Eu não gosto de MMA, vale-tudo etc. Acho mongolóide entrar num ringue pra encarar um bombadão que vai bater em você caído, de preferência até que apague. São animais no cio lutando pelo controle de um território octogonal gradeado, ou por uma fêmea que não existe. Pra mim, arte marcial misturada é coisa de moleque que briga em saída de boate.
Mas ontem fui ver dois grandes amigos e eles curtem isso. Como era dia de UFC 2983 ou outro número menor, abrimos uns bons vinhos (porque somos civilizados demás) e fiquei fazendo piadas escrotas enquanto eles se divertiam com juízes patolando lutadores e marmanjos arranhando outros com a barba.
Mas a experiência psicossocioantropológica me ajudou a chegar numa conclusão: o cara que resolve ganhar a vida tomando bomba, usando shortinho da Bad Boy atochado e sendo estrangulado na frente de milhares de pessoas tem mais é que apanhar mesmo.
E, se um dia eu encontrar um desses cretinos na rua, dou logo um pescotapa pra ficar esperto.
Pescotapa, não. Faço que nem o Zangief mirim e dou logo um pilão pro cara ficar esperto.
***
Se fosse Twitter, eu lançaria uma hashtag "ficaadica". O que seria escroto, já que ninguém pediu minha opinião. Mas, se for pra parecer um animal, tio Alceu já mandou a real.
Pra deixar em pedaços o meu coração e meus nervos de aço no chão, que seja assim.
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domingo, 20 de março de 2011
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
O corte da uva
Caminhando pelo galho da videira, a uva tropeça no cabo do arado encostado na árvore, deixado displicentemente por um dos empregados da fazenda, e cai em cima de uma erva-daninha. Rasga sua pele e abre a carne, deixando o caroço à mostra. Ela sangra, atraindo formigas. Mas, antes de que os sedentos insetos chegassem ao delicioso suco dos deuses beberrões, seu Toshiro - ou Takahiro, ou Matsushiro - encontra o pequeno corpo estendido no chão e o leva para a fazenda.
Lá, coloca o fruto do seu trabalho anual numa cesta, junto de outras que sofreram o mesmo corte (ou cortes devido ao mesmo tipo de acidente, ele nunca soube ao certo), e pisa em cima de todas. Parece um grande shiatsu frutal coletivo, mas é só ganância. Seu Japa, como é conhecido em Santa Bárbara do Oeste, está preparando o sumo para engarrafar e vender ao bar mais pé-sujo da cidade.
Assim é fabricado o famoso Sangue de Boi.
Lá, coloca o fruto do seu trabalho anual numa cesta, junto de outras que sofreram o mesmo corte (ou cortes devido ao mesmo tipo de acidente, ele nunca soube ao certo), e pisa em cima de todas. Parece um grande shiatsu frutal coletivo, mas é só ganância. Seu Japa, como é conhecido em Santa Bárbara do Oeste, está preparando o sumo para engarrafar e vender ao bar mais pé-sujo da cidade.
Assim é fabricado o famoso Sangue de Boi.
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