Não sou analista político ou diplomata, não tenho família árabe ou amigo trabalhando na OTAN. Mas não consigo deixar de pensar como rebeldes de um país com a população ferrada oferecem quase dois milhões de George Washingtons pelo seu (ex?) líder.
Nem entendo como ninguém questiona de onde vem todo esse dinheiro.
Tô pagano!
***
Se dinheiro não é problema pros rebeldes ou pra esse sincero ser humano, para ele...
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quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Gentílico F.C.
Como não estava nem um pouco preocupado com o Vice da Gama pegando o todo-poderoso Mengão na final da Taça Rio, comecei a pensar em como seria se eu tivesse um time de futebol. Natural, já que sou brasileiro e, como todo brasileiro, sou um potencial técnico de clube, seleção ou combinado formado para a despedida de qualquer gordinho famoso.
Aproveitando a miscigenação tupiniquim e o constante processo migratório, tive uma idéia. E se formasse uma equipe só com gentílicos?
Sem nenhum compromisso com posição ou mesmo com a verdade, minha escalação seria essa:
Alex Maranhão
Bruno Mineiro
Marquinhos Capixaba
Júnior Baiano
Dudu Cearense
Marquinhos Paraná
Juninho Pernambucano
Marcelinho Carioca
Renato Gaúcho
Marcelinho Paraíba
Wellington Paulista
"Ai, Alexandre, Paraíba e Paraná não são gentílicos, Maranhão também não, mimimi...". Se você não entendeu a idéia, pegue a Transjegue. A questão aqui é ter jogador de todos os Estados. O que seria uma façanha, já que o Acre não existe.
Promovendo a integração assim, falta muito pouco pra eu virar presidente pra logo depois me tornar ditador.
Aproveitando a miscigenação tupiniquim e o constante processo migratório, tive uma idéia. E se formasse uma equipe só com gentílicos?
Sem nenhum compromisso com posição ou mesmo com a verdade, minha escalação seria essa:
Alex Maranhão
Bruno Mineiro
Marquinhos Capixaba
Júnior Baiano
Dudu Cearense
Marquinhos Paraná
Juninho Pernambucano
Marcelinho Carioca
Renato Gaúcho
Marcelinho Paraíba
Wellington Paulista
"Ai, Alexandre, Paraíba e Paraná não são gentílicos, Maranhão também não, mimimi...". Se você não entendeu a idéia, pegue a Transjegue. A questão aqui é ter jogador de todos os Estados. O que seria uma façanha, já que o Acre não existe.
Promovendo a integração assim, falta muito pouco pra eu virar presidente pra logo depois me tornar ditador.
sábado, 6 de novembro de 2010
Vingança
Tem vezes que vale muito a pena.
Foi pênalti, Arnaldo? Eu perguntei ao Caio e ele tem dúvidas.
Foi pênalti, Arnaldo? Eu perguntei ao Caio e ele tem dúvidas.
domingo, 3 de outubro de 2010
Zico
A primeira e única vez que vi o maior ídolo da história do clube mais querido do mundo jogar foi na sua despedida. Como torcedor grato por suas façanhas e amante de futebol, acompanhei seu sucesso no Japão (onde ganhou uma estátua por tudo o que fez), a criação de um clube com o seu nome (que só não foi mais longe pela politicagem e roubalheira que imperam no país), sua tentativa de auxiliar o Zagallo quando este já estava gagá e queria que as pessoas o engulissem e outros tantos fatos que cito na categoria etc.
Como outros 35 milhões de rubro-negros eu rezei, desejei, esperei e sonhei com o dia em que ele voltaria para o clube que o criou, onde escreveu algumas das páginas mais bonitas da sua vida - e de muita gente. O esperado retorno para excomungar os vermes que proliferam no clube e consomem livremente seus recursos e nossas esperanças. Não seria mais Zico, o craque. Seria Zico, o herói.
Há quatro meses, o sonho se tornou realidade.
Nessa sexta, o sonho morreu.
No dia primeiro de outubro de dois mil e dez, uma nação inteira acordou dentro de um pesadelo. O clima pesado, as acusações absurdas e a artilharia na direção do ídolo surtiu efeito. Zico se desligou do departamento de futebol com palavras que doem tanto nele quanto nos que são flamenguistas de verdade: "morreu no meu coração esse Flamengo de hoje que está representado por essas pessoas".
Falo de coração - doído como o dele - que sinto vergonha do Flamengo. Não do manto sagrado, mas da corja que destrói o clube há décadas. Dos bandidos fantasiados de dirigentes que desrespeitam a instituição. Das torcidas organizadas repletas de marginais que apóiam um cretino aproveitador como esse tal de Capitão Leo, um ser desprezível que deveria estar longe da Gávea. Dos torcedores que têm a audácia de concordar com essa palhaçada e acusam o Zico de pipocar - quando a presidenta (entre milhões de aspas) prefere dar suporte ao seu cabo eleitoral. O tal do Leo. O tal que conseguiu a proeza de ter mais voz que o Galinho de Quintino. Além da vergonha, claro, do bando que veste a camisa sem a menor condição de aguentar seu peso e honrar sua tradição.
Fiquei sinceramente emocionado com a carta de demissão do Zico. Tive a nítida sensação de estar lendo uma carta de suicídio. Que, sem querer, mata outras 34.999.999 de pessoas.
Torço porque o amor é um sentimento irracional. Mas seria mentira se dissesse que amo esse Flamengo.
Como outros 35 milhões de rubro-negros eu rezei, desejei, esperei e sonhei com o dia em que ele voltaria para o clube que o criou, onde escreveu algumas das páginas mais bonitas da sua vida - e de muita gente. O esperado retorno para excomungar os vermes que proliferam no clube e consomem livremente seus recursos e nossas esperanças. Não seria mais Zico, o craque. Seria Zico, o herói.
Há quatro meses, o sonho se tornou realidade.
Nessa sexta, o sonho morreu.
No dia primeiro de outubro de dois mil e dez, uma nação inteira acordou dentro de um pesadelo. O clima pesado, as acusações absurdas e a artilharia na direção do ídolo surtiu efeito. Zico se desligou do departamento de futebol com palavras que doem tanto nele quanto nos que são flamenguistas de verdade: "morreu no meu coração esse Flamengo de hoje que está representado por essas pessoas".
Falo de coração - doído como o dele - que sinto vergonha do Flamengo. Não do manto sagrado, mas da corja que destrói o clube há décadas. Dos bandidos fantasiados de dirigentes que desrespeitam a instituição. Das torcidas organizadas repletas de marginais que apóiam um cretino aproveitador como esse tal de Capitão Leo, um ser desprezível que deveria estar longe da Gávea. Dos torcedores que têm a audácia de concordar com essa palhaçada e acusam o Zico de pipocar - quando a presidenta (entre milhões de aspas) prefere dar suporte ao seu cabo eleitoral. O tal do Leo. O tal que conseguiu a proeza de ter mais voz que o Galinho de Quintino. Além da vergonha, claro, do bando que veste a camisa sem a menor condição de aguentar seu peso e honrar sua tradição.
Fiquei sinceramente emocionado com a carta de demissão do Zico. Tive a nítida sensação de estar lendo uma carta de suicídio. Que, sem querer, mata outras 34.999.999 de pessoas.
Torço porque o amor é um sentimento irracional. Mas seria mentira se dissesse que amo esse Flamengo.
domingo, 26 de setembro de 2010
Futebol
Eu jogo, vejo, acompanho, discuto, torço, compareço. Mas esse time do Flamengo me dá um desânimo impressionante, a ponto de escrever esse texto antes mesmo de acabar a partida no Parque das Águas, também conhecido como Lagrimão, oficialmente chamado de Engenhão. A casa de bonecas do Botafogo.
Não esperava o hepta em 2010, confesso. Mas uma vaga na Libertadores era sonhável. Na copinha, aceitável. Brigar com o Patético Mineiro pra não descer, inaceitável.
E, enquanto falava com o Alan, as Felipetes fizeram o terceiro. Fim de jogo.
Não esperava o hepta em 2010, confesso. Mas uma vaga na Libertadores era sonhável. Na copinha, aceitável. Brigar com o Patético Mineiro pra não descer, inaceitável.
E, enquanto falava com o Alan, as Felipetes fizeram o terceiro. Fim de jogo.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Pecado capital número 5
Dante disse, algum tempo atrás (bem antes de eu nascer), que a ira é o "amor pela justiça pervertido a vingança e ressentimento". Concordo. Assim me sinto uma pessoa mais justa enquanto odeio outras.
Eu odeio amigos. Ou melhor, atuais semi-futuros ex-amigos. Quem mente, esconde, toma partido e ajuda você a se afundar na má fase não pode ser considerado amigo(a).
Eu odeio políticos. Com a sempre exclusão do Chico Alencar desse grupo, por gosto e confiança. Eles mentem, compram votos e fingem que não se importam com a meleca que a criança colou na camisa deles.
Eu odeio juízes de futebol. Esse tópico entrou porque escrevo o texto enquanto vejo o Flamengo ser prejudicado por um saco de batata vestido de preto. Jogador expulso, pênalti não marcado etc. Até quando o cretino do Ricardo Teixeira vai fazer isso? Tá de birrinha porque o Flamengo não votou na sua eleição ou é retaliação pela discussão da taça das bolinhas? Porque eu tenho uma sugestão do que você pode fazer com ela, e só não sugiro ao São Paulo porque eles aceitariam. Se é que já não pensaram nisso.
Eu odeio o time do Flamengo. E tenho pena do Zico, que está arriscando anos de história pelo amor a um clube que parece não querer ser ajudado. De quebra, também tenho pena do Silas, que não podia recusar a batata quente que caiu na sua vida tática.
Eu odeio despedidas. Cada vez que vou embora de algum lugar, fico triste e sofro como se fosse a um show do Jorge Vacilo. Sozinho. Em Inhaúma. Numa terça-feira chuvosa. De ônibus. Mas, como nesse caso eu deveria me odiar - já que a culpa das despedidas é minha - eu relevo um pouco e penso no lado positivo da saudade e boas recordações.
Eu sei, a ira não resolve minha vida. Mas não acredito em pecado, céu e inferno, essas coisas de quem tinha tabela de preços pra pedaços de madeira e tem um nazista anti-camisinha como líder. Além do mais, como vivo de escrever e gosto de valorizar cada reação apaixonada que sinto, até que uma raiva contida sempre prestes a explodir no momento inoportuno é legal.
E ainda tem aquele lance que gosto muito, a tal da vingança. Se você estiver na minha lista, cuidado.
Eu odeio amigos. Ou melhor, atuais semi-futuros ex-amigos. Quem mente, esconde, toma partido e ajuda você a se afundar na má fase não pode ser considerado amigo(a).
Eu odeio políticos. Com a sempre exclusão do Chico Alencar desse grupo, por gosto e confiança. Eles mentem, compram votos e fingem que não se importam com a meleca que a criança colou na camisa deles.
Eu odeio juízes de futebol. Esse tópico entrou porque escrevo o texto enquanto vejo o Flamengo ser prejudicado por um saco de batata vestido de preto. Jogador expulso, pênalti não marcado etc. Até quando o cretino do Ricardo Teixeira vai fazer isso? Tá de birrinha porque o Flamengo não votou na sua eleição ou é retaliação pela discussão da taça das bolinhas? Porque eu tenho uma sugestão do que você pode fazer com ela, e só não sugiro ao São Paulo porque eles aceitariam. Se é que já não pensaram nisso.
Eu odeio o time do Flamengo. E tenho pena do Zico, que está arriscando anos de história pelo amor a um clube que parece não querer ser ajudado. De quebra, também tenho pena do Silas, que não podia recusar a batata quente que caiu na sua vida tática.
Eu odeio despedidas. Cada vez que vou embora de algum lugar, fico triste e sofro como se fosse a um show do Jorge Vacilo. Sozinho. Em Inhaúma. Numa terça-feira chuvosa. De ônibus. Mas, como nesse caso eu deveria me odiar - já que a culpa das despedidas é minha - eu relevo um pouco e penso no lado positivo da saudade e boas recordações.
Eu sei, a ira não resolve minha vida. Mas não acredito em pecado, céu e inferno, essas coisas de quem tinha tabela de preços pra pedaços de madeira e tem um nazista anti-camisinha como líder. Além do mais, como vivo de escrever e gosto de valorizar cada reação apaixonada que sinto, até que uma raiva contida sempre prestes a explodir no momento inoportuno é legal.
E ainda tem aquele lance que gosto muito, a tal da vingança. Se você estiver na minha lista, cuidado.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Até logo, Mário Filho
Mário Filho era filho do Mário. Não aquele da piada, ou pelo menos eu acho que não. Na vida passada, jornalista. Nessa, estádio. O maior do mundo até algum tempo atrás. O mais charmoso. O com mais histórias, algumas tristes e muitas felizes. Casa do todo-poderoso Mengão, dono do recorde de público do Campeonato Brasileiro com mais de 155 mil pagantes em um Flamengo e Santos, final, taça nossa, grito de tricampeão.
Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida sabe o sufoco que é (era) comprar ingresso, com uma horda de cambistas passando a frente e oferecendo o lugar 247 vezes mais caro no dia do jogo. Assim como é (era) horrível entrar numa fila que parecia o delta do Nilo até chegar perto da roleta, pra então virar um buraco de agulha na hora de entrar na área do estádio.
Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida também comprou cerveja cara lá dentro, e depois passou a não poder comprar cerveja nem nos arredores. Legalmente, porque o amigo isopor sempre chamava na espreita. Com certeza, passou pelo perrengue de ficar num lugar ruim, sentar na escada, ter que vigiar o bolso enquanto xingava o juiz, viu a menininha tomar um copão de xixi na nuca, saltou degraus com mais técnica que o João do Pulo - só que pra fugir de confusão.
E quem foi ao Maraca sabe-se lá quantas vezes, como eu, entende que a emoção de cantar com a torcida (no meu caso, com a Raça e a Fla-Manguaça, desde a época do Marcelo Tijolo ou antes, nem me lembro mais) é maior e mais forte que qualquer um desses contratempos.
Vi o Flamengo vencer inúmeras vezes, ser eliminado de forma dolorosa, jogar com raça e ser vaiado pela falta dela. Não importa. Poucas coisas nesse mundo são tão emocionantes quanto ver o manto sagrado saindo do túnel, os jogadores pisando no gramado e acenando pra torcida enlouquecida. Independentemente do resultado. O Maracanã é lindo, místico, insubstituível.
Mas não irretocável. Hoje foi o último jogo no templo, que será fechado por mais de dois anos pra obras. E eu não pude me despedir. Tudo bem, o Flamengo empatou com o Santos - mesmo jogando melhor. Não foi o até breve que os milhares de presentes esperavam. Mas tenho certeza que foi emocionante, principalmente pra quem ama o time e o esporte. Como eu. Que estava na frente da TV com cabeça, coração e cordas vocais no anel superior, atrás do gol do lado esquerdo da tribuna de honra. Triste por não estar fisicamente. Mas feliz de ver a galera incentivando até o final, numa clara história de amor eterno.
Não conheci o jornalista, mas tenho certeza de que é muito feliz como o estádio. E por fazer parte dessa história.
Até logo, Mário Filho.
Acima de tudo, rubro-negro!
Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida sabe o sufoco que é (era) comprar ingresso, com uma horda de cambistas passando a frente e oferecendo o lugar 247 vezes mais caro no dia do jogo. Assim como é (era) horrível entrar numa fila que parecia o delta do Nilo até chegar perto da roleta, pra então virar um buraco de agulha na hora de entrar na área do estádio.
Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida também comprou cerveja cara lá dentro, e depois passou a não poder comprar cerveja nem nos arredores. Legalmente, porque o amigo isopor sempre chamava na espreita. Com certeza, passou pelo perrengue de ficar num lugar ruim, sentar na escada, ter que vigiar o bolso enquanto xingava o juiz, viu a menininha tomar um copão de xixi na nuca, saltou degraus com mais técnica que o João do Pulo - só que pra fugir de confusão.
E quem foi ao Maraca sabe-se lá quantas vezes, como eu, entende que a emoção de cantar com a torcida (no meu caso, com a Raça e a Fla-Manguaça, desde a época do Marcelo Tijolo ou antes, nem me lembro mais) é maior e mais forte que qualquer um desses contratempos.
Vi o Flamengo vencer inúmeras vezes, ser eliminado de forma dolorosa, jogar com raça e ser vaiado pela falta dela. Não importa. Poucas coisas nesse mundo são tão emocionantes quanto ver o manto sagrado saindo do túnel, os jogadores pisando no gramado e acenando pra torcida enlouquecida. Independentemente do resultado. O Maracanã é lindo, místico, insubstituível.
Mas não irretocável. Hoje foi o último jogo no templo, que será fechado por mais de dois anos pra obras. E eu não pude me despedir. Tudo bem, o Flamengo empatou com o Santos - mesmo jogando melhor. Não foi o até breve que os milhares de presentes esperavam. Mas tenho certeza que foi emocionante, principalmente pra quem ama o time e o esporte. Como eu. Que estava na frente da TV com cabeça, coração e cordas vocais no anel superior, atrás do gol do lado esquerdo da tribuna de honra. Triste por não estar fisicamente. Mas feliz de ver a galera incentivando até o final, numa clara história de amor eterno.
Não conheci o jornalista, mas tenho certeza de que é muito feliz como o estádio. E por fazer parte dessa história.
Até logo, Mário Filho.
Acima de tudo, rubro-negro!
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Muricy
Ele é um cretino mal-humorado e mal-educado e fiquei feliz de que não tenha assumido a seleção, mas admito que é extremamente competente e está fazendo um trabalho tão bom no Fluminense que até o Diguinho, o Guti brasileiro, está jogando futebol. Se o pó-de-mico for campeão esse ano, minha alegria de ver os paulistas tendo que engolir outro carioca levantando a taça vai se mesclar à apurrinhação de ouvir os tricotadores enchendo o saco, e o seu Ramalho cuspindo ácido sulfúrico nas entrevistas.
Só escrevi isso pra mostrar que continuo atento ao futebol brasileiro. Mas o importante é que já vejo sinais de uma arrancada espetacular como a do ano passado rumo ao hepta rubro-negro. Vamos, Flamengo!
Só escrevi isso pra mostrar que continuo atento ao futebol brasileiro. Mas o importante é que já vejo sinais de uma arrancada espetacular como a do ano passado rumo ao hepta rubro-negro. Vamos, Flamengo!
segunda-feira, 12 de julho de 2010
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Podemos!
Ontem foi um dia histórico para cerca de 46 milhões de pessoas no velho continente e outras tantas espalhados pelo planeta. Após dezoito edições de um mundial, a Espanha finalmente chegou a uma final de Copa. Só a fila do SUS demora tanto - com a diferença que as pessoas têm muito mais esperança de levantarem uma taça que de serem atendidas.
Revendo pela milionésima vez os lances da partida contra a Alemanha, surpresa e sensação do campeonato pela equipe renovada e futebol bonito, responsável por despachar hooligans e argentinos (desculpem a palavra de baixo calão, não conheço outra menos pior), ficou ainda mais claro o domínio da Fúria. Sim, eles mereceram ganhar, assim como mereceram bater os mesmos alemães na final da Eurocopa dois anos antes. Como merecem deixar o estigma de segunda força pra trás, sendo considerados grandes, vitoriosos e tendo o nome gravado na história.
Mas não escrevo esse texto pra elogiar La Roja e a habilidade dos seus jogadores ou bater no Dunga (o Felipe Melo viria dar o troco, com certeza). Escrevo porque, vendo as imagens dos jogadores e dos espanhóis comemorando, gritando e chorando e perdendo a voz e se jogando em chafariz e buzinando e se abraçando e com olhar perdido em direção ao céu, me emocionei. Chorei, pra ser sincero.
Chorei pela dedicação, entrega e identificação dos jogadores - não apenas com a camisa vermelha ou o esporte, mas com toda uma nação. Algo que vai muito além da nossa pátria de chuteiras que "é brasileira com muito orgulho, com muito amor" durante um mês e caga o país nos outros 47. Uma nação que tem disputas internas inclusive sobre o conceito de nação, e que enxerga no futebol a possibilidade de fugir um pouco da disputa política sem sentido e, quem sabe?, da união entre as províncias.
Chorei por ver a comoção de um povo que espera isso desde sempre. Que já foi taxado de perdedor, amarelão e até botafoguense. Que viu sua equipe nadar forte tantas vezes e morrer na praia. Que vê no sucesso da seleção o início da virada pra sair de uma crise que parece eterna. Gente sentindo uma emoção que nunca experimentou na vida e, por isso mesmo, vive como um sonho que pode acabar a qualquer momento. Que tem medo de se beliscar e acordar.
Chorei porque gosto do esporte. Chorei como devem ter chorado os que (ou)viram o título de 1958, depois de chorarem pelo Maracanazo. Como devem ter chorado os que viram a eliminação de um dos melhores times da história do futebol, aqui na Espanha mesmo, contra uma equipe chulé que deu início ao futebol de resultados. Como se fosse o hexa do Flamengo, com um único amigo testemunhando meu sofrimento e êxtase numa sala semi-vazia em El Prat de Llobregat, Barcelona, Espanha.
Chorei por tudo que deixei no Brasil, coisas que preciso retomar e coisas que se encaminham para um fim. Ou recomeço, nunca se sabe.
Chorei por saber que os planos traçados há tanto tempo estão se cumprindo. E, depois de 10 meses, estarei ao lado do Alan vendo a Espanha jogar a final em algum lugar de Barcelona. Exatamente como deveria ser. "Saudade até que é bom" oscambau. Quero rever meu irmão, meu grande amigo. Quero a família junta outra vez.
Chorei porque, ainda que não seja de muitas lágrimas (quase nenhuma, pra ser sincero), homem chora, sim. E admite.
E, tão importante quanto tudo isso: chorei, sim. Mas não como um botafoguense.
Sigo acreditando no slogan dos espanhóis, que resume bem o sonho de uma vida. Seja qual for o sonho, e seja de quem for a vida: podemos!
Revendo pela milionésima vez os lances da partida contra a Alemanha, surpresa e sensação do campeonato pela equipe renovada e futebol bonito, responsável por despachar hooligans e argentinos (desculpem a palavra de baixo calão, não conheço outra menos pior), ficou ainda mais claro o domínio da Fúria. Sim, eles mereceram ganhar, assim como mereceram bater os mesmos alemães na final da Eurocopa dois anos antes. Como merecem deixar o estigma de segunda força pra trás, sendo considerados grandes, vitoriosos e tendo o nome gravado na história.
Mas não escrevo esse texto pra elogiar La Roja e a habilidade dos seus jogadores ou bater no Dunga (o Felipe Melo viria dar o troco, com certeza). Escrevo porque, vendo as imagens dos jogadores e dos espanhóis comemorando, gritando e chorando e perdendo a voz e se jogando em chafariz e buzinando e se abraçando e com olhar perdido em direção ao céu, me emocionei. Chorei, pra ser sincero.
Chorei pela dedicação, entrega e identificação dos jogadores - não apenas com a camisa vermelha ou o esporte, mas com toda uma nação. Algo que vai muito além da nossa pátria de chuteiras que "é brasileira com muito orgulho, com muito amor" durante um mês e caga o país nos outros 47. Uma nação que tem disputas internas inclusive sobre o conceito de nação, e que enxerga no futebol a possibilidade de fugir um pouco da disputa política sem sentido e, quem sabe?, da união entre as províncias.
Chorei por ver a comoção de um povo que espera isso desde sempre. Que já foi taxado de perdedor, amarelão e até botafoguense. Que viu sua equipe nadar forte tantas vezes e morrer na praia. Que vê no sucesso da seleção o início da virada pra sair de uma crise que parece eterna. Gente sentindo uma emoção que nunca experimentou na vida e, por isso mesmo, vive como um sonho que pode acabar a qualquer momento. Que tem medo de se beliscar e acordar.
Chorei porque gosto do esporte. Chorei como devem ter chorado os que (ou)viram o título de 1958, depois de chorarem pelo Maracanazo. Como devem ter chorado os que viram a eliminação de um dos melhores times da história do futebol, aqui na Espanha mesmo, contra uma equipe chulé que deu início ao futebol de resultados. Como se fosse o hexa do Flamengo, com um único amigo testemunhando meu sofrimento e êxtase numa sala semi-vazia em El Prat de Llobregat, Barcelona, Espanha.
Chorei por tudo que deixei no Brasil, coisas que preciso retomar e coisas que se encaminham para um fim. Ou recomeço, nunca se sabe.
Chorei por saber que os planos traçados há tanto tempo estão se cumprindo. E, depois de 10 meses, estarei ao lado do Alan vendo a Espanha jogar a final em algum lugar de Barcelona. Exatamente como deveria ser. "Saudade até que é bom" oscambau. Quero rever meu irmão, meu grande amigo. Quero a família junta outra vez.
Chorei porque, ainda que não seja de muitas lágrimas (quase nenhuma, pra ser sincero), homem chora, sim. E admite.
E, tão importante quanto tudo isso: chorei, sim. Mas não como um botafoguense.
Sigo acreditando no slogan dos espanhóis, que resume bem o sonho de uma vida. Seja qual for o sonho, e seja de quem for a vida: podemos!
quinta-feira, 1 de julho de 2010
El Niño
Depois de escutar esse som, saído de um post do Alan (obrigado), resolvi deixar a música passear pela Ponte outra vez. Infelizmente, com poucas referências - estavam com preguiça de escrever no Wikipedia, assim como estou de procurar mais informações. Mas com altíssima qualidade.
Talvez pela contagem regressiva seguir forte, levando meus pensamentos rumo aos risonhos lindos campos (que) têm mais flores, a nostalgia começou a marcar presença. Dessa vez, juntando as lembranças de Sevilla, talvez bem vivas pelo reencontro em Madrid com dois grandes amigos, com as de Barcelona. Minha casa de temperatura desregulada por longos-curtos-longos nove meses. E o niño que nasceu dessa espera tem 36 anos.
Niño Josele é um guitarrista flamenco nascido em Almeria, e tão caveira que já tocou com nomes como Paco de Lucía e Elton John. Tem 7 discos em 14 anos de carreira, o que não é pouco. Ainda mais pensando que sua criação é instrumental, não essa história de "vou te levar daqui/te amo, meu amor/eu quero vocêêêêêêê" de qualquer desses cretinos de hoje em dia, daí ou do exterior. O cara é boladón.
Descobri pelo Alberto num programa da Rádio 3. Pus no Spotify e não consigo parar de escutar. Quer dizer, neste exato momento eu não escuto, mas só porque meu computador está incrivelmente lento e não consegue fazer duas ações ao mesmo tempo, como um surfista tentando amarrar o cadarço e falar.
Ao toque de quatro já vai:
Ei, fala de mim também!
***
Falando em niño, el niño Torres, Fernandinho no Brasil, Seaside Freddy pros gringos, segue jogando bichado e sem render. Mas Villa Maravilla assumiu a responsabilidade e está compensando a falta que o outro faz resolvendo praticamente todas as partidas para a Espanha no Mundial. Com isso, la Roja já está nas quartas, sendo a única que acredito ter alguma chance de estragar a Copa América africana. Basta chutar o Paraguai.
Só pra constar.
***
Só pra constar, também: esse foi, provavelmente, o texto com o maior número de links que já escrevi. Alguns são interessantes, poucos realmente engraçados, muitos totalmente sem sentido. Ainda assim, tive o trabalho de selecionar cada um deles.
Favor clicar em todos e gerar tráfego para outros sites, a ver se vêem que vocês chegaram lá atravessando a Ponte, vêm aqui e aumentam meu número de visitas, permitindo a inserção de banners e links patrocinados e me dando dinheiro.
Obrigado.
Talvez pela contagem regressiva seguir forte, levando meus pensamentos rumo aos risonhos lindos campos (que) têm mais flores, a nostalgia começou a marcar presença. Dessa vez, juntando as lembranças de Sevilla, talvez bem vivas pelo reencontro em Madrid com dois grandes amigos, com as de Barcelona. Minha casa de temperatura desregulada por longos-curtos-longos nove meses. E o niño que nasceu dessa espera tem 36 anos.
Niño Josele é um guitarrista flamenco nascido em Almeria, e tão caveira que já tocou com nomes como Paco de Lucía e Elton John. Tem 7 discos em 14 anos de carreira, o que não é pouco. Ainda mais pensando que sua criação é instrumental, não essa história de "vou te levar daqui/te amo, meu amor/eu quero vocêêêêêêê" de qualquer desses cretinos de hoje em dia, daí ou do exterior. O cara é boladón.
Descobri pelo Alberto num programa da Rádio 3. Pus no Spotify e não consigo parar de escutar. Quer dizer, neste exato momento eu não escuto, mas só porque meu computador está incrivelmente lento e não consegue fazer duas ações ao mesmo tempo, como um surfista tentando amarrar o cadarço e falar.
Ao toque de quatro já vai:
Ei, fala de mim também!
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Falando em niño, el niño Torres, Fernandinho no Brasil, Seaside Freddy pros gringos, segue jogando bichado e sem render. Mas Villa Maravilla assumiu a responsabilidade e está compensando a falta que o outro faz resolvendo praticamente todas as partidas para a Espanha no Mundial. Com isso, la Roja já está nas quartas, sendo a única que acredito ter alguma chance de estragar a Copa América africana. Basta chutar o Paraguai.
Só pra constar.
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Só pra constar, também: esse foi, provavelmente, o texto com o maior número de links que já escrevi. Alguns são interessantes, poucos realmente engraçados, muitos totalmente sem sentido. Ainda assim, tive o trabalho de selecionar cada um deles.
Favor clicar em todos e gerar tráfego para outros sites, a ver se vêem que vocês chegaram lá atravessando a Ponte, vêm aqui e aumentam meu número de visitas, permitindo a inserção de banners e links patrocinados e me dando dinheiro.
Obrigado.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Dunga e a seleção dele
Desde bem antes da Copa, eu dizia que não gostava do Dunga nem da seleção que ele convocava. Avisei que estaria torcendo pra Espanha levar a taça, e mantenho (apesar de estar difícil; a verdade é que eles parecem sentir a pressão de um Mundial e do oba-oba que a imprensa faz por aqui, culminando no cada vez menos confiante - e confiável - slogan "podemos"). Admito que é impossível torcer contra o Brasil, e a cada jogo eu estou na frente de um telão, gritando e pulando e esperando algo mais do que tem sido feito em campo. O que não deve acontecer, pela falta de qualidade técnica do time.
Mas o que mais me surpreendeu até agora não foram as vitórias sofridas em cima da poderosa Coréia do Norte ou da organizada Costa do Marfim, nem mesmo a cara de peidei mas foi você do "treinador" na beira do campo. O que me surpreendeu foi a ignorância excessiva - até mesmo pros seus padrões - com os repórteres da coletiva pós-partida (escolhendo logo o Alex Escobar, repórter inteligente, competente e tranqüilo). Xingamentos que começaram ainda em campo, com um juiz que expulsou o Kaká (que não é assim, um santo) por um cotovelo suspeito (lembrando que ele levou amarelo, normal pra jogada; só que era o segundo) e validou o golaço do Luis Fabiano em jogada digna de Tande. O novo dupla do Henry na praia.
A gente sempre fala que nossa seleção tem 190 milhões de técnicos, que o time é patrimônio nacional. Assim como a imagem que construímos ao longo da história das Copas, com cinco títulos (o mais feio e indigno deles, não coincidentemente, com o Dunga em campo) e times que não ganharam mas encantaram (como o Brasil de 1982).
O Dunga simplesmente não está preparado para o cargo. Nunca esteve. Ganhar é fácil, até mesmo pra ele. Um, pelos jogadores que temos. Dois, porque ainda que não chame os melhores, o futebol mundial está nivelado por baixo, tão por baixo que daqui a pouco vamos começar a construir campos em estações de metrô abandonadas.
Ele não agüenta críticas, não suporta pressões, não admite ser contestado. Ainda que eu não confie 100% na imprensa (50%, talvez), ela é uma espécie de porta-voz da população. Quando pergunta algo, em teoria, está perguntando o que você, eu ou sua avó gostaríamos de saber.
Alguém que não admite ser contestado não pode ocupar o posto mais sujeito à críticas do país. O Lula pode cagar uma lei ou não dar aumento de salário a ninguém, mas se o Brasil perde pra Argentina ele vai ser nota de rodapé da página 15. E um argentino pulando na frente do Lúcio será capa. Erro de valores, sim. Mas não justifica uma pessoa estressadinha com alguém que fale algo que não gosta. Ou que tenha a audácia de balançar a cabeça.
Justificar as atitudes do Dunga é aceitar uma parte péssima do nosso povo. Concordar com os ataques de "masculinidade" dele é admitir que somos mulher de malandro, uma gente que gosta de apanhar. Que abaixa a cabeça pra qualquer imbecil considerado vitorioso no nosso país - inclusive pela mesma imprensa que ele agora bate, merecendo ou não. No caso dele, sinceramente, não.
É por essas e outras que sigo afirmando que a seleção é do Dunga, não minha. E que, ainda que vista a camisa e incentive o time até o último segundo, torço pela Espanha. Entre o sofrimento de uma nação e a consagração de brutamontes como Dunga ou Felipe Melo, fico com o sacrifício.
É isso ou transformar a animalidade em modelo para o país que eu amo. Enquanto a isso, não tem gol que me faça mudar de idéia.
Mas o que mais me surpreendeu até agora não foram as vitórias sofridas em cima da poderosa Coréia do Norte ou da organizada Costa do Marfim, nem mesmo a cara de peidei mas foi você do "treinador" na beira do campo. O que me surpreendeu foi a ignorância excessiva - até mesmo pros seus padrões - com os repórteres da coletiva pós-partida (escolhendo logo o Alex Escobar, repórter inteligente, competente e tranqüilo). Xingamentos que começaram ainda em campo, com um juiz que expulsou o Kaká (que não é assim, um santo) por um cotovelo suspeito (lembrando que ele levou amarelo, normal pra jogada; só que era o segundo) e validou o golaço do Luis Fabiano em jogada digna de Tande. O novo dupla do Henry na praia.
A gente sempre fala que nossa seleção tem 190 milhões de técnicos, que o time é patrimônio nacional. Assim como a imagem que construímos ao longo da história das Copas, com cinco títulos (o mais feio e indigno deles, não coincidentemente, com o Dunga em campo) e times que não ganharam mas encantaram (como o Brasil de 1982).
O Dunga simplesmente não está preparado para o cargo. Nunca esteve. Ganhar é fácil, até mesmo pra ele. Um, pelos jogadores que temos. Dois, porque ainda que não chame os melhores, o futebol mundial está nivelado por baixo, tão por baixo que daqui a pouco vamos começar a construir campos em estações de metrô abandonadas.
Ele não agüenta críticas, não suporta pressões, não admite ser contestado. Ainda que eu não confie 100% na imprensa (50%, talvez), ela é uma espécie de porta-voz da população. Quando pergunta algo, em teoria, está perguntando o que você, eu ou sua avó gostaríamos de saber.
Alguém que não admite ser contestado não pode ocupar o posto mais sujeito à críticas do país. O Lula pode cagar uma lei ou não dar aumento de salário a ninguém, mas se o Brasil perde pra Argentina ele vai ser nota de rodapé da página 15. E um argentino pulando na frente do Lúcio será capa. Erro de valores, sim. Mas não justifica uma pessoa estressadinha com alguém que fale algo que não gosta. Ou que tenha a audácia de balançar a cabeça.
Justificar as atitudes do Dunga é aceitar uma parte péssima do nosso povo. Concordar com os ataques de "masculinidade" dele é admitir que somos mulher de malandro, uma gente que gosta de apanhar. Que abaixa a cabeça pra qualquer imbecil considerado vitorioso no nosso país - inclusive pela mesma imprensa que ele agora bate, merecendo ou não. No caso dele, sinceramente, não.
É por essas e outras que sigo afirmando que a seleção é do Dunga, não minha. E que, ainda que vista a camisa e incentive o time até o último segundo, torço pela Espanha. Entre o sofrimento de uma nação e a consagração de brutamontes como Dunga ou Felipe Melo, fico com o sacrifício.
É isso ou transformar a animalidade em modelo para o país que eu amo. Enquanto a isso, não tem gol que me faça mudar de idéia.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
A nova colonização
Não faz muito tempo, a África estava dividida entre as potências imperialistas mundiais. Havia colônias francesas, inglesas e até portuguesas. Para repartirem petróleo, metais, pedras preciosas e outros recursos, repartiram também a região. Linhas pontilhadas num mapa-mundi delimitavam os novos países, sem a menor preocupação com tribos ou costumes locais. Daí as constantes guerras étnicas que seguem acontecendo. Antes de sair do Brasil, estava lendo esse livro. Quem se interessa pelo assunto deveria procurar por ele por aí. Ou aqui.
Não muito tempo antes, os países latino-americanos se independentizavam de muitas dessas nações. A colonização do outro lado do oceano começou mais cedo e, se não causou tantos problemas entre povos próximos, foi igualmente prejudicial em termos de desenvolvimento econômico e social. Não serve de desculpa para a nossa insistência em não evoluir, mas é um fato histórico incontestável.
Claro, como pessoas inteligentes, estudiosas, cultas e malandrinhas que são, vocês sabem de tudo isso. Mas foi só um repasso pro texto. Sobre um novo tipo de colonização que não vemos ou nos damos conta, mas vai se alastrando pelos mesmos lugares. Legalizada e, muitas vezes, idolatrada. O assunto?
Futebol.
Estão rolando as eleições pra presidente do Barça. Foram cinco debates durante essa semana, com a presença dos quatro candidatos se acusando mutuamente e fazendo promessas de dias (ainda) melhores para o clube. Eles realmente levam a sério o negócio, talvez incentivados pelo sucesso do agora predecessor Joan Laporta - o melhor presidente da história do clube, e que certamente se lançará na política catalã. Ou seja, o clube é uma espécie de trampolim para o poder local. O que não é pouco.
Vendo um dos debates, rolou a pergunta que gerou a postagem: qual seria a política para a masia (local onde se desenvolvem as divisões de base do clube, de onde saíram nomes como Xavi, Iniesta, Pedro, Busquets, Puyol, Piqué e Messi). Ao menos um dos candidatos (talvez todos, não me lembro) defendeu a idéia de levar as masias para "onde surgem os futuros craques, como América do Sul e África, e tê-los desde jovens, já que o futebol hoje é globalizado".
Sim, o futebol hoje em dia é globalizado - como tudo. A não ser que você faça compras em Friburgo, sua cueca (ou calcinha) tem tecido chinês e foi costurada no Vietnã. A preço de banana d'água e podre. Isso não é novidade. O que surpreende é a que ponto chegamos, defendendo a questão em campanha ao vivo na TV. Chegamos a um ponto onde o "próximo futuro craque" de oito anos tem contrato firmado com um time grande - ou não - do exterior, garantias de uma fabricante de material esportivo e passa a ter cada passo vigiado constantemente por um agente Fifa. Afinal, é um investimento e, como tal, deve ser preservado.
Isso gera, entre tantas outras coisas, a enxurrada de jogadores naturalizados jogando nas seleções de outros países, como Cacau ou o braso-japa que tentou matar o Drogba. Algo que fica ainda mais claro em época de Copa do Mundo. E, no embalo, vemos assuntos como xenofobia, identificação com o país de origem, fim das fronteiras futebolísticas ou uso de indivíduos decepcionados com a falta de chance em seu país pra ganhar um título qualquer e gerar patrocínio e riquezas pra federação responsável pelo esporte etc.
Se não desenhamos linhas num mapa, hoje determinamos traços igualmente imaginários que fincam ponto A e B; onde Fulaninho está e onde estará daqui a alguns anos, sem possibilidade de decidir o próprio futuro. Mudou de idéia, quer ser médico? Deveria ter pensado antes de deixar seu papai com primeiro grau incompleto assinar um termo de responsabilidade num contrato em inglês de quarenta páginas decidindo sua vida. Ok, a chance de Fulaninho querer ser médico em vez de jogador de futebol é mínima. Mas não deixa de ser alarmante que ele tenha seus próximos tantos anos de profissão definidos quando ainda mal tem noção da vida. Se existe a discussão sobre decidir a carreira aos 17 anos, época do vestibular, imagina não poder ser nada além de jogador de futebol aos 12. Tendo que treinar pra se aperfeiçoar, o que fatalmente fará com que a escola fique em décimo-oitavo plano.
Esse texto não é ingênuo ou romântico, esperando que os clubes estrangeiros sejam mais humanos ou que seja criada uma política de proteção às crianças e jovens dos países fornecedores de mão-de-obra habilidosa. É um desabafo, por ver que continuamos sendo um bando de ignorantes colonizados pelo primeiro-mundo. Se a maior riqueza de um país é o seu povo, estamos cada vez mais pobres.
Não muito tempo antes, os países latino-americanos se independentizavam de muitas dessas nações. A colonização do outro lado do oceano começou mais cedo e, se não causou tantos problemas entre povos próximos, foi igualmente prejudicial em termos de desenvolvimento econômico e social. Não serve de desculpa para a nossa insistência em não evoluir, mas é um fato histórico incontestável.
Claro, como pessoas inteligentes, estudiosas, cultas e malandrinhas que são, vocês sabem de tudo isso. Mas foi só um repasso pro texto. Sobre um novo tipo de colonização que não vemos ou nos damos conta, mas vai se alastrando pelos mesmos lugares. Legalizada e, muitas vezes, idolatrada. O assunto?
Futebol.
Estão rolando as eleições pra presidente do Barça. Foram cinco debates durante essa semana, com a presença dos quatro candidatos se acusando mutuamente e fazendo promessas de dias (ainda) melhores para o clube. Eles realmente levam a sério o negócio, talvez incentivados pelo sucesso do agora predecessor Joan Laporta - o melhor presidente da história do clube, e que certamente se lançará na política catalã. Ou seja, o clube é uma espécie de trampolim para o poder local. O que não é pouco.
Vendo um dos debates, rolou a pergunta que gerou a postagem: qual seria a política para a masia (local onde se desenvolvem as divisões de base do clube, de onde saíram nomes como Xavi, Iniesta, Pedro, Busquets, Puyol, Piqué e Messi). Ao menos um dos candidatos (talvez todos, não me lembro) defendeu a idéia de levar as masias para "onde surgem os futuros craques, como América do Sul e África, e tê-los desde jovens, já que o futebol hoje é globalizado".
Sim, o futebol hoje em dia é globalizado - como tudo. A não ser que você faça compras em Friburgo, sua cueca (ou calcinha) tem tecido chinês e foi costurada no Vietnã. A preço de banana d'água e podre. Isso não é novidade. O que surpreende é a que ponto chegamos, defendendo a questão em campanha ao vivo na TV. Chegamos a um ponto onde o "próximo futuro craque" de oito anos tem contrato firmado com um time grande - ou não - do exterior, garantias de uma fabricante de material esportivo e passa a ter cada passo vigiado constantemente por um agente Fifa. Afinal, é um investimento e, como tal, deve ser preservado.
Isso gera, entre tantas outras coisas, a enxurrada de jogadores naturalizados jogando nas seleções de outros países, como Cacau ou o braso-japa que tentou matar o Drogba. Algo que fica ainda mais claro em época de Copa do Mundo. E, no embalo, vemos assuntos como xenofobia, identificação com o país de origem, fim das fronteiras futebolísticas ou uso de indivíduos decepcionados com a falta de chance em seu país pra ganhar um título qualquer e gerar patrocínio e riquezas pra federação responsável pelo esporte etc.
Se não desenhamos linhas num mapa, hoje determinamos traços igualmente imaginários que fincam ponto A e B; onde Fulaninho está e onde estará daqui a alguns anos, sem possibilidade de decidir o próprio futuro. Mudou de idéia, quer ser médico? Deveria ter pensado antes de deixar seu papai com primeiro grau incompleto assinar um termo de responsabilidade num contrato em inglês de quarenta páginas decidindo sua vida. Ok, a chance de Fulaninho querer ser médico em vez de jogador de futebol é mínima. Mas não deixa de ser alarmante que ele tenha seus próximos tantos anos de profissão definidos quando ainda mal tem noção da vida. Se existe a discussão sobre decidir a carreira aos 17 anos, época do vestibular, imagina não poder ser nada além de jogador de futebol aos 12. Tendo que treinar pra se aperfeiçoar, o que fatalmente fará com que a escola fique em décimo-oitavo plano.
Esse texto não é ingênuo ou romântico, esperando que os clubes estrangeiros sejam mais humanos ou que seja criada uma política de proteção às crianças e jovens dos países fornecedores de mão-de-obra habilidosa. É um desabafo, por ver que continuamos sendo um bando de ignorantes colonizados pelo primeiro-mundo. Se a maior riqueza de um país é o seu povo, estamos cada vez mais pobres.
terça-feira, 8 de junho de 2010
Comida... de leões!
Depois de quatro anos, finalmente chegou outra Copa do Mundo. Pela primeira vez, num país que é logo ali - mesmo estando a 7.983,2 km de mim, agora. Ainda que sejam menos do que os 8.550,8 km que me separam do eu agora para mim, antes. Mas que seriam apenas 7.131,1 km de mim, antes, para o ali, agora.
Enfim, como essa vai ser uma semana corrida, decidi antecipar minhas (sempre duvidosas) apostas e deixar registrado o que acredito que deve passar. Mesmo sabendo que Murphy vai tentar me atrapalhar.
Que isso, meu chapa, suas apostas estão beleza pura!
Pois vamos lá. A seleção do Dunga é uma bosta. Ele é tão treinador quanto Britney Spears é cantaora de flamenco. Assim como Maradona, mas esse ao menos foi craque e, num daqueles surtos psicóticos que costuma ter, pode acertar. A África do Sul foi escolher o Parreira pra substituir o Natalino, o que prova que não estão nem aí pro Mundial. Todos os times têm brasileiros, alguns melhores que muitos dos nossos - o que não é tão difícil.
Os grupos foram sorteados há muito tempo, não vou comentar porque todo mundo já sabe. Pulo pros prognósticos; o que importa é quem passa:
Grupo A: México e Uruguai. A África do Sul tem o Parreira, e a França só tem o Ribery. Henry deve ser dupla do Tande a partir de 23 de junho.
Grupo B: Argentina e Nigéria. Coréia do Sul não dá pro gasto, e o jogo da Grécia é esse.
Grupo C: Inglaterra e Estados Unidos. Eslovênia até poderia surpreender. Argélia, não.
Grupo D: Gana e Alemanha. Sérvia também poderia surpreender. Austrália, se fosse rugby.
Grupo E: Holanda e Camarões. E aposto no Japão, contra a Dinamarca.
Grupo F: fico com Paraguai e Itália nesse grupo de bosta. Mas é bom os fanfarrões se cuidarem, a Eslováquia pode surpreender. Nova Zelândia é o saco de pancada, mas que deve bater.
Grupo G: Costa do Marfim e Brasil - parelha com Portugal. Coréia do Norte só ataca se for com mísseis.
Grupo H: Espanha e Chile. Ponto final.
Seguem os cruzamentos e Paraguai, Itália, México, Nigéria e Estados Unidos ficam pelo caminho. Brasil cai se pegar a Espanha, mas passa pelo Chile (ou não). Gana, Uruguai e Alemanha também vão morrer na praia. Não lembro como são exatamente os cruzamentos, mas sei que apostava em Espanha, Inglaterra, Holanda e Argentina nas semis. Com a Espanha batendo a Inglaterra na final. Sim, confesso: vou com a Roja. Sou a favor de que vença quem tem o futebol mais bonito, ou o Flamengo.
Fica o registro. Se eu acertar, quero que se lembrem do meu lado Telê-Oswald de Souza-Nostradamus. Se errar, que pensem em como me antecipei às notícias de última hora, com craques sendo cortados, crises no elenco ou medinho. E pra que vocês esqueçam meu possível chute equivocado, podem ficar de presente com essa bela tabela interativa da Copa - a melhor que já vi nos meus 27 anos futebolísticos.
E, se isso não servir ou se vocês acharem que estou exagerando nas críticas à seleção do Dunga (minha, que não é!), que as palavras do mestre refresquem suas memórias.
Porque perder do jeito que nós perdemos...
Enfim, como essa vai ser uma semana corrida, decidi antecipar minhas (sempre duvidosas) apostas e deixar registrado o que acredito que deve passar. Mesmo sabendo que Murphy vai tentar me atrapalhar.
Que isso, meu chapa, suas apostas estão beleza pura!
Pois vamos lá. A seleção do Dunga é uma bosta. Ele é tão treinador quanto Britney Spears é cantaora de flamenco. Assim como Maradona, mas esse ao menos foi craque e, num daqueles surtos psicóticos que costuma ter, pode acertar. A África do Sul foi escolher o Parreira pra substituir o Natalino, o que prova que não estão nem aí pro Mundial. Todos os times têm brasileiros, alguns melhores que muitos dos nossos - o que não é tão difícil.
Os grupos foram sorteados há muito tempo, não vou comentar porque todo mundo já sabe. Pulo pros prognósticos; o que importa é quem passa:
Grupo A: México e Uruguai. A África do Sul tem o Parreira, e a França só tem o Ribery. Henry deve ser dupla do Tande a partir de 23 de junho.
Grupo B: Argentina e Nigéria. Coréia do Sul não dá pro gasto, e o jogo da Grécia é esse.
Grupo C: Inglaterra e Estados Unidos. Eslovênia até poderia surpreender. Argélia, não.
Grupo D: Gana e Alemanha. Sérvia também poderia surpreender. Austrália, se fosse rugby.
Grupo E: Holanda e Camarões. E aposto no Japão, contra a Dinamarca.
Grupo F: fico com Paraguai e Itália nesse grupo de bosta. Mas é bom os fanfarrões se cuidarem, a Eslováquia pode surpreender. Nova Zelândia é o saco de pancada, mas que deve bater.
Grupo G: Costa do Marfim e Brasil - parelha com Portugal. Coréia do Norte só ataca se for com mísseis.
Grupo H: Espanha e Chile. Ponto final.
Seguem os cruzamentos e Paraguai, Itália, México, Nigéria e Estados Unidos ficam pelo caminho. Brasil cai se pegar a Espanha, mas passa pelo Chile (ou não). Gana, Uruguai e Alemanha também vão morrer na praia. Não lembro como são exatamente os cruzamentos, mas sei que apostava em Espanha, Inglaterra, Holanda e Argentina nas semis. Com a Espanha batendo a Inglaterra na final. Sim, confesso: vou com a Roja. Sou a favor de que vença quem tem o futebol mais bonito, ou o Flamengo.
Fica o registro. Se eu acertar, quero que se lembrem do meu lado Telê-Oswald de Souza-Nostradamus. Se errar, que pensem em como me antecipei às notícias de última hora, com craques sendo cortados, crises no elenco ou medinho. E pra que vocês esqueçam meu possível chute equivocado, podem ficar de presente com essa bela tabela interativa da Copa - a melhor que já vi nos meus 27 anos futebolísticos.
E, se isso não servir ou se vocês acharem que estou exagerando nas críticas à seleção do Dunga (minha, que não é!), que as palavras do mestre refresquem suas memórias.
Porque perder do jeito que nós perdemos...
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Pelé x Mourinho
Ambos são vitoriosos, ricos e falam português. Pelé Arantes do Nascimento e José Mourinho, o treinador do momento (há algum tempo) têm muito em comum. Inclusive, a incapacidade de manter a boca fechada.
"Pelé calado é um poeta", disse Romário. E dos bons, se compararmos com o nível do que sai quando ele abre a boca. Mas, se ainda não vi o lusitano derrapar em declarações extra-futebolísticas, no que diz respeito ao esporte ele não tem papas na língua. Só que existe uma diferença nada sutil entre os dois.
Pelé sempre disse que Pelé é único (ou seus equivalentes). Quer dizer, o Edson falou. Porque o Pelé é humilde, não fala de si mesmo. Já o Edson, como entidade extra-campo de carne e osso, tem todo o direito de idolatrar, tietar e amar o maior jogador de todos os tempos.
Já o Mourinho declara abertamente que é o melhor do mundo. Sua entrevista hoje, ao ser apresentado pelo Real Madrid, foi de um egocentrismo que beirava o ridículo. Frases como "ainda bem que existem presidentes de clube e diretores de futebol inteligentes que não acreditam nas invenções da imprensa e contratam técnicos como eu" rechearam suas respostas às dezenas de repórteres submissos e ignorantes que lotaram a sala de imprensa. Sem contar suas esporádicas ironias mal-educadas, ou a cara de quem foi dar um peidinho e agora tá na dúvida se pode levantar ou não.
Pelé foi eleito o atleta do século, e o Edson reconhece o feito. Mourinho espera ser eleito o melhor do mundo - pelos outros, porque ele mesmo já se premiou há muito tempo. O Edson fala na terceira pessoa porque é humilde como o Pelé, que não fala das suas façanhas. Mourinho fala em primeira pessoa porque ele é, ele foi, ele será e ele todo-o-possível, como se as suas conquistas - que não são poucas, é verdade - não tivessem sido suficientemente documentadas. Pelé é idolatrado. Mourinho se idolatra.
Por isso o Mourinho é o Mourinho, e o Edson é o Pelé.
"Pelé calado é um poeta", disse Romário. E dos bons, se compararmos com o nível do que sai quando ele abre a boca. Mas, se ainda não vi o lusitano derrapar em declarações extra-futebolísticas, no que diz respeito ao esporte ele não tem papas na língua. Só que existe uma diferença nada sutil entre os dois.
Pelé sempre disse que Pelé é único (ou seus equivalentes). Quer dizer, o Edson falou. Porque o Pelé é humilde, não fala de si mesmo. Já o Edson, como entidade extra-campo de carne e osso, tem todo o direito de idolatrar, tietar e amar o maior jogador de todos os tempos.
Já o Mourinho declara abertamente que é o melhor do mundo. Sua entrevista hoje, ao ser apresentado pelo Real Madrid, foi de um egocentrismo que beirava o ridículo. Frases como "ainda bem que existem presidentes de clube e diretores de futebol inteligentes que não acreditam nas invenções da imprensa e contratam técnicos como eu" rechearam suas respostas às dezenas de repórteres submissos e ignorantes que lotaram a sala de imprensa. Sem contar suas esporádicas ironias mal-educadas, ou a cara de quem foi dar um peidinho e agora tá na dúvida se pode levantar ou não.
Pelé foi eleito o atleta do século, e o Edson reconhece o feito. Mourinho espera ser eleito o melhor do mundo - pelos outros, porque ele mesmo já se premiou há muito tempo. O Edson fala na terceira pessoa porque é humilde como o Pelé, que não fala das suas façanhas. Mourinho fala em primeira pessoa porque ele é, ele foi, ele será e ele todo-o-possível, como se as suas conquistas - que não são poucas, é verdade - não tivessem sido suficientemente documentadas. Pelé é idolatrado. Mourinho se idolatra.
Por isso o Mourinho é o Mourinho, e o Edson é o Pelé.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Messi
Justiça seja feita, meu irmão já tinha falado dele. E admito que é complicado ser imparcial depois de uma partida como a de hoje entre Barça e Arsenal, ainda mais para um fã de futebol. Mas, por mais difícil que seja buscar palavras para definir o que vi, seria injusto não escrever sobre ele.
Lionel Andrés Messi. Ou Messi, tão simples como as entrevistas depois das partidas - quando o repórter pergunta como é jogar nesse nível e ele responde que fica feliz de ajudar a equipe a ganhar. Ajudar? Na semi-final do torneio mais importante da Europa, contra um dos times mais fortes, bem armados e interessantes do continente, ele marcou todos os quatro gols da sua equipe. Sim, quatro. Um, dois, três, quatro. Imaginem quando ele resolver uma partida para a equipe.
E os quatro gols de hoje não foram sorte, ou casualidade. Messi marcou três em três ou quatro das últimas seis partidas do Barça, se não me engano. Assim como praticamente todos os últimos gols da sua equipe nos últimos oito ou dez jogos. É o artilheiro da Champions (e igualou um antigo recorde de gols marcados numa só partida da competição), da Liga Espanhola, da temporada e um dos maiores da história do clube. Aos 22 anos, pra deixar bem claro.
Acompanho futebol desde muito novo. Jogo, vejo, discuto. Sou apaixonado pelo esporte, e um belo exemplo da "pátria de chuteiras" de que tanto falam. Vi um pouquinho do Zico, algo mais do Maradona, Romário, Ronaldo gordo e Ronaldo bonitão, van Basten, Weah, Zidane e vários outros que deram nome aos meus jogadores de botão. Mas nenhum, absolutamente nenhum, conseguiu me encantar como Messi.
Eu poderia ficar com a definição de alguns narradores das rádios catalães, como "gênio maravilhoso" ou "é de fazer chorar". Mas a melhor é do técnico do Arsenal, Arsène Wenger: "jogador de Playstation". Ou posso fazer o mais natural, e não defini-lo. Porque é impossível. Passei todo o jogo tentando encontrar o que dizer (e vale lembrar que sou redator), mas sinceramente não soube. Não sei. Porque sua forma de jogar, como faz tudo parecer fácil e curte cada jogada que faz, e busca sempre mais, é impressionante. Encantadora. Mágica. _________________ (sua vez de adjetivar).
Acreditem, me dói dizer isso. Mas um jogador como Messi merece ganhar uma Copa do Mundo. Merece ser decisivo pra seleção do seu país - Argentina, infelizmente. Merece ser coroado melhor do mundo outra vez. E, mantendo esse nível por mais alguns anos, merece ser o atleta do século XXI.
Sei que ainda é cedo, estamos em 2010. Mas ninguém chegará aos 1200 e tantos gols do Pelé, mesmo. Nem a mil, na verdade, por mais que o Romário force a barra na contagem. E, se o futebol é outro, influencia no estilo dos profissionais e blablabla, Messi é o símbolo do que pode ser o jogador desta época. E das que vieram algum tempo atrás, e das que estão por vir. Messi é completo, joga para o time e dá show ao mesmo tempo, tudo isso enquanto resolve partida após partida.
Messi é único, craque e já faz parte da história do futebol. E me sinto honrado em ter o privilégio de estar em Barcelona vendo o que não vai se repetir tão cedo.
Lionel Andrés Messi. Ou Messi, tão simples como as entrevistas depois das partidas - quando o repórter pergunta como é jogar nesse nível e ele responde que fica feliz de ajudar a equipe a ganhar. Ajudar? Na semi-final do torneio mais importante da Europa, contra um dos times mais fortes, bem armados e interessantes do continente, ele marcou todos os quatro gols da sua equipe. Sim, quatro. Um, dois, três, quatro. Imaginem quando ele resolver uma partida para a equipe.
E os quatro gols de hoje não foram sorte, ou casualidade. Messi marcou três em três ou quatro das últimas seis partidas do Barça, se não me engano. Assim como praticamente todos os últimos gols da sua equipe nos últimos oito ou dez jogos. É o artilheiro da Champions (e igualou um antigo recorde de gols marcados numa só partida da competição), da Liga Espanhola, da temporada e um dos maiores da história do clube. Aos 22 anos, pra deixar bem claro.
Acompanho futebol desde muito novo. Jogo, vejo, discuto. Sou apaixonado pelo esporte, e um belo exemplo da "pátria de chuteiras" de que tanto falam. Vi um pouquinho do Zico, algo mais do Maradona, Romário, Ronaldo gordo e Ronaldo bonitão, van Basten, Weah, Zidane e vários outros que deram nome aos meus jogadores de botão. Mas nenhum, absolutamente nenhum, conseguiu me encantar como Messi.
Eu poderia ficar com a definição de alguns narradores das rádios catalães, como "gênio maravilhoso" ou "é de fazer chorar". Mas a melhor é do técnico do Arsenal, Arsène Wenger: "jogador de Playstation". Ou posso fazer o mais natural, e não defini-lo. Porque é impossível. Passei todo o jogo tentando encontrar o que dizer (e vale lembrar que sou redator), mas sinceramente não soube. Não sei. Porque sua forma de jogar, como faz tudo parecer fácil e curte cada jogada que faz, e busca sempre mais, é impressionante. Encantadora. Mágica. _________________ (sua vez de adjetivar).
Acreditem, me dói dizer isso. Mas um jogador como Messi merece ganhar uma Copa do Mundo. Merece ser decisivo pra seleção do seu país - Argentina, infelizmente. Merece ser coroado melhor do mundo outra vez. E, mantendo esse nível por mais alguns anos, merece ser o atleta do século XXI.
Sei que ainda é cedo, estamos em 2010. Mas ninguém chegará aos 1200 e tantos gols do Pelé, mesmo. Nem a mil, na verdade, por mais que o Romário force a barra na contagem. E, se o futebol é outro, influencia no estilo dos profissionais e blablabla, Messi é o símbolo do que pode ser o jogador desta época. E das que vieram algum tempo atrás, e das que estão por vir. Messi é completo, joga para o time e dá show ao mesmo tempo, tudo isso enquanto resolve partida após partida.
Messi é único, craque e já faz parte da história do futebol. E me sinto honrado em ter o privilégio de estar em Barcelona vendo o que não vai se repetir tão cedo.
domingo, 4 de abril de 2010
Chocolate metafórico
Essa semana é santa na Espanha. Literalmente - são sete dias festivos, em que muita gente não trabalha. Pelo menos em publicidade, o que me surpreendeu consideravelmente. E, se contarmos com a segunda-feira algo santa catalã (não sei como eles chamam, sei que aqui ninguém trabalha), são oito dias seguidos de descanso.
A não ser que você não tenha um trabalho. Aí, sua Semana Santa é como outra qualquer: pensando em formas de arrumar emprego, dando conta - ou não - dos seus afazeres domésticos e ficando mais tempo em casa do que gostaria, pra não gastar uma grana inexistente e bagunçar suas contas.
Longe da família, namorada, amigos, praia e troca de tiros em Copacabana, tinha a forte sensação de que a Páscoa passaria em branco. Até que...
"Se essa bola foi na direção do gol e ninguém evitou que ela entrasse, então foi gol. A não ser que o juiz tenha anulado. Ou não.", diria nosso querido narrador-filósofo.
O pai de um amigo é sócio do Barça e tem carnê pra ir aos jogos. Mas não poderia ver o jogo contra o Athletic ontem. Seu filho (meu amigo) poderia ir no seu lugar, mas resolveu ir ao cine com a namorada. Na cadeia alimentar futebolística do ingresso que sobraria, eu era o predador da terceira escala.
Resultado um: fui ao Camp Nou de graça (outra vez). E o Barça, talvez prevendo que eu não ganharia nem um mísero ovinho, também resolveu me dar um presente. Resultado dois: chocolate. 4 x 1 com dois belos gols do Bojan e um do menino Messi, retorno blaugrana à liderança e pressão nas meninas de branco.
Valeu o sábado. E compensou meu domingo em casa, mais sozinho que botafoguense no Engenhão. Se me serve de consolo, não tem retardado na TV. Bom, talvez tenha. Mas eu não vou procurar saber.
E, agora, tô com a maior vontade de comer chocolate...
ps: se o botafogo nunca lota o Engenhão, por que não mudar o nome do estádio pra Fazendinha? Ou então, transferir todos os jogos oficiais do "time" pra um campo de grama sintética na Barra? Sempre rola churrasco nesses lugares, pelo menos daria mais público.
A não ser que você não tenha um trabalho. Aí, sua Semana Santa é como outra qualquer: pensando em formas de arrumar emprego, dando conta - ou não - dos seus afazeres domésticos e ficando mais tempo em casa do que gostaria, pra não gastar uma grana inexistente e bagunçar suas contas.
Longe da família, namorada, amigos, praia e troca de tiros em Copacabana, tinha a forte sensação de que a Páscoa passaria em branco. Até que...
"Se essa bola foi na direção do gol e ninguém evitou que ela entrasse, então foi gol. A não ser que o juiz tenha anulado. Ou não.", diria nosso querido narrador-filósofo.
O pai de um amigo é sócio do Barça e tem carnê pra ir aos jogos. Mas não poderia ver o jogo contra o Athletic ontem. Seu filho (meu amigo) poderia ir no seu lugar, mas resolveu ir ao cine com a namorada. Na cadeia alimentar futebolística do ingresso que sobraria, eu era o predador da terceira escala.
Resultado um: fui ao Camp Nou de graça (outra vez). E o Barça, talvez prevendo que eu não ganharia nem um mísero ovinho, também resolveu me dar um presente. Resultado dois: chocolate. 4 x 1 com dois belos gols do Bojan e um do menino Messi, retorno blaugrana à liderança e pressão nas meninas de branco.
Valeu o sábado. E compensou meu domingo em casa, mais sozinho que botafoguense no Engenhão. Se me serve de consolo, não tem retardado na TV. Bom, talvez tenha. Mas eu não vou procurar saber.
E, agora, tô com a maior vontade de comer chocolate...
ps: se o botafogo nunca lota o Engenhão, por que não mudar o nome do estádio pra Fazendinha? Ou então, transferir todos os jogos oficiais do "time" pra um campo de grama sintética na Barra? Sempre rola churrasco nesses lugares, pelo menos daria mais público.
terça-feira, 30 de março de 2010
"Uno, grande, eterno, antimadridista" e freguês
Domingo foi dia de clássico... em Madrid. Atlético x Real, a rivalidade da capital à flor da pele. Algo que não se reflete na posição dos times na tabela, ou no investimento, ou no marketing, ou...
Como todo culé (torcedor do Barça), quero que o Real afunde nas próprias fanfarronices e suma do mapa. Assim, fui assistir ao jogo num bar da peña (torcida) do Atlético. Pequenininho, como a torcida. Mas todo empipadinho, como a torcida. Milhares de faixas, bandeiras, fotos, reportagens, e até uma baratinha passeando na parede, pra me recordar o bom e velho pé-sujo carioca. Vale registrar que foi a primeira barata que vi em cinco meses e meio aqui. Quase acredito que essa é a mascote do bar, como diziam.
Eles realmente são "antimadridistas", como fala o título deste texto - e como estava em uma das bandeiras. Xingamentos, piadas e gritaria eterna contra os blancos. E ainda saímos na frente! Mas, tal qual o Vasco diante do Flamengo (ou o Fluminense, ou o botafogo - com minúsculas, mesmo, como sempre), o pobre Atlético é freguês. Foi pro intervalo com 1x0 e bastaram uns 15 minutos da segunda parte pra levar 3 gols. Resultado: perderam e deixaram o Real junto do Barça, na liderança. O clássico do dia 10 promete incendiar o inferno.
---
E, aproveitando o gancho do futebol, Armando Nogueira morreu. Admito que nunca fui fã dele (na verdade, achava um saco), mas é uma pena que se vá. Porque dificilmente dois jornalistas esportivos serão enterrados no mesmo ano - no bom sentido. O que quer dizer que ele fica.
Não desejo a morte ao "homem da palavra fácil". Mas é que a palavra dele fica mais difícil a cada dia. E não basta estar longe, tenho que sofrer com seus comentários em absolutamente todos os jogos do Flamengo, que sempre escuto na Rádio Globo. Isso é propaganda enganosa, e nem processar o Sistema Globo de Rádio eu posso. Me sinto castigado no exílio.
O Armando Nogueira era incrivelmente chato, com suas poesias tediosas sobre temas que já estávamos cansados de ouvir. Mas o Luizinho comenta com um Aurélio na mão - provavelmente a segunda edição dele. E, por não entender muito bem como funciona esse negócio de tecnologia (quando ele começou, a rádio era literalmente ao vivo, com duas pessoas com cabos de vassoura na mão, falando de dentro de uma caixa de papelão), demora a se entender com essa coisa de microfone, dinâmica etc. Assim que uma frase tão simples como "o Dodô não sabe bater pênalti" demora uns três minutos pra ser completada - isso quando um repórter não o interrompe, e o narrador aproveita pra falar alguma coisa. Qualquer coisa.
Bom, fato é que o Cid Moreira continua firme e forte como azarão em todos os bolões de possíveis presuntos. O prêmio pela cabeça dele vai pagar mais que Mega-Sena acumulada. Talvez, tanto quanto 10% de uma obra pública qualquer de cidade do interior do Brasil.
Como todo culé (torcedor do Barça), quero que o Real afunde nas próprias fanfarronices e suma do mapa. Assim, fui assistir ao jogo num bar da peña (torcida) do Atlético. Pequenininho, como a torcida. Mas todo empipadinho, como a torcida. Milhares de faixas, bandeiras, fotos, reportagens, e até uma baratinha passeando na parede, pra me recordar o bom e velho pé-sujo carioca. Vale registrar que foi a primeira barata que vi em cinco meses e meio aqui. Quase acredito que essa é a mascote do bar, como diziam.
Eles realmente são "antimadridistas", como fala o título deste texto - e como estava em uma das bandeiras. Xingamentos, piadas e gritaria eterna contra os blancos. E ainda saímos na frente! Mas, tal qual o Vasco diante do Flamengo (ou o Fluminense, ou o botafogo - com minúsculas, mesmo, como sempre), o pobre Atlético é freguês. Foi pro intervalo com 1x0 e bastaram uns 15 minutos da segunda parte pra levar 3 gols. Resultado: perderam e deixaram o Real junto do Barça, na liderança. O clássico do dia 10 promete incendiar o inferno.
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E, aproveitando o gancho do futebol, Armando Nogueira morreu. Admito que nunca fui fã dele (na verdade, achava um saco), mas é uma pena que se vá. Porque dificilmente dois jornalistas esportivos serão enterrados no mesmo ano - no bom sentido. O que quer dizer que ele fica.
Não desejo a morte ao "homem da palavra fácil". Mas é que a palavra dele fica mais difícil a cada dia. E não basta estar longe, tenho que sofrer com seus comentários em absolutamente todos os jogos do Flamengo, que sempre escuto na Rádio Globo. Isso é propaganda enganosa, e nem processar o Sistema Globo de Rádio eu posso. Me sinto castigado no exílio.
O Armando Nogueira era incrivelmente chato, com suas poesias tediosas sobre temas que já estávamos cansados de ouvir. Mas o Luizinho comenta com um Aurélio na mão - provavelmente a segunda edição dele. E, por não entender muito bem como funciona esse negócio de tecnologia (quando ele começou, a rádio era literalmente ao vivo, com duas pessoas com cabos de vassoura na mão, falando de dentro de uma caixa de papelão), demora a se entender com essa coisa de microfone, dinâmica etc. Assim que uma frase tão simples como "o Dodô não sabe bater pênalti" demora uns três minutos pra ser completada - isso quando um repórter não o interrompe, e o narrador aproveita pra falar alguma coisa. Qualquer coisa.
Bom, fato é que o Cid Moreira continua firme e forte como azarão em todos os bolões de possíveis presuntos. O prêmio pela cabeça dele vai pagar mais que Mega-Sena acumulada. Talvez, tanto quanto 10% de uma obra pública qualquer de cidade do interior do Brasil.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Lamentável
Começo meu texto com o outro, do qual quero falar. E lembrando a todos que sou "acima de tudo, rubro-negro". Só pra deixar claro que não é por isso que escrevo. Paciência, já, já vocês vão entender tudo.
"O Flamengo parece um antro de marginais
seg, 15/03/10, por Marco D'Eca
O centro-avante Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado, protegido pela mídia flamenguista e financiado por quem quer vê-lo na Copa.
Wagner Love é marginal mesmo - no sentido social do termo - destes que participam de festas com traficantes e acham normal a convivência.
O goleiro Bruno se revela um marido brutamontes, agressor de mulher e farrista inveterado, com as declarações bisonhas que deu à mídia.
Além dele, vários jogadores rubro-negros participam de farras e bebedeiras antes, depois e até durante os jogos do Flamengo.
Nenhum outro time de futebol no Brasil abriga tanta gente desajustada quanto o Flamengo - marginais no sentido amplo da palavra, aqueles que vivem, por exclusão ou opção, à margem da sociedade organizada e civilizada.
Nenhum outro time registra tantos jogadores com problemas sociais quanto o Flamengo.
Este é o Flamengo, parece um antro de marginais.
Movidos, no mínimo, pela ausência de bom senso, os donos da Choppana, em São Luís, resolveram abrir a casa para acompanhamento comaptrilhado de torcida durante os jogos.
Vascaínos disseram não à idéia estapafúrdia e procuraram outro local para se concentrar e fazer a festa do futebol.
Porque sabem ganhar e perder com a mesma educação.
Não dá para compartilhar o mesmo espaço em ambientes públicos com flamengustas - jogadores ou torcedores.
É pedir por agressão...
Texto modificado às 16h55 por conter agressões injustas e desnecessárias a dirigentes e a torcida do Flamengo. Mantêm-se a opinião apenas em relação aos jogadores. a Torcida, minhas desculpas.
Marco Aurélio D'Eça
marcoaureliodeca@mirante.com.br"
Tive o trabalho de transcrever o texto tal qual estava na página da globo.com por alguns motivos. Um, porque me recuso a dar qualquer chance de tráfego a uma página com esse conteúdo - quem quer saber exatamente do que se trata se satisfaz aqui. Dois, porque quero ser honesto com ele para quando começar a bater no seu texto. Três, para que vejam que o infeliz é incapaz de escrever corretamente, e tem a audácia de falar alguma coisa de alguém.
Acredito que não faria falta falar isso, mas ele é vascaíno. Não só pelo elogio à torcida, mas por escrever com tamanha dor de corno numa segunda-feira pós-derrota. Não apenas pós-derrota, mas pós-cagadas do seu (teoricamente) maior astro. Que, não custa nada lembrar, ficou suspenso por um bom tempo. E, até onde eu ser, ser atleta de Cristo não dá gancho em ninguém...
O queridão também demonstrou uma falta de memória incrível, se considerarmos seu últimoditador presidente, Eurico Miranda, que roubava renda dos próprios jogos e amordaçava imprensa, sócios e funcionários. Ou mesmo do Dinamite, que rezam as más línguas (repetindo palavras de amigos vascaínos) não é lá um primor de honestidade. Ah, sim, vale lembrar que ali está jogando o Carlos Alberto, e que seus últimos grandes ídolos foram Romário e Edmundo. Que batiam boca abertamente na imprensa, quando o Euricão deixava.
Também não custa nada relembrar o alinhamento de Eurico com o declaradamente pilantra Viana (se era com dois "n", o outro foi roubado). Quem conhece um mínimo de história do futebol carioca sabe da quantidade de falcatruas organizadas e levadas a cabo pelos dois.
Mas não quero falar dessas brechas, apesar de poder. Não quero revidar na torcida vascaína, por não ser necessário e por ter amigos (incluo pai, irmão e demais familiares em amigos) que torcem pelo clube. Muito menos vou ficar xingando o pobre coitado, exatamente por esse motivo: o tal Marco Aurélio é um coitado.
Um ser sem um mínimo de bom senso. E que, justamente pela falta dele, acabou expondo um preconceito lamentável que já deveria ter sido extinto há muito tempo. O país do futebol, que une ricos e pobres, letrados e analfabetos, pretos e brancos e toda a escala Pantone, não consegue se livrar de idéias absurdas e mesquinhas inventadas algum dia por algum idiota.
Chamar alguém de "cachaceiro marginal e descontrolado" é triste, porque alcoolismo é um problema de saúde. De "marginal mesmo - no sentido social do termo" é grave, uma acusação digna de ser provada - e passível de ser punida na falta de provas. "Farrista inveterado" pode até ser um elogio, dependendo da situação. Dizer que "jogadores participam de farras e bebedeiras até durante os jogos" mostra um absoluto desconhecimento do esporte.
E tudo isso em uma idéia pré-concebida - preconceituosa, vamos deixar mais claro - de que um clube de futebol reúne a toda essa gente é deplorável. Sim, o Flamengo é um time de massas. E entre 35 milhões de torcedores é provável que tenhamos bandidos entre nós. Assim como policiais, cientistas, médicos, advogados e até publicitários como eu. Assim como é normal que, devido à paixão de tanta gente, o sonho de todo aspirante a profissional (e profissional também) seja defender as cores do clube - o que aumenta a probabilidade de que alguém com problemas venha a jogar pela equipe.
A maioria esmagadora de brasileiros que pretende viver de jogar bola é a mesma que não tem muitas expectativas na vida, por falta de educação ou oportunidades. Como uma pequena parcela alcança o sonho de ser jogador, e uma ainda mais microscópica consegue viver disso, e um milionésimo dessa gente vive bem como que ganha, é claro que muitos virão de áreas pobres, e muitos voltarão para lá. E vitoriosos e "derrotados" manterão a amizade, o que é louvável. Mais do que o ganha-pão de alguns, que entram no mundo do crime. O que não faz com que os anos juntos sejam esquecidos. O que faz com que um jogador profissional seja visto no baile funk que freqüentava, ou no churrasco de um amigo bandido.
O preconceito exposto por um ser como o que escreveu o texto, compartilhado em muitos dos comentários que vinham abaixo, fatalmente será retransmitido às próximas gerações, mantendo o círculo vicioso de ignorância que impede nossa sociedade de evoluir. Também contribuirá, provavelmente, para que sigam existindo agressões verbais e físicas entre torcedores dos dois clubes (e de vários outros), que não se aceitarão ou dividirão espaço, como o próprio cita no final do seu texto. E, pior ainda, é reflexo de tantos outros preconceitos que estão escondidos numa capa bem rasa de muita gente, e só precisa de um arranhãozinho para abrir um rasgo e transbordar, espirrando em todo mundo. Coisa de cor, raça, gênero, opção sexual, idade, estudo, profissão etc.
Sinto muito, mas o Brasil não vai longe com gente assim. Porque, cedo ou tarde, essa visão curta vira uma barreira e bloqueia o caminho. Vira cegueira. E, em terra de cego, quem tem um olho fatalmente acaba se aproveitando. Basta ver o que passa no país há séculos, literalmente.
Voltando às idéias absurdas do texto do queridão (e estou sendo incrivelmente gentil chamando tudo aquilo de "idéias" e "texto"), é bom ressaltar que jogadores problemáticos estão espalhados por todos os clubes, basta uma lidinha rápida na página de esportes pra satisfazer a curiosidade e conseguir papo pra fofoca com os companheiros de resmungo. E torcida problemática se manifesta em cada canto do país, e fica a dica do jornal pra conseguir mais assunto.
Isso não é uma questão de camisa. É questão de educação. A mesma citada no texto desse tal de Marco Aurélio D'Eça, e que claramente falta na sua vida. E a desculpa que ele foi obrigado a acrescentar no final do seu texto, eu não aceito. É um remendo pra disfarçar sua opinião, que não mudou.
Eu tenho pena. Não dele, mas de quem é obrigado a conviver com tamanha boçalidade.
"O Flamengo parece um antro de marginais
seg, 15/03/10, por Marco D'Eca
O centro-avante Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado, protegido pela mídia flamenguista e financiado por quem quer vê-lo na Copa.
Wagner Love é marginal mesmo - no sentido social do termo - destes que participam de festas com traficantes e acham normal a convivência.
O goleiro Bruno se revela um marido brutamontes, agressor de mulher e farrista inveterado, com as declarações bisonhas que deu à mídia.
Além dele, vários jogadores rubro-negros participam de farras e bebedeiras antes, depois e até durante os jogos do Flamengo.
Nenhum outro time de futebol no Brasil abriga tanta gente desajustada quanto o Flamengo - marginais no sentido amplo da palavra, aqueles que vivem, por exclusão ou opção, à margem da sociedade organizada e civilizada.
Nenhum outro time registra tantos jogadores com problemas sociais quanto o Flamengo.
Este é o Flamengo, parece um antro de marginais.
Movidos, no mínimo, pela ausência de bom senso, os donos da Choppana, em São Luís, resolveram abrir a casa para acompanhamento comaptrilhado de torcida durante os jogos.
Vascaínos disseram não à idéia estapafúrdia e procuraram outro local para se concentrar e fazer a festa do futebol.
Porque sabem ganhar e perder com a mesma educação.
Não dá para compartilhar o mesmo espaço em ambientes públicos com flamengustas - jogadores ou torcedores.
É pedir por agressão...
Texto modificado às 16h55 por conter agressões injustas e desnecessárias a dirigentes e a torcida do Flamengo. Mantêm-se a opinião apenas em relação aos jogadores. a Torcida, minhas desculpas.
Marco Aurélio D'Eça
marcoaureliodeca@mirante.com.br"
Tive o trabalho de transcrever o texto tal qual estava na página da globo.com por alguns motivos. Um, porque me recuso a dar qualquer chance de tráfego a uma página com esse conteúdo - quem quer saber exatamente do que se trata se satisfaz aqui. Dois, porque quero ser honesto com ele para quando começar a bater no seu texto. Três, para que vejam que o infeliz é incapaz de escrever corretamente, e tem a audácia de falar alguma coisa de alguém.
Acredito que não faria falta falar isso, mas ele é vascaíno. Não só pelo elogio à torcida, mas por escrever com tamanha dor de corno numa segunda-feira pós-derrota. Não apenas pós-derrota, mas pós-cagadas do seu (teoricamente) maior astro. Que, não custa nada lembrar, ficou suspenso por um bom tempo. E, até onde eu ser, ser atleta de Cristo não dá gancho em ninguém...
O queridão também demonstrou uma falta de memória incrível, se considerarmos seu último
Também não custa nada relembrar o alinhamento de Eurico com o declaradamente pilantra Viana (se era com dois "n", o outro foi roubado). Quem conhece um mínimo de história do futebol carioca sabe da quantidade de falcatruas organizadas e levadas a cabo pelos dois.
Mas não quero falar dessas brechas, apesar de poder. Não quero revidar na torcida vascaína, por não ser necessário e por ter amigos (incluo pai, irmão e demais familiares em amigos) que torcem pelo clube. Muito menos vou ficar xingando o pobre coitado, exatamente por esse motivo: o tal Marco Aurélio é um coitado.
Um ser sem um mínimo de bom senso. E que, justamente pela falta dele, acabou expondo um preconceito lamentável que já deveria ter sido extinto há muito tempo. O país do futebol, que une ricos e pobres, letrados e analfabetos, pretos e brancos e toda a escala Pantone, não consegue se livrar de idéias absurdas e mesquinhas inventadas algum dia por algum idiota.
Chamar alguém de "cachaceiro marginal e descontrolado" é triste, porque alcoolismo é um problema de saúde. De "marginal mesmo - no sentido social do termo" é grave, uma acusação digna de ser provada - e passível de ser punida na falta de provas. "Farrista inveterado" pode até ser um elogio, dependendo da situação. Dizer que "jogadores participam de farras e bebedeiras até durante os jogos" mostra um absoluto desconhecimento do esporte.
E tudo isso em uma idéia pré-concebida - preconceituosa, vamos deixar mais claro - de que um clube de futebol reúne a toda essa gente é deplorável. Sim, o Flamengo é um time de massas. E entre 35 milhões de torcedores é provável que tenhamos bandidos entre nós. Assim como policiais, cientistas, médicos, advogados e até publicitários como eu. Assim como é normal que, devido à paixão de tanta gente, o sonho de todo aspirante a profissional (e profissional também) seja defender as cores do clube - o que aumenta a probabilidade de que alguém com problemas venha a jogar pela equipe.
A maioria esmagadora de brasileiros que pretende viver de jogar bola é a mesma que não tem muitas expectativas na vida, por falta de educação ou oportunidades. Como uma pequena parcela alcança o sonho de ser jogador, e uma ainda mais microscópica consegue viver disso, e um milionésimo dessa gente vive bem como que ganha, é claro que muitos virão de áreas pobres, e muitos voltarão para lá. E vitoriosos e "derrotados" manterão a amizade, o que é louvável. Mais do que o ganha-pão de alguns, que entram no mundo do crime. O que não faz com que os anos juntos sejam esquecidos. O que faz com que um jogador profissional seja visto no baile funk que freqüentava, ou no churrasco de um amigo bandido.
O preconceito exposto por um ser como o que escreveu o texto, compartilhado em muitos dos comentários que vinham abaixo, fatalmente será retransmitido às próximas gerações, mantendo o círculo vicioso de ignorância que impede nossa sociedade de evoluir. Também contribuirá, provavelmente, para que sigam existindo agressões verbais e físicas entre torcedores dos dois clubes (e de vários outros), que não se aceitarão ou dividirão espaço, como o próprio cita no final do seu texto. E, pior ainda, é reflexo de tantos outros preconceitos que estão escondidos numa capa bem rasa de muita gente, e só precisa de um arranhãozinho para abrir um rasgo e transbordar, espirrando em todo mundo. Coisa de cor, raça, gênero, opção sexual, idade, estudo, profissão etc.
Sinto muito, mas o Brasil não vai longe com gente assim. Porque, cedo ou tarde, essa visão curta vira uma barreira e bloqueia o caminho. Vira cegueira. E, em terra de cego, quem tem um olho fatalmente acaba se aproveitando. Basta ver o que passa no país há séculos, literalmente.
Voltando às idéias absurdas do texto do queridão (e estou sendo incrivelmente gentil chamando tudo aquilo de "idéias" e "texto"), é bom ressaltar que jogadores problemáticos estão espalhados por todos os clubes, basta uma lidinha rápida na página de esportes pra satisfazer a curiosidade e conseguir papo pra fofoca com os companheiros de resmungo. E torcida problemática se manifesta em cada canto do país, e fica a dica do jornal pra conseguir mais assunto.
Isso não é uma questão de camisa. É questão de educação. A mesma citada no texto desse tal de Marco Aurélio D'Eça, e que claramente falta na sua vida. E a desculpa que ele foi obrigado a acrescentar no final do seu texto, eu não aceito. É um remendo pra disfarçar sua opinião, que não mudou.
Eu tenho pena. Não dele, mas de quem é obrigado a conviver com tamanha boçalidade.
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