sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Ops!, molhei as calças

Anos atrás, quando eu ainda era um pobre estudante deslumbrado com o maravilhoso mundo mágico da propaganda, levei meu irmão a um dos 5.967 festivais de publicidade brasileiros, que rolou no BNDES no centro do Rio. Eu era jovem, e ele um pré-adolescente ainda mais deslumbrado com o mundo universitário do que o irmão mais velho. Tudo corria normalmente até que, depois de uma palestra (creio que do Duailibi, o D da minha querida DPZ), saímos praquele coffee-break maroto e estava caindo o mundo. Era como se a Terra tivesse girado rápido demais e sem a gravidade atuando, o que faria com que os oceanos ficassem parados na estratosfera e caíssem de repente. Daí surge uma velha e começa a berrar, colada no vidro do edifício "chuva!!! é água!!!".

Tirando a parte da velha louca, foi exatamente o que aconteceu hoje em Barcelona. Saí de casa com um tempo meia-boca e voltei nadando. Caiu uma tempestade como as chuvas de verão do Rio, que deixam todo mundo ilhado. Não só molhei as calças como as meias, os tênis, a camisa e os dois casacos. Parecia um mendigo dentro do trem para El Prat - só que muito mais cheiroso e com cara de estudante, apesar da barba por fazer. Estudante de história da UFF, talvez.

O que me deixa mais cabreado nessa história toda é que tem feito frio aqui. Quem deu a Barcelona o direito de ter dias com chuva e frio? Tem que se decidir: ou um ou outro. Os dois, definitivamente, não dá. É muito escroto estar a 10*C e com um pé-d'água e vento te açoitando. Condições piores que figurante de novela do SBT é muita humilhação pra quem já carrega o fardo de ser visto como estrangeiro (e sou mesmo, mas e daí?!).

Além do mais, é ridículo ter que andar olhando pro chão e saltando poças. Me senti numa gincana do Faustão. Juro que, se aparecesse um gordo na minha frente, levava uma voadora de graça. Apesar de que, se me jogasse contra alguém e fosse parar dentro de uma dessas poças, corria o sério risco de me afogar. Tinha "um pouco" menos de mobilidade com o jaquetão boladão que pilhei do Alan por cima da minha mochila. Era uma tartaruga morena. Realmente ridículo.

Pra vocês terem uma noção, cheguei em casa e coloquei toda a roupa que estava usando no varal. Menos os tênis, que agora estão no chão da lavanderia, inutilizados para amanhã. O que me fez perceber a importância de ter um mínimo de organização e responsabilidade quando se mora longe de papai e mamãe. Se eu não tivesse posto a roupa pra lavar essa semana, amanhã teria que ir à classe de bermuda. E podem acreditar, pimpolhos, vocês não gostariam de sair de bermuda por esses dias aqui na Europa.

Apesar disso tudo, não posso reclamar. Porque o dia que precisei de sol, ele apareceu num céu azul lindo, o que me permitiu dar um pequeno passo para o Alexandre, mas um grande passo para a sua mente relaxar e se inspirar.

Mas isso eu conto em breve, porque estou com fome, tenho trabalho pra fazer e amanhã acordo cedo, cambada de vagabundos que ficam na cama até mais tarde no sábado.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Preso pelo ouvido

Eu acredito naquela história de "você tem dois ouvidos e uma boca pra ouvir mais e falar menos". Assim que, depois do meu justo e relaxante desabafo no texto anterior, voltei à normalidade. Ou seja, escutar mais.

Isso envolve música, claro. Sou movido à música. Viciado em música. Música, música, música. E como não ou nada egoísta, vou dividir o que tem prendido minha atenção ultimamente. Talvez já conheçam mas, se não, vale a pena dar aquele conferaizer esperto.

Alton Ellis - pré-Bob Marley e padrinho do rocksteady. Ah, não te suena? Talvez isso ajude. Quem nunca escutou este clássico (ainda que em outras vozes) que atire o primeiro cotonete.

Robert Johnson - aquele que "vendeu a alma ao diabo" pra tocar guitarra - e virou lenda. Tudo bem que isso alimenta a lenda, mas não importa. O cara morreu em 1938 tocando assim. É ídolo.

Vashti Bunyan - a pobre (rica?) coitada é desconhecida e ignorada, mas excelente. Vem daquela época em que ser bom era se entupir de coisinhas ilegais e destruir tudo. Pelo seu som, não creio que era do estilo. Mas ficar tanto tempo no anonimato foi uma perda pra todos. Escutem isso e tirem suas próprias conclusões.

Este Bob Dylan e este Iggy Pop - "ah, mas eu conheço eles..." Claro que conhece! Mas as duas músicas têm me encantado dia após dia. A primeira, porque admiro letra, metáforas e comparações que fazem dela uma canção tão potente e atual (só pra constar, ela é de 1964). A segunda, porque não tem o estilo Iggy Pop que conheço mas está de lujo.

Queens of the Stone Age - sim, sou fã. Mas os caras têm uma das melhores bandas que surgiram nos últimos anos. E, além do link no nome deles (de um projeto que vale a pena conferir, por todos os artistas menos CSS), "Like a drug" e "Long slow goodbye" são "totalmente excelentes". Cada vez que escuto, repito umas três vezes cada. E escuto praticamente todos os dias.

Rama Krishna Shiva Linga e Marcel Khalife - quer relaxar? Viajar? Precisa de inspiração? Paz de espírito? Pois ya está. O primeiro, descobri na sorte. O segundo foi dica do Alan, de quando esteve no Marrocos. Os dois são a prova de que existe vida além de Lady Gaga e NXZero.

Sobre brasileiros que me acompanham e me prendem pelo ouvido, falo depois. Já tem coisa suficiente aqui e, se vocês realmente procurarem, é material pra degustar por muitos dias.

Além do mais, sou a favor de um mundo com uma menor quantidade de "informações imperdíveis" ao mesmo tempo.

Bon profit!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Tempo vai, tempo vem...

...e as coisas vão acontecendo. Mudando, seguindo, deixando e se revelando. Passando, no sentido bilíngüe da palavra. Mas, depois de quatro meses e meio, o que eu poderia esperar?

Muita coisa. Começo a pensar em catalão, não apenas antes do castelhano mas antes mesmo do português. De vez em quando me pego ouvindo "cla" ou "altre vegada més, Alexandre?" dentro da minha sempre confusa cabeça. O que é bom, já que significa que aprendo rápido. E ruim, pois me dá uma língua mais pra errar. Como errar é humano, defequei pro fato.

Sinto minhas novas amizades cada vez mais minhas de verdade. Pessoas que gostam de mim e me têm como amigo, boa pessoa, ser diferente e interessante, qualquer coisa dessas que no fim das contas me agrada. Na minha segunda calçotada, domingo passado, infelizmente Alberto passou mal e foi embora mais cedo. Infelizmente mesmo, foi uma perda e tanto no dia. Mas fiquei com a galera, preparei calçots, conversei e ri e aprendi e fiz planos. Divertidíssimo. É muito bom você se sentir parte da vida de pessoas que gosta:














Ilde (esq), Alex, Alex e Carmelo, por exemplo.















Ou Alex (esq), Alex, Martí, Danae e (mão do) Carmelo, por outro exemplo.

Fazendo justiça às amizades, explico o porquê da minha felicidade com todos. Ilde é gente finíssima e me pôs como parte do bando. Alex de óculos me adotou desde que estive em Sevilla. Alex sem óculos, desde que cheguei - e por ser uma pessoa extremamente criativa (como muitos outros; não quero desmerecer ninguém), tem me ajudado muito no momento inspiradíssimo pelo qual tenho passado. Carmelo também me adotou desde que cheguei (assim como Neus, sua parella) e me tem uma amizade que dá gosto. Danae, namorada de Alex de óculos, não só me deu toda atenção do mundo desde que nos conhecemos como foi a primeira a me adotar como catalão - inclusive com "el kit del bon català" de amigo-oculto de Natal (inclusive, tirei ela). E Martí, além de me adotar como amigo de cara, foi a única testemunha do meu sofrimento (e êxtase) no último jogo do todo-poderoso, contra o Grêmio, televisionado e chorado mas com final feliz.

A descrição é grande, eu sei. Mas o carinho que tenho por eles, e outros que não estão nas fotos, é incomparavelmente maior. É a maior prova de que coisas maravilhosas podem vir em um curto espaço de tempo.

***
E o tempo vai levando coisas boas, deixando no lugar certa sensação de vazio e tristeza. O carnaval daqui é uma bosta. Juntando o fato de eu ser vidrado no do Brasil, tenho passado dias caídos. Escrotos, pra ser mais exato.

Mas, sinceramente, isso é o de menos. O pior é ver que todo um país (também conhecido como "pessoas que você gosta muito") te deixam em segundo plano nessa época. Defequei novamente - disse, acabou e pronto. Começo a entender como as coisas devem funcionar a partir de agora. Se ninguém é sincero comigo ou me tem como prioridade, farei o mesmo.

De repente isso me relaxa, tira o peso dos meus ombros e me permite tocar os projetos que tenho por aqui. Que são muitos. E não interessam a mais ninguém além de mim.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Calçotada

(jo vullia escriure en català perquè aquest es un costum de Catalunya, però m'es igual; parlem el portuguès, doncs)

A primeira vez a gente nunca esquece. Ainda mais sendo num lugar legal, dia bonito, com alguém que você gosta, experimentando sensações diferentes. Hoje, um domingo de temperatura agradável como há muito não se via em Barna, fui à minha primeira calçotada.

Calçotada, pra quem não sabe (eu mesmo não sabia), é como churrasco. Substituindo picanha, coração e pão de alho com farofa e "molho acompanha" por calçot. Vulgo cebola.













Muito prazer, sou um calçot sendo preparado por um proletário pobre (redundância).

Sim, cebola. Mas não daquelas gordas que deixa gosto por três dias, ainda que você faça bochecho com água sanitária. É uma variedade cultivada aqui. Não sei se existe parecida no Brasil, pela foto alguém pode me dizer. Sei que o gosto é mais suave. E, junto com o molho específico para ela, fica buenísima.

Mas o dia não foi bom só por isso. A calçotada foi num parque em Begues (se diz "bêgas"), pueblo cerca de Barcelona, com um visual lindo desde a estrada até o local. Além dos calçots, teve carne e pão na brasa - tudo preparado numa churrasqueira coletiva gigante que soltava mais fumaça que o público num show do D2. Ou da Britney Spears, que os jovenzinhos de hoje não estão pra brincadeira.

Rolou futebol. Eu, que não jogava há tempos, babava com a oportunidade. Senti os efeitos da altitude de 2 mil e poucos metros (cadê a Fifa nessas horas?) e meu preparo físico cada vez mais duvidoso (falando da relação resistência aeróbica-idade, pois estou tão em forma que minha calça cai ao andar, estilo funkeiro), mas fui o grande artilheiro da partida de altíssimo nível disputada no Camp Vell - nome inventado agora pra soar mais imponente. Saí de campo ouvindo "com o brasileiro no time fica fácil, né?". Pátria de chuteiras, sim, e com muito orgulho!

Conheci muita gente interessante, até um neto bastardo do meu bisavô. Bom, talvez não ele. Mas vários outros catalães gente finíssima que fizeram com que me sentisse entre amigos. Conversamos, rimos e ganhei mais um sobrinho europeu, Paul, molequinho com menos de 2 anos que não chora quando cai, vai com todo mundo e faz carinho em cachorro espancando o focinho. Foram horas agradáveis, daquelas que dá pena quando sabe que estão chegando ao fim.

E assim levamos mais um domingão em família. Adotiva, mas família.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Preciso de um violão

Cheguei no meu limite. E quando você está no limite (não o programa), seja qual for o motivo, precisa de uma válvula de escape.

Já tentei várias. Infelizmente, elas estão na rua - salvo papel e caneta, que levo pra todo canto e vive salvando minha sanidade (um bloquinho de 5347 páginas que comprei perto do Natal já está na metade, cheio de poesias, inícios de contos e idéias em geral). Enfim, sei o que pode me salvar. Um violão.

Verdade, não toco faz muito tempo. Inclusive, deixei o meu em Jacacity. Verdade também que, depois de comprar um, vou tocar e abandoná-lo por certos períodos, pegando poeira e torcendo pra eu não estar com os dedos sem mobilidade - o que passa toda vez que me afasto. Mas nada disso importa, porque ter um instrumento ao meu lado ajuda no meu equilíbrio. Mais do que Actimel àquelas mães jovens dos comerciais. Fico viajando com ele (violão, não comercial) mesmo sem ser muito bom nisso, e esqueço o que está a minha volta. Exatamente o que preciso, apesar de ter mais coisas longe de mim que ao meu redor.

Infelizmente, não tenho grana pra um violão. Usado, talvez, mas os que encontrei são ruins. O mercado de trabalho espanhol continua ruim e daqui a pouco, quando voltar com carga total ao esquema "pasta debaixo do braço e sorriso de redator apátrida", vou ter que contar com muita sorte pra conseguir algo que me permita pagar mestrado, aluguel e um Fender 0km baratinho que vi numa loja. Mas é assim que a vida funciona quando você está longe de tudo e de todos, não é mesmo?

Queria escrever aqui sobre meu curta de terror que está competindo num site e precisa de votos, ou das minhas descobertas barcelonescas por estes dias, quem sabe até dos meus planos loucos. Mas minha mente foi dominada pelo desejo de ter um violão outra vez. E só consegui escrever sobre isso.

Fica a mensagem. Preciso de um violão.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Napoletana, per favore



Em vez de fazer todas as pesquisas pro mestrado que preciso pra amanhã, escrever as poesias que tenho na cabeça, criar pro portfólio ou simplesmente dormir - é 0h32 em Barna, estava fuçando meus rascunhos no blogger. Não me perguntem por quê. O importante é que acabei encontrando este vídeo, de uma propaganda do Visa que Alan descobriu e me mostrou.

Mola, tío! O ritmo fanfarrão, a letra, a voz saltitante (é assim que a imagino)... É impossível escutar esta canção e não se sentir no meio de uma piazza em Roma, sacudindo as mãos até pra perguntar as horas. Com milhares de pessoas gritando à sua volta. E sacudindo as mãos ainda mais que você, claro.

Pra quem não sabe, Renato Carosone (o autor de "Mambo Italiano", a música aí de cima) nasceu em Napoli. Compositor, cantor e pianista, lutou na Segunda Guerra e explodiu (musicalmente falando) na década de 50. Se fôssemos 35 anos mais velhos, mais ou menos, poderíamos ter visto um concerto seu - ele tocou no Rio e São Paulo em 1957, sem direito à meia entrada. Morreu 1o de abril de 2001. Sem mentira. Tem um prêmio com seu nome.

E me dá vontade de ser pizzaiolo. Tá bom, de comer pizza. Però senza ketchup che io sono italiano!

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dinheiro pelo ralo

O ralo da ducha aqui de casa entupiu. Mais do que escroto, isso é nojento - não tem nada pior do que querer tomar um bom banho e ter que ficar desviando de barquinhos de pêlo que você reza com todas as forças pra que ao menos sejam seus.

Depois de dias tentando me lembrar de procurar algo no mercado e esquecer logo depois, finalmente consegui que minha memória funcionasse. Fui ao Carrefour e, por falta de conhecimento$ sobre as marcas, fiquei com a do mercado.

Cheguei em casa pronto pra resolver o problema. Quer dizer, deixar o líquido milagroso resolver enquanto cuidava da minha vida. Infelizmente, decidi ler as instruções de uso. O troço é de ácido sulfúrico com composto potencializado de urânio e pedacinhos de bala de prata. Dá pra matar uma reserva africana inteira com meia garrafa. Pra se ter uma idéia, eles recomendam abrir o frasco com as duas mãos sem apertar a embalagem e tomando todas as precauções possíveis. Fui abrir em frente ao hospital, por precaução.

Depois de algumas horas deixando a arma química  o produto agir, abri a torneira. Que maravilha! A água descia fácil, como comidas do almoço de domingo tragadas pelo seu tio gordo com aquele estômago de avestruz que a ciência não consegue explicar. Agora, dá pra tomar banho feliz e contente que não fica um dedo de água no chão do box. Provavelmente, o vizinho de baixo não consegue explicar o buraco no teto do banheiro dele ou a água suja que pinga na sua cabeça enquanto se ducha. Eu recomendaria uma calha.

A gente resolve os problemas como pode.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Edir Macedo cover?

Outro dia (do ano passado, já que esse texto ficou esquecido no rascunho do blogger) eu explicava pro Alberto a quantidade de e a diferença entre religiões no Brasil. Coincidentemente, no dia seguinte, vejo isso quando voltava do mestrado:

"Não é seita, não é ciência, não é religião, não é filosofia". Então não é nada, ué!

Do lado direito do templo (?) - localizado numa rua do centro de Barna e ocupando o espaço de duas lojas - está escrito "logramos com êxito a abundância, a riqueza, ...da vida humana sentimental".

Senti um cheiro de Universal do Reino do Macedão - um negócio presente em mais países do que a Anistia Internacional. Inclusive, parece que a equipe de marketing da Coca-Cola passou dois anos em treinamento com os pastores do seu Macedo pra aprender posicionamento e técnicas de venda.

Brincadeiras (ou não) à parte, fato é que onde existe alguém precisando de consolo haverá alguém mais esperto/malandro/pilantra disposto a se aproveitar. E não quero desmerecer o local da foto, mas com a vitrine e as quinquilharias expostas parecia mais uma tenda de artigos chineses a um real que um centro espiritual. Dá pra imaginar que meditam no meio de uma nuvem de incenso cigano entre gatinhos que movem as patas e quadros daquela colagem clássica planeta-olho-triângulo-almas num fundo negro.

De repente, entro ali um dia pra ver se vão tentar ler minha mão ou me dar um chá temático de plantas cultivadas no banheiro de trás do lugar. Mas, se eu for, aviso antes. Pra vocês rezarem pela minha pobre alma perdida.

Paz à venda

O aniversário e o tempo longe da Ponte mexeram comigo. Ia falar sobre "paz à venda" no texto de antes, e acabou saindo aquilo tudo que já nem me lembro mais.

Pois bem, "paz à venda". Mudando meu perfil o blogger por algum motivo que ainda não descobri, me deparei com a tal "wishlist" - uma lista do que eu gostaria de ganhar de presente. "Ah", pensei, "sou muito malandrão e engraçadinho, vou colocar uma frase engraçada e todo mundo vai gostar". Correção: gostariam. Porque não pude, já que a lista é feita a partir de links de listas do Google.

Pois fui lá ver o que me ofereciam como "paz no mundo", um dos meus três desejos. E me vieram essas opções.


















Paz segundo Marlon. Não confundir com o Marley, do cachorro.

O que prova que o capitalismo é o sistema ideal, já que permite comprar a paz. E também que, se ainda não temos paz no mundo, é exclusivamente porque o ser humano é mão-de-vaca.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Mil coisas

Feliz Natal, parabéns pela TV Cá, um excelente 2010 a todos, parabéns mãe, parabéns 'dinha Marisa, obrigado pelo presente mãe, você escreve muito bem Alan e eu tô muito feliz e impressionado.

Depois de repassar tudo o que me lembro que havia deixado de escrever, volto à carga. Sim, de novo. Mas tive que dar um tempo porque, finalmente, o mestrado engrenou. E aí ele veio com tudo, e fui obrigado a me dedicar como queria desde o início. Sim, muita coisa mesmo. E bem diferente:

Cozinhei coisas que fariam aquele chef famosão que não lembro o nome ser esquecido como acabo de fazer. Conversei com músicos de rua e vendedores de mercadinhos de quinquilharias. Escutei música pop. Criei apresentação interagindo com uma bola de futebol (ao contrário de O Náufrago, sem jabá - infelizmente). Aprendi a gostar do pessoal do máster, bem a tempo de começar a fazer trabalhos de grupo.

Também quase fiquei entre os 10 melhores trabalhos de um concurso mundial da VW e sua nova campanha, com uma peça criada com um amigo meu daqui (mas araribóia), Tiago. Acabamos sendo chutados do Top10. Caguei (sangue, mas caguei). Voltei a mexer no portfólio. Também comecei a trabalhar, e saí uma semana depois. Se for pra ficar num lugar de graça, que seja "O" lugar. Se for "o..." lugar, não rola. Neste caso, incluindo aí a falta de honestidade do cara que me chamou, não rolou.

Passei maus bocados, internamente falando. E, nessa de altos e baixos, a verdade é que não faço a menor idéia de como chego aos 59 últimos minutos dos meus 26 anos. Espero que bem, já que me sinto mais confiante e corajoso pra fazer o que tenho que fazer. Seja lá o que for isso. Aliás, vou comemorar no Bar do Paolo. Se alguém quiser me encontrar aqui, será muito bem-vindo. E bem recebido.

Pessoas chegaram, pessoas se foram e acho que meu apartamento também se vai em breve. Quer dizer, eu vou. Daí me mudo pra Barna, arrumo um emprego qualquer e só ando de bicicleta. Aproveito pra correr na praia, quando este frio cretino passar.


Descobri também que funciono de formas não tão aleatórias. Voltei a escrever - poesias, inclusive, coisa que tenho pouco hábito - e a pensar propaganda. Ainda descobri uma habilidade manual que nunca imaginei que tivesse. Claro que não falo de desenho ou pintura, que o polegar opositor e o telecéfalo altamente desenvolvido não me contribuem em nada nestas horas. Mas trabalhar com materias me interessa e é mais fácil que parece. Como parecia impossível, ser difícil e custoso como é agora está bom.

Aprendi catalão a ponto da minha professora (nível 2) me elogiar. Aprendi muito sobre mim. Aprendi bastante sobre os outros, tanto os que amo há tempos quanto os que estou aprendendo a gostar agora. Aprendi que não se deve confiar no sistema de trens daqui. Aprendi que tenho muito o que aprender. Menos do que esperava e bem mais do que gostaria. Fui adotado pela cidade (oficialmente por El Prat, emocionalmente por Barna e os que são dali). Não aprendi como manter contato constante com várias das pessoas que me importam muito nesse mundo, e por isso devo muitas notícias e aparições. Fisicamente falando, não quero encontrar ninguém no modo alma penada.

E, com esse mogollón de cosas vistas, vividas e entendidas, volto a me comunicar com vocês. Esperando acordado passarem mais 40 minutos para me transformar em um Alexandre 2400 segundos mais experiente. De repente, estando (d)esperto, vejo a sabedoria, a paciência e a malandragem virem me dar os parabéns e seguro pelo menos uma delas.

Desse ano, nenhuma das três me escapa.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O ritmo da vida

Escutando: Trem das onze, com Gal Costa
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua

Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos mais preguiçosos rápidos que deve ser um texto um pouco mais longo. Assim que vou colocar umas partes em negrito pra quem quiser fazer leitura dinâmica.

Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.

Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.

As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.

Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?

Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.

Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.

Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.

A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.

Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.

Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.

Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.

De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.

Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Concurso "Cara limpa, bunda suja"

Nos últimos dias, alguns esportistas famosos deram muito o que falar na mídia. Primeiro, Henry e sua mão no jogo contra a Irlanda, que classificou a França pro mundial da África do Sul - aquele que é logo ali. Depois, Tiger Woods e a fofoca notícia do seus casos extraconjugais.

O curioso é que ambos são garotos-propaganda da Gillette. O que me fez pensar: o que vão aprontar seus outros dois companheiros de barba feita, Kaká e Roger Federer?

Assim, acabo de lançar o primeiro concurso da Ponte Elétrica. Cara limpa, bunda suja. Opinem, divulguem e torçam. O resultado sai assim que eles fizerem alguma cagada, claro. E, além de se divertir, você ainda tem a chance de levar um exclusivo prêmio pra casa: um Mach 3 Champions com duas giletes de refil e um saco de papel - pra esconder sua cara dos fotógrafos se um dia for famoso e fizer besteira.

Boa sorte!
















Eu dou minha cara à tapa se você acertar e o Alexandre não mandar o prêmio!

Cultura. A gente vê por aqui.

Quando lembrei da vinheta plim-plim e em tudo o que ela (não) significa, cheguei a sentir vergonha alheia. Pior, na verdade. Pena. Pelo que a gente não tem no Brasil. Não sei se a Constituição espanhola é tão extensa quanto a nossa, nem se eles têm milhões de parágrafos em cada lei que anula e reafirma e cancela de novo os direitos do cidadão. Sei que, aqui, eles levam a sério a questão da cultura.

Hoje (quarta-feira passada) foi dia de visita guiada à bibioteca principal do bairro onde está Can Felipa, o centro onde tenho aula de catalão. Antes de andar pelo local, o responsável reuniu a gente - alunos e professora - numa sala pra explicar como funciona o sistema de bibliotecas de Barna. Ainda bem que ele não perguntou como era nos outros países.

Aqui, funciona assim: você vai à biblioteca com sua identidade e faz uma carteira de sócio. De graça. E fica pronta na hora. Com ela, você tem acesso a a) todo o acervo oferecido no local para consulta; b) 30 documentos (livros, CDs, DVDs, jornais e revistas) por mês; c) Internet no local, tanto nos computadores deles quanto por wi-fi; d) aulas grátis de como usar computador, Internet e programas básicos pra quem não sabe; e) televisões para assistir filmes e programas ali mesmo, com fones também oferecidos por eles; f) cursos de vários temas diferentes a preços populares; g) clubes de leitura de uns quantos assuntos.

Além disso, a carteirinha de sócio vale para todas as bibliotecas da província - Barcelona, os povoados cerca e as cidades da região. Você pode pedir um documento de uma biblioteca e eles deixam em outra de graça, ou pagando um euro se for de outra cidade. Se ele não estiver, é só deixar reservado que te avisam quando volta. Também é possível fazer consultas gratuitas na Internet. E não custa nada dizer que, apesar de elas fecharem entre 14h e 16h (siesta; não se brinca com este costume local), ficam abertas até à noite, umas até de madrugada e muitas, se não todas, nos fins-de-semana.

Quase esqueci de explicar uma coisa muito importante. A logística da rede bibliotecária catalã. Cada bairro tem sua biblioteca principal e outra menores, complementares a ela. Elas têm um tema específico ao qual se dedicam - por exemplo, a de Poblenou, onde fui, é especializada em cinema. Assim que oferece muito disso e um tanto de outras coisas. Dessa forma, a rede pode oferecer uma quantidade enorme de livros sem a preocupação de se repetir ou armazenar tudo, o que seria impossível. Isso também permite que os cursos sejam voltados ao que se dedicam, facilitando tanto o acesso à bibliografia específica quanto o conhecimento por parte do público do que pode encontrar no lugar.

Aí vem a Rede Bobo e diz que a gente vê cultura por ali. Fiquei na dúvida se falavam de BBB ou Zorra Total mas, como não posso ir a uma biblioteca do Rio pra pesquisar sobre o assunto, acho que vou só rir do que tentam me vender.

Pena que meu sorriso é de vergonha.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Crackòvia

Uma das maiores dívidas que acredito ter com vocês é não ter falado sobre esse programa mais cedo. Mas antes tarde do que nunca. Vou dar um panorama rapidão cometa antes de entrar em detalhes. E já adianto que esse texto vai ser melhor entendido por quem sabe um pouco de futebol.

Uma das formas (debochadas/pejorativas) de chamar os nascidos em Barcelona é "polaco". Não sei exatamente porque, tampouco o Alberto, e estou com preguiça de inventar uma história agora. O importante é que, por isso, fizeram um programa de humor aqui chamado "Polônia". Muito bom, diga-se de passagem. Seria o equivalente ao Casseta e Planeta, só que exclusivamente de política e absurdamente mais engraçado.

Assim que uma variante deste programa é "Crackòvia". O nome tem duplo sentido - tanto por ser uma cidade polonesa quanto por se referir a craque (crack), já que é um programa de humor esportivo. E, por ser catalão, fala muito do Barça e faz graça com ele. Além de debochar do Real. E é uma das coisas mais engraçadas que já vi na tele. É um rolo meio Monty Phyton. Ou não. Só quero situar vocês.

Eles têm uma capacidade e uma facilidade incrível pra caricaturar os jogadores e personagens ligados ao mundo da bola. As imitações do Pujol (zagueiro e capitão do Barça), Messi, Ibra e Piquet são excelentes. As do Sérgio Ramos, Raúl, Guti e Cristiano Ronaldo, sem comentários. Fora as outras, que não devem nada a estas mas que não faço questão de citar.

Só pra vocês terem uma idéia de como eles são bons, um dos bordões do Guti - "pim-pom-pim-pom-pim-pom" (marcando ritmo de música de boate, já que ele é reconhecidamente festeiro) - está até pichado em muros da cidade. Os daqui usam pra se referir a várias coisas, como "aí a gente vai lá e pim-pom".

Aí embaixo tem um vídeo de exemplo. Quem quiser, com certeza acha mais no youtube. Adianto que é em catalão, mas é fácil de entender. É só pensar na língua como uma mistura de francês, português, castelhano e italiano. E imaginar o Mussum falando isso. No terceiro vídeo já dá pra entender una mica e rir junto. Nem que seja pra fingir que é inteligente.

Conselho de quem já merece um oscar por isso.



ps: só falei isso pra incentivar vocês, eu já falo um pouquinho e entendo bem catalão; nada como umas aulas e miles de amigos daqui pra adiantarem o aprendizado.

domingo, 29 de novembro de 2009

Vida corrida

Eu tinha muitos planos antes de vir pra Espanha. Chegar em forma era um deles. Representar bem a malemolência carioca. Viver o estereótipo. E, como vocês perceberam, falo tudo isso no passado.

Cheguei aqui com cor de agência estampada na cara, e um físico despreparado e duvidoso - ainda que com os resquícios de uma juventude atlética. Foi o mais pesado que estive em minha vida, algo como 83kg pra 1,85m. Estava no limite.

Assim que aterrisei, resolvi fazer um reconhecimento de campo. Fui andando até a praia. Como ela está a mais de 5km de onde vivo e fui de chinelo, ferrei meu pé. Ganhei de presente de boas-vindas um inchaço que durou quase um mês. Saía todo dia com uma bandagem no pé, caminhar muito me doía e se eu o virasse um pouco mais (o esquerdo), parecia que ele ia cair.

Pois o tempo e nenhum remédio curaram o problema, e resolvi que ia colocar meu plano pré-Barna em prática. Comecei a correr sempre que podia. O que quer dizer três vezes por semana. Também comecei uma série regular e frenética de abdominais e alongamento. E finalmente, os resultados começam a aparecer.

Vejo que a velha forma bate à porta. Tenho tido mais disposição pra tudo, agüento o dia-a-dia mais facilmente e, o melhor, tô mandando a preguiça pro quinto dos infernos. Goste ou não, queira ou não, me exercito. A ponto de sair pra correr depois das 18h, com menos de 14 graus e vento forte. Acreditem, crianças, isso dá um desânimo incrível para fazer qualquer coisa diferente de tomar chá e ler debaixo da coberta.

É legal também ver que as caras que passam por você são quase as mesmas todos os dias, e que elas também reconhecem a sua. É como uma irmandade silenciosa de atletas anônimos, que não ganha nada além de mais saúde. O que é muito, na verdade. Ainda que não pague seu aluguel ou recarregue seu celular.

E quando eu voltar, ainda posso escrever um livro de auto-ajuda aeróbica e ficar rico às custas da ignorância alheia.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Rádio 3

Quando você está em outro país, experimentando o dia-a-dia de uma cultura diferente, precisa se adaptar o mais rápido possível às coisas do local. Pra mim, que sou movido à música, um jeito legal de fazer isso é ouvindo rádio.

Por sugestão do Alberto, meu assessor (deu branco, espero que seja com esse monte de "s" mesmo) pra assuntos catalães, a melhor daqui é a Rádio 3. Eclética, pouco ou nenhum jabá, gente que conhece muito de música. Resolvi experimentar. Viciei. Ainda bem que isso não dá positivo em anti-doping.

Fato é que a rádio é a melhor que já ouvi na minha vida. Qualquer uma do Brasil perde de lavada pra ela. Se fosse Fórmula 1, as daí se comparariam ao Rubinho. Se fosse futebol, ao Botafogo. Se fosse vela, ao Lars Grael (sem uma perna, pra quem não entendeu o humor negro). Realmente, a estação é incrível.

Eles têm uns programas raros, é verdade. Tipo um em que uma espécie de robô recita frases desconexas com um som ao fundo. Os radialistas também são um pouco esquisitos, como um cara que tem voz de quem fumou até a certidão de nascimento e agora convive com um câncer de garganta de 3 quilos. Mas pasa res, porque esta mesma figura sabe tanto o que acontece no underground ganês quanto a última tendência dos novos sons paquistaneses. E sabe muito de Brasil. Muito.

Um dia, enquanto corria, tocou Wilson Simonal ("Nem vem que não tem"). Ah, mas é conhecido, o cara é cool das antigas, vocês poderiam dizer. Beleza. Pois hoje (dia 25 de novembro, no caso), ele e seu convidado colocaram Zeca Pagodinho. Fácil também? Um pouco antes tocou Maria Bethânia. Ainda não convencidos? Pois logo depois de sua música, que era do seu último álbum, eles discutiram Hermeto Pascoal. E, pra acabar com os mais céticos, meu argumento final. Um nome:

Emílio Santiago.

Sim, ele mesmo. O pontinho preto no milharal. O alvo de tantas piadas homofóbicas. Pois além de ser muito elogiado por sua voz - que é realmente sensacional - ele foi comparado a ninguém mais, ninguém menos que Nat King Cole e Frank Sinatra. Disseram que poderia ser tão famoso quanto qualquer um dos dois.

Claro, eles não sabem que o cara é considerado meio brega por aí. Nem que é razoavelmente excluído do grande circuito. Mas a verdade é que colocaram uma canção muito boa, e deu até vontade de ouvir mais. Coisa que não vou fazer. E senti certo orgulho de ver nossa cultura tão elogiada, e de forma tão abrangente.

Só não fecho este post com algo do tipo "dá neles, Emílio!" porque coisas assim, em se tratando do garotão aí, podem pegar mal. Pra mim, porque com certeza ele encararia com a maior naturalidade. De costas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Crise à vista?

Anúncio na TV espanhola: uma menininha brincando com umas bonecas que estão todas maquiadas, têm carta de motorista e saem de farra por aí. "Já somos maiores", dizem.

Vaya, não sou o cara mais certinho do mundo. Mas, sinceramente, acredito que deveria existir limite pra tudo. Fazer meninas de 10 anos quererem ser mais velhas, por exemplo. Ou então, que anunciem de uma vez o vibrador da Hanna Montanna ou a mamadeira com whisky pro bebê de olhos vermelhos.

Eu gosto demais do que faço, sou apaixonado por criar, minha profissão é divertida, blablablá. Mas isso me lembra meu primeiro trabalho (pra cigarro, quando ainda era becário na DPZ). Ter que fazer algo desse nível me faz mal. Dói na consciência. E não adianta dizer que "se não quiser, não faz". É mentira. Ou faz, ou fica na corda bamba.

Cada vez tenho mais claro por que estou aqui - com relação a mim. Profissionalmente, cada dia imagino uma coisa diferente.

Mas calma. Que ninguém ache que vou surtar ou vender pulseirinhas nas Ramblas (o equivalente a vender mel no Sana). É só fase. Daqui a pouco me encontro, encontro o caminho certo e pronto. Ou ao menos que eu descubra logo como voltar a escrever diariamente porque, mesmo com tudo o que tenho visto e vivido, não tenho conseguido colocar nada no papel.

E crise pra escrever, a essa altura da vida, é muito retardado.

domingo, 8 de novembro de 2009

Balanço do mês (e pouco)

NE: devido às obrigações de um estudante sem grana e ainda com muito por fazer, este texto está uma semana atrasado.

Depois de pouco mais de um mês na terra dos brancos de olhos azuis, e há um tempo sem escrever para a Ponte, volto com uma auto-entrevista pra resumir, explicar, dar notícias etc de como andam as coisas em Barna.

Eu: Barna?
Eu: Sim, Barna. Já me considero íntimo da cidade. Posso falar de bares, restaurantes, linhas de metrô, quanto está o quilo da laranja e forma de abordagem dos paquistaneses nos diferentes bairros turísticos. Assim, acho normal chamar pelo apelido. Como Zico, Mengo ou Pet.

Eu: Peraí, porque seus exemplos foram todos do Flamengo?
Eu: Porque o todo-poderoso acaba de colar de vez nos paulistas. E, quando você está fora de casa, qualquer alegria é uma grande vitória. Como esse 3x1. Essa taça vamos conquistar!

Eu: Concordo. Mas, voltando. Como é a vida em Barcelona?
Eu: Excelente. A cidade é tranqüila, limpa, o transporte público funciona perfeitamente, as pessoas têm se demonstrado simpáticas. Além do mais, quando se vive em outro país o dia-a-dia parece um grande período de férias. O único problema é que está chegando o frio.

Eu: Muito forte?
Eu: Pra um carioca, sim. Essa história de andar à noite ou ter que acordar às 7h fazendo 10 graus na rua não é nada legal. Fora que, por ser uma cidade de praia, venta muito. A sensação térmica agora deve ser de 273 kelvin.

Eu: Mas seu casaco agüenta, né?
Eu: Depende. Sempre esqueço do mais pesado. Saio sempre com um meio bunda que, na hora do vamos ver, peida. Eu até comprei um da Adidas por módicos 25 euros, que rasguei no metrô. Já era. Qualquer brecha que deixe passar frio congela até a alma dos seus ossos. Mas não tem nada. Março tá chegando, o sol vem aí!

Eu: Você esta conseguindo resolver tudo?
Eu: Espero. Sexta agora pego minha identidade de estrangeiro (NIE) - uma forma de te tacharem gringo e saberem que não está aqui escondido num cafofo e limpando privada no McDonald's no lugar de um espanhol. Com meu NIE posso abrir uma conta, pra pegar a grana que deixei no Brasil. Também vou poder faze o Bicing, um esquema de bicicletas da prefeitura que você pega e deixa em pontos espalhados pela cidade e sai por míseros 40 euros. Quando me mudar pra Barna, vai ser muito útil.

Eu: Ué, você não mora em Barna?
Eu: Quase. Vivo em El Prat de Llobregat, um ainda pueblo mas quase bairro de lá que fica a 10 minutos em trem. Como ele é pontual e tem o dia inteiro, é do lado. Mais perto que muita gente de lá mesmo. Além do mais, está me saindo bem em conta.

Eu: E as aulas?
Eu: Do mestrado, foram melhores esta semana. Na primeira foi tudo muito básico. Achei um absurdo mas, como o professor teve que explicar pra uma menina que apertando CTRL+Z juntos ela conseguiria voltar a cagada que tinha feito, entendi um pouco melhor. Na verdade, ainda não está do jeito que quero. Mas como o principal do máster é arrumar trabalho por aqui, não me preocupo tanto. Por enquanto.

Já as aulas de catalão estão muito boas. Às vezes, me parece que escolhi a carreira errada. Gosto de línguas e me saio bem com elas. Outra coisa: o català é muito parecido com o português. Mais que o espanhol. À primeira vista, parece complicado. Mas com um mínimo de boa vontade e inteligência, bastam duas aulas pra você entender o básico. Mas, como ajuda, basta pensar como o Mussum fala e tentar imitar. Vou escrever sobre isso mais pra frente.

Eu: Está saindo muito? Está em casa direto? Pode falar sobre isso?
Eu: Posso, Carol sabe o que tenho feito.

Eu saio muito com os amigos do Alberto, meu companheiro de piso, e da Bella, carioca que faz um máster em gestão cultural. Conheci os dois em Sevilla, e a vida nos colocou juntos de novo aqui. Os amigos deles são muito legais, alguns inclusive estão se tornando meus amigos. Vamos a muitos bares e restaurantes locais, o que me transforma num semi-camaco.

(camaco: do catalão "que maco!", ou "que bonito"; os daqui falam ou falavam muito isso, e acabaram sendo apelidados dessa forma pelos outros da província)

Não sou de boates, mas ontem fui a uma porque os amigos do Alberto estavam. Era como festa Ploc, mas com músicas espanholas dos 80 e 90. Mais perdido, impossível. Também fui num show de jazz grátis. E já recebi uns amigos gringos aqui em casa - apesar de que o conceito de gringo, agora, está muito expandido.

Mas estou boa parte do tempo em casa. Um, porque já conhecia a cidade. Dois, porque não sou turista e sim morador. Três, porque não tenho grana pra sair. Quatro, porque os deveres me chamam - dos trabalhos do mestrado a lavar cuecas. Poderia encontrar mais motivos, mas como não devo explicação a ninguém e já citei quatro, está de bom tamanho.

Eu: Já começou a procurar trabalho?
Eu: Fui a duas agências, falei com dois brasileiros, não consegui nada em nenhuma delas. Mandei e-mail pra uma conhecida de um deles que não me pareceu muito simpática. Tenho mais um contato e, depois, estou por conta própria. Vim sabendo que o mercado de trabalho não estava lá essas coisas, mas nunca é bom quando suas más suspeitas se confirmam. De qualquer jeito, agora que as aulas começaram eu posso procurar pelo cole. Eles devem me ajudar. Assim espero, claro.

Eu: Tem mais?
Eu: Claro! Acha que minha vida é só o que contei até agora? Acontece que já falei muito nessa postagem. E é bom saber o que os outros querem saber. Vou esperar comentários com novas perguntas (ou não) e escrevo outro texto.

Além do mais, tenho que estudar, escrever e não dá pra ficar me auto-entrevistando por muito tempo. Sou um homem ocupado. Marcamos um próximo papo entre você e eu em breve, vale?

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Bud Spencer vai ao banco

Vocês lembram do Bud Spencer? Aquele que só andava junto do Terence Hill, aprontando as maiores confusões e botando pra quebrar - numa linguagem bem sessão da tarde. Não?


Bom, então, ele é esse aqui.


Depois de muito tempo sumido (ao menos pra mim), eis que ligo a TV e vejo sua cara de novo. Não numa reprise de Miami Supercops, mas sim num anúncio da Bancaja, um banco espanhol.



Sinceramente, não tenho visto muitos anúncios realmente inovadores, diferentes ou mesmo bons por aqui. Mas ver o velho Bud (que escolheu esse nome porque gostava de Budweiser) distribuindo tapa no meio da rua compensa.

Sitges

Segundo meu olhar fotográfico super aguçado.



Por esse belo cenário, passearam zumbis ridículos no sábado à noite. Ao fundo, um lugar que não sei o nome.