"It makes world history. Earth is the mother of all", said Vice-President Alvaro García Linera. "It establishes a new relationship between man and nature, the harmony of which must be preserved as a guarantee of its regeneration."
Para os incas, Pachamama é a Mãe Natureza. É um ser vivo, portanto com direitos. Assim, o país resolveu se tornar o primeiro no mundo a adotar direitos iguais para o homem e a natureza. Sinceramente, não sei no que vai dar tudo isso, nem se o seu Evo tem boas intenções com seu povo e antepassados ou só está fazendo uma jogada populista. Mas é uma discussão interessante em tempso de câmbios climáticos, alternativas para preservação do planeta e ações de marketing que não levam a lugar nenhum.
***
Sem querer fazer jabá (até porque, dificilmente ele vai ganahr dinheiro com isso), o amigo e redator Ricardo JQuest tem um blog bem legal, o Pra bom entendedor.Historinhas curtas e engraçadas. Vale uma risada de vez em quando, pra desopilar os neurônios.
***
Pra quem gosta de projetos diferentes (como eu) e pensa em fazer mais que o dia-a-dia do trabalho (como eu), vale dar uma olhada nesse projeto: Speed creating. Em vez de explicar, vou deixar que vocês mesmo vejam e concluam o que quiserem.
De tão simples e tão legal que é, concluí que é uma pena eu não ter pensado nisso antes.
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domingo, 15 de maio de 2011
Pachamama e outras idéias
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domingo, 16 de janeiro de 2011
Dizer nada, uma arte etílica
- A Quilmes acabou.
- Não! Assim você acaba com minha noite também. A vida dá muitas opções engarrafadas.
- Então você pode escolher várias aqui. A Stella é muito boa.
- Não gosto da Stella. Tem gosto de criança gritando.
- VOcê já provou uma criança gritando?!
- Metaforicamente.
- E como é?
- É como tomar um gole de Stella.
- Então é melhor eu te trazer uma Bohemia.
- Mas você abre pra mim?
- Hoje meu namorado vem me buscar, me liga amanhã.
- Amanhã é que dia?
- 19.
- Não posso, vou refazer meu mapa astral.
- Eu continuo virgem.
- E seu namorado?
- Ele é um câncer.
- Se eu fosse você, fugiria.
- Se você disser que vai pra Bom Jesus do Itabapoana comigo, eu largo essa bandeja agora.
- Lá eu não piso mais, ainda me devem 2 vacas e uma cesta de kiwis.
- Pena... Então vou lá buscar sua Bohemia.
...
- Cara, que papo foi esse de vocês?!
- Sei lá. Sei que tô com vontade de tomar uma Stella.
- Não! Assim você acaba com minha noite também. A vida dá muitas opções engarrafadas.
- Então você pode escolher várias aqui. A Stella é muito boa.
- Não gosto da Stella. Tem gosto de criança gritando.
- VOcê já provou uma criança gritando?!
- Metaforicamente.
- E como é?
- É como tomar um gole de Stella.
- Então é melhor eu te trazer uma Bohemia.
- Mas você abre pra mim?
- Hoje meu namorado vem me buscar, me liga amanhã.
- Amanhã é que dia?
- 19.
- Não posso, vou refazer meu mapa astral.
- Eu continuo virgem.
- E seu namorado?
- Ele é um câncer.
- Se eu fosse você, fugiria.
- Se você disser que vai pra Bom Jesus do Itabapoana comigo, eu largo essa bandeja agora.
- Lá eu não piso mais, ainda me devem 2 vacas e uma cesta de kiwis.
- Pena... Então vou lá buscar sua Bohemia.
...
- Cara, que papo foi esse de vocês?!
- Sei lá. Sei que tô com vontade de tomar uma Stella.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O corte da uva
Caminhando pelo galho da videira, a uva tropeça no cabo do arado encostado na árvore, deixado displicentemente por um dos empregados da fazenda, e cai em cima de uma erva-daninha. Rasga sua pele e abre a carne, deixando o caroço à mostra. Ela sangra, atraindo formigas. Mas, antes de que os sedentos insetos chegassem ao delicioso suco dos deuses beberrões, seu Toshiro - ou Takahiro, ou Matsushiro - encontra o pequeno corpo estendido no chão e o leva para a fazenda.
Lá, coloca o fruto do seu trabalho anual numa cesta, junto de outras que sofreram o mesmo corte (ou cortes devido ao mesmo tipo de acidente, ele nunca soube ao certo), e pisa em cima de todas. Parece um grande shiatsu frutal coletivo, mas é só ganância. Seu Japa, como é conhecido em Santa Bárbara do Oeste, está preparando o sumo para engarrafar e vender ao bar mais pé-sujo da cidade.
Assim é fabricado o famoso Sangue de Boi.
Lá, coloca o fruto do seu trabalho anual numa cesta, junto de outras que sofreram o mesmo corte (ou cortes devido ao mesmo tipo de acidente, ele nunca soube ao certo), e pisa em cima de todas. Parece um grande shiatsu frutal coletivo, mas é só ganância. Seu Japa, como é conhecido em Santa Bárbara do Oeste, está preparando o sumo para engarrafar e vender ao bar mais pé-sujo da cidade.
Assim é fabricado o famoso Sangue de Boi.
domingo, 14 de novembro de 2010
- Sonny Rollins
- Fiuk.
- George Benson.
- Mara Maravilha.
- Elke Maravilha.
- Isso é uma clara demostração de que sua teoria das chapinhas estelares possui uma grande falha tectônica quanto à argumentação da realidade aumentada por Tadalafil, meu amigo.
- Sua retórica transversa retomada de acordo com a claridade xenófoba do microcosmos não condiz com seu pós-doutorado virtual em macroenergia freudiana medieval, e você sabe muito bem disso!
- Gente, calma, assim vocês vão provocar um desequilíbrio universal desenfreado que, em justaposição e contrapartida, será prejudicial ao carinho dos bebês de proveta. Será que nada mais importa pra vocês?
- Não. (rá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá)
- Com todo o respeito, meu caro, mas balas de tamarindo chacoalhadas neste recipiente metálico não matam ideais de doce de leite com clima de montanha.
- Então vou embora, que amanhã eu trabalho.
- George Benson.
- Mara Maravilha.
- Elke Maravilha.
- Isso é uma clara demostração de que sua teoria das chapinhas estelares possui uma grande falha tectônica quanto à argumentação da realidade aumentada por Tadalafil, meu amigo.
- Sua retórica transversa retomada de acordo com a claridade xenófoba do microcosmos não condiz com seu pós-doutorado virtual em macroenergia freudiana medieval, e você sabe muito bem disso!
- Gente, calma, assim vocês vão provocar um desequilíbrio universal desenfreado que, em justaposição e contrapartida, será prejudicial ao carinho dos bebês de proveta. Será que nada mais importa pra vocês?
- Não. (rá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá tá)
- Com todo o respeito, meu caro, mas balas de tamarindo chacoalhadas neste recipiente metálico não matam ideais de doce de leite com clima de montanha.
- Então vou embora, que amanhã eu trabalho.
domingo, 19 de setembro de 2010
Um domingo desses
Você olha no calendário e percebe que passou daquele dia que não se lembra mais. Já está na hora de levantar, e pra isso é preciso passar por debaixo da escada. Três passos à frente, um gato preto muda de roupa e tira os pêlos do bigode diante do espelho enquanto prepara um café com leite. Forte. Muito café.
No corredor há uma passagem que leva ao universo paralelo da sua mente, que está aberta a novas possibilidades mas cobra pedágio. Não custa tanto, mas você está com pouca grana. Resolve vender um pouco de tempo pra se capitalizar, mas tempo nem sempre é dinheiro. Às vezes, uma boa história toma tempo e vale muito mais. Ou menos. Isso, mais ou menos.
Olhando por trás das lentes do monóculo, existem oito pares de olhos vermelhos e famintos. Quem tem fome tem pressa, e você decide correr. Com, contra, para, ainda não sabe. Nem se importa. As portas passam muito rápido, e vão se fechando conforme janelas se abrem. Algumas oferecem uma nova brisa, outras tentam acertar sua cabeça enquanto acelera o passo. Tudo é muito nada nesse conjunto de possibilidades solitárias.
Você se sente sozinho. Você se senta sozinho. Logo começam a aparecer pessoas à sua volta, vozes distantes que fazem eco aos seus pensamentos. Quem traz é o vento, ou o garçom. Elas vêm do fundo do copo metade cheio ou metade vazio. Melhor ver sempre metade cheio.
Daí se enche e resolve começar tudo de novo. Olha no calendário e percebe que passou daquele dia que não se lembra mais. Mas você já está de pé.
No corredor há uma passagem que leva ao universo paralelo da sua mente, que está aberta a novas possibilidades mas cobra pedágio. Não custa tanto, mas você está com pouca grana. Resolve vender um pouco de tempo pra se capitalizar, mas tempo nem sempre é dinheiro. Às vezes, uma boa história toma tempo e vale muito mais. Ou menos. Isso, mais ou menos.
Olhando por trás das lentes do monóculo, existem oito pares de olhos vermelhos e famintos. Quem tem fome tem pressa, e você decide correr. Com, contra, para, ainda não sabe. Nem se importa. As portas passam muito rápido, e vão se fechando conforme janelas se abrem. Algumas oferecem uma nova brisa, outras tentam acertar sua cabeça enquanto acelera o passo. Tudo é muito nada nesse conjunto de possibilidades solitárias.
Você se sente sozinho. Você se senta sozinho. Logo começam a aparecer pessoas à sua volta, vozes distantes que fazem eco aos seus pensamentos. Quem traz é o vento, ou o garçom. Elas vêm do fundo do copo metade cheio ou metade vazio. Melhor ver sempre metade cheio.
Daí se enche e resolve começar tudo de novo. Olha no calendário e percebe que passou daquele dia que não se lembra mais. Mas você já está de pé.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A baleia jubarte
Com seu vermelho característico, ainda que raro para a espécie, lá estava a Jubarte olhando o mundo à sua volta. Muitas coisas com carinho, outras com saudosismo, uma com certa raiva. Sim, porque as jubartes, como qualquer mamífero, sentem raiva.
Ela sabia que estava ameaçada de extinção. Ainda assim, resolveu seguir na imensidão do oceano, acreditando que a época de migração logo chegaria ao fim e ela estaria de volta, sã e salva, ao seu amado habitat. Horas e dias e meses de viagem, muito plâncton comido, muito vivido pelos mares para contar aos seus filhotes. Uma existência só existe realmente se há histórias, pensava. Mas se esqueceu de que nem todas são boas.
Assim como as pessoas. O ser humano interessado na preservação da jubarte, por exemplo, era mau. Escondia seu lado desequilibrado sob um risonho rótulo ambientalista. E se aproveitou da crença mamífera da baleia para fazer o que quis enquanto ela estava fora. Protegeu outras espécies, militou por outros animais. Tão irracionais como este ser humano específico. E a pobre jubarte, após nadar aquela imensa massa de água até sua terra natal e se deparar com tamanha irresponsabilidade, sentiu um oceano inteiro pesando nas suas costas. Na sua vida.
Felizmente, como todo mamífero racional e emocional, a jubarte tem seus truques. Emergir, expelir a água salgada e seguir em frente, por exemplo. Ela sabe que, olhando aquele mundo à sua volta, um pequeno ser (ou seria um ser pequeno?) que um dia cruzou sua corrente marítima não fará a menor diferença em uma vida livre e feliz, e por isso plena. Coisa que aquele pobre peixe de aquário nunca vai entender ou alcançar.
Ela sabia que estava ameaçada de extinção. Ainda assim, resolveu seguir na imensidão do oceano, acreditando que a época de migração logo chegaria ao fim e ela estaria de volta, sã e salva, ao seu amado habitat. Horas e dias e meses de viagem, muito plâncton comido, muito vivido pelos mares para contar aos seus filhotes. Uma existência só existe realmente se há histórias, pensava. Mas se esqueceu de que nem todas são boas.
Assim como as pessoas. O ser humano interessado na preservação da jubarte, por exemplo, era mau. Escondia seu lado desequilibrado sob um risonho rótulo ambientalista. E se aproveitou da crença mamífera da baleia para fazer o que quis enquanto ela estava fora. Protegeu outras espécies, militou por outros animais. Tão irracionais como este ser humano específico. E a pobre jubarte, após nadar aquela imensa massa de água até sua terra natal e se deparar com tamanha irresponsabilidade, sentiu um oceano inteiro pesando nas suas costas. Na sua vida.
Felizmente, como todo mamífero racional e emocional, a jubarte tem seus truques. Emergir, expelir a água salgada e seguir em frente, por exemplo. Ela sabe que, olhando aquele mundo à sua volta, um pequeno ser (ou seria um ser pequeno?) que um dia cruzou sua corrente marítima não fará a menor diferença em uma vida livre e feliz, e por isso plena. Coisa que aquele pobre peixe de aquário nunca vai entender ou alcançar.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
As voltas que o mundo dá
A cabeça dele não parava de girar. Estar dentro da montanha russa mais espiralada do mundo - a Space Ultra Marvellous Supernatural Kinky Adventure, Dona Morte para os íntimos - ajudava consideravelmente. Sua mente era um catavento excitado dentro de um ciclone tropical no cio. Ou algo do tipo.
Duas horas depois de deixar a Space Ultra Etc, sua cabeça ainda rodava. Ficar nervoso não tinha nenhum efeito positivo, mas e daí? As pessoas ao seu redor giravam, e isso não substituía Maracugina. Era como se elas brincassem de ciranda. As crianças realmente brincavam, mas os adultos?
Começou a suspeitar de que tudo era um complô contra sua sanidade. Ele era inteligente, sabia de muita coisa e tudo estava guardado a sete sinapses, já que não confiava em blocos de notas - muito menos o do sistema operacional do seu computador, que vivia ameaçando reportar falhas ao fabricante. Um disfarce bem amador pra enviar qualquer anotação armazenada no disco duro. Pro inferno, essas multinacionais capitalistas curiosas e conspiradoras!
Complô ou não, pronto os carros começaram a girar incessantemente, e não estava seguro se em uma rotatória ou no sinal vermelho. As bolas rolavam redonda nos jogos da segunda divisão alemã. Os políticos davam voltas no mesmo tema, ainda que isso o surpreendesse menos. As músicas tocavam em looping. O cachorro à pilhas da sua sobrinha, fabricado na China como tudo que seu irmão tinha em casa (incluindo sua esposa), seguia dando cambalhotas. Mulheres na esquina da sua casa rodavam bolsas.
Estava ficando enjoado. Pela situação, e por seu cérebro haver completado o equivalente a oito voltas ao redor da Terra. Talvez mais. Ele não sabia ao certo porque evitava contar a Itália. Correu para o banheiro de casa - depois de um mês e meio nesse estado, não tinha muito ânimo pra sair a dar uma voltinha - a ponto de vomitar. A água da privada girava, e em sentido anti-horário. Era demais pra qualquer ser humano em processo avançado de degeneração mental.
Ao se virar para se olhar no espelho, e se dar conta de mais essa volta, perdeu totalmente a razão e tomou meio frasco de desentupidor de ralos. Meio, porque estava de dieta. O chão de ladrilho não estava muito limpo, mas ele nem se importou, caiu de boca e quebrou dois dentes. Além de morrer, infelizmente.
Duas horas depois de deixar a Space Ultra Etc, sua cabeça ainda rodava. Ficar nervoso não tinha nenhum efeito positivo, mas e daí? As pessoas ao seu redor giravam, e isso não substituía Maracugina. Era como se elas brincassem de ciranda. As crianças realmente brincavam, mas os adultos?
Começou a suspeitar de que tudo era um complô contra sua sanidade. Ele era inteligente, sabia de muita coisa e tudo estava guardado a sete sinapses, já que não confiava em blocos de notas - muito menos o do sistema operacional do seu computador, que vivia ameaçando reportar falhas ao fabricante. Um disfarce bem amador pra enviar qualquer anotação armazenada no disco duro. Pro inferno, essas multinacionais capitalistas curiosas e conspiradoras!
Complô ou não, pronto os carros começaram a girar incessantemente, e não estava seguro se em uma rotatória ou no sinal vermelho. As bolas rolavam redonda nos jogos da segunda divisão alemã. Os políticos davam voltas no mesmo tema, ainda que isso o surpreendesse menos. As músicas tocavam em looping. O cachorro à pilhas da sua sobrinha, fabricado na China como tudo que seu irmão tinha em casa (incluindo sua esposa), seguia dando cambalhotas. Mulheres na esquina da sua casa rodavam bolsas.
Estava ficando enjoado. Pela situação, e por seu cérebro haver completado o equivalente a oito voltas ao redor da Terra. Talvez mais. Ele não sabia ao certo porque evitava contar a Itália. Correu para o banheiro de casa - depois de um mês e meio nesse estado, não tinha muito ânimo pra sair a dar uma voltinha - a ponto de vomitar. A água da privada girava, e em sentido anti-horário. Era demais pra qualquer ser humano em processo avançado de degeneração mental.
Ao se virar para se olhar no espelho, e se dar conta de mais essa volta, perdeu totalmente a razão e tomou meio frasco de desentupidor de ralos. Meio, porque estava de dieta. O chão de ladrilho não estava muito limpo, mas ele nem se importou, caiu de boca e quebrou dois dentes. Além de morrer, infelizmente.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Quase morte
Eu tenho pra mim que a melhor maneira de escapar ileso de uma experiência de quase-morte é não passar por ela. Claro que posso estar enganado, como da vez em que não alimentei minha esposa e tentei sair do zoológico abraçado ao hipopótamo. O que foi muito injusto e insensível da minha parte, pois ela já tinha perdido mais de 80 quilos nos últimos meses. Anos, sei lá. Não prestava a menor atenção nela.
A experiência de quase-morte é uma espécie de test-drive do céu. Ou do inferno, dependendo de como você se comportou e se acredita mesmo nisso. Porque sempre tem a opção de dizer "ei, seu cramulhão, você é uma invenção da igreja pra me obrigar a entregar as moedas que ia gastar na máquina de refrigerantes!". Se tiver a mente muito forte, pode acabar com a visão do fogo eterno. Ou então fingir que não sente nada, caso o diabo realmente exista e não vá com a sua cara depois da tentativa frustrada de desacreditá-lo.
Voltando ao test-drive, ele não tem seguro (os bancos ainda não cobrem isso, por mais que os valores das apólices pareçam incluir até queda de pêlos da orelha). Se você bater as botas, é perda total. Não sei de onde sai a ilusão de que vai ser uma boa história pra contar e que todo mundo vai te pagar cerveja enquanto escuta como é o outro lado, quem te recebeu e se a luz divina funciona com sensor de presença.
Imagina a situação: você cai da escada da 4x4, escorrega numa revista de subcelebridades de três anos atrás que estava no chão da recepção do Werner Coiffeur ou xinga o motorista que te deu uma fechada antes de perceber que ele é duas vezes maior que a porta da sua garagem. Daí, sente alguma coisa e não se lembra mais de nada - também conhecido como ir para o hospital em estado de coma. O que acontece?
Então, não sei. Nem você. E é aí que mora o perigo (na Vila Cruzeiro o perigo só dorme, normalmente nas noites de pagode; é perigoso sair de lá de madrugada). Além de você poder morrer, o que não é legal se comparado a estar vivo, podem acontecer coisas muito piores. Quase pior que ser mãe do Serginho, do BBB.
Você pode despertar em estado vegetativo. Além da palavra despertar ser irônica, já que você não recobra a consciência, o termo estado vegetativo é maldoso. Chamam assim porque a pessoa - que, no caso, seria você - se parece a uma alface, ou um abacateiro. Sendo que não faz fotossíntese, ninguém rega e o Greenpeace não se amarra em volta pra defender.
Você pode voltar sem algumas funções básicas e seriamente afetado. Deve ser doloroso acordar falando como a Hebe, com o senso de humor do Faustão ou como o Rubinho, num aspecto geral.
Ademais, caso você sobreviva sem nenhum tipo de seqüela, ainda vai ter que passar por um longo período de recuperação. Ou seja, vai ter sempre as mesmas histórias pra contar - se transformando no famoso chato.
Assim, quando pensar em ter uma experiência de quase-morte, fique com a definição dos franceses, que chamam o orgasmo de petite mort. O gasto com saúde se resume à camisinhas, o tempo de recuperação varia entre uma soneca e a reativação do princípio ativo do Viagra e você vai ter muito mais histórias pra contar.
E, se ela for feia ou fingir a petite mort, você não precisa de atestado médico pra inventar o que viu.
A experiência de quase-morte é uma espécie de test-drive do céu. Ou do inferno, dependendo de como você se comportou e se acredita mesmo nisso. Porque sempre tem a opção de dizer "ei, seu cramulhão, você é uma invenção da igreja pra me obrigar a entregar as moedas que ia gastar na máquina de refrigerantes!". Se tiver a mente muito forte, pode acabar com a visão do fogo eterno. Ou então fingir que não sente nada, caso o diabo realmente exista e não vá com a sua cara depois da tentativa frustrada de desacreditá-lo.
Voltando ao test-drive, ele não tem seguro (os bancos ainda não cobrem isso, por mais que os valores das apólices pareçam incluir até queda de pêlos da orelha). Se você bater as botas, é perda total. Não sei de onde sai a ilusão de que vai ser uma boa história pra contar e que todo mundo vai te pagar cerveja enquanto escuta como é o outro lado, quem te recebeu e se a luz divina funciona com sensor de presença.
Imagina a situação: você cai da escada da 4x4, escorrega numa revista de subcelebridades de três anos atrás que estava no chão da recepção do Werner Coiffeur ou xinga o motorista que te deu uma fechada antes de perceber que ele é duas vezes maior que a porta da sua garagem. Daí, sente alguma coisa e não se lembra mais de nada - também conhecido como ir para o hospital em estado de coma. O que acontece?
Então, não sei. Nem você. E é aí que mora o perigo (na Vila Cruzeiro o perigo só dorme, normalmente nas noites de pagode; é perigoso sair de lá de madrugada). Além de você poder morrer, o que não é legal se comparado a estar vivo, podem acontecer coisas muito piores. Quase pior que ser mãe do Serginho, do BBB.
Você pode despertar em estado vegetativo. Além da palavra despertar ser irônica, já que você não recobra a consciência, o termo estado vegetativo é maldoso. Chamam assim porque a pessoa - que, no caso, seria você - se parece a uma alface, ou um abacateiro. Sendo que não faz fotossíntese, ninguém rega e o Greenpeace não se amarra em volta pra defender.
Você pode voltar sem algumas funções básicas e seriamente afetado. Deve ser doloroso acordar falando como a Hebe, com o senso de humor do Faustão ou como o Rubinho, num aspecto geral.
Ademais, caso você sobreviva sem nenhum tipo de seqüela, ainda vai ter que passar por um longo período de recuperação. Ou seja, vai ter sempre as mesmas histórias pra contar - se transformando no famoso chato.
Assim, quando pensar em ter uma experiência de quase-morte, fique com a definição dos franceses, que chamam o orgasmo de petite mort. O gasto com saúde se resume à camisinhas, o tempo de recuperação varia entre uma soneca e a reativação do princípio ativo do Viagra e você vai ter muito mais histórias pra contar.
E, se ela for feia ou fingir a petite mort, você não precisa de atestado médico pra inventar o que viu.
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