizer que estou sendo ranzinza, esse vídeo diz tudo.


"Eu conheço o Heitor há muito tempo..."

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não dá pra levar o Brasil a sério

atenção: texto com alto índice de ódio, ira, rancor, raiva e resmungo - mas razoavelmente irônico, pra aliviar a leitura

Eu voltei pra casa no momento errado. Além de tudo - principalmente, pessoas especiais - que deixei em Barcelona, cheguei no país justo na época das eleições. E o que tenho visto está conseguindo minar até minha fé inabalável de que o Brasil tem jeito.


O que é que faz um deputado federal?

Mas a culpa não é do abestado aí de cima. É minha. Infelizmente, resolvi deixar no horário eleitoral agora à noite. Promessa vazia vai, candidato reconhecidamente corrupto vem, aparece o Sérgio Cabral. Tenho pena do meu pai, que tem o mesmo nome dele. Porque é uma desonra ser homônimo de alguém como ele.












Puxa meu dedo pra você ver uma coisa!

Eu não vou entrar no discurso completo dele antes que comece a espumar em cima do teclado, perca minha saúde e uma grana na assistência técnica do Crush, meu laptop. Mas o que me deixou mais revoltado foi escutar a história do bilhete único.

Calculadora na mão, crianças. Você paga R$ 4,40 por dois transportes públicos. Mas a passagem simples custa R$ 2,20 num ônibus urbano e R$ 2,35 num intermunicipal (se estiver errado me avisem) - ou seja, você está economizando no máximo 30 centavos. O cartão do bilhete único não substitui o Riocard. Você só pode pegar dois transportes, então se vai de São Gonçalo a Seropédica eu não faço a menor idéia de como resolver o quebra-cabeça. E, conhecendo o trânsito carioca como eu, 2h35 pra fazer baldeação não significa muita coisa se a pessoa pega a Brasil, Lagoa-Barra ou outras mil avenidas movimentadas da cidade.

Resumindo a enganação: o bilhete único não é único, nem mesmo bilhete. É um cartão a mais pra você colocar na carteira e rezar pra conseguir usar a cada dia.

E é uma das plataformas do Sérgio Cabral. Que está uns 30 pontos à frente do Gabeira, e deve ser eleito no primeiro turno.

É bom o Brasil me dar algum motivo extraordinário pra acreditar nele, senão vou repensar seriamente a história de que aqui é meu lugar.


Por isso que eu me mandei daqui! Povo ignorante! Ahhhhhhhhrrrrrrrghhh!

domingo, 29 de agosto de 2010

Ah!, meu Brasil...

Pela segunda vez na minha vida, participei de uma maratona. Não por acaso, promovida pela mesma empresa da anterior - só que um caminho inverso. De quarta para quinta, a Alitalia me fez percorrer milhares de quilômetros entre Barcelona, Roma, São Paulo e Rio de Janeiro.

Antes de dar minhas impressões da reentrância no planeta tupiniquim, duas dicas pra meus queridos leitores:

Um, sempre peçam para viajar na saída de emergência dos aviões. As poltronas daí oferecem ainda mais espaço que as da primeira classe. Você só precisa saber falar inglês e não ter um problema como ser cadeirante ou estar grávida (sim, por lei estar grávida é um problema e impede você de viajar ali). E, convenhamos: se a aeronave cair, você não vai poder fazer nada - como abrir a porta de emergência. Você morre. Mas a chance de ele cair é tão grande quanto a do Botafogo ser campeão brasileiro com o Natalino.

Ou seja, você viaja com um latifúndio de espaço a troco de uma hipotética oportunidade de salvar a galera caso algo aconteça. Nada mal.

Dois, nunca deixe de tentar trocar seu vôo só porque a empresa X disse que não tem vaga. Se for uma como a Alitalia, provavelmente eles estarão errados. Eu troquei 10 horas de espera no aeroporto de Guarulhos por 30 minutos de correria para chegar oito horas antes. Com uma bela ajuda do pessoal da TAM. Ponto pra eles.

E foi assim que pisei em território ensolarado de sotaque bonito na hora do almoço. Um sinal do que estaria por vir (comida de mamãe, quatro pratos fundos que me deixaram esparramado no chão da sala por algum tempo). Mas confesso que essa pequena orgia gastronômica, e a óbvia felicidade de estar junto aos que amo tanto, não apagou a péssima sensação que tive do país ou a saudade que o outro lado dessa poça gigante chamada Atlântico deixou em mim. Vou falar disso no próximo texto, porque esse é exclusivamente para resmungar (agora, resmunga você).

Ruas esburacadas. Carros da PM com fuzis pra fora da janela. Favelas em todo o caminho. Trânsito caótico. Cartaz do Eurico com o irônico "ficha limpa" escrito ao lado da cara (de pau) e isso de propaganda eleitoral. Noite cara. Dia caro. Bukowski mal freqüentado. Café no Starbucks a 10 reais.

Eu amo o Rio, amo o Brasil, mas o tempo passa e parece que a gente não aprende nada. Assim é difícil de defender o país. Né não, mestre?


Isso é coisa do satanás!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dentro de mais uns minutos estaremos no Galeão

Esse samba é só porque eu estou com um pé no Rio de sol, de céu, de mar. Após 11 meses catalães, emoções fortes e uma seqüência de até breves, chegou a hora de empurrar a muamba goela abaixo da mala e deixar um rastro de lágrimas até o aeroporto. Não estranhem se surgir um novo afluente do Llobregat.

Todo império tem sua ascensão, apogeu e queda. A vida funciona da mesma forma. Pensar nisso é o que me faz relevar o que/quem tanto quero bem e deixo na Europa. Afinal, eu não só vou ver, ter e viver tudo isso de novo como deixo Barna no momento em que mais coisas boas me passavam.

É chato? Sim, pensando no que vai ficar em estado de espera. Mas é feliz e bonito saber que deixo a cidade no auge das minhas experiências. O que for pra ser, será. E confio totalmente no futuro.


Rio de Janeiro, Rio de Janeiro...

sábado, 21 de agosto de 2010

Cuidao!

Schweinsteiger é um jogador alemão. Diga seu nome em voz alta e irá soar a xingamento seguido de ameaça de morte lenta e dolorosa ouvindo Justin Bieber num bar de Bangu sem ventilador. No entanto, Schweinsteiger quer dizer "gestor de porcos".

Antes de dizer alguma coisa, esteja seguro do que fala.
















Botafoguense, não!

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Há tempos nenhuma alma deixa registrada sua passagem pela Ponte, ainda que veja a freqüência de visitas pelo Google Analytics. Assim que não sei se vão escrever alguma mensagem de apoio, piada ou votos pra que fique por aqui. Mas não custa nada lembrar que faltam cinco dias.



M'en vaig ja.

sábado, 14 de agosto de 2010

Añoranza

Dizem que a palavra saudade só existe em português. Em galego também, mas não importa. Certo é que os espanhóis têm uma palavra equivalente: añoranza. Exatamente o que sinto agora, relembrando que acabo de me despedir do Alan e só vou vê-lo daqui a 12 dias. Junto com meus pais, o Corcovado, o Redentor, que lindo, e tudo aquilo que deixei há quase 11 meses.

Mas minha añoranza também já se manifesta para as coisas que vou deixar na Europa: amigos, cidade, apartamento, ruas, restaurantes, discotecas, Spotify, catalão e castellano, jogos do Barça, metrô que funciona, Bicing, vôos baratos e tantas outras coisas que poderia passar o dia listando mas me fariam mais triste que outra coisa. Porque, por mais que eu aproveite, sempre acho que daria pra ter feito mais. E não é hora de olhar pra trás.

Nunca foi, na verdade. Mas chegou o momento de construir minha vida, montar minha família, ajudar a quem precisa, tocar projetos paralelos. Ser e ter o que sempre busquei. E, pra isso, é preciso tirar pa' lante.

Sei que a vida não é uma linha reta; minha trajetória vive me mostrando isso caso a memória falhe. Mas todos temos um ponto de chegada (além do cemitério, ou no meu caso doação de órgãos e crematório pro que sobrar), e fazendo nossa parte chegamos lá. Ou ali, pois quero estar o quanto antes.

Discordei de várias pessoas pra vir, discordo de várias pessoas pra voltar. Perdi ou me tiraram certezas intocáveis, sofri porque quis ou porque quiseram, tenho que recomeçar - de novo. Mas podem ter certeza: faria tudo outra vez.

As coisas são como têm que ser. Inclusive a añoranza.


Who says I can't restart?

sábado, 5 de junho de 2010

Oito ou oitenta

Acabei de completar oito meses em Barna. Ao mesmo tempo, me dei conta de que faltam 80 dias pro meu curto vôo Barcelona-Roma-São Paulo-Rio de Janeiro. Começa a contagem regressiva. Mas, dessa vez, com algumas questões que me martelam o martelão:

Volta de vez? Tudo leva a crer que sim. Cansei dessa história de não-casa, não-família, não-trabalho fixo. Desde que mal me entendia por gente, já sabia o que queria ser e como gostaria que fosse minha vida. Falta realizar a segunda parte.

E se te chamarem pra outro lugar? Não gosto de pombos, mas esse sabe o que diz. Ainda assim, cada vez mais sinto que o Brasil é meu lugar. Onde vou fazer uma árvore, escrever um filho e plantar um livro. Seja pelos meus ideais ou pela vontade de fazer parte de um local específico, devo pedroalvarescabralizar, mesmo.

É por isso que você volta? Pelo visto, sim. Família está sempre ao seu lado (e eu, ao lado da minha), amigos de verdade estão presentes ainda que longe (é como busco estar). O resto, ou faz você mesmo ou fica sem. E eu não quero ficar sem.

O que vai ser da sua vida no Brasil? A verdade é que ainda não sei. Volto com minha família como única certeza (não reclamo; muito pelo contrário, amo ser parte de uma família como a minha). Sem emprego, apê ou qualquer outro tipo de segurança. Mas não faz mal, confio no meu taco e não vou demorar muito a ajeitar as coisas. Mas se alguém quiser me manter informado de algumas possibilidades...

Como assim? O quê?

Como assim, sem segurança, e manter você informado de algumas possibilidades? Ah, tá. É que volto com uma mão na frente e a outra atrás - puxando as malas e apoiando o mochilão. Sem grana. E com um mísero shortlist em campanhas integradas do Wave Festival 2010, o que não me faz diretor de criação da Almap. O apê de Copa está nas mãos da minha família gonçalense/curitibana. Etc etc etc. Por tudo isso e muitas outras coisas, informações são sempre bem-vindas.


Mudou alguma coisa? Muitas. Muito. Deixando de lado a parte que não diz respeito só a mim (e que, por isso, diz respeito só a mim), esse "ano sabático de mestrado" fez bastante pela minha cabeça. Até comecei a escrever o que mudou, mas apaguei. Sinceramente não importa. Se isso for verdade, vocês vão perceber. Pro bem ou pro mal.


Enquanto àquela história de confiança? Segue igual. Não dá pra mudar 100% em oito meses, né?

Mais alguma coisa? Sim, várias. Tinha outros pontos em mente quando comecei a escrever esse texto, mas esqueci. Isso é outra coisa que continua igual. Se me lembrar, escrevo uma "parte dois". Por hoje, chega.

Até porque, são 22h30 e preciso decidir o que vai ser do meu dia na noite em que só vão faltar 79 rotações pra minha volta (nada a ver com esse tipo de rotação, por favor).

sábado, 29 de maio de 2010

Mal negócio

Você não precisa ser um gênio para saber que montar uma empresa no Brasil parece uma corrida de obstáculos indoor, pela quantidade de burocracia que deve superar. Sem contar os custos absurdos impostos aos empresários, inversamente proporcionais ao seu tamanho. Quanto menor, mais difícil de sobreviver.

Mas, se você passou os últimos anos da sua vida em coma ou não lê jornal desde a queda do muro de Berlim, pode se informar sobre o assunto em Business Planet. O site faz uma viagem por 183 países, pesquisando dados, analisando suas economias e informando o quão fácil - ou complicado - é começar sua lojinha e contratar um Jacó pra tomar conta.

E o Brasil com isso?, você me pergunta. Bom, tire suas próprias conclusões. Mas é pouco provável que alguém, principalmente quem está lutando pra fazer sua idéia dar certo, veja a posição 129 no ranking de "fazendo negócio" ou 126 no de "iniciando um negócio" com bons olhos. Ou os 16 procedimentos para abrir a empresa, e 120 dias de espera. Tampouco a posição 150 em "pagamento de taxas". Etc etc etc.

E eu com isso?, você me pergunta depois. Aí, vai da sua intenção. Se quer começar alguma coisa, certamente saber disso desanima bastante. Se não tem a intenção de gastar tempo, dinheiro e cabelos com isso, vale lembrar que então alguém deve te contratar. O que desanima bastante a pessoa, caso queira fazer legalmente. Então encontramos salários mais baixos, contratos esquisitos e trabalho informal. Não sei você, mas a maioria da população deve se reconhecer em algum desses pontos.

Eu me poupei ao trabalho de fazer comparações porque chega a um ponto em que um se desespera, e desanima de tal forma que fica difícil acreditar no Brasil. E não quero chegar a este ponto. Mas quem já morou no exterior, ou pelo menos prestou um pouco de atenção quando saiu do país, sabe que fora o transporte é público e funciona, o sistema de saúde é público e funciona, a cultura é integrada, valorizada e funciona... Enfim, posso listar o que for, e a frase vai terminar com "funciona". Claro que existem problemas aqui, e claro que estou falando de países desenvolvidos (Haiti, Burundi e Laos, por exemplo, não), mas é triste ver tudo o que o meu/nosso país poderia ser e não é. E se esforça pra continuar não sendo.

Deve ser complicado começar um negócio com a sensação de que está fazendo um mal negócio.

domingo, 2 de maio de 2010

Marcha da maconha

Acabei de voltar de Malta, entrei nos três últimos meses de estada na Europa, vi o Barça ser eliminado da Champions por um time que pratica o anti-futebol, o desemprego no país onde vivo passou dos 20% da população ativa. Mas me senti na obrigação de deixar tudo isso pra depois e escrever sobre a marcha da maconha, no meu querido e distante Rio de Janeiro.

Quem me conhece sabe que não fumo, não fumei e passei da idade de bancar o rebelde pra experimentar ou desafiar o sistema. Também sabe que tenho amigos que já fumaram ou fumam e não discuto isso - cada um faz o que quer da vida, e tampouco sou melhor que os outros pra julgá-los. Mas a questão aqui é a marcha pela legalização. Falam de "fim da hipocrisia". Dizem que, se fosse legalizada, haveria menos mortes pelo tráfico de drogas. Bom, que tal pensar um pouco mais longe? Viajar, pra entrar na onda da discussão.

Não é a ilegalidade das drogas que gera violência no país. É a desigualdade social. Legalizar vai mudar esse panorama? Vai gerar milhares de postos de trabalho e melhorar a distribuição de renda? E, se fosse legal, você (que fuma) compraria maconha numa loja oficial? Nada pessoal, mas o que vejo são pessoas comprando cerveja na mão de ambulantes, camisas de clubes falsificadas, CDs e DVDs piratas, sempre  justificando que são mais baratos. Maracanã, entrada de shows, Uruguaiana, camelôs em frente ao Madureira Shopping, o que não falta são exemplos pra comprovar o que digo. Alguém disse hipocrisia?

Ah, sim, a Holanda. Bom, quem estudou ao menos um pouco de história sabe que ela é desenvolvida há alguns séculos. Seu povo tem um grau de educação avançado e o nível de vida no país é algo inimaginável para nós. Os garis são bilíngues, eu (ou)vi. Eles podem discutir a legalização de drogas tanto quanto a eutanásia, por exemplo. Porque há poucos motivos reais de preocupação no país, como a subida do nível do mar e a construção de diques. Inclusive, eles deram uns passos atrás no assunto quando o país virou playground mundial de junkies que aproveitavam o fato pra se entupirem do que encontrassem pela frente. Ahan, sei. Hipocrisia.

Quem foi pra marcha certamente passou por mendigos, crianças de rua e outros desafortunados. E o que será que toda essa gente fez pelos marginalizados, eu me pergunto? Pagou um lanche, ouviu seus problemas, ofereceu emprego, indicou uma casa legal onde eles podiam encontrar ajuda? Ou fingiu que não viu, disse que não tinha moeda e guardou o dinheiro (talvez ganho com o trabalho, talvez saído do bolso do pai) pra rachar um tijolo entre os amigos? Hipocrisia?

Legalizar a maconha ou qualquer outra coisa deve ser algo a ser decidido pelo povo, verdade? O nosso, no caso. Que não tem educação de qualidade oferecida pelo Estado - que obriga os professores do ensino público a aprovarem os alunos e compensa a falha com sistemas de cotas. Que é considerado leitor quando lê 1 livro a cada três meses (metade da população, sendo que metade são livros didáticos - ou seja, lidos por obrigação). Que passa fome, que vive em favelas, que se equilibra no emprego em um país onde o salário mínimo é de R$ 510,00 e um livro custa pelo menos 5% desse valor - e que, ainda assim, vai pro bar torrar o que não sobra em caixas de cerveja, vendo futebol. Que tem como principal atração novela das 20h e BBB. Que não se informa sobre os candidatos em que votam e repetem os mesmos erros de eleições anteriores. Esse povo é quem deve decidir, verdade? Hipocrisia, o quê?

Todo o recurso a ser usado na votação e na aplicação das novas normas caso a lei seja aprovada me parece um absurdo, se pensamos na quantidade de problemas e projetos muito mais importantes para a população em geral: saúde, saneamento básico, segurança e, claro, educação e cultura. Não vejo muito sentido assumir esse compromisso financeiro quando tem gente morrendo em deslizamento de terra por morar sobre um lixão ou criança fora de escola porque tem que levar dinheiro pra casa pra ajudar a mãe solteira que faz bico em casa na Zona Sul. Onde houve a marcha pela maconha, e reclamaram da hipocrisia.

Pelo visto, pegar um sol e batucar na orla é muito mais fácil que encarar nossos verdadeiros problemas. E não falo isso como não fumante, espírita, futuro pai de família ou o que seja. Falo como humanista. É que ficar relaxadão com os amigos matando a fome da larica enquanto o resto do país se vira como pode me parece a verdadeira hipocrisia. Como a marcha pela legalização da maconha.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Saudade?

Talvez, se isso for aquela coisa que faz tudo recordar o que deixamos pra trás - ou momentaneamente de lado. Desde um dia que começa com o sol batendo forte na sua janela até um mísero meio pacote de feijão guardado no fundo do armário, e que você encontra sem querer.

Talvez, se isso for aquela palavra que só existe em português e que precisamos de um dia inteiro para explicar. Ou um telefonema para justificar.

Talvez, se isso for aquela história de "tá tudo certo", "não vou pensar nisso agora", "tudo se ajeita, sem problema" ou outras frases entre aspas.

Talvez, se isso for aquela vontade de saber de quem é importante para você.



Notícias de todos, quero saber.