segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Ritmo de festa

Voltar ao trabalho depois de apenas um mês no Brasil é excelente. Entrar de cara numa agência multinacional é exatamente o que eu queria, pelos planos que tenho pra minha vida - refeitos nos últimos meses e já bem assimilados. Mas o melhor é que tenho saído cedo diariamente.

NOT!

Em uma semana e meia, um sábado inteiro e uma manhã inteira de sábado trabalhando. Uma reunião até às 23h de uma sexta, outra até 0h de uma segunda, mais duas reuniões no cliente e duas sextas assassinadas sem piedade. Tudo com meu velho conhecido, o tal empreendimento imobiliário.

Não estou reclamando, longe disso. Mas não vejo a hora de voltar aos meus queridos conceitos, ações e demais malemolências extra-construtoras que me trouxeram até aqui. Ainda que, no momento, o aqui seja o sofá da sala dos meus pais, vendo Eagles 17 x 10 49ers.

***

Mas calma, isso ainda não acabou! Preciso comentar duas coisas:

Um, gostei muito de visitar o apê de um casal de amigos. Todo bonitinho, arrumadinho, deu até vontade de casar. E ainda vi o vídeo com meu discurso de "padrinho de honra" e a festa. Maneiríssimo. Uma noite de sábado feliz demais.

Dois, vi Tropa de Elite 2. Admito, não tenho a menor pena dessa galera que mete bala pelas costas e taca fogo em gente tomando tiro - seja bandido, policial ou miliciano. Como diz meu pai, "direitos humanos, só pra seres humanos". Infelizmente, ao mesmo tempo perco as esperanças quando penso que as mudanças do nosso país estão nas mãos de políticos em sua maioria tão criminosos quanto bandidos, policiais e milicianos.

Pra completar a crueldade, as opções pra 31 de outubro (aliás, data tão cruel quanto, no meio do feriadão) são Dilma e Serra. Pela primeira vez na minha vida, estou pensando em justificar o voto.

***

Pra não fechar o texto de forma triste, uma música pra alegrar a segunda-feira de vocês. Um ícone. Um mito. Uma poesia magistralmente representada:


Vai! Vai! Vai! Vai!

domingo, 3 de outubro de 2010

Zico

A primeira e única vez que vi o maior ídolo da história do clube mais querido do mundo jogar foi na sua despedida. Como torcedor grato por suas façanhas e amante de futebol, acompanhei seu sucesso no Japão (onde ganhou uma estátua por tudo o que fez), a criação de um clube com o seu nome (que só não foi mais longe pela politicagem e roubalheira que imperam no país), sua tentativa de auxiliar o Zagallo quando este já estava gagá e queria que as pessoas o engulissem e outros tantos fatos que cito na categoria etc.

Como outros 35 milhões de rubro-negros eu rezei, desejei, esperei e sonhei com o dia em que ele voltaria para o clube que o criou, onde escreveu algumas das páginas mais bonitas da sua vida - e de muita gente. O esperado retorno para excomungar os vermes que proliferam no clube e consomem livremente seus recursos e nossas esperanças. Não seria mais Zico, o craque. Seria Zico, o herói.

Há quatro meses, o sonho se tornou realidade.

Nessa sexta, o sonho morreu.

No dia primeiro de outubro de dois mil e dez, uma nação inteira acordou dentro de um pesadelo. O clima pesado, as acusações absurdas e a artilharia na direção do ídolo surtiu efeito. Zico se desligou do departamento de futebol com palavras que doem tanto nele quanto nos que são flamenguistas de verdade: "morreu no meu coração esse Flamengo de hoje que está representado por essas pessoas".

Falo de coração - doído como o dele - que sinto vergonha do Flamengo. Não do manto sagrado, mas da corja que destrói o clube há décadas. Dos bandidos fantasiados de dirigentes que desrespeitam a instituição. Das torcidas organizadas repletas de marginais que apóiam um cretino aproveitador como esse tal de Capitão Leo, um ser desprezível que deveria estar longe da Gávea. Dos torcedores que têm a audácia de concordar com essa palhaçada e acusam o Zico de pipocar - quando a presidenta (entre milhões de aspas) prefere dar suporte ao seu cabo eleitoral. O tal do Leo. O tal que conseguiu a proeza de ter mais voz que o Galinho de Quintino. Além da vergonha, claro, do bando que veste a camisa sem a menor condição de aguentar seu peso e honrar sua tradição.

Fiquei sinceramente emocionado com a carta de demissão do Zico. Tive a nítida sensação de estar lendo uma carta de suicídio. Que, sem querer, mata outras 34.999.999 de pessoas.

Torço porque o amor é um sentimento irracional. Mas seria mentira se dissesse que amo esse Flamengo.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Pescado no Twitter

Champions aren't made in gyms. Champions are made from something they have deep inside them. A desire, a dream, a vision. Muhammad Ali


Voltamos à programação normal.

domingo, 26 de setembro de 2010

Futebol

Eu jogo, vejo, acompanho, discuto, torço, compareço. Mas esse time do Flamengo me dá um desânimo impressionante, a ponto de escrever esse texto antes mesmo de acabar a partida no Parque das Águas, também conhecido como Lagrimão, oficialmente chamado de Engenhão. A casa de bonecas do Botafogo.

Não esperava o hepta em 2010, confesso. Mas uma vaga na Libertadores era sonhável. Na copinha, aceitável. Brigar com o Patético Mineiro pra não descer, inaceitável.

E, enquanto falava com o Alan, as Felipetes fizeram o terceiro. Fim de jogo.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Pílulas de ódio

Meu lado calmo e pacifista costuma ser substituído por um Alexandre rancoroso e vingativo quando me sinto injustiçado ou traído. Nos últimos seis meses, um punhado de pessoas entrou na minha lista negra. Coisas da vida.

Mas hoje surgiu um novo elemento de ódio extremo. Não sei o que é pior, se a raiva de pessoas próximas ou a que sinto por conhecidos recentes. Mas o fulano desta quinta-feira terá seu revide. Faço questão.

Depois da minha dose diária de ódio, já posso dormir tranqüilo.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Respire


All you touch and all you see is all your life will ever be.

Não me lembro dia, ano ou hora. Sei que foi na Apoteose e que eu estava lá, cantando de olhos fechados, correndo o risco de perder minha carteira. Mas, naquele momento, só pensava em Breathe. Música, porque a respiração é comandada por movimentos involuntários dos músculos.

Os anos passaram, as pessoas passaram, outros eu passaram. E "breathe/breathe in the air/don't be afraid to care" faz ainda mais sentido agora do que no dia em que minha voz fez coro com milhares de outras tão emocionadas quanto a minha.

Tudo o que fiz desde então foi olhar em volta e escolher meu lugar. É verdade que ele vive se mexendo, e às vezes fico mais perdido que gringo no samba ao tentar me equilibrar e encontrar meu espaço calmo e feliz. Bom, não necessariamente calmo. Mas, sem dúvida alguma, feliz.

Não sei aonde vou chegar, nem quem vai estar comigo quando eu estiver lá. Certo é que estarei. E darei a vida mais maravilhosa pra quem tiver sido paciente e presente em todos os momentos. Para essas pessoas, eu devo tudo. Por essas pessoas, eu faço tudo.

E também cheguei à conclusão que preciso ir a outro show tão bom quanto o do Roger Waters. O que vai ser muito, mas muito difícil.

domingo, 19 de setembro de 2010

Um domingo desses

Você olha no calendário e percebe que passou daquele dia que não se lembra mais. Já está na hora de levantar, e pra isso é preciso passar por debaixo da escada. Três passos à frente, um gato preto muda de roupa e tira os pêlos do bigode diante do espelho enquanto prepara um café com leite. Forte. Muito café.

No corredor há uma passagem que leva ao universo paralelo da sua mente, que está aberta a novas possibilidades mas cobra pedágio. Não custa tanto, mas você está com pouca grana. Resolve vender um pouco de tempo pra se capitalizar, mas tempo nem sempre é dinheiro. Às vezes, uma boa história toma tempo e vale muito mais. Ou menos. Isso, mais ou menos.

Olhando por trás das lentes do monóculo, existem oito pares de olhos vermelhos e famintos. Quem tem fome tem pressa, e você decide correr. Com, contra, para, ainda não sabe. Nem se importa. As portas passam muito rápido, e vão se fechando conforme janelas se abrem. Algumas oferecem uma nova brisa, outras tentam acertar sua cabeça enquanto acelera o passo. Tudo é muito nada nesse conjunto de possibilidades solitárias.

Você se sente sozinho. Você se senta sozinho. Logo começam a aparecer pessoas à sua volta, vozes distantes que fazem eco aos seus pensamentos. Quem traz é o vento, ou o garçom. Elas vêm do fundo do copo metade cheio ou metade vazio. Melhor ver sempre metade cheio.

Daí se enche e resolve começar tudo de novo. Olha no calendário e percebe que passou daquele dia que não se lembra mais. Mas você já está de pé.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

13 de setembro

Um dia que já passou. Como as coisas mudam.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Pecado capital número 5

Dante disse, algum tempo atrás (bem antes de eu nascer), que a ira é o "amor pela justiça pervertido a vingança e ressentimento". Concordo. Assim me sinto uma pessoa mais justa enquanto odeio outras.

Eu odeio amigos. Ou melhor, atuais semi-futuros ex-amigos. Quem mente, esconde, toma partido e ajuda você a se afundar na má fase não pode ser considerado amigo(a).

Eu odeio políticos. Com a sempre exclusão do Chico Alencar desse grupo, por gosto e confiança. Eles mentem, compram votos e fingem que não se importam com a meleca que a criança colou na camisa deles.

Eu odeio juízes de futebol. Esse tópico entrou porque escrevo o texto enquanto vejo o Flamengo ser prejudicado por um saco de batata vestido de preto. Jogador expulso, pênalti não marcado etc. Até quando o cretino do Ricardo Teixeira vai fazer isso? Tá de birrinha porque o Flamengo não votou na sua eleição ou é retaliação pela discussão da taça das bolinhas? Porque eu tenho uma sugestão do que você pode fazer com ela, e só não sugiro ao São Paulo porque eles aceitariam. Se é que já não pensaram nisso.

Eu odeio o time do Flamengo. E tenho pena do Zico, que está arriscando anos de história pelo amor a um clube que parece não querer ser ajudado. De quebra, também tenho pena do Silas, que não podia recusar a batata quente que caiu na sua vida tática.

Eu odeio despedidas. Cada vez que vou embora de algum lugar, fico triste e sofro como se fosse a um show do Jorge Vacilo. Sozinho. Em Inhaúma. Numa terça-feira chuvosa. De ônibus. Mas, como nesse caso eu deveria me odiar - já que a culpa das despedidas é minha - eu relevo um pouco e penso no lado positivo da saudade e boas recordações.

Eu sei, a ira não resolve minha vida. Mas não acredito em pecado, céu e inferno, essas coisas de quem tinha tabela de preços pra pedaços de madeira e tem um nazista anti-camisinha como líder. Além do mais, como vivo de escrever e gosto de valorizar cada reação apaixonada que sinto, até que uma raiva contida sempre prestes a explodir no momento inoportuno é legal.

E ainda tem aquele lance que gosto muito, a tal da vingança. Se você estiver na minha lista, cuidado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Re(rerererere)começo

Quem disse que eu tô rindo? Isso é uma forma onomatopeica de representar outro combo de mudanças na minha vida, que começou no dia em que decidi ir pra Barna. Um ciclo que ainda não tem data pra fechar, e segue dando voltas interessantes.

As próximas semanas prometem fortes emoções. Além de uns quantos recomeços. E a verdade é que eu tô curtindo muito isso.

O que pede um Bajofondo.


Tiempo mejor, cielo de miel, ahora que sale el sol...y empieza a calentar la piel.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Até logo, Mário Filho

Mário Filho era filho do Mário. Não aquele da piada, ou pelo menos eu acho que não. Na vida passada, jornalista. Nessa, estádio. O maior do mundo até algum tempo atrás. O mais charmoso. O com mais histórias, algumas tristes e muitas felizes. Casa do todo-poderoso Mengão, dono do recorde de público do Campeonato Brasileiro com mais de 155 mil pagantes em um Flamengo e Santos, final, taça nossa, grito de tricampeão.

Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida sabe o sufoco que é (era) comprar ingresso, com uma horda de cambistas passando a frente e oferecendo o lugar 247 vezes mais caro no dia do jogo. Assim como é (era) horrível entrar numa fila que parecia o delta do Nilo até chegar perto da roleta, pra então virar um buraco de agulha na hora de entrar na área do estádio.

Quem já foi ao Maraca alguma vez na vida também comprou cerveja cara lá dentro, e depois passou a não poder comprar cerveja nem nos arredores. Legalmente, porque o amigo isopor sempre chamava na espreita. Com certeza, passou pelo perrengue de ficar num lugar ruim, sentar na escada, ter que vigiar o bolso enquanto xingava o juiz, viu a menininha tomar um copão de xixi na nuca, saltou degraus com mais técnica que o João do Pulo - só que pra fugir de confusão.

E quem foi ao Maraca sabe-se lá quantas vezes, como eu, entende que a emoção de cantar com a torcida (no meu caso, com a Raça e a Fla-Manguaça, desde a época do Marcelo Tijolo ou antes, nem me lembro mais) é maior e mais forte que qualquer um desses contratempos.

Vi o Flamengo vencer inúmeras vezes, ser eliminado de forma dolorosa, jogar com raça e ser vaiado pela falta dela. Não importa. Poucas coisas nesse mundo são tão emocionantes quanto ver o manto sagrado saindo do túnel, os jogadores pisando no gramado e acenando pra torcida enlouquecida. Independentemente do resultado. O Maracanã é lindo, místico, insubstituível.

Mas não irretocável. Hoje foi o último jogo no templo, que será fechado por mais de dois anos pra obras. E eu não pude me despedir. Tudo bem, o Flamengo empatou com o Santos - mesmo jogando melhor. Não foi o até breve que os milhares de presentes esperavam. Mas tenho certeza que foi emocionante, principalmente pra quem ama o time e o esporte. Como eu. Que estava na frente da TV com cabeça, coração e cordas vocais no anel superior, atrás do gol do lado esquerdo da tribuna de honra. Triste por não estar fisicamente. Mas feliz de ver a galera incentivando até o final, numa clara história de amor eterno.

Não conheci o jornalista, mas tenho certeza de que é muito feliz como o estádio. E por fazer parte dessa história.

Até logo, Mário Filho.


Acima de tudo, rubro-negro!

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

A baleia jubarte

Com seu vermelho característico, ainda que raro para a espécie, lá estava a Jubarte olhando o mundo à sua volta. Muitas coisas com carinho, outras com saudosismo, uma com certa raiva. Sim, porque as jubartes, como qualquer mamífero, sentem raiva.

Ela sabia que estava ameaçada de extinção. Ainda assim, resolveu seguir na imensidão do oceano, acreditando que a época de migração logo chegaria ao fim e ela estaria de volta, sã e salva, ao seu amado habitat. Horas e dias e meses de viagem, muito plâncton comido, muito vivido pelos mares para contar aos seus filhotes. Uma existência só existe realmente se há histórias, pensava. Mas se esqueceu de que nem todas são boas.

Assim como as pessoas. O ser humano interessado na preservação da jubarte, por exemplo, era mau. Escondia seu lado desequilibrado sob um risonho rótulo ambientalista. E se aproveitou da crença mamífera da baleia para fazer o que quis enquanto ela estava fora. Protegeu outras espécies, militou por outros animais. Tão irracionais como este ser humano específico. E a pobre jubarte, após nadar aquela imensa massa de água até sua terra natal e se deparar com tamanha irresponsabilidade, sentiu um oceano inteiro pesando nas suas costas. Na sua vida.

Felizmente, como todo mamífero racional e emocional, a jubarte tem seus truques. Emergir, expelir a água salgada e seguir em frente, por exemplo. Ela sabe que, olhando aquele mundo à sua volta, um pequeno ser (ou seria um ser pequeno?) que um dia cruzou sua corrente marítima não fará a menor diferença em uma vida livre e feliz, e por isso plena. Coisa que aquele pobre peixe de aquário nunca vai entender ou alcançar.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Não dá pra levar o Brasil a sério

atenção: texto com alto índice de ódio, ira, rancor, raiva e resmungo - mas razoavelmente irônico, pra aliviar a leitura

Eu voltei pra casa no momento errado. Além de tudo - principalmente, pessoas especiais - que deixei em Barcelona, cheguei no país justo na época das eleições. E o que tenho visto está conseguindo minar até minha fé inabalável de que o Brasil tem jeito.


O que é que faz um deputado federal?

Mas a culpa não é do abestado aí de cima. É minha. Infelizmente, resolvi deixar no horário eleitoral agora à noite. Promessa vazia vai, candidato reconhecidamente corrupto vem, aparece o Sérgio Cabral. Tenho pena do meu pai, que tem o mesmo nome dele. Porque é uma desonra ser homônimo de alguém como ele.












Puxa meu dedo pra você ver uma coisa!

Eu não vou entrar no discurso completo dele antes que comece a espumar em cima do teclado, perca minha saúde e uma grana na assistência técnica do Crush, meu laptop. Mas o que me deixou mais revoltado foi escutar a história do bilhete único.

Calculadora na mão, crianças. Você paga R$ 4,40 por dois transportes públicos. Mas a passagem simples custa R$ 2,20 num ônibus urbano e R$ 2,35 num intermunicipal (se estiver errado me avisem) - ou seja, você está economizando no máximo 30 centavos. O cartão do bilhete único não substitui o Riocard. Você só pode pegar dois transportes, então se vai de São Gonçalo a Seropédica eu não faço a menor idéia de como resolver o quebra-cabeça. E, conhecendo o trânsito carioca como eu, 2h35 pra fazer baldeação não significa muita coisa se a pessoa pega a Brasil, Lagoa-Barra ou outras mil avenidas movimentadas da cidade.

Resumindo a enganação: o bilhete único não é único, nem mesmo bilhete. É um cartão a mais pra você colocar na carteira e rezar pra conseguir usar a cada dia.

E é uma das plataformas do Sérgio Cabral. Que está uns 30 pontos à frente do Gabeira, e deve ser eleito no primeiro turno.

É bom o Brasil me dar algum motivo extraordinário pra acreditar nele, senão vou repensar seriamente a história de que aqui é meu lugar.


Por isso que eu me mandei daqui! Povo ignorante! Ahhhhhhhhrrrrrrrghhh!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

hocus pocus focus

Where's my head at, Basement Jaxx?


we can't evolve alone without you

domingo, 29 de agosto de 2010

De lua

A alteração do nível das águas do mar, ou maré, é diretamente influenciada pela interferência gravitacional lua no campo de gravidade terrestre. Talvez venha daí a expressão "de lua". Ou talvez, das quatro fases que o satélite possui. Quem souber me explicar, agradeço.

O Brasil é um país ensolarado. Milhares de quilômetros de praias. Milhões de pessoas espalhadas pelas areias do litoral. Eu sentia falta disso. Por outro lado, sempre fui da noite, de insônia por dias seguidos, de fazer qualquer coisa em vez de deitar pra tentar dormir. A lua marca presença forte na minha vida desde jovem. E ganhei um grande aliado pra manter esse ritmo noturno: o fuso horário.

Ir embora de Barna na quarta-feira passada foi como abandonar a própria casa às vésperas de um ataque nuclear. Saí com a sensação de que ficou muita coisa na cidade. E ficou. Ou melhor, ficaram. Pessoas. Maravilhosas, únicas e importantíssimas na minha vida. Não faz diferença se já conhecia antes de chegar ou se conheci um par de semanas antes de voltar. Todas têm um lugar eterno na minha história, que tem tudo pra seguir cada vez mais nossa. Que tem tudo pra ser construída em parceria.

Ontem eu recebi um fundo de tela o horário espanhol ao lado do daqui. Outro presente tão simples quanto importante. Porque eu sempre fui inconstante, de lua. Mas estou seguro de que o vivido nesses 11 meses, de El Prat a Gran Via de Les Corts Catalanes, veio pra ficar. Pra sempre. Com a ajuda da minha querida lua.

Ah!, meu Brasil...

Pela segunda vez na minha vida, participei de uma maratona. Não por acaso, promovida pela mesma empresa da anterior - só que um caminho inverso. De quarta para quinta, a Alitalia me fez percorrer milhares de quilômetros entre Barcelona, Roma, São Paulo e Rio de Janeiro.

Antes de dar minhas impressões da reentrância no planeta tupiniquim, duas dicas pra meus queridos leitores:

Um, sempre peçam para viajar na saída de emergência dos aviões. As poltronas daí oferecem ainda mais espaço que as da primeira classe. Você só precisa saber falar inglês e não ter um problema como ser cadeirante ou estar grávida (sim, por lei estar grávida é um problema e impede você de viajar ali). E, convenhamos: se a aeronave cair, você não vai poder fazer nada - como abrir a porta de emergência. Você morre. Mas a chance de ele cair é tão grande quanto a do Botafogo ser campeão brasileiro com o Natalino.

Ou seja, você viaja com um latifúndio de espaço a troco de uma hipotética oportunidade de salvar a galera caso algo aconteça. Nada mal.

Dois, nunca deixe de tentar trocar seu vôo só porque a empresa X disse que não tem vaga. Se for uma como a Alitalia, provavelmente eles estarão errados. Eu troquei 10 horas de espera no aeroporto de Guarulhos por 30 minutos de correria para chegar oito horas antes. Com uma bela ajuda do pessoal da TAM. Ponto pra eles.

E foi assim que pisei em território ensolarado de sotaque bonito na hora do almoço. Um sinal do que estaria por vir (comida de mamãe, quatro pratos fundos que me deixaram esparramado no chão da sala por algum tempo). Mas confesso que essa pequena orgia gastronômica, e a óbvia felicidade de estar junto aos que amo tanto, não apagou a péssima sensação que tive do país ou a saudade que o outro lado dessa poça gigante chamada Atlântico deixou em mim. Vou falar disso no próximo texto, porque esse é exclusivamente para resmungar (agora, resmunga você).

Ruas esburacadas. Carros da PM com fuzis pra fora da janela. Favelas em todo o caminho. Trânsito caótico. Cartaz do Eurico com o irônico "ficha limpa" escrito ao lado da cara (de pau) e isso de propaganda eleitoral. Noite cara. Dia caro. Bukowski mal freqüentado. Café no Starbucks a 10 reais.

Eu amo o Rio, amo o Brasil, mas o tempo passa e parece que a gente não aprende nada. Assim é difícil de defender o país. Né não, mestre?


Isso é coisa do satanás!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Dentro de mais uns minutos estaremos no Galeão

Esse samba é só porque eu estou com um pé no Rio de sol, de céu, de mar. Após 11 meses catalães, emoções fortes e uma seqüência de até breves, chegou a hora de empurrar a muamba goela abaixo da mala e deixar um rastro de lágrimas até o aeroporto. Não estranhem se surgir um novo afluente do Llobregat.

Todo império tem sua ascensão, apogeu e queda. A vida funciona da mesma forma. Pensar nisso é o que me faz relevar o que/quem tanto quero bem e deixo na Europa. Afinal, eu não só vou ver, ter e viver tudo isso de novo como deixo Barna no momento em que mais coisas boas me passavam.

É chato? Sim, pensando no que vai ficar em estado de espera. Mas é feliz e bonito saber que deixo a cidade no auge das minhas experiências. O que for pra ser, será. E confio totalmente no futuro.


Rio de Janeiro, Rio de Janeiro...

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Surpresa!

Pouco antes de ir embora, a Espanha me dá de presente uma surpresa mais. Daquelas que você só acredita vendo. Vivendo. Sentindo. Inclusive ao pensar que a vida dá voltas, e será preciso esperar mais algumas para estar no mesmo lugar. Não necessariamente físico, mas certamente espiritual.

Barcelona vai deixar saudades.

sábado, 21 de agosto de 2010

Cuidao!

Schweinsteiger é um jogador alemão. Diga seu nome em voz alta e irá soar a xingamento seguido de ameaça de morte lenta e dolorosa ouvindo Justin Bieber num bar de Bangu sem ventilador. No entanto, Schweinsteiger quer dizer "gestor de porcos".

Antes de dizer alguma coisa, esteja seguro do que fala.
















Botafoguense, não!

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Há tempos nenhuma alma deixa registrada sua passagem pela Ponte, ainda que veja a freqüência de visitas pelo Google Analytics. Assim que não sei se vão escrever alguma mensagem de apoio, piada ou votos pra que fique por aqui. Mas não custa nada lembrar que faltam cinco dias.



M'en vaig ja.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Você é chato

Toda regra tem sua exceção. Mas gente chata é gente chata e ponto final, ainda que tenha um bom coração ou saiba jogar Resta 1. Assim, lanço um guia rápido pra ajudar a reconhecer - e, com isso, ter a chance de evitar - aquela mala que se aproveita da Lei de Murphy pra colar em você nos momentos mais inoportunos:

Ah, é? Uma vez, eu...
Você fez uma coisa muito legal. Ele fez uma ainda mais legal. Você tem um amigo xis. Ele tem um amigo dois xis. Você tem uma namorada. Ele tem cinco, e ainda mais bonitas.

Todo mundo conhece aquela pessoa que sempre se lembra de alguma coisa melhor que a sua. Normalmente, logo depois de você contar sua coisa. Seja por necessidade de auto-afirmação, espírito competitivo ou orgulho, gente que quer provar ser melhor que todos em tudo o tempo inteiro é um saco. Ainda que algo seja verdade, se ela fosse melhor que o resto do mundo não precisaria dizer, seria conhecida assim. O que prova o exagero ou mentira. E que ela é uma pessoa chata.

Barcelona acabou com minha paciência pra gente assim.


Aumentei minha série na academia de novo essa semana
E daí? Eu não gosto de malhar. E, mesmo que gostasse, não seria pra competir com ninguém. Isso prova a teoria de que a maioria dos caras faz musculação tentando superar o fulano do lado que ele nem conhece. Vai lá, garotão, rala aê! Mas daí a encher o saco dos outros com histórias de voador, supino e tríceps alternado é demais pra um ser humano normal.

Vai malhar o cérebro. E larga de ser chato.


Não acredito que você vai ver esse filme!
Nem precisa acreditar. Não te convidei, não espero te ver no cinema e, se possível, não quero mais te ver. Porque se você reclama do filme que os outros vão assistir, não deve ser uma pessoa muito agradável de se manter uma conversação. É o tipo de gente que vai no McDonald's e reclama que o sanduíche é gorduroso. Por que foi, então?

Porque é chato.

Um parêntese: vale fazer piada com filmes. Com qualquer coisa, na verdade. Mas existe uma diferença enorme entre piada crítica e critica pura, desnecessária e fora de hora. Além do abismo entre palavra e ação, como contar uma piada de judeu e jogar o cara no microondas. Nunca ria com gente assim, você legitima o ato. Ser chato já é ruim o bastante, não precisa ser cretino também.


Segunda foi bizarro, terça tive reunião, quarta...
Não é à toa que o espaço de tempo compreendido entre sexta à noite e domingo pós-Fantástico é conhecido como fim de semana. A semana laboral acabou. E, junto com ela, toda essa história de meu chefe disse, fulano acabou com a água do bebedouro, a secretária não me deu bom dia.

Sim, algumas histórias são interessantes. Pois se concentre nelas e faça as pessoas se divertirem. Ninguém quer ter a sensação de estar no silvisso quando está com seu chope, jogando cantadas pra mesa ao lado/curtindo aquele clima de romance com sua companhia sentimental.

Por favor, trabalhe sua chatice.


Então, eu sou a Maria
Então é uma palavra-chave pra se entender o paulista. Está para eles como tchê está para os gaúchos, sendo que é usada no início de cada frase e não ao final. Alivio um pouco a barra dos manos porque tenho amigos de lá, mas tudo tem limites. Sendo mais claro:

Alguém: Que horas são?
Paulista: Então, são quatro e meia.

Começar frases com então é um vício de linguagem. Um que deveria ser tratado pela OMS. E, por mais que possamos relevar certos vícios de amigos, como emitir gases poluentes em salas fechadas durante partidas de futebol ou tomar cerveja se babando, não dá pra escutar um então a cada dez segundos.

Você começa todas as suas frases com então? Então, você é chato.


Você viu que Fulana e Beltrano se separaram?
Não, não vi. Nem queria saber, porque não me interessa. Mas você me contou, e isso não altera em absolutamente nada minha vida, não muda a trajetória do planeta nem acaba com a pedofilia na igreja. Então, que diferença faz?

Nenhuma. Mas você adora se informar sobre a vida alheia. Ama fofoca. Queria viver na ilha de Caras. Mas como não tem câmera e/ou coragem pra se tornar um paparazzo, grana pra viver como um rico ou bunda/abdome/rosto (nessa ordem) pra se tornar uma subcelebridade, retira seus assuntos da bíblia.

Se é nesse tipo de gente que você se espelha e deles tira o que falar numa mesa de bar, na verdade você não tem o que falar. Mas eu, sim. Você é chato.

Quem quiser colaborar nos comentários com outros tipos de chato pode escrever à vontade. Aumente a lista, melhore o serviço de utilidade pública, ajude o processo de seleção natural. Darwin ficaria orgulhoso de você.