Tão longe, tão perto. Meu incompleto ano e meio na Europa não apaga da minha memória, por pior que ela seja, uma vida inteira passada no Rio de Janeiro, com suas incontáveis chuvas de verão que pararam a cidade. Como aquela de 1996, que acabou com a casa de amigos e desconhecidos em Jacacity, terra de ninguém, matou gente e transformou o bairro - e a cidade - num filme B de terror. De Bollywood.
Pois eis que vejo nos jornais uma outra chuva destruindo a cidade. Desta vez não foi no verão ou durou poucas horas, mas destruiu famílias, lares e o que mais estava no caminho. Certo, Alexandre, e...?
E não acredito que ainda tenha gente justificando que nunca havia chovido assim em abril, que caiu uma quantidade de água maior que o previsto para o mês etc. E se tivesse chovido assim em janeiro, a cidade estaria preparada? As galerias pluviais dariam conta? O esgoto não invadiria as casas? A defesa civil, CET-Rio, prefeitura e governo tomariam as providências devidas, evitariam estragos maiores e tragédias?
Não acredito que ainda existe gente que cai nessa. Ou melhor, infelizmente acredito. Porque nosso povo continua alienado, mal informado, à margem de decisões políticas importantes - e sem a menor preocupação com sua memória política. Continua marionete de qualquer um com um pouco mais de malandragem e menos caráter. Segue explorado, deixado de lado e tratado a pão e circo. E parece gostar.
Sim, é falta de educação. E cultura. Mas também não me parece muito preocupado. "Ah, choveu? Vamos surfar na rua!". Acho legal levar tudo numa boa, assim como relaxar diante do que não tem volta. Eu mesmo fiz, e faço, piadas com o assunto. Mas poderíamos fazer muito mais se déssemos um pingo de atenção para o que está por trás de mais uma catástrofe. Algo inaceitável para um país como o nosso, e ainda menos para a sede da final do Mundial de 2014 e das Olimpíadas de 2016.
Daqui a uns meses vamos às urnas. Por mais crédulo, esperançoso e bobo que seja, vejo pouco factível uma conscientização da população. Porque, se fizer sol, vai ter muita gente na praia. Porque as propostas dos políticos - dos que têm, claro - vão ficar pegando poeira virtual num cantinho escuro da Internet, com uns poucos cliques de vez em quando. Porque basta um pouco de cimento e tijolo pra o miserável escolher um candidato - e não dá pra culpar quem não tem nada, ou consegue o pouco que tem à base de sofrimento diário. Falo e culpo, mais que todos, nós que temos - em teoria - educação formal e discernimento para não cairmos nos mesmos erros outra vez.
A chance de vermos manchetes deste ano requentadas em 2011 é enorme. Mas fazer o quê, se essa chuva ruim cisma em cair forte na cidade maravilhosa?
ps: eu poderia resumir tudo isso citando essa matéria. Mas precisava desabafar. De novo.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Messi
Justiça seja feita, meu irmão já tinha falado dele. E admito que é complicado ser imparcial depois de uma partida como a de hoje entre Barça e Arsenal, ainda mais para um fã de futebol. Mas, por mais difícil que seja buscar palavras para definir o que vi, seria injusto não escrever sobre ele.
Lionel Andrés Messi. Ou Messi, tão simples como as entrevistas depois das partidas - quando o repórter pergunta como é jogar nesse nível e ele responde que fica feliz de ajudar a equipe a ganhar. Ajudar? Na semi-final do torneio mais importante da Europa, contra um dos times mais fortes, bem armados e interessantes do continente, ele marcou todos os quatro gols da sua equipe. Sim, quatro. Um, dois, três, quatro. Imaginem quando ele resolver uma partida para a equipe.
E os quatro gols de hoje não foram sorte, ou casualidade. Messi marcou três em três ou quatro das últimas seis partidas do Barça, se não me engano. Assim como praticamente todos os últimos gols da sua equipe nos últimos oito ou dez jogos. É o artilheiro da Champions (e igualou um antigo recorde de gols marcados numa só partida da competição), da Liga Espanhola, da temporada e um dos maiores da história do clube. Aos 22 anos, pra deixar bem claro.
Acompanho futebol desde muito novo. Jogo, vejo, discuto. Sou apaixonado pelo esporte, e um belo exemplo da "pátria de chuteiras" de que tanto falam. Vi um pouquinho do Zico, algo mais do Maradona, Romário, Ronaldo gordo e Ronaldo bonitão, van Basten, Weah, Zidane e vários outros que deram nome aos meus jogadores de botão. Mas nenhum, absolutamente nenhum, conseguiu me encantar como Messi.
Eu poderia ficar com a definição de alguns narradores das rádios catalães, como "gênio maravilhoso" ou "é de fazer chorar". Mas a melhor é do técnico do Arsenal, Arsène Wenger: "jogador de Playstation". Ou posso fazer o mais natural, e não defini-lo. Porque é impossível. Passei todo o jogo tentando encontrar o que dizer (e vale lembrar que sou redator), mas sinceramente não soube. Não sei. Porque sua forma de jogar, como faz tudo parecer fácil e curte cada jogada que faz, e busca sempre mais, é impressionante. Encantadora. Mágica. _________________ (sua vez de adjetivar).
Acreditem, me dói dizer isso. Mas um jogador como Messi merece ganhar uma Copa do Mundo. Merece ser decisivo pra seleção do seu país - Argentina, infelizmente. Merece ser coroado melhor do mundo outra vez. E, mantendo esse nível por mais alguns anos, merece ser o atleta do século XXI.
Sei que ainda é cedo, estamos em 2010. Mas ninguém chegará aos 1200 e tantos gols do Pelé, mesmo. Nem a mil, na verdade, por mais que o Romário force a barra na contagem. E, se o futebol é outro, influencia no estilo dos profissionais e blablabla, Messi é o símbolo do que pode ser o jogador desta época. E das que vieram algum tempo atrás, e das que estão por vir. Messi é completo, joga para o time e dá show ao mesmo tempo, tudo isso enquanto resolve partida após partida.
Messi é único, craque e já faz parte da história do futebol. E me sinto honrado em ter o privilégio de estar em Barcelona vendo o que não vai se repetir tão cedo.
Lionel Andrés Messi. Ou Messi, tão simples como as entrevistas depois das partidas - quando o repórter pergunta como é jogar nesse nível e ele responde que fica feliz de ajudar a equipe a ganhar. Ajudar? Na semi-final do torneio mais importante da Europa, contra um dos times mais fortes, bem armados e interessantes do continente, ele marcou todos os quatro gols da sua equipe. Sim, quatro. Um, dois, três, quatro. Imaginem quando ele resolver uma partida para a equipe.
E os quatro gols de hoje não foram sorte, ou casualidade. Messi marcou três em três ou quatro das últimas seis partidas do Barça, se não me engano. Assim como praticamente todos os últimos gols da sua equipe nos últimos oito ou dez jogos. É o artilheiro da Champions (e igualou um antigo recorde de gols marcados numa só partida da competição), da Liga Espanhola, da temporada e um dos maiores da história do clube. Aos 22 anos, pra deixar bem claro.
Acompanho futebol desde muito novo. Jogo, vejo, discuto. Sou apaixonado pelo esporte, e um belo exemplo da "pátria de chuteiras" de que tanto falam. Vi um pouquinho do Zico, algo mais do Maradona, Romário, Ronaldo gordo e Ronaldo bonitão, van Basten, Weah, Zidane e vários outros que deram nome aos meus jogadores de botão. Mas nenhum, absolutamente nenhum, conseguiu me encantar como Messi.
Eu poderia ficar com a definição de alguns narradores das rádios catalães, como "gênio maravilhoso" ou "é de fazer chorar". Mas a melhor é do técnico do Arsenal, Arsène Wenger: "jogador de Playstation". Ou posso fazer o mais natural, e não defini-lo. Porque é impossível. Passei todo o jogo tentando encontrar o que dizer (e vale lembrar que sou redator), mas sinceramente não soube. Não sei. Porque sua forma de jogar, como faz tudo parecer fácil e curte cada jogada que faz, e busca sempre mais, é impressionante. Encantadora. Mágica. _________________ (sua vez de adjetivar).
Acreditem, me dói dizer isso. Mas um jogador como Messi merece ganhar uma Copa do Mundo. Merece ser decisivo pra seleção do seu país - Argentina, infelizmente. Merece ser coroado melhor do mundo outra vez. E, mantendo esse nível por mais alguns anos, merece ser o atleta do século XXI.
Sei que ainda é cedo, estamos em 2010. Mas ninguém chegará aos 1200 e tantos gols do Pelé, mesmo. Nem a mil, na verdade, por mais que o Romário force a barra na contagem. E, se o futebol é outro, influencia no estilo dos profissionais e blablabla, Messi é o símbolo do que pode ser o jogador desta época. E das que vieram algum tempo atrás, e das que estão por vir. Messi é completo, joga para o time e dá show ao mesmo tempo, tudo isso enquanto resolve partida após partida.
Messi é único, craque e já faz parte da história do futebol. E me sinto honrado em ter o privilégio de estar em Barcelona vendo o que não vai se repetir tão cedo.
domingo, 4 de abril de 2010
Chocolate metafórico
Essa semana é santa na Espanha. Literalmente - são sete dias festivos, em que muita gente não trabalha. Pelo menos em publicidade, o que me surpreendeu consideravelmente. E, se contarmos com a segunda-feira algo santa catalã (não sei como eles chamam, sei que aqui ninguém trabalha), são oito dias seguidos de descanso.
A não ser que você não tenha um trabalho. Aí, sua Semana Santa é como outra qualquer: pensando em formas de arrumar emprego, dando conta - ou não - dos seus afazeres domésticos e ficando mais tempo em casa do que gostaria, pra não gastar uma grana inexistente e bagunçar suas contas.
Longe da família, namorada, amigos, praia e troca de tiros em Copacabana, tinha a forte sensação de que a Páscoa passaria em branco. Até que...
"Se essa bola foi na direção do gol e ninguém evitou que ela entrasse, então foi gol. A não ser que o juiz tenha anulado. Ou não.", diria nosso querido narrador-filósofo.
O pai de um amigo é sócio do Barça e tem carnê pra ir aos jogos. Mas não poderia ver o jogo contra o Athletic ontem. Seu filho (meu amigo) poderia ir no seu lugar, mas resolveu ir ao cine com a namorada. Na cadeia alimentar futebolística do ingresso que sobraria, eu era o predador da terceira escala.
Resultado um: fui ao Camp Nou de graça (outra vez). E o Barça, talvez prevendo que eu não ganharia nem um mísero ovinho, também resolveu me dar um presente. Resultado dois: chocolate. 4 x 1 com dois belos gols do Bojan e um do menino Messi, retorno blaugrana à liderança e pressão nas meninas de branco.
Valeu o sábado. E compensou meu domingo em casa, mais sozinho que botafoguense no Engenhão. Se me serve de consolo, não tem retardado na TV. Bom, talvez tenha. Mas eu não vou procurar saber.
E, agora, tô com a maior vontade de comer chocolate...
ps: se o botafogo nunca lota o Engenhão, por que não mudar o nome do estádio pra Fazendinha? Ou então, transferir todos os jogos oficiais do "time" pra um campo de grama sintética na Barra? Sempre rola churrasco nesses lugares, pelo menos daria mais público.
A não ser que você não tenha um trabalho. Aí, sua Semana Santa é como outra qualquer: pensando em formas de arrumar emprego, dando conta - ou não - dos seus afazeres domésticos e ficando mais tempo em casa do que gostaria, pra não gastar uma grana inexistente e bagunçar suas contas.
Longe da família, namorada, amigos, praia e troca de tiros em Copacabana, tinha a forte sensação de que a Páscoa passaria em branco. Até que...
"Se essa bola foi na direção do gol e ninguém evitou que ela entrasse, então foi gol. A não ser que o juiz tenha anulado. Ou não.", diria nosso querido narrador-filósofo.
O pai de um amigo é sócio do Barça e tem carnê pra ir aos jogos. Mas não poderia ver o jogo contra o Athletic ontem. Seu filho (meu amigo) poderia ir no seu lugar, mas resolveu ir ao cine com a namorada. Na cadeia alimentar futebolística do ingresso que sobraria, eu era o predador da terceira escala.
Resultado um: fui ao Camp Nou de graça (outra vez). E o Barça, talvez prevendo que eu não ganharia nem um mísero ovinho, também resolveu me dar um presente. Resultado dois: chocolate. 4 x 1 com dois belos gols do Bojan e um do menino Messi, retorno blaugrana à liderança e pressão nas meninas de branco.
Valeu o sábado. E compensou meu domingo em casa, mais sozinho que botafoguense no Engenhão. Se me serve de consolo, não tem retardado na TV. Bom, talvez tenha. Mas eu não vou procurar saber.
E, agora, tô com a maior vontade de comer chocolate...
ps: se o botafogo nunca lota o Engenhão, por que não mudar o nome do estádio pra Fazendinha? Ou então, transferir todos os jogos oficiais do "time" pra um campo de grama sintética na Barra? Sempre rola churrasco nesses lugares, pelo menos daria mais público.
quarta-feira, 31 de março de 2010
"Tráfego de neurônios"
Finalmente, meu cérebro começa a honrar o silogan deste blog outra vez. E o melhor: não só "via www".
terça-feira, 30 de março de 2010
"Uno, grande, eterno, antimadridista" e freguês
Domingo foi dia de clássico... em Madrid. Atlético x Real, a rivalidade da capital à flor da pele. Algo que não se reflete na posição dos times na tabela, ou no investimento, ou no marketing, ou...
Como todo culé (torcedor do Barça), quero que o Real afunde nas próprias fanfarronices e suma do mapa. Assim, fui assistir ao jogo num bar da peña (torcida) do Atlético. Pequenininho, como a torcida. Mas todo empipadinho, como a torcida. Milhares de faixas, bandeiras, fotos, reportagens, e até uma baratinha passeando na parede, pra me recordar o bom e velho pé-sujo carioca. Vale registrar que foi a primeira barata que vi em cinco meses e meio aqui. Quase acredito que essa é a mascote do bar, como diziam.
Eles realmente são "antimadridistas", como fala o título deste texto - e como estava em uma das bandeiras. Xingamentos, piadas e gritaria eterna contra os blancos. E ainda saímos na frente! Mas, tal qual o Vasco diante do Flamengo (ou o Fluminense, ou o botafogo - com minúsculas, mesmo, como sempre), o pobre Atlético é freguês. Foi pro intervalo com 1x0 e bastaram uns 15 minutos da segunda parte pra levar 3 gols. Resultado: perderam e deixaram o Real junto do Barça, na liderança. O clássico do dia 10 promete incendiar o inferno.
---
E, aproveitando o gancho do futebol, Armando Nogueira morreu. Admito que nunca fui fã dele (na verdade, achava um saco), mas é uma pena que se vá. Porque dificilmente dois jornalistas esportivos serão enterrados no mesmo ano - no bom sentido. O que quer dizer que ele fica.
Não desejo a morte ao "homem da palavra fácil". Mas é que a palavra dele fica mais difícil a cada dia. E não basta estar longe, tenho que sofrer com seus comentários em absolutamente todos os jogos do Flamengo, que sempre escuto na Rádio Globo. Isso é propaganda enganosa, e nem processar o Sistema Globo de Rádio eu posso. Me sinto castigado no exílio.
O Armando Nogueira era incrivelmente chato, com suas poesias tediosas sobre temas que já estávamos cansados de ouvir. Mas o Luizinho comenta com um Aurélio na mão - provavelmente a segunda edição dele. E, por não entender muito bem como funciona esse negócio de tecnologia (quando ele começou, a rádio era literalmente ao vivo, com duas pessoas com cabos de vassoura na mão, falando de dentro de uma caixa de papelão), demora a se entender com essa coisa de microfone, dinâmica etc. Assim que uma frase tão simples como "o Dodô não sabe bater pênalti" demora uns três minutos pra ser completada - isso quando um repórter não o interrompe, e o narrador aproveita pra falar alguma coisa. Qualquer coisa.
Bom, fato é que o Cid Moreira continua firme e forte como azarão em todos os bolões de possíveis presuntos. O prêmio pela cabeça dele vai pagar mais que Mega-Sena acumulada. Talvez, tanto quanto 10% de uma obra pública qualquer de cidade do interior do Brasil.
Como todo culé (torcedor do Barça), quero que o Real afunde nas próprias fanfarronices e suma do mapa. Assim, fui assistir ao jogo num bar da peña (torcida) do Atlético. Pequenininho, como a torcida. Mas todo empipadinho, como a torcida. Milhares de faixas, bandeiras, fotos, reportagens, e até uma baratinha passeando na parede, pra me recordar o bom e velho pé-sujo carioca. Vale registrar que foi a primeira barata que vi em cinco meses e meio aqui. Quase acredito que essa é a mascote do bar, como diziam.
Eles realmente são "antimadridistas", como fala o título deste texto - e como estava em uma das bandeiras. Xingamentos, piadas e gritaria eterna contra os blancos. E ainda saímos na frente! Mas, tal qual o Vasco diante do Flamengo (ou o Fluminense, ou o botafogo - com minúsculas, mesmo, como sempre), o pobre Atlético é freguês. Foi pro intervalo com 1x0 e bastaram uns 15 minutos da segunda parte pra levar 3 gols. Resultado: perderam e deixaram o Real junto do Barça, na liderança. O clássico do dia 10 promete incendiar o inferno.
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E, aproveitando o gancho do futebol, Armando Nogueira morreu. Admito que nunca fui fã dele (na verdade, achava um saco), mas é uma pena que se vá. Porque dificilmente dois jornalistas esportivos serão enterrados no mesmo ano - no bom sentido. O que quer dizer que ele fica.
Não desejo a morte ao "homem da palavra fácil". Mas é que a palavra dele fica mais difícil a cada dia. E não basta estar longe, tenho que sofrer com seus comentários em absolutamente todos os jogos do Flamengo, que sempre escuto na Rádio Globo. Isso é propaganda enganosa, e nem processar o Sistema Globo de Rádio eu posso. Me sinto castigado no exílio.
O Armando Nogueira era incrivelmente chato, com suas poesias tediosas sobre temas que já estávamos cansados de ouvir. Mas o Luizinho comenta com um Aurélio na mão - provavelmente a segunda edição dele. E, por não entender muito bem como funciona esse negócio de tecnologia (quando ele começou, a rádio era literalmente ao vivo, com duas pessoas com cabos de vassoura na mão, falando de dentro de uma caixa de papelão), demora a se entender com essa coisa de microfone, dinâmica etc. Assim que uma frase tão simples como "o Dodô não sabe bater pênalti" demora uns três minutos pra ser completada - isso quando um repórter não o interrompe, e o narrador aproveita pra falar alguma coisa. Qualquer coisa.
Bom, fato é que o Cid Moreira continua firme e forte como azarão em todos os bolões de possíveis presuntos. O prêmio pela cabeça dele vai pagar mais que Mega-Sena acumulada. Talvez, tanto quanto 10% de uma obra pública qualquer de cidade do interior do Brasil.
domingo, 28 de março de 2010
"... no túnel do tempo"
São 5h e ainda estou acordado. É verdade que hoje adiantamos o relógio em uma hora, mas só isso não justificaria eu estar escrevendo. Tampouco posso resumir a volta da minha insônia ao fuso horário - depois de mais de cinco meses em Barcelona, seria algo tão factível quanto o Barrichello dizer que perdeu (mais) uma corrida porque está se acostumando à forma de conduzir da F1.
Sinceramente, tenho sentido saudades do Brasil nas últimas semanas. Mais do que das fronteiras imaginárias que limitam nosso país e não acredito muito, mas sim de tudo o que está contido nelas. A milionésima crise mental que me assola me faz pensar em tudo o que tenho, ou creio que ainda tenho, na minha querida terra.
Nesse momento os vazios são mais vazios, o silêncio grita ainda mais alto, o skype que não toca me deixa mais mudo, o emprego que não tenho aponta o dedo com mais convicção. Aquela ligação besta de cinco minutos pra um amigo faz tanta falta quanto feijão com arroz, a pipoca do cinema me faz salivar, um chope com os que ficaram é um porre de tristeza. E até a felicidade que deveria sentir em pensar em espanhol antes do português na hora de escrever este text me parece uma enorme babaquice.
Pois calhou de eu entrar nos quilométricos túneis do metrô de Barna hoje à noite, indo ver o jogo do Barça, e sentir um pouco de nostalgia extra. No caminho para Joanic (linha 4, amarela) - também conhecido como corredor polonês - havia um cara com toda a pinta de gringo, tocando teclado. A música? Essa! Pra ser sincero, estava bem bosta. Mas foi engraçado ver duas mulheres passando pelo cara e rebolando de leve, brincando com ele - e ver como ele errava as notas depois, e demorava a se reencontrar.
Não dei dinheiro, tanto por estar estragando minhas belas memórias como porque, se fosse pra ajudar alguém, seria um brasileiro. Muy bien, eis que desço um par de escadas e escuto "hoje à tarde a Ponte engarrafou, e eu fiquei a pé...". O sotaque era inconfundível: brasileiro!
Passei, encontrei um euro na carteira e, mesmo correndo o risco de inflacionar o mercado, deixei a moeda no chapéu estilo quipá-baiano-da-vovó de um tiozinho com dread. Sem pedir troco. Ele pára, me olha e diz "muy amable". Achei legal e respondi "tá maneiro, brasileiro, você merece". Eis que ele abre um sorriso e, mal eu viro e volto ao meu caminho, ele manda "então, tá". E me sai com isso aqui. Com uma voz bem melhor que a do papai da Bossa Nova.
Admito que o dia não foi exatamente como esperava, depois de me levantar com boas sensações e um sorriso enorme no rosto. Mas isso me fez um bem como poucas coisas - inclusive as que esperava - teriam conseguido. Por alguns momentos, isso aqui (ô, ô) foi um pouquinho de Brasil (iá, iá).
Sim, com saudade e sentindo muito algumas coisas. Mas, sim, feliz.
Sinceramente, tenho sentido saudades do Brasil nas últimas semanas. Mais do que das fronteiras imaginárias que limitam nosso país e não acredito muito, mas sim de tudo o que está contido nelas. A milionésima crise mental que me assola me faz pensar em tudo o que tenho, ou creio que ainda tenho, na minha querida terra.
Nesse momento os vazios são mais vazios, o silêncio grita ainda mais alto, o skype que não toca me deixa mais mudo, o emprego que não tenho aponta o dedo com mais convicção. Aquela ligação besta de cinco minutos pra um amigo faz tanta falta quanto feijão com arroz, a pipoca do cinema me faz salivar, um chope com os que ficaram é um porre de tristeza. E até a felicidade que deveria sentir em pensar em espanhol antes do português na hora de escrever este text me parece uma enorme babaquice.
Pois calhou de eu entrar nos quilométricos túneis do metrô de Barna hoje à noite, indo ver o jogo do Barça, e sentir um pouco de nostalgia extra. No caminho para Joanic (linha 4, amarela) - também conhecido como corredor polonês - havia um cara com toda a pinta de gringo, tocando teclado. A música? Essa! Pra ser sincero, estava bem bosta. Mas foi engraçado ver duas mulheres passando pelo cara e rebolando de leve, brincando com ele - e ver como ele errava as notas depois, e demorava a se reencontrar.
Não dei dinheiro, tanto por estar estragando minhas belas memórias como porque, se fosse pra ajudar alguém, seria um brasileiro. Muy bien, eis que desço um par de escadas e escuto "hoje à tarde a Ponte engarrafou, e eu fiquei a pé...". O sotaque era inconfundível: brasileiro!
Passei, encontrei um euro na carteira e, mesmo correndo o risco de inflacionar o mercado, deixei a moeda no chapéu estilo quipá-baiano-da-vovó de um tiozinho com dread. Sem pedir troco. Ele pára, me olha e diz "muy amable". Achei legal e respondi "tá maneiro, brasileiro, você merece". Eis que ele abre um sorriso e, mal eu viro e volto ao meu caminho, ele manda "então, tá". E me sai com isso aqui. Com uma voz bem melhor que a do papai da Bossa Nova.
Admito que o dia não foi exatamente como esperava, depois de me levantar com boas sensações e um sorriso enorme no rosto. Mas isso me fez um bem como poucas coisas - inclusive as que esperava - teriam conseguido. Por alguns momentos, isso aqui (ô, ô) foi um pouquinho de Brasil (iá, iá).
Sim, com saudade e sentindo muito algumas coisas. Mas, sim, feliz.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Lamentável
Começo meu texto com o outro, do qual quero falar. E lembrando a todos que sou "acima de tudo, rubro-negro". Só pra deixar claro que não é por isso que escrevo. Paciência, já, já vocês vão entender tudo.
"O Flamengo parece um antro de marginais
seg, 15/03/10, por Marco D'Eca
O centro-avante Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado, protegido pela mídia flamenguista e financiado por quem quer vê-lo na Copa.
Wagner Love é marginal mesmo - no sentido social do termo - destes que participam de festas com traficantes e acham normal a convivência.
O goleiro Bruno se revela um marido brutamontes, agressor de mulher e farrista inveterado, com as declarações bisonhas que deu à mídia.
Além dele, vários jogadores rubro-negros participam de farras e bebedeiras antes, depois e até durante os jogos do Flamengo.
Nenhum outro time de futebol no Brasil abriga tanta gente desajustada quanto o Flamengo - marginais no sentido amplo da palavra, aqueles que vivem, por exclusão ou opção, à margem da sociedade organizada e civilizada.
Nenhum outro time registra tantos jogadores com problemas sociais quanto o Flamengo.
Este é o Flamengo, parece um antro de marginais.
Movidos, no mínimo, pela ausência de bom senso, os donos da Choppana, em São Luís, resolveram abrir a casa para acompanhamento comaptrilhado de torcida durante os jogos.
Vascaínos disseram não à idéia estapafúrdia e procuraram outro local para se concentrar e fazer a festa do futebol.
Porque sabem ganhar e perder com a mesma educação.
Não dá para compartilhar o mesmo espaço em ambientes públicos com flamengustas - jogadores ou torcedores.
É pedir por agressão...
Texto modificado às 16h55 por conter agressões injustas e desnecessárias a dirigentes e a torcida do Flamengo. Mantêm-se a opinião apenas em relação aos jogadores. a Torcida, minhas desculpas.
Marco Aurélio D'Eça
marcoaureliodeca@mirante.com.br"
Tive o trabalho de transcrever o texto tal qual estava na página da globo.com por alguns motivos. Um, porque me recuso a dar qualquer chance de tráfego a uma página com esse conteúdo - quem quer saber exatamente do que se trata se satisfaz aqui. Dois, porque quero ser honesto com ele para quando começar a bater no seu texto. Três, para que vejam que o infeliz é incapaz de escrever corretamente, e tem a audácia de falar alguma coisa de alguém.
Acredito que não faria falta falar isso, mas ele é vascaíno. Não só pelo elogio à torcida, mas por escrever com tamanha dor de corno numa segunda-feira pós-derrota. Não apenas pós-derrota, mas pós-cagadas do seu (teoricamente) maior astro. Que, não custa nada lembrar, ficou suspenso por um bom tempo. E, até onde eu ser, ser atleta de Cristo não dá gancho em ninguém...
O queridão também demonstrou uma falta de memória incrível, se considerarmos seu últimoditador presidente, Eurico Miranda, que roubava renda dos próprios jogos e amordaçava imprensa, sócios e funcionários. Ou mesmo do Dinamite, que rezam as más línguas (repetindo palavras de amigos vascaínos) não é lá um primor de honestidade. Ah, sim, vale lembrar que ali está jogando o Carlos Alberto, e que seus últimos grandes ídolos foram Romário e Edmundo. Que batiam boca abertamente na imprensa, quando o Euricão deixava.
Também não custa nada relembrar o alinhamento de Eurico com o declaradamente pilantra Viana (se era com dois "n", o outro foi roubado). Quem conhece um mínimo de história do futebol carioca sabe da quantidade de falcatruas organizadas e levadas a cabo pelos dois.
Mas não quero falar dessas brechas, apesar de poder. Não quero revidar na torcida vascaína, por não ser necessário e por ter amigos (incluo pai, irmão e demais familiares em amigos) que torcem pelo clube. Muito menos vou ficar xingando o pobre coitado, exatamente por esse motivo: o tal Marco Aurélio é um coitado.
Um ser sem um mínimo de bom senso. E que, justamente pela falta dele, acabou expondo um preconceito lamentável que já deveria ter sido extinto há muito tempo. O país do futebol, que une ricos e pobres, letrados e analfabetos, pretos e brancos e toda a escala Pantone, não consegue se livrar de idéias absurdas e mesquinhas inventadas algum dia por algum idiota.
Chamar alguém de "cachaceiro marginal e descontrolado" é triste, porque alcoolismo é um problema de saúde. De "marginal mesmo - no sentido social do termo" é grave, uma acusação digna de ser provada - e passível de ser punida na falta de provas. "Farrista inveterado" pode até ser um elogio, dependendo da situação. Dizer que "jogadores participam de farras e bebedeiras até durante os jogos" mostra um absoluto desconhecimento do esporte.
E tudo isso em uma idéia pré-concebida - preconceituosa, vamos deixar mais claro - de que um clube de futebol reúne a toda essa gente é deplorável. Sim, o Flamengo é um time de massas. E entre 35 milhões de torcedores é provável que tenhamos bandidos entre nós. Assim como policiais, cientistas, médicos, advogados e até publicitários como eu. Assim como é normal que, devido à paixão de tanta gente, o sonho de todo aspirante a profissional (e profissional também) seja defender as cores do clube - o que aumenta a probabilidade de que alguém com problemas venha a jogar pela equipe.
A maioria esmagadora de brasileiros que pretende viver de jogar bola é a mesma que não tem muitas expectativas na vida, por falta de educação ou oportunidades. Como uma pequena parcela alcança o sonho de ser jogador, e uma ainda mais microscópica consegue viver disso, e um milionésimo dessa gente vive bem como que ganha, é claro que muitos virão de áreas pobres, e muitos voltarão para lá. E vitoriosos e "derrotados" manterão a amizade, o que é louvável. Mais do que o ganha-pão de alguns, que entram no mundo do crime. O que não faz com que os anos juntos sejam esquecidos. O que faz com que um jogador profissional seja visto no baile funk que freqüentava, ou no churrasco de um amigo bandido.
O preconceito exposto por um ser como o que escreveu o texto, compartilhado em muitos dos comentários que vinham abaixo, fatalmente será retransmitido às próximas gerações, mantendo o círculo vicioso de ignorância que impede nossa sociedade de evoluir. Também contribuirá, provavelmente, para que sigam existindo agressões verbais e físicas entre torcedores dos dois clubes (e de vários outros), que não se aceitarão ou dividirão espaço, como o próprio cita no final do seu texto. E, pior ainda, é reflexo de tantos outros preconceitos que estão escondidos numa capa bem rasa de muita gente, e só precisa de um arranhãozinho para abrir um rasgo e transbordar, espirrando em todo mundo. Coisa de cor, raça, gênero, opção sexual, idade, estudo, profissão etc.
Sinto muito, mas o Brasil não vai longe com gente assim. Porque, cedo ou tarde, essa visão curta vira uma barreira e bloqueia o caminho. Vira cegueira. E, em terra de cego, quem tem um olho fatalmente acaba se aproveitando. Basta ver o que passa no país há séculos, literalmente.
Voltando às idéias absurdas do texto do queridão (e estou sendo incrivelmente gentil chamando tudo aquilo de "idéias" e "texto"), é bom ressaltar que jogadores problemáticos estão espalhados por todos os clubes, basta uma lidinha rápida na página de esportes pra satisfazer a curiosidade e conseguir papo pra fofoca com os companheiros de resmungo. E torcida problemática se manifesta em cada canto do país, e fica a dica do jornal pra conseguir mais assunto.
Isso não é uma questão de camisa. É questão de educação. A mesma citada no texto desse tal de Marco Aurélio D'Eça, e que claramente falta na sua vida. E a desculpa que ele foi obrigado a acrescentar no final do seu texto, eu não aceito. É um remendo pra disfarçar sua opinião, que não mudou.
Eu tenho pena. Não dele, mas de quem é obrigado a conviver com tamanha boçalidade.
"O Flamengo parece um antro de marginais
seg, 15/03/10, por Marco D'Eca
O centro-avante Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado, protegido pela mídia flamenguista e financiado por quem quer vê-lo na Copa.
Wagner Love é marginal mesmo - no sentido social do termo - destes que participam de festas com traficantes e acham normal a convivência.
O goleiro Bruno se revela um marido brutamontes, agressor de mulher e farrista inveterado, com as declarações bisonhas que deu à mídia.
Além dele, vários jogadores rubro-negros participam de farras e bebedeiras antes, depois e até durante os jogos do Flamengo.
Nenhum outro time de futebol no Brasil abriga tanta gente desajustada quanto o Flamengo - marginais no sentido amplo da palavra, aqueles que vivem, por exclusão ou opção, à margem da sociedade organizada e civilizada.
Nenhum outro time registra tantos jogadores com problemas sociais quanto o Flamengo.
Este é o Flamengo, parece um antro de marginais.
Movidos, no mínimo, pela ausência de bom senso, os donos da Choppana, em São Luís, resolveram abrir a casa para acompanhamento comaptrilhado de torcida durante os jogos.
Vascaínos disseram não à idéia estapafúrdia e procuraram outro local para se concentrar e fazer a festa do futebol.
Porque sabem ganhar e perder com a mesma educação.
Não dá para compartilhar o mesmo espaço em ambientes públicos com flamengustas - jogadores ou torcedores.
É pedir por agressão...
Texto modificado às 16h55 por conter agressões injustas e desnecessárias a dirigentes e a torcida do Flamengo. Mantêm-se a opinião apenas em relação aos jogadores. a Torcida, minhas desculpas.
Marco Aurélio D'Eça
marcoaureliodeca@mirante.com.br"
Tive o trabalho de transcrever o texto tal qual estava na página da globo.com por alguns motivos. Um, porque me recuso a dar qualquer chance de tráfego a uma página com esse conteúdo - quem quer saber exatamente do que se trata se satisfaz aqui. Dois, porque quero ser honesto com ele para quando começar a bater no seu texto. Três, para que vejam que o infeliz é incapaz de escrever corretamente, e tem a audácia de falar alguma coisa de alguém.
Acredito que não faria falta falar isso, mas ele é vascaíno. Não só pelo elogio à torcida, mas por escrever com tamanha dor de corno numa segunda-feira pós-derrota. Não apenas pós-derrota, mas pós-cagadas do seu (teoricamente) maior astro. Que, não custa nada lembrar, ficou suspenso por um bom tempo. E, até onde eu ser, ser atleta de Cristo não dá gancho em ninguém...
O queridão também demonstrou uma falta de memória incrível, se considerarmos seu último
Também não custa nada relembrar o alinhamento de Eurico com o declaradamente pilantra Viana (se era com dois "n", o outro foi roubado). Quem conhece um mínimo de história do futebol carioca sabe da quantidade de falcatruas organizadas e levadas a cabo pelos dois.
Mas não quero falar dessas brechas, apesar de poder. Não quero revidar na torcida vascaína, por não ser necessário e por ter amigos (incluo pai, irmão e demais familiares em amigos) que torcem pelo clube. Muito menos vou ficar xingando o pobre coitado, exatamente por esse motivo: o tal Marco Aurélio é um coitado.
Um ser sem um mínimo de bom senso. E que, justamente pela falta dele, acabou expondo um preconceito lamentável que já deveria ter sido extinto há muito tempo. O país do futebol, que une ricos e pobres, letrados e analfabetos, pretos e brancos e toda a escala Pantone, não consegue se livrar de idéias absurdas e mesquinhas inventadas algum dia por algum idiota.
Chamar alguém de "cachaceiro marginal e descontrolado" é triste, porque alcoolismo é um problema de saúde. De "marginal mesmo - no sentido social do termo" é grave, uma acusação digna de ser provada - e passível de ser punida na falta de provas. "Farrista inveterado" pode até ser um elogio, dependendo da situação. Dizer que "jogadores participam de farras e bebedeiras até durante os jogos" mostra um absoluto desconhecimento do esporte.
E tudo isso em uma idéia pré-concebida - preconceituosa, vamos deixar mais claro - de que um clube de futebol reúne a toda essa gente é deplorável. Sim, o Flamengo é um time de massas. E entre 35 milhões de torcedores é provável que tenhamos bandidos entre nós. Assim como policiais, cientistas, médicos, advogados e até publicitários como eu. Assim como é normal que, devido à paixão de tanta gente, o sonho de todo aspirante a profissional (e profissional também) seja defender as cores do clube - o que aumenta a probabilidade de que alguém com problemas venha a jogar pela equipe.
A maioria esmagadora de brasileiros que pretende viver de jogar bola é a mesma que não tem muitas expectativas na vida, por falta de educação ou oportunidades. Como uma pequena parcela alcança o sonho de ser jogador, e uma ainda mais microscópica consegue viver disso, e um milionésimo dessa gente vive bem como que ganha, é claro que muitos virão de áreas pobres, e muitos voltarão para lá. E vitoriosos e "derrotados" manterão a amizade, o que é louvável. Mais do que o ganha-pão de alguns, que entram no mundo do crime. O que não faz com que os anos juntos sejam esquecidos. O que faz com que um jogador profissional seja visto no baile funk que freqüentava, ou no churrasco de um amigo bandido.
O preconceito exposto por um ser como o que escreveu o texto, compartilhado em muitos dos comentários que vinham abaixo, fatalmente será retransmitido às próximas gerações, mantendo o círculo vicioso de ignorância que impede nossa sociedade de evoluir. Também contribuirá, provavelmente, para que sigam existindo agressões verbais e físicas entre torcedores dos dois clubes (e de vários outros), que não se aceitarão ou dividirão espaço, como o próprio cita no final do seu texto. E, pior ainda, é reflexo de tantos outros preconceitos que estão escondidos numa capa bem rasa de muita gente, e só precisa de um arranhãozinho para abrir um rasgo e transbordar, espirrando em todo mundo. Coisa de cor, raça, gênero, opção sexual, idade, estudo, profissão etc.
Sinto muito, mas o Brasil não vai longe com gente assim. Porque, cedo ou tarde, essa visão curta vira uma barreira e bloqueia o caminho. Vira cegueira. E, em terra de cego, quem tem um olho fatalmente acaba se aproveitando. Basta ver o que passa no país há séculos, literalmente.
Voltando às idéias absurdas do texto do queridão (e estou sendo incrivelmente gentil chamando tudo aquilo de "idéias" e "texto"), é bom ressaltar que jogadores problemáticos estão espalhados por todos os clubes, basta uma lidinha rápida na página de esportes pra satisfazer a curiosidade e conseguir papo pra fofoca com os companheiros de resmungo. E torcida problemática se manifesta em cada canto do país, e fica a dica do jornal pra conseguir mais assunto.
Isso não é uma questão de camisa. É questão de educação. A mesma citada no texto desse tal de Marco Aurélio D'Eça, e que claramente falta na sua vida. E a desculpa que ele foi obrigado a acrescentar no final do seu texto, eu não aceito. É um remendo pra disfarçar sua opinião, que não mudou.
Eu tenho pena. Não dele, mas de quem é obrigado a conviver com tamanha boçalidade.
Emenda Ibsen
Depois do BBB, não se fala em outra coisa nos jornais brasileiros - ou cariocas, pelo menos. A famigerada "emenda Ibsen", que causa revolta, indignação, pânico e até um chororô bem suspeito e botafoguense (esse me pareceu um pleonasmo legal) no Cabralzinho.
Sim, considero uma emenda sem sentido e aproveitadora, que muda as regras do jogo após terem sido estipuladas. Tal qual as viradas de mesa que trouxeram o nensinho de volta à elite. Mas...
Bom, antes vale ressaltar que esta emenda tem toda a pinta (sendo gentil) de manobra política oportunista em ano de eleição. Além do mais, qual o sentido do Acre, por exemplo, receber dinheiro gerado no RJ ou ES? O que fez o Acre pra merecer esse dinheiro, forneceu mão-de-obra? Arriscou o meio-ambiente local? Atraiu empresas? Convenhamos, o Acre nem existe! Mas...
Outra coisa, ainda. Retirar dinheiro de onde ele foi gerado, e de forma relativamente ilegal (sendo gentil outra vez), abre precedentes para mudar as regras do jogo em qualquer situação e/ou assunto. O povo brasileiro já deve estar acostumado com isso, apesar de eu ter a nítida impressão de que a cada dois anos se esquece do que sofreu durante o período entre eleições. Mas...
Mas vamos ver a questão por outro lado. Não pelos políticos aproveitadores como o Ibsen Pinheiro, que pretende marcar pontos no seu estado (RS) e pro seu partido (PMDB) às custas da legalidade, e muito perto das urnas. Tampouco pela (minha) crença de que a redistribuição de royalties é, acima de qualquer coisa, redistribuição de verbas pro bolso de muita gente. Roubalheira. Pilantragem. Mamata. Picaretagem. Como preferirem, não faltam palavras pra definir o que é isso.
Acontece que ninguém (pelo menos que eu tenha visto até agora) vê o assunto por outro ângulo importante que ele também representa. Essa guerra política mostra a dependência que temos, o Rio e todo o país, do petróleo. Uma dependência perigosa, que pode se transformar em um gordo e moribundo cavalo manco dentro de algum tempo. Sinto lembrar (na verdade, não sinto, não) que esta é uma energia não-renovável, e que muitos outros tipos estão sendo estudados e desenvolvidos. E, cedo ou tarde, tomarão seu lugar.
E tem um ponto ainda mais importante e triste nisso tudo. Como pode um país do tamanho do Brasil, com a quantidade de recursos e opções que tem o Brasil, lutar à morte pelo dinheiro do petróleo como se fosse a única fonte de renda? Como pode um Estado como o Rio dizer que não terá condições de cumprir com Mundial e Olimpíadas sem isso? E produtos industrializados? E serviços? E turismo? E tc?
Barcelona deu um giro de 180 graus (360 é voltar pro mesmo lugar, crianças, aprendam de uma vez por todas) para - e com - as Olimpíadas sem uma gota de petróleo. "Ah, mas você está falando da Espanha!". Sim, a prima pobre da Europa junto com Portugal. Vale citar também que os EUA poupam suas reservas de petróleo há décadas, e se desenvolveram em várias outras frentes. "Ah, mas você está falando da primeira potência mundial!". Sim, mas além de não ter nascido assim (na verdade, nasceu como privada da Inglatera), demonstra que existem opções. E ainda poderia citar tantos outros países europeus, Austrália, Japão...
Isso só reforça como não exploramos bem nossos inúmeros recursos. Como não utilizamos o dinheiro que ganhamos para corrigir problemas graves de moradia, educação, saúde e ao menos reduzir a desigualdade social. Como deixamos às moscas cidades com imenso potencial turístico, que acabam por receber muito menos gente - e menos divisas, conseqüentemente. Como nos baseamos em commodities, produtos de baixo valor no mercado. Investimos percentuais ridículos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ficando pra trás nas disputas que realmente interessas. E por aí vai. A lista é enorme, mas vocês não precisam pensar muito pra completá-la por mim, não é mesmo?
Vamos linchar o Ibsen? Claro. Vamos queimar vivos os políticos malandros que jogam petróleo na fogueira às vésperas das eleições e teimam em se aproveitar que qualquer brecha na lei, mesmo que seja preciso criá-las, prejudicando uma vez mais e sempre a população? Lógico. Mas vamos discutir também essa nossa dependência absurda. Vamos pensar em alternativas para o dinheiro que entra, e em novas formas de fazer com que ele chegue. E não só para Rio de Janeiro, Espírito Santo ou Rio Grande do Sul, mas para os outros 2e estados da Federação também. Vamos deixar de ser hipócritas, e de fazer vista grossa para algo cada vez mais claro.
O petróleo é nosso. Mas, se continuarmos assim, não vamos ter muita coisa além dele.
Sim, considero uma emenda sem sentido e aproveitadora, que muda as regras do jogo após terem sido estipuladas. Tal qual as viradas de mesa que trouxeram o nensinho de volta à elite. Mas...
Bom, antes vale ressaltar que esta emenda tem toda a pinta (sendo gentil) de manobra política oportunista em ano de eleição. Além do mais, qual o sentido do Acre, por exemplo, receber dinheiro gerado no RJ ou ES? O que fez o Acre pra merecer esse dinheiro, forneceu mão-de-obra? Arriscou o meio-ambiente local? Atraiu empresas? Convenhamos, o Acre nem existe! Mas...
Outra coisa, ainda. Retirar dinheiro de onde ele foi gerado, e de forma relativamente ilegal (sendo gentil outra vez), abre precedentes para mudar as regras do jogo em qualquer situação e/ou assunto. O povo brasileiro já deve estar acostumado com isso, apesar de eu ter a nítida impressão de que a cada dois anos se esquece do que sofreu durante o período entre eleições. Mas...
Mas vamos ver a questão por outro lado. Não pelos políticos aproveitadores como o Ibsen Pinheiro, que pretende marcar pontos no seu estado (RS) e pro seu partido (PMDB) às custas da legalidade, e muito perto das urnas. Tampouco pela (minha) crença de que a redistribuição de royalties é, acima de qualquer coisa, redistribuição de verbas pro bolso de muita gente. Roubalheira. Pilantragem. Mamata. Picaretagem. Como preferirem, não faltam palavras pra definir o que é isso.
Acontece que ninguém (pelo menos que eu tenha visto até agora) vê o assunto por outro ângulo importante que ele também representa. Essa guerra política mostra a dependência que temos, o Rio e todo o país, do petróleo. Uma dependência perigosa, que pode se transformar em um gordo e moribundo cavalo manco dentro de algum tempo. Sinto lembrar (na verdade, não sinto, não) que esta é uma energia não-renovável, e que muitos outros tipos estão sendo estudados e desenvolvidos. E, cedo ou tarde, tomarão seu lugar.
E tem um ponto ainda mais importante e triste nisso tudo. Como pode um país do tamanho do Brasil, com a quantidade de recursos e opções que tem o Brasil, lutar à morte pelo dinheiro do petróleo como se fosse a única fonte de renda? Como pode um Estado como o Rio dizer que não terá condições de cumprir com Mundial e Olimpíadas sem isso? E produtos industrializados? E serviços? E turismo? E tc?
Barcelona deu um giro de 180 graus (360 é voltar pro mesmo lugar, crianças, aprendam de uma vez por todas) para - e com - as Olimpíadas sem uma gota de petróleo. "Ah, mas você está falando da Espanha!". Sim, a prima pobre da Europa junto com Portugal. Vale citar também que os EUA poupam suas reservas de petróleo há décadas, e se desenvolveram em várias outras frentes. "Ah, mas você está falando da primeira potência mundial!". Sim, mas além de não ter nascido assim (na verdade, nasceu como privada da Inglatera), demonstra que existem opções. E ainda poderia citar tantos outros países europeus, Austrália, Japão...
Isso só reforça como não exploramos bem nossos inúmeros recursos. Como não utilizamos o dinheiro que ganhamos para corrigir problemas graves de moradia, educação, saúde e ao menos reduzir a desigualdade social. Como deixamos às moscas cidades com imenso potencial turístico, que acabam por receber muito menos gente - e menos divisas, conseqüentemente. Como nos baseamos em commodities, produtos de baixo valor no mercado. Investimos percentuais ridículos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico, ficando pra trás nas disputas que realmente interessas. E por aí vai. A lista é enorme, mas vocês não precisam pensar muito pra completá-la por mim, não é mesmo?
Vamos linchar o Ibsen? Claro. Vamos queimar vivos os políticos malandros que jogam petróleo na fogueira às vésperas das eleições e teimam em se aproveitar que qualquer brecha na lei, mesmo que seja preciso criá-las, prejudicando uma vez mais e sempre a população? Lógico. Mas vamos discutir também essa nossa dependência absurda. Vamos pensar em alternativas para o dinheiro que entra, e em novas formas de fazer com que ele chegue. E não só para Rio de Janeiro, Espírito Santo ou Rio Grande do Sul, mas para os outros 2e estados da Federação também. Vamos deixar de ser hipócritas, e de fazer vista grossa para algo cada vez mais claro.
O petróleo é nosso. Mas, se continuarmos assim, não vamos ter muita coisa além dele.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Que país é esse?
Estou pra contar isso há duas semanas, mas o blogger não me deixava. Pois aí vai a história do ano - até agora, e das que se podem contar.
Estava caminhando pelo centro de Barna num domingo, com meu amigo-companheiro de grupo do mestrado Javi, el sevillano. Daí vem um jovem, para do nosso lado e:
"Ei! Que país é esse?"
"Ahn?!"
"Em que país a gente tá?"
"Espanha."
"Não é Colômbia?"
"Não, cara, é Espanha."
"Estão seguros?"
"Seguro, cara."
"Ai! Aqui não é a Colômbia! Ah!!!"
E se vai repetindo essa última frase, enquanto olhamos pra ele um pouco espantados e rindo muito. Porque a figura pode não estar na Colômbia, mas seu nariz com certeza não está na Espanha.
Estava caminhando pelo centro de Barna num domingo, com meu amigo-companheiro de grupo do mestrado Javi, el sevillano. Daí vem um jovem, para do nosso lado e:
"Ei! Que país é esse?"
"Ahn?!"
"Em que país a gente tá?"
"Espanha."
"Não é Colômbia?"
"Não, cara, é Espanha."
"Estão seguros?"
"Seguro, cara."
"Ai! Aqui não é a Colômbia! Ah!!!"
E se vai repetindo essa última frase, enquanto olhamos pra ele um pouco espantados e rindo muito. Porque a figura pode não estar na Colômbia, mas seu nariz com certeza não está na Espanha.
segunda-feira, 8 de março de 2010
Palamós, Girona, Catalunya, España (ou não)
Quer viajar barato? Pergunte-me como.
E a resposta será "com amigos legais que façam aniversário quando você tem disponibilidade de dias e horas e que resolvam passar um dia na casa de veraneio da família". Pois foi exatamente o que aconteceu nesse fim-de-semana. Por isso, no capítulo de hoje da Ponte Elétrica...
Palamós
Sorrio, eu estive em Palamós.
Pré-história
Alexandre acorda às 8h de sexta e vai pra classe de catalão. Está de volta 13h, almoça e vai pro mestrado às 15h30. Tem aula de 17h às 21h e vai pra casa do aniversariante, Alex (o mesmo da foto de umas postagens atrás). Sai às 5h30, vai dormir às 6h - na casa de um casal de amigos - e levanta às 8h para outro dia de mestrado. Tem aula de 9h às 14h, sai e pega a estrada direto para a casa dos pais do seu companheiro de piso, que fazem uma (outra) calçotada. O almoço pesa, mas ele sai de Premià del Mar - onde vivem - às 18h e pega a estrada outra vez, para Palamós.
Período contemporâneo
Alexandre chega às 20h, a tempo de ver o jogo do Barça. Que empata, e cede a liderança pro (maldito) Madrid pelo saldo de gols. Nesse meio tempo chega o dono da casa, sua namorada e mais um casal de amigos, e vamos jantar. E, a partir daqui, posso descrever tudo pra vocês.
Palamós é um povoado de praia lá pras bandas de Girona, cidade distante 1h40 de Barcelona, onde fica um dos aeroportos grandes da província. É pequenininho, tem cara de cidadezinha da costa nordestina com o turismo como única vocação. Mas não decepciona, porque sabe como explorá-lo.
As ruas são limpas e tudo é bem sinalizado. A praia é limpíssima (vi no dia seguinte, porque à noite é escuro - momento Cléber Machado). Os restaurantes são excelentes, tanto que vão ganhar um parágrafo ou dois à parte. Não tem muito o que fazer à noite, ao menos no inverno. Mas isso não importa quando seu plano é viajar pra casa de um amigo em vez de um hostel em Mikonos.
Coincidentemente, todos os (dois) restaurantes que fomos ficam na carrer Mauri Vilar. Sábado à noite, Can Camí (acho que esse é o nome), um "serve-serve-se" de tapas - que ficam em cima da barra do bar. Você pega, come e deixa os palitinhos que vêm cravados nela no seu prato. Na hora de pagar, contam os palitinhos e te cobram. Existem grandes chances de você topar ali com uma galera mais velha bailando flamenco de forma no mínimo esquisita (talvez por estarem meio borrachos). Além do mais, o local é tomado de desenhos pornográficos na parede. Charmosão.
Já o almoço de domingo foi num local todo bonitinho, com pratos regados e atendimento personalizado (meia hora depois de chegarmos, só tinha a gente) por 15 € o menú. Ô, 15 €! Se pensar que um Burger King te sai à uns 8 €, "tá delícia, tá gostoso". Há muito tempo um espaguete à bolonhesa e um peito de frango com molho alioli não descia tão bem.
Pra fechar o domingão com chave de ouro (apesar de ter vindo antes do almoço), fizemos uma trilha por Castell, que, tal qual a África do Sul, fica logo ali. Pena não ter levado a câmera, porque teria feito umas fotos lindas do lugar. Que é lindo. Uma água transparente estilo filme de 007 que você vê ainda melhor quando sobe o morrinho que fica do lado. Tipo o costão de Itacoatiara, só que menos costão e mais morrinho. Aprendi a encontrar aspárragos, vi um cachorro-vaca e a casa de Dalí - que não sei se era realmente dele, mas tem uma porta em diagonal pra entrar e se parece muito um estúdio, mas sem banheiro (talvez ele levasse a história de "cagar no mato" ao pé da letra). Ah, e também aprendi um pouco sobre a história do lugar, já que em cima do morro tem um sítio arqueológico e eles explicam muita coisa bacana numa daquelas placas turísticas gigantes. En català, cla. Espanhol, em segundo plano.
Pois fica a dica. Se você vier morar em Barcelona ou mochilar por mais do que aqueles três dias de turismo Gaudí-Ramblas-Raval-Gótico, comece a procurar uma pessoa legal que te convide pra um final de semana em Palamós, Girona, Catalunya. Ou, se eu não estiver mais aqui, me pague um bilhete de avião que te levo com o maior prazer.
Adendo: Palamós, o time da cidade, tomou de seis do time daqui de El Prat hoje. Visc al Prat! Visc a Catalunya!
E a resposta será "com amigos legais que façam aniversário quando você tem disponibilidade de dias e horas e que resolvam passar um dia na casa de veraneio da família". Pois foi exatamente o que aconteceu nesse fim-de-semana. Por isso, no capítulo de hoje da Ponte Elétrica...
Palamós
Sorrio, eu estive em Palamós.
Pré-história
Alexandre acorda às 8h de sexta e vai pra classe de catalão. Está de volta 13h, almoça e vai pro mestrado às 15h30. Tem aula de 17h às 21h e vai pra casa do aniversariante, Alex (o mesmo da foto de umas postagens atrás). Sai às 5h30, vai dormir às 6h - na casa de um casal de amigos - e levanta às 8h para outro dia de mestrado. Tem aula de 9h às 14h, sai e pega a estrada direto para a casa dos pais do seu companheiro de piso, que fazem uma (outra) calçotada. O almoço pesa, mas ele sai de Premià del Mar - onde vivem - às 18h e pega a estrada outra vez, para Palamós.
Período contemporâneo
Alexandre chega às 20h, a tempo de ver o jogo do Barça. Que empata, e cede a liderança pro (maldito) Madrid pelo saldo de gols. Nesse meio tempo chega o dono da casa, sua namorada e mais um casal de amigos, e vamos jantar. E, a partir daqui, posso descrever tudo pra vocês.
Palamós é um povoado de praia lá pras bandas de Girona, cidade distante 1h40 de Barcelona, onde fica um dos aeroportos grandes da província. É pequenininho, tem cara de cidadezinha da costa nordestina com o turismo como única vocação. Mas não decepciona, porque sabe como explorá-lo.
As ruas são limpas e tudo é bem sinalizado. A praia é limpíssima (vi no dia seguinte, porque à noite é escuro - momento Cléber Machado). Os restaurantes são excelentes, tanto que vão ganhar um parágrafo ou dois à parte. Não tem muito o que fazer à noite, ao menos no inverno. Mas isso não importa quando seu plano é viajar pra casa de um amigo em vez de um hostel em Mikonos.
Coincidentemente, todos os (dois) restaurantes que fomos ficam na carrer Mauri Vilar. Sábado à noite, Can Camí (acho que esse é o nome), um "serve-serve-se" de tapas - que ficam em cima da barra do bar. Você pega, come e deixa os palitinhos que vêm cravados nela no seu prato. Na hora de pagar, contam os palitinhos e te cobram. Existem grandes chances de você topar ali com uma galera mais velha bailando flamenco de forma no mínimo esquisita (talvez por estarem meio borrachos). Além do mais, o local é tomado de desenhos pornográficos na parede. Charmosão.
Já o almoço de domingo foi num local todo bonitinho, com pratos regados e atendimento personalizado (meia hora depois de chegarmos, só tinha a gente) por 15 € o menú. Ô, 15 €! Se pensar que um Burger King te sai à uns 8 €, "tá delícia, tá gostoso". Há muito tempo um espaguete à bolonhesa e um peito de frango com molho alioli não descia tão bem.
Pra fechar o domingão com chave de ouro (apesar de ter vindo antes do almoço), fizemos uma trilha por Castell, que, tal qual a África do Sul, fica logo ali. Pena não ter levado a câmera, porque teria feito umas fotos lindas do lugar. Que é lindo. Uma água transparente estilo filme de 007 que você vê ainda melhor quando sobe o morrinho que fica do lado. Tipo o costão de Itacoatiara, só que menos costão e mais morrinho. Aprendi a encontrar aspárragos, vi um cachorro-vaca e a casa de Dalí - que não sei se era realmente dele, mas tem uma porta em diagonal pra entrar e se parece muito um estúdio, mas sem banheiro (talvez ele levasse a história de "cagar no mato" ao pé da letra). Ah, e também aprendi um pouco sobre a história do lugar, já que em cima do morro tem um sítio arqueológico e eles explicam muita coisa bacana numa daquelas placas turísticas gigantes. En català, cla. Espanhol, em segundo plano.
Pois fica a dica. Se você vier morar em Barcelona ou mochilar por mais do que aqueles três dias de turismo Gaudí-Ramblas-Raval-Gótico, comece a procurar uma pessoa legal que te convide pra um final de semana em Palamós, Girona, Catalunya. Ou, se eu não estiver mais aqui, me pague um bilhete de avião que te levo com o maior prazer.
Adendo: Palamós, o time da cidade, tomou de seis do time daqui de El Prat hoje. Visc al Prat! Visc a Catalunya!
sexta-feira, 5 de março de 2010
quarta-feira, 3 de março de 2010
Fomentando o desemprego
Crise, postos de trabalho sumindo, grana curta. Não importa. Sou a favor de acabar com a "profissão" de crítico.
Profissão entre aspas, mesmo. Ó só: como o próprio nome diz, a função do crítico é criticar - coisa que todo mundo pode fazer, já que costumamos ter opinião sobre tudo. É só pensar que somos 190 milhões de técnicos em ano de Copa, 190 milhões de autores na última semana da novela e 190 milhões de analistas políticos em... bom, não é pra tanto. Mas o importante é que cada um tem a sua opinião, não faz falta que pensem por nós. Por mais que alguns prefiram.
Outro ponto importante: as críticas dos "profissionais" tendem a ser destrutivas. Dificilmente você vai ler "excelente obra, um poço de criatividade" ou "finalmente uma obra inspiradora e que desafia os paradigmas". A não ser que role o famoso jabá. Caso contrário, a chance de ser humilhado, trucidado e mijado - com uma alta dose de ironia - é grande. E, convenhamos, pra destruir o trabalho de um já bastam seus competidores e inimigos em geral.
Além disso, não é necessário que alguém diga o que devemos ou não gostar, o que vale a pena ser visto e o que (ou quem) deve ser queimado. Como deveria ter ficado subentendido há dois parágrafos, gosto é pessoal. Se eu gosto de uma coisa e você não, problema meu. Ou seu. E vice-versa. Mas "eles não têm aquela chispa, aquele quê de inovação e o frescor da nova geração que provoca inquietude"? Pois vá pro inferno, eu curti e ponto final. Vai cagar regra pros seus filhos - se alguém topar ter filhos com uma pessoa tão insuportável como você.
Meu consolo é que essa raça parece ser estéril, tipo cruzamento de cavalo e burro (uma das duas espécies sendo fêmea, claro). E, se não se reproduzem, mantenho a esperança de que um dia eles entrarão em extinção. Sem nenhuma ONG que mantenha um par em cativeiro.
No mais, por que alguém deveria ganhar dinheiro para fazer (mal, ou de má vontade) o que fazemos grátis todo santo dia? Receber para conhecer arte antes dos outros para falar mal e cortar a possibilidade de que as conheçamos? Isso me cheira a uma forma barata (para eles, que ganham pelo "trabalho") de disfarçar a ranzinzez de não ter talento para fazer arte. Aí, o que sobra é falar dela. Destruí-la, na verdade. "Se eu não faço, ninguém faz".
Por mim, iam todos ficar de flanelinha na porta do Caldeirão da Via Show. Ouvindo cover do Soweto a noite inteira.
Profissão entre aspas, mesmo. Ó só: como o próprio nome diz, a função do crítico é criticar - coisa que todo mundo pode fazer, já que costumamos ter opinião sobre tudo. É só pensar que somos 190 milhões de técnicos em ano de Copa, 190 milhões de autores na última semana da novela e 190 milhões de analistas políticos em... bom, não é pra tanto. Mas o importante é que cada um tem a sua opinião, não faz falta que pensem por nós. Por mais que alguns prefiram.
Outro ponto importante: as críticas dos "profissionais" tendem a ser destrutivas. Dificilmente você vai ler "excelente obra, um poço de criatividade" ou "finalmente uma obra inspiradora e que desafia os paradigmas". A não ser que role o famoso jabá. Caso contrário, a chance de ser humilhado, trucidado e mijado - com uma alta dose de ironia - é grande. E, convenhamos, pra destruir o trabalho de um já bastam seus competidores e inimigos em geral.
Além disso, não é necessário que alguém diga o que devemos ou não gostar, o que vale a pena ser visto e o que (ou quem) deve ser queimado. Como deveria ter ficado subentendido há dois parágrafos, gosto é pessoal. Se eu gosto de uma coisa e você não, problema meu. Ou seu. E vice-versa. Mas "eles não têm aquela chispa, aquele quê de inovação e o frescor da nova geração que provoca inquietude"? Pois vá pro inferno, eu curti e ponto final. Vai cagar regra pros seus filhos - se alguém topar ter filhos com uma pessoa tão insuportável como você.
Meu consolo é que essa raça parece ser estéril, tipo cruzamento de cavalo e burro (uma das duas espécies sendo fêmea, claro). E, se não se reproduzem, mantenho a esperança de que um dia eles entrarão em extinção. Sem nenhuma ONG que mantenha um par em cativeiro.
No mais, por que alguém deveria ganhar dinheiro para fazer (mal, ou de má vontade) o que fazemos grátis todo santo dia? Receber para conhecer arte antes dos outros para falar mal e cortar a possibilidade de que as conheçamos? Isso me cheira a uma forma barata (para eles, que ganham pelo "trabalho") de disfarçar a ranzinzez de não ter talento para fazer arte. Aí, o que sobra é falar dela. Destruí-la, na verdade. "Se eu não faço, ninguém faz".
Por mim, iam todos ficar de flanelinha na porta do Caldeirão da Via Show. Ouvindo cover do Soweto a noite inteira.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Ops!, molhei as calças
Anos atrás, quando eu ainda era um pobre estudante deslumbrado com o maravilhoso mundo mágico da propaganda, levei meu irmão a um dos 5.967 festivais de publicidade brasileiros, que rolou no BNDES no centro do Rio. Eu era jovem, e ele um pré-adolescente ainda mais deslumbrado com o mundo universitário do que o irmão mais velho. Tudo corria normalmente até que, depois de uma palestra (creio que do Duailibi, o D da minha querida DPZ), saímos praquele coffee-break maroto e estava caindo o mundo. Era como se a Terra tivesse girado rápido demais e sem a gravidade atuando, o que faria com que os oceanos ficassem parados na estratosfera e caíssem de repente. Daí surge uma velha e começa a berrar, colada no vidro do edifício "chuva!!! é água!!!".
Tirando a parte da velha louca, foi exatamente o que aconteceu hoje em Barcelona. Saí de casa com um tempo meia-boca e voltei nadando. Caiu uma tempestade como as chuvas de verão do Rio, que deixam todo mundo ilhado. Não só molhei as calças como as meias, os tênis, a camisa e os dois casacos. Parecia um mendigo dentro do trem para El Prat - só que muito mais cheiroso e com cara de estudante, apesar da barba por fazer. Estudante de história da UFF, talvez.
O que me deixa mais cabreado nessa história toda é que tem feito frio aqui. Quem deu a Barcelona o direito de ter dias com chuva e frio? Tem que se decidir: ou um ou outro. Os dois, definitivamente, não dá. É muito escroto estar a 10*C e com um pé-d'água e vento te açoitando. Condições piores que figurante de novela do SBT é muita humilhação pra quem já carrega o fardo de ser visto como estrangeiro (e sou mesmo, mas e daí?!).
Além do mais, é ridículo ter que andar olhando pro chão e saltando poças. Me senti numa gincana do Faustão. Juro que, se aparecesse um gordo na minha frente, levava uma voadora de graça. Apesar de que, se me jogasse contra alguém e fosse parar dentro de uma dessas poças, corria o sério risco de me afogar. Tinha "um pouco" menos de mobilidade com o jaquetão boladão que pilhei do Alan por cima da minha mochila. Era uma tartaruga morena. Realmente ridículo.
Pra vocês terem uma noção, cheguei em casa e coloquei toda a roupa que estava usando no varal. Menos os tênis, que agora estão no chão da lavanderia, inutilizados para amanhã. O que me fez perceber a importância de ter um mínimo de organização e responsabilidade quando se mora longe de papai e mamãe. Se eu não tivesse posto a roupa pra lavar essa semana, amanhã teria que ir à classe de bermuda. E podem acreditar, pimpolhos, vocês não gostariam de sair de bermuda por esses dias aqui na Europa.
Apesar disso tudo, não posso reclamar. Porque o dia que precisei de sol, ele apareceu num céu azul lindo, o que me permitiu dar um pequeno passo para o Alexandre, mas um grande passo para a sua mente relaxar e se inspirar.
Mas isso eu conto em breve, porque estou com fome, tenho trabalho pra fazer e amanhã acordo cedo, cambada de vagabundos que ficam na cama até mais tarde no sábado.
Tirando a parte da velha louca, foi exatamente o que aconteceu hoje em Barcelona. Saí de casa com um tempo meia-boca e voltei nadando. Caiu uma tempestade como as chuvas de verão do Rio, que deixam todo mundo ilhado. Não só molhei as calças como as meias, os tênis, a camisa e os dois casacos. Parecia um mendigo dentro do trem para El Prat - só que muito mais cheiroso e com cara de estudante, apesar da barba por fazer. Estudante de história da UFF, talvez.
O que me deixa mais cabreado nessa história toda é que tem feito frio aqui. Quem deu a Barcelona o direito de ter dias com chuva e frio? Tem que se decidir: ou um ou outro. Os dois, definitivamente, não dá. É muito escroto estar a 10*C e com um pé-d'água e vento te açoitando. Condições piores que figurante de novela do SBT é muita humilhação pra quem já carrega o fardo de ser visto como estrangeiro (e sou mesmo, mas e daí?!).
Além do mais, é ridículo ter que andar olhando pro chão e saltando poças. Me senti numa gincana do Faustão. Juro que, se aparecesse um gordo na minha frente, levava uma voadora de graça. Apesar de que, se me jogasse contra alguém e fosse parar dentro de uma dessas poças, corria o sério risco de me afogar. Tinha "um pouco" menos de mobilidade com o jaquetão boladão que pilhei do Alan por cima da minha mochila. Era uma tartaruga morena. Realmente ridículo.
Pra vocês terem uma noção, cheguei em casa e coloquei toda a roupa que estava usando no varal. Menos os tênis, que agora estão no chão da lavanderia, inutilizados para amanhã. O que me fez perceber a importância de ter um mínimo de organização e responsabilidade quando se mora longe de papai e mamãe. Se eu não tivesse posto a roupa pra lavar essa semana, amanhã teria que ir à classe de bermuda. E podem acreditar, pimpolhos, vocês não gostariam de sair de bermuda por esses dias aqui na Europa.
Apesar disso tudo, não posso reclamar. Porque o dia que precisei de sol, ele apareceu num céu azul lindo, o que me permitiu dar um pequeno passo para o Alexandre, mas um grande passo para a sua mente relaxar e se inspirar.
Mas isso eu conto em breve, porque estou com fome, tenho trabalho pra fazer e amanhã acordo cedo, cambada de vagabundos que ficam na cama até mais tarde no sábado.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Preso pelo ouvido
Eu acredito naquela história de "você tem dois ouvidos e uma boca pra ouvir mais e falar menos". Assim que, depois do meu justo e relaxante desabafo no texto anterior, voltei à normalidade. Ou seja, escutar mais.
Isso envolve música, claro. Sou movido à música. Viciado em música. Música, música, música. E como não ou nada egoísta, vou dividir o que tem prendido minha atenção ultimamente. Talvez já conheçam mas, se não, vale a pena dar aquele conferaizer esperto.
Alton Ellis - pré-Bob Marley e padrinho do rocksteady. Ah, não te suena? Talvez isso ajude. Quem nunca escutou este clássico (ainda que em outras vozes) que atire o primeiro cotonete.
Robert Johnson - aquele que "vendeu a alma ao diabo" pra tocar guitarra - e virou lenda. Tudo bem que isso alimenta a lenda, mas não importa. O cara morreu em 1938 tocando assim. É ídolo.
Vashti Bunyan - a pobre (rica?) coitada é desconhecida e ignorada, mas excelente. Vem daquela época em que ser bom era se entupir de coisinhas ilegais e destruir tudo. Pelo seu som, não creio que era do estilo. Mas ficar tanto tempo no anonimato foi uma perda pra todos. Escutem isso e tirem suas próprias conclusões.
Este Bob Dylan e este Iggy Pop - "ah, mas eu conheço eles..." Claro que conhece! Mas as duas músicas têm me encantado dia após dia. A primeira, porque admiro letra, metáforas e comparações que fazem dela uma canção tão potente e atual (só pra constar, ela é de 1964). A segunda, porque não tem o estilo Iggy Pop que conheço mas está de lujo.
Queens of the Stone Age - sim, sou fã. Mas os caras têm uma das melhores bandas que surgiram nos últimos anos. E, além do link no nome deles (de um projeto que vale a pena conferir, por todos os artistas menos CSS), "Like a drug" e "Long slow goodbye" são "totalmente excelentes". Cada vez que escuto, repito umas três vezes cada. E escuto praticamente todos os dias.
Rama Krishna Shiva Linga e Marcel Khalife - quer relaxar? Viajar? Precisa de inspiração? Paz de espírito? Pois ya está. O primeiro, descobri na sorte. O segundo foi dica do Alan, de quando esteve no Marrocos. Os dois são a prova de que existe vida além de Lady Gaga e NXZero.
Sobre brasileiros que me acompanham e me prendem pelo ouvido, falo depois. Já tem coisa suficiente aqui e, se vocês realmente procurarem, é material pra degustar por muitos dias.
Além do mais, sou a favor de um mundo com uma menor quantidade de "informações imperdíveis" ao mesmo tempo.
Bon profit!
Isso envolve música, claro. Sou movido à música. Viciado em música. Música, música, música. E como não ou nada egoísta, vou dividir o que tem prendido minha atenção ultimamente. Talvez já conheçam mas, se não, vale a pena dar aquele conferaizer esperto.
Alton Ellis - pré-Bob Marley e padrinho do rocksteady. Ah, não te suena? Talvez isso ajude. Quem nunca escutou este clássico (ainda que em outras vozes) que atire o primeiro cotonete.
Robert Johnson - aquele que "vendeu a alma ao diabo" pra tocar guitarra - e virou lenda. Tudo bem que isso alimenta a lenda, mas não importa. O cara morreu em 1938 tocando assim. É ídolo.
Vashti Bunyan - a pobre (rica?) coitada é desconhecida e ignorada, mas excelente. Vem daquela época em que ser bom era se entupir de coisinhas ilegais e destruir tudo. Pelo seu som, não creio que era do estilo. Mas ficar tanto tempo no anonimato foi uma perda pra todos. Escutem isso e tirem suas próprias conclusões.
Este Bob Dylan e este Iggy Pop - "ah, mas eu conheço eles..." Claro que conhece! Mas as duas músicas têm me encantado dia após dia. A primeira, porque admiro letra, metáforas e comparações que fazem dela uma canção tão potente e atual (só pra constar, ela é de 1964). A segunda, porque não tem o estilo Iggy Pop que conheço mas está de lujo.
Queens of the Stone Age - sim, sou fã. Mas os caras têm uma das melhores bandas que surgiram nos últimos anos. E, além do link no nome deles (de um projeto que vale a pena conferir, por todos os artistas menos CSS), "Like a drug" e "Long slow goodbye" são "totalmente excelentes". Cada vez que escuto, repito umas três vezes cada. E escuto praticamente todos os dias.
Rama Krishna Shiva Linga e Marcel Khalife - quer relaxar? Viajar? Precisa de inspiração? Paz de espírito? Pois ya está. O primeiro, descobri na sorte. O segundo foi dica do Alan, de quando esteve no Marrocos. Os dois são a prova de que existe vida além de Lady Gaga e NXZero.
Sobre brasileiros que me acompanham e me prendem pelo ouvido, falo depois. Já tem coisa suficiente aqui e, se vocês realmente procurarem, é material pra degustar por muitos dias.
Além do mais, sou a favor de um mundo com uma menor quantidade de "informações imperdíveis" ao mesmo tempo.
Bon profit!
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Tempo vai, tempo vem...
...e as coisas vão acontecendo. Mudando, seguindo, deixando e se revelando. Passando, no sentido bilíngüe da palavra. Mas, depois de quatro meses e meio, o que eu poderia esperar?
Muita coisa. Começo a pensar em catalão, não apenas antes do castelhano mas antes mesmo do português. De vez em quando me pego ouvindo "cla" ou "altre vegada més, Alexandre?" dentro da minha sempre confusa cabeça. O que é bom, já que significa que aprendo rápido. E ruim, pois me dá uma língua mais pra errar. Como errar é humano, defequei pro fato.
Sinto minhas novas amizades cada vez mais minhas de verdade. Pessoas que gostam de mim e me têm como amigo, boa pessoa, ser diferente e interessante, qualquer coisa dessas que no fim das contas me agrada. Na minha segunda calçotada, domingo passado, infelizmente Alberto passou mal e foi embora mais cedo. Infelizmente mesmo, foi uma perda e tanto no dia. Mas fiquei com a galera, preparei calçots, conversei e ri e aprendi e fiz planos. Divertidíssimo. É muito bom você se sentir parte da vida de pessoas que gosta:
Ilde (esq), Alex, Alex e Carmelo, por exemplo.
Ou Alex (esq), Alex, Martí, Danae e (mão do) Carmelo, por outro exemplo.
Fazendo justiça às amizades, explico o porquê da minha felicidade com todos. Ilde é gente finíssima e me pôs como parte do bando. Alex de óculos me adotou desde que estive em Sevilla. Alex sem óculos, desde que cheguei - e por ser uma pessoa extremamente criativa (como muitos outros; não quero desmerecer ninguém), tem me ajudado muito no momento inspiradíssimo pelo qual tenho passado. Carmelo também me adotou desde que cheguei (assim como Neus, sua parella) e me tem uma amizade que dá gosto. Danae, namorada de Alex de óculos, não só me deu toda atenção do mundo desde que nos conhecemos como foi a primeira a me adotar como catalão - inclusive com "el kit del bon català" de amigo-oculto de Natal (inclusive, tirei ela). E Martí, além de me adotar como amigo de cara, foi a única testemunha do meu sofrimento (e êxtase) no último jogo do todo-poderoso, contra o Grêmio, televisionado e chorado mas com final feliz.
A descrição é grande, eu sei. Mas o carinho que tenho por eles, e outros que não estão nas fotos, é incomparavelmente maior. É a maior prova de que coisas maravilhosas podem vir em um curto espaço de tempo.
***
E o tempo vai levando coisas boas, deixando no lugar certa sensação de vazio e tristeza. O carnaval daqui é uma bosta. Juntando o fato de eu ser vidrado no do Brasil, tenho passado dias caídos. Escrotos, pra ser mais exato.
Mas, sinceramente, isso é o de menos. O pior é ver que todo um país (também conhecido como "pessoas que você gosta muito") te deixam em segundo plano nessa época. Defequei novamente - disse, acabou e pronto. Começo a entender como as coisas devem funcionar a partir de agora. Se ninguém é sincero comigo ou me tem como prioridade, farei o mesmo.
De repente isso me relaxa, tira o peso dos meus ombros e me permite tocar os projetos que tenho por aqui. Que são muitos. E não interessam a mais ninguém além de mim.
Muita coisa. Começo a pensar em catalão, não apenas antes do castelhano mas antes mesmo do português. De vez em quando me pego ouvindo "cla" ou "altre vegada més, Alexandre?" dentro da minha sempre confusa cabeça. O que é bom, já que significa que aprendo rápido. E ruim, pois me dá uma língua mais pra errar. Como errar é humano, defequei pro fato.
Sinto minhas novas amizades cada vez mais minhas de verdade. Pessoas que gostam de mim e me têm como amigo, boa pessoa, ser diferente e interessante, qualquer coisa dessas que no fim das contas me agrada. Na minha segunda calçotada, domingo passado, infelizmente Alberto passou mal e foi embora mais cedo. Infelizmente mesmo, foi uma perda e tanto no dia. Mas fiquei com a galera, preparei calçots, conversei e ri e aprendi e fiz planos. Divertidíssimo. É muito bom você se sentir parte da vida de pessoas que gosta:
Ilde (esq), Alex, Alex e Carmelo, por exemplo.
Ou Alex (esq), Alex, Martí, Danae e (mão do) Carmelo, por outro exemplo.
Fazendo justiça às amizades, explico o porquê da minha felicidade com todos. Ilde é gente finíssima e me pôs como parte do bando. Alex de óculos me adotou desde que estive em Sevilla. Alex sem óculos, desde que cheguei - e por ser uma pessoa extremamente criativa (como muitos outros; não quero desmerecer ninguém), tem me ajudado muito no momento inspiradíssimo pelo qual tenho passado. Carmelo também me adotou desde que cheguei (assim como Neus, sua parella) e me tem uma amizade que dá gosto. Danae, namorada de Alex de óculos, não só me deu toda atenção do mundo desde que nos conhecemos como foi a primeira a me adotar como catalão - inclusive com "el kit del bon català" de amigo-oculto de Natal (inclusive, tirei ela). E Martí, além de me adotar como amigo de cara, foi a única testemunha do meu sofrimento (e êxtase) no último jogo do todo-poderoso, contra o Grêmio, televisionado e chorado mas com final feliz.
A descrição é grande, eu sei. Mas o carinho que tenho por eles, e outros que não estão nas fotos, é incomparavelmente maior. É a maior prova de que coisas maravilhosas podem vir em um curto espaço de tempo.
***
E o tempo vai levando coisas boas, deixando no lugar certa sensação de vazio e tristeza. O carnaval daqui é uma bosta. Juntando o fato de eu ser vidrado no do Brasil, tenho passado dias caídos. Escrotos, pra ser mais exato.
Mas, sinceramente, isso é o de menos. O pior é ver que todo um país (também conhecido como "pessoas que você gosta muito") te deixam em segundo plano nessa época. Defequei novamente - disse, acabou e pronto. Começo a entender como as coisas devem funcionar a partir de agora. Se ninguém é sincero comigo ou me tem como prioridade, farei o mesmo.
De repente isso me relaxa, tira o peso dos meus ombros e me permite tocar os projetos que tenho por aqui. Que são muitos. E não interessam a mais ninguém além de mim.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Calçotada
(jo vullia escriure en català perquè aquest es un costum de Catalunya, però m'es igual; parlem el portuguès, doncs)
A primeira vez a gente nunca esquece. Ainda mais sendo num lugar legal, dia bonito, com alguém que você gosta, experimentando sensações diferentes. Hoje, um domingo de temperatura agradável como há muito não se via em Barna, fui à minha primeira calçotada.
Calçotada, pra quem não sabe (eu mesmo não sabia), é como churrasco. Substituindo picanha, coração e pão de alho com farofa e "molho acompanha" por calçot. Vulgo cebola.
Sim, cebola. Mas não daquelas gordas que deixa gosto por três dias, ainda que você faça bochecho com água sanitária. É uma variedade cultivada aqui. Não sei se existe parecida no Brasil, pela foto alguém pode me dizer. Sei que o gosto é mais suave. E, junto com o molho específico para ela, fica buenísima.
Mas o dia não foi bom só por isso. A calçotada foi num parque em Begues (se diz "bêgas"), pueblo cerca de Barcelona, com um visual lindo desde a estrada até o local. Além dos calçots, teve carne e pão na brasa - tudo preparado numa churrasqueira coletiva gigante que soltava mais fumaça que o público num show do D2. Ou da Britney Spears, que os jovenzinhos de hoje não estão pra brincadeira.
Rolou futebol. Eu, que não jogava há tempos, babava com a oportunidade. Senti os efeitos da altitude de 2 mil e poucos metros (cadê a Fifa nessas horas?) e meu preparo físico cada vez mais duvidoso (falando da relação resistência aeróbica-idade, pois estou tão em forma que minha calça cai ao andar, estilo funkeiro), mas fui o grande artilheiro da partida de altíssimo nível disputada no Camp Vell - nome inventado agora pra soar mais imponente. Saí de campo ouvindo "com o brasileiro no time fica fácil, né?". Pátria de chuteiras, sim, e com muito orgulho!
Conheci muita gente interessante, até um neto bastardo do meu bisavô. Bom, talvez não ele. Mas vários outros catalães gente finíssima que fizeram com que me sentisse entre amigos. Conversamos, rimos e ganhei mais um sobrinho europeu, Paul, molequinho com menos de 2 anos que não chora quando cai, vai com todo mundo e faz carinho em cachorro espancando o focinho. Foram horas agradáveis, daquelas que dá pena quando sabe que estão chegando ao fim.
E assim levamos mais um domingão em família. Adotiva, mas família.
A primeira vez a gente nunca esquece. Ainda mais sendo num lugar legal, dia bonito, com alguém que você gosta, experimentando sensações diferentes. Hoje, um domingo de temperatura agradável como há muito não se via em Barna, fui à minha primeira calçotada.
Calçotada, pra quem não sabe (eu mesmo não sabia), é como churrasco. Substituindo picanha, coração e pão de alho com farofa e "molho acompanha" por calçot. Vulgo cebola.
Muito prazer, sou um calçot sendo preparado por um proletário pobre (redundância).
Sim, cebola. Mas não daquelas gordas que deixa gosto por três dias, ainda que você faça bochecho com água sanitária. É uma variedade cultivada aqui. Não sei se existe parecida no Brasil, pela foto alguém pode me dizer. Sei que o gosto é mais suave. E, junto com o molho específico para ela, fica buenísima.
Mas o dia não foi bom só por isso. A calçotada foi num parque em Begues (se diz "bêgas"), pueblo cerca de Barcelona, com um visual lindo desde a estrada até o local. Além dos calçots, teve carne e pão na brasa - tudo preparado numa churrasqueira coletiva gigante que soltava mais fumaça que o público num show do D2. Ou da Britney Spears, que os jovenzinhos de hoje não estão pra brincadeira.
Rolou futebol. Eu, que não jogava há tempos, babava com a oportunidade. Senti os efeitos da altitude de 2 mil e poucos metros (cadê a Fifa nessas horas?) e meu preparo físico cada vez mais duvidoso (falando da relação resistência aeróbica-idade, pois estou tão em forma que minha calça cai ao andar, estilo funkeiro), mas fui o grande artilheiro da partida de altíssimo nível disputada no Camp Vell - nome inventado agora pra soar mais imponente. Saí de campo ouvindo "com o brasileiro no time fica fácil, né?". Pátria de chuteiras, sim, e com muito orgulho!
Conheci muita gente interessante, até um neto bastardo do meu bisavô. Bom, talvez não ele. Mas vários outros catalães gente finíssima que fizeram com que me sentisse entre amigos. Conversamos, rimos e ganhei mais um sobrinho europeu, Paul, molequinho com menos de 2 anos que não chora quando cai, vai com todo mundo e faz carinho em cachorro espancando o focinho. Foram horas agradáveis, daquelas que dá pena quando sabe que estão chegando ao fim.
E assim levamos mais um domingão em família. Adotiva, mas família.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Preciso de um violão
Cheguei no meu limite. E quando você está no limite (não o programa), seja qual for o motivo, precisa de uma válvula de escape.
Já tentei várias. Infelizmente, elas estão na rua - salvo papel e caneta, que levo pra todo canto e vive salvando minha sanidade (um bloquinho de 5347 páginas que comprei perto do Natal já está na metade, cheio de poesias, inícios de contos e idéias em geral). Enfim, sei o que pode me salvar. Um violão.
Verdade, não toco faz muito tempo. Inclusive, deixei o meu em Jacacity. Verdade também que, depois de comprar um, vou tocar e abandoná-lo por certos períodos, pegando poeira e torcendo pra eu não estar com os dedos sem mobilidade - o que passa toda vez que me afasto. Mas nada disso importa, porque ter um instrumento ao meu lado ajuda no meu equilíbrio. Mais do que Actimel àquelas mães jovens dos comerciais. Fico viajando com ele (violão, não comercial) mesmo sem ser muito bom nisso, e esqueço o que está a minha volta. Exatamente o que preciso, apesar de ter mais coisas longe de mim que ao meu redor.
Infelizmente, não tenho grana pra um violão. Usado, talvez, mas os que encontrei são ruins. O mercado de trabalho espanhol continua ruim e daqui a pouco, quando voltar com carga total ao esquema "pasta debaixo do braço e sorriso de redator apátrida", vou ter que contar com muita sorte pra conseguir algo que me permita pagar mestrado, aluguel e um Fender 0km baratinho que vi numa loja. Mas é assim que a vida funciona quando você está longe de tudo e de todos, não é mesmo?
Queria escrever aqui sobre meu curta de terror que está competindo num site e precisa de votos, ou das minhas descobertas barcelonescas por estes dias, quem sabe até dos meus planos loucos. Mas minha mente foi dominada pelo desejo de ter um violão outra vez. E só consegui escrever sobre isso.
Fica a mensagem. Preciso de um violão.
Já tentei várias. Infelizmente, elas estão na rua - salvo papel e caneta, que levo pra todo canto e vive salvando minha sanidade (um bloquinho de 5347 páginas que comprei perto do Natal já está na metade, cheio de poesias, inícios de contos e idéias em geral). Enfim, sei o que pode me salvar. Um violão.
Verdade, não toco faz muito tempo. Inclusive, deixei o meu em Jacacity. Verdade também que, depois de comprar um, vou tocar e abandoná-lo por certos períodos, pegando poeira e torcendo pra eu não estar com os dedos sem mobilidade - o que passa toda vez que me afasto. Mas nada disso importa, porque ter um instrumento ao meu lado ajuda no meu equilíbrio. Mais do que Actimel àquelas mães jovens dos comerciais. Fico viajando com ele (violão, não comercial) mesmo sem ser muito bom nisso, e esqueço o que está a minha volta. Exatamente o que preciso, apesar de ter mais coisas longe de mim que ao meu redor.
Infelizmente, não tenho grana pra um violão. Usado, talvez, mas os que encontrei são ruins. O mercado de trabalho espanhol continua ruim e daqui a pouco, quando voltar com carga total ao esquema "pasta debaixo do braço e sorriso de redator apátrida", vou ter que contar com muita sorte pra conseguir algo que me permita pagar mestrado, aluguel e um Fender 0km baratinho que vi numa loja. Mas é assim que a vida funciona quando você está longe de tudo e de todos, não é mesmo?
Queria escrever aqui sobre meu curta de terror que está competindo num site e precisa de votos, ou das minhas descobertas barcelonescas por estes dias, quem sabe até dos meus planos loucos. Mas minha mente foi dominada pelo desejo de ter um violão outra vez. E só consegui escrever sobre isso.
Fica a mensagem. Preciso de um violão.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Napoletana, per favore
Em vez de fazer todas as pesquisas pro mestrado que preciso pra amanhã, escrever as poesias que tenho na cabeça, criar pro portfólio ou simplesmente dormir - é 0h32 em Barna, estava fuçando meus rascunhos no blogger. Não me perguntem por quê. O importante é que acabei encontrando este vídeo, de uma propaganda do Visa que Alan descobriu e me mostrou.
Mola, tío! O ritmo fanfarrão, a letra, a voz saltitante (é assim que a imagino)... É impossível escutar esta canção e não se sentir no meio de uma piazza em Roma, sacudindo as mãos até pra perguntar as horas. Com milhares de pessoas gritando à sua volta. E sacudindo as mãos ainda mais que você, claro.
Pra quem não sabe, Renato Carosone (o autor de "Mambo Italiano", a música aí de cima) nasceu em Napoli. Compositor, cantor e pianista, lutou na Segunda Guerra e explodiu (musicalmente falando) na década de 50. Se fôssemos 35 anos mais velhos, mais ou menos, poderíamos ter visto um concerto seu - ele tocou no Rio e São Paulo em 1957, sem direito à meia entrada. Morreu 1o de abril de 2001. Sem mentira. Tem um prêmio com seu nome.
E me dá vontade de ser pizzaiolo. Tá bom, de comer pizza. Però senza ketchup che io sono italiano!
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Dinheiro pelo ralo
O ralo da ducha aqui de casa entupiu. Mais do que escroto, isso é nojento - não tem nada pior do que querer tomar um bom banho e ter que ficar desviando de barquinhos de pêlo que você reza com todas as forças pra que ao menos sejam seus.
Depois de dias tentando me lembrar de procurar algo no mercado e esquecer logo depois, finalmente consegui que minha memória funcionasse. Fui ao Carrefour e, por falta de conhecimento$ sobre as marcas, fiquei com a do mercado.
Cheguei em casa pronto pra resolver o problema. Quer dizer, deixar o líquido milagroso resolver enquanto cuidava da minha vida. Infelizmente, decidi ler as instruções de uso. O troço é de ácido sulfúrico com composto potencializado de urânio e pedacinhos de bala de prata. Dá pra matar uma reserva africana inteira com meia garrafa. Pra se ter uma idéia, eles recomendam abrir o frasco com as duas mãos sem apertar a embalagem e tomando todas as precauções possíveis. Fui abrir em frente ao hospital, por precaução.
Depois de algumas horas deixandoa arma química o produto agir, abri a torneira. Que maravilha! A água descia fácil, como comidas do almoço de domingo tragadas pelo seu tio gordo com aquele estômago de avestruz que a ciência não consegue explicar. Agora, dá pra tomar banho feliz e contente que não fica um dedo de água no chão do box. Provavelmente, o vizinho de baixo não consegue explicar o buraco no teto do banheiro dele ou a água suja que pinga na sua cabeça enquanto se ducha. Eu recomendaria uma calha.
A gente resolve os problemas como pode.
Depois de dias tentando me lembrar de procurar algo no mercado e esquecer logo depois, finalmente consegui que minha memória funcionasse. Fui ao Carrefour e, por falta de conhecimento$ sobre as marcas, fiquei com a do mercado.
Cheguei em casa pronto pra resolver o problema. Quer dizer, deixar o líquido milagroso resolver enquanto cuidava da minha vida. Infelizmente, decidi ler as instruções de uso. O troço é de ácido sulfúrico com composto potencializado de urânio e pedacinhos de bala de prata. Dá pra matar uma reserva africana inteira com meia garrafa. Pra se ter uma idéia, eles recomendam abrir o frasco com as duas mãos sem apertar a embalagem e tomando todas as precauções possíveis. Fui abrir em frente ao hospital, por precaução.
Depois de algumas horas deixando
A gente resolve os problemas como pode.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Edir Macedo cover?
Outro dia (do ano passado, já que esse texto ficou esquecido no rascunho do blogger) eu explicava pro Alberto a quantidade de e a diferença entre religiões no Brasil. Coincidentemente, no dia seguinte, vejo isso quando voltava do mestrado:
"Não é seita, não é ciência, não é religião, não é filosofia". Então não é nada, ué!
Do lado direito do templo (?) - localizado numa rua do centro de Barna e ocupando o espaço de duas lojas - está escrito "logramos com êxito a abundância, a riqueza, ...da vida humana sentimental".
Senti um cheiro de Universal do Reino do Macedão - um negócio presente em mais países do que a Anistia Internacional. Inclusive, parece que a equipe de marketing da Coca-Cola passou dois anos em treinamento com os pastores do seu Macedo pra aprender posicionamento e técnicas de venda.
Brincadeiras (ou não) à parte, fato é que onde existe alguém precisando de consolo haverá alguém mais esperto/malandro/pilantra disposto a se aproveitar. E não quero desmerecer o local da foto, mas com a vitrine e as quinquilharias expostas parecia mais uma tenda de artigos chineses a um real que um centro espiritual. Dá pra imaginar que meditam no meio de uma nuvem de incenso cigano entre gatinhos que movem as patas e quadros daquela colagem clássica planeta-olho-triângulo-almas num fundo negro.
De repente, entro ali um dia pra ver se vão tentar ler minha mão ou me dar um chá temático de plantas cultivadas no banheiro de trás do lugar. Mas, se eu for, aviso antes. Pra vocês rezarem pela minha pobre alma perdida.
Paz à venda
O aniversário e o tempo longe da Ponte mexeram comigo. Ia falar sobre "paz à venda" no texto de antes, e acabou saindo aquilo tudo que já nem me lembro mais.
Pois bem, "paz à venda". Mudando meu perfil o blogger por algum motivo que ainda não descobri, me deparei com a tal "wishlist" - uma lista do que eu gostaria de ganhar de presente. "Ah", pensei, "sou muito malandrão e engraçadinho, vou colocar uma frase engraçada e todo mundo vai gostar". Correção: gostariam. Porque não pude, já que a lista é feita a partir de links de listas do Google.
Pois fui lá ver o que me ofereciam como "paz no mundo", um dos meus três desejos. E me vieram essas opções.
Paz segundo Marlon. Não confundir com o Marley, do cachorro.
O que prova que o capitalismo é o sistema ideal, já que permite comprar a paz. E também que, se ainda não temos paz no mundo, é exclusivamente porque o ser humano é mão-de-vaca.
Pois bem, "paz à venda". Mudando meu perfil o blogger por algum motivo que ainda não descobri, me deparei com a tal "wishlist" - uma lista do que eu gostaria de ganhar de presente. "Ah", pensei, "sou muito malandrão e engraçadinho, vou colocar uma frase engraçada e todo mundo vai gostar". Correção: gostariam. Porque não pude, já que a lista é feita a partir de links de listas do Google.
Pois fui lá ver o que me ofereciam como "paz no mundo", um dos meus três desejos. E me vieram essas opções.
Paz segundo Marlon. Não confundir com o Marley, do cachorro.
O que prova que o capitalismo é o sistema ideal, já que permite comprar a paz. E também que, se ainda não temos paz no mundo, é exclusivamente porque o ser humano é mão-de-vaca.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Mil coisas
Feliz Natal, parabéns pela TV Cá, um excelente 2010 a todos, parabéns mãe, parabéns 'dinha Marisa, obrigado pelo presente mãe, você escreve muito bem Alan e eu tô muito feliz e impressionado.
Depois de repassar tudo o que me lembro que havia deixado de escrever, volto à carga. Sim, de novo. Mas tive que dar um tempo porque, finalmente, o mestrado engrenou. E aí ele veio com tudo, e fui obrigado a me dedicar como queria desde o início. Sim, muita coisa mesmo. E bem diferente:
Cozinhei coisas que fariam aquele chef famosão que não lembro o nome ser esquecido como acabo de fazer. Conversei com músicos de rua e vendedores de mercadinhos de quinquilharias. Escutei música pop. Criei apresentação interagindo com uma bola de futebol (ao contrário de O Náufrago, sem jabá - infelizmente). Aprendi a gostar do pessoal do máster, bem a tempo de começar a fazer trabalhos de grupo.
Também quase fiquei entre os 10 melhores trabalhos de um concurso mundial da VW e sua nova campanha, com uma peça criada com um amigo meu daqui (mas araribóia), Tiago. Acabamos sendo chutados do Top10. Caguei (sangue, mas caguei). Voltei a mexer no portfólio. Também comecei a trabalhar, e saí uma semana depois. Se for pra ficar num lugar de graça, que seja "O" lugar. Se for "o..." lugar, não rola. Neste caso, incluindo aí a falta de honestidade do cara que me chamou, não rolou.
Passei maus bocados, internamente falando. E, nessa de altos e baixos, a verdade é que não faço a menor idéia de como chego aos 59 últimos minutos dos meus 26 anos. Espero que bem, já que me sinto mais confiante e corajoso pra fazer o que tenho que fazer. Seja lá o que for isso. Aliás, vou comemorar no Bar do Paolo. Se alguém quiser me encontrar aqui, será muito bem-vindo. E bem recebido.
Pessoas chegaram, pessoas se foram e acho que meu apartamento também se vai em breve. Quer dizer, eu vou. Daí me mudo pra Barna, arrumo um emprego qualquer e só ando de bicicleta. Aproveito pra correr na praia, quando este frio cretino passar.
Descobri que, além do Alan escrever muito, mas muito bem, ainda resolveu canalizar isso de uma forma legal.
Descobri também que funciono de formas não tão aleatórias. Voltei a escrever - poesias, inclusive, coisa que tenho pouco hábito - e a pensar propaganda. Ainda descobri uma habilidade manual que nunca imaginei que tivesse. Claro que não falo de desenho ou pintura, que o polegar opositor e o telecéfalo altamente desenvolvido não me contribuem em nada nestas horas. Mas trabalhar com materias me interessa e é mais fácil que parece. Como parecia impossível, ser difícil e custoso como é agora está bom.
Aprendi catalão a ponto da minha professora (nível 2) me elogiar. Aprendi muito sobre mim. Aprendi bastante sobre os outros, tanto os que amo há tempos quanto os que estou aprendendo a gostar agora. Aprendi que não se deve confiar no sistema de trens daqui. Aprendi que tenho muito o que aprender. Menos do que esperava e bem mais do que gostaria. Fui adotado pela cidade (oficialmente por El Prat, emocionalmente por Barna e os que são dali). Não aprendi como manter contato constante com várias das pessoas que me importam muito nesse mundo, e por isso devo muitas notícias e aparições. Fisicamente falando, não quero encontrar ninguém no modo alma penada.
E, com esse mogollón de cosas vistas, vividas e entendidas, volto a me comunicar com vocês. Esperando acordado passarem mais 40 minutos para me transformar em um Alexandre 2400 segundos mais experiente. De repente, estando (d)esperto, vejo a sabedoria, a paciência e a malandragem virem me dar os parabéns e seguro pelo menos uma delas.
Desse ano, nenhuma das três me escapa.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O ritmo da vida
Escutando: Trem das onze, com Gal Costa
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua
Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos maispreguiçosos rápidos que deve ser um texto um pouco mais longo. Assim que vou colocar umas partes em negrito pra quem quiser fazer leitura dinâmica.
Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.
Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.
As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.
Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?
Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.
Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.
Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.
A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.
Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.
Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.
Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.
De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.
Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.
Às: 4h de uma quinta-feira, 24 de dezembro
Porque: acabei de chegar de Barcelona
A: minha nova casa, do outro lado da rua
Escrevo pra situar minha postagem, meu estado geral e dar alguma pista - inclusive pra mim mesmo - de onde quero chegar com isso. E já aviso aos mais
Hoje é véspera de Natal e estou cagando pra data. Não sei se é a distância da família, Carol e amigos da terra, se percebi o valor comercial da data ou se é só porque tô sem vontade de comemorar, mesmo. Tenho pena por não ter comprado nada pro Alberto e os pais dele ou preparado meu "kit Brasil", e não deve dar tempo de fazer isso até o fim de semana. Mas a vida me fez não conseguir. A troco de pouca coisa, na verdade.
Comecei a trabalhar na quinta passada. Hoje, foi meu último dia. O dono da empresa queria um designer que trabalhasse de graça ou pelo menor salário possível, e estou numa situação completamente oposta. Cheguei cheio de idéias e saio uma semana depois, não triste mas decepcionado. Com muita coisa.
As pessoas tendem a confundir prioridades, ou não enxergar coisas óbvias. Neste caso, vem dele. O cara sabia que meu perfil era outro, mas resolveu tentar mesmo assim. Gostou do que fiz, ficou com o que estava pronto e fim de jogo. O que ele mais precisa vai continuar igual. Uma bosta. E o que tinha em mente, com certeza, não vai sair do papel. Mas me incluo nessa coisa de não enxergar coisas óbvias. Infelizmente, todos tendemos a dificultar a vida. Que é, por definição, bem mais simples do que aparenta.
Daí sou obrigado a repensar meus assuntos, que pensava estarem encaminhados. E lá vou eu, carro morrendo no meio da estrada, esperando uma alma caridosa que jogue uma luz no problema ou dê aquele empurrãozinho pra o motor pegar no tranco. No embalo, sempre vai. Mas por que não manter a mecânica funcionando, revisar periodicamente, limpar de vez em quando? Precisa deixar dar problema?
Não. Mas eu tenho por definição deixar isso acontecer. E acabo me atrasando pro que realmente importa na minha vida, assuntos das pessoas que amo. Desde pequenas vitórias do dia-a-dia, como fazer um desenho que ganha uma TV, a descobrir que uma das raras pessoas que admiro de verdade, e tenho como ídolo-exemplo-sei lá, escreve melhor que eu. Não estou ao lado de pessoas fundamentais no momento que mais gostaria.
Alivia um pouco o meu lado conviver-reviver-conhecer pessoas maravilhosas, que salvam minha cabeça de surtar. Pode não parecer, mas sou uma fábrica de pensamentos maus e absurdos. Se não fossem as amizades que reencontrei e as que fiz até agora, não sei como seria. Fico feliz de ver que existem pessoas boas nesse mundo a serem descobertas e que ainda serão valorizadas como merecem - hoje, amanhã, não sei. Mas serão.
Engraçado é ver que todos aqueles ensinamentos bonitos que você escuta e repete pra quem precisa, pensamentos trabalhados e horas de atenção dada aos outros não te servem de um mísero pelinho, quando você precisa. É nesse momento que você entende que "falar é fácil". Passa pela situação e vê como você se comporta. Depois, se ainda puder, fale algo para os outros. Ou dos outros. Julgar e criticar é fácil quando se está de fora mas, uma vez no meio do turbilhão, sair andando pro lado certo e de cabeça erguida é outra história. Que pode muito bem não ser a sua.
A verdade é que a vida pode mudar a qualquer momento, e é bom estar preparado. Não que você vá sair ileso, o que é pra ser vai ser e ponto. Mas dá pra evitar umas quantas coisas, e diminuir o impacto de outras tantas. Por isso é bom nunca se empolgar demais com algo. Nem se decepcionar, porque com disposição dá pra sair dessa. Bom, e um pouco de coragem nunca é demais.
Não vou reler este post pra corregir nada, mas tenho a sensação que ficou um pouco com cara de livro de auto-ajuda. Se o Paulo Coelho roubasse este texto e colocasse na coluna dele num desses jornais da vida (e acredito que ele seja capaz de algo assim), ia ter gente chorando e mandando cartas quilométricas de agradecimento. Algo conhecido como "poder da marca". Ou "poder da mídia", pra quem prefirir. Como eu.
Não importa. Depois de uma semana em que entrei e saí de uma empresa, me dei bem nas aulas de um lugar onde não me dou bem com as pessoas (sim, isso também acontece comigo - assim como, acreditem, existem pessoas de quem não gosto) e tive surpresas maravilhosas de pessoas que estão longe de mim, isso foi quase uma extensão desses dias. E, de quebra, ainda dou notícias a todos que vira e mexe me perguntam como está aqui, que tal tudo etc.
Pra completar o rollo auto-ajuda, coloco um vídeo excelente da Honda. Uma empresa que tenho mais vontade de trabalhar do que muita agência grande e exibicionista por aí. Mas a vida cisma em me levar pro lado negro da força.
De qualquer jeito, a gente nunca sabe o que espera do outro lado do calendário. É bom eu ir me preparando. Cagando ou não pro Natal, o novo ano já tá batendo na porta.
Ah, e mais uma coisa: Papai Noel não existe.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Concurso "Cara limpa, bunda suja"
Nos últimos dias, alguns esportistas famosos deram muito o que falar na mídia. Primeiro, Henry e sua mão no jogo contra a Irlanda, que classificou a França pro mundial da África do Sul - aquele que é logo ali. Depois, Tiger Woods e a fofoca notícia do seus casos extraconjugais.
O curioso é que ambos são garotos-propaganda da Gillette. O que me fez pensar: o que vão aprontar seus outros dois companheiros de barba feita, Kaká e Roger Federer?
Assim, acabo de lançar o primeiro concurso da Ponte Elétrica. Cara limpa, bunda suja. Opinem, divulguem e torçam. O resultado sai assim que eles fizerem alguma cagada, claro. E, além de se divertir, você ainda tem a chance de levar um exclusivo prêmio pra casa: um Mach 3 Champions com duas giletes de refil e um saco de papel - pra esconder sua cara dos fotógrafos se um dia for famoso e fizer besteira.
Boa sorte!
Eu dou minha cara à tapa se você acertar e o Alexandre não mandar o prêmio!
O curioso é que ambos são garotos-propaganda da Gillette. O que me fez pensar: o que vão aprontar seus outros dois companheiros de barba feita, Kaká e Roger Federer?
Assim, acabo de lançar o primeiro concurso da Ponte Elétrica. Cara limpa, bunda suja. Opinem, divulguem e torçam. O resultado sai assim que eles fizerem alguma cagada, claro. E, além de se divertir, você ainda tem a chance de levar um exclusivo prêmio pra casa: um Mach 3 Champions com duas giletes de refil e um saco de papel - pra esconder sua cara dos fotógrafos se um dia for famoso e fizer besteira.
Boa sorte!
Eu dou minha cara à tapa se você acertar e o Alexandre não mandar o prêmio!
Cultura. A gente vê por aqui.
Quando lembrei da vinheta plim-plim e em tudo o que ela (não) significa, cheguei a sentir vergonha alheia. Pior, na verdade. Pena. Pelo que a gente não tem no Brasil. Não sei se a Constituição espanhola é tão extensa quanto a nossa, nem se eles têm milhões de parágrafos em cada lei que anula e reafirma e cancela de novo os direitos do cidadão. Sei que, aqui, eles levam a sério a questão da cultura.
Hoje (quarta-feira passada) foi dia de visita guiada à bibioteca principal do bairro onde está Can Felipa, o centro onde tenho aula de catalão. Antes de andar pelo local, o responsável reuniu a gente - alunos e professora - numa sala pra explicar como funciona o sistema de bibliotecas de Barna. Ainda bem que ele não perguntou como era nos outros países.
Aqui, funciona assim: você vai à biblioteca com sua identidade e faz uma carteira de sócio. De graça. E fica pronta na hora. Com ela, você tem acesso a a) todo o acervo oferecido no local para consulta; b) 30 documentos (livros, CDs, DVDs, jornais e revistas) por mês; c) Internet no local, tanto nos computadores deles quanto por wi-fi; d) aulas grátis de como usar computador, Internet e programas básicos pra quem não sabe; e) televisões para assistir filmes e programas ali mesmo, com fones também oferecidos por eles; f) cursos de vários temas diferentes a preços populares; g) clubes de leitura de uns quantos assuntos.
Além disso, a carteirinha de sócio vale para todas as bibliotecas da província - Barcelona, os povoados cerca e as cidades da região. Você pode pedir um documento de uma biblioteca e eles deixam em outra de graça, ou pagando um euro se for de outra cidade. Se ele não estiver, é só deixar reservado que te avisam quando volta. Também é possível fazer consultas gratuitas na Internet. E não custa nada dizer que, apesar de elas fecharem entre 14h e 16h (siesta; não se brinca com este costume local), ficam abertas até à noite, umas até de madrugada e muitas, se não todas, nos fins-de-semana.
Quase esqueci de explicar uma coisa muito importante. A logística da rede bibliotecária catalã. Cada bairro tem sua biblioteca principal e outra menores, complementares a ela. Elas têm um tema específico ao qual se dedicam - por exemplo, a de Poblenou, onde fui, é especializada em cinema. Assim que oferece muito disso e um tanto de outras coisas. Dessa forma, a rede pode oferecer uma quantidade enorme de livros sem a preocupação de se repetir ou armazenar tudo, o que seria impossível. Isso também permite que os cursos sejam voltados ao que se dedicam, facilitando tanto o acesso à bibliografia específica quanto o conhecimento por parte do público do que pode encontrar no lugar.
Aí vem a Rede Bobo e diz que a gente vê cultura por ali. Fiquei na dúvida se falavam de BBB ou Zorra Total mas, como não posso ir a uma biblioteca do Rio pra pesquisar sobre o assunto, acho que vou só rir do que tentam me vender.
Pena que meu sorriso é de vergonha.
Hoje (quarta-feira passada) foi dia de visita guiada à bibioteca principal do bairro onde está Can Felipa, o centro onde tenho aula de catalão. Antes de andar pelo local, o responsável reuniu a gente - alunos e professora - numa sala pra explicar como funciona o sistema de bibliotecas de Barna. Ainda bem que ele não perguntou como era nos outros países.
Aqui, funciona assim: você vai à biblioteca com sua identidade e faz uma carteira de sócio. De graça. E fica pronta na hora. Com ela, você tem acesso a a) todo o acervo oferecido no local para consulta; b) 30 documentos (livros, CDs, DVDs, jornais e revistas) por mês; c) Internet no local, tanto nos computadores deles quanto por wi-fi; d) aulas grátis de como usar computador, Internet e programas básicos pra quem não sabe; e) televisões para assistir filmes e programas ali mesmo, com fones também oferecidos por eles; f) cursos de vários temas diferentes a preços populares; g) clubes de leitura de uns quantos assuntos.
Além disso, a carteirinha de sócio vale para todas as bibliotecas da província - Barcelona, os povoados cerca e as cidades da região. Você pode pedir um documento de uma biblioteca e eles deixam em outra de graça, ou pagando um euro se for de outra cidade. Se ele não estiver, é só deixar reservado que te avisam quando volta. Também é possível fazer consultas gratuitas na Internet. E não custa nada dizer que, apesar de elas fecharem entre 14h e 16h (siesta; não se brinca com este costume local), ficam abertas até à noite, umas até de madrugada e muitas, se não todas, nos fins-de-semana.
Quase esqueci de explicar uma coisa muito importante. A logística da rede bibliotecária catalã. Cada bairro tem sua biblioteca principal e outra menores, complementares a ela. Elas têm um tema específico ao qual se dedicam - por exemplo, a de Poblenou, onde fui, é especializada em cinema. Assim que oferece muito disso e um tanto de outras coisas. Dessa forma, a rede pode oferecer uma quantidade enorme de livros sem a preocupação de se repetir ou armazenar tudo, o que seria impossível. Isso também permite que os cursos sejam voltados ao que se dedicam, facilitando tanto o acesso à bibliografia específica quanto o conhecimento por parte do público do que pode encontrar no lugar.
Aí vem a Rede Bobo e diz que a gente vê cultura por ali. Fiquei na dúvida se falavam de BBB ou Zorra Total mas, como não posso ir a uma biblioteca do Rio pra pesquisar sobre o assunto, acho que vou só rir do que tentam me vender.
Pena que meu sorriso é de vergonha.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Crackòvia
Uma das maiores dívidas que acredito ter com vocês é não ter falado sobre esse programa mais cedo. Mas antes tarde do que nunca. Vou dar um panorama rapidão cometa antes de entrar em detalhes. E já adianto que esse texto vai ser melhor entendido por quem sabe um pouco de futebol.
Uma das formas (debochadas/pejorativas) de chamar os nascidos em Barcelona é "polaco". Não sei exatamente porque, tampouco o Alberto, e estou com preguiça de inventar uma história agora. O importante é que, por isso, fizeram um programa de humor aqui chamado "Polônia". Muito bom, diga-se de passagem. Seria o equivalente ao Casseta e Planeta, só que exclusivamente de política e absurdamente mais engraçado.
Assim que uma variante deste programa é "Crackòvia". O nome tem duplo sentido - tanto por ser uma cidade polonesa quanto por se referir a craque (crack), já que é um programa de humor esportivo. E, por ser catalão, fala muito do Barça e faz graça com ele. Além de debochar do Real. E é uma das coisas mais engraçadas que já vi na tele. É um rolo meio Monty Phyton. Ou não. Só quero situar vocês.
Eles têm uma capacidade e uma facilidade incrível pra caricaturar os jogadores e personagens ligados ao mundo da bola. As imitações do Pujol (zagueiro e capitão do Barça), Messi, Ibra e Piquet são excelentes. As do Sérgio Ramos, Raúl, Guti e Cristiano Ronaldo, sem comentários. Fora as outras, que não devem nada a estas mas que não faço questão de citar.
Só pra vocês terem uma idéia de como eles são bons, um dos bordões do Guti - "pim-pom-pim-pom-pim-pom" (marcando ritmo de música de boate, já que ele é reconhecidamente festeiro) - está até pichado em muros da cidade. Os daqui usam pra se referir a várias coisas, como "aí a gente vai lá e pim-pom".
Aí embaixo tem um vídeo de exemplo. Quem quiser, com certeza acha mais no youtube. Adianto que é em catalão, mas é fácil de entender. É só pensar na língua como uma mistura de francês, português, castelhano e italiano. E imaginar o Mussum falando isso. No terceiro vídeo já dá pra entender una mica e rir junto. Nem que seja pra fingir que é inteligente.
Conselho de quem já merece um oscar por isso.
ps: só falei isso pra incentivar vocês, eu já falo um pouquinho e entendo bem catalão; nada como umas aulas e miles de amigos daqui pra adiantarem o aprendizado.
Uma das formas (debochadas/pejorativas) de chamar os nascidos em Barcelona é "polaco". Não sei exatamente porque, tampouco o Alberto, e estou com preguiça de inventar uma história agora. O importante é que, por isso, fizeram um programa de humor aqui chamado "Polônia". Muito bom, diga-se de passagem. Seria o equivalente ao Casseta e Planeta, só que exclusivamente de política e absurdamente mais engraçado.
Assim que uma variante deste programa é "Crackòvia". O nome tem duplo sentido - tanto por ser uma cidade polonesa quanto por se referir a craque (crack), já que é um programa de humor esportivo. E, por ser catalão, fala muito do Barça e faz graça com ele. Além de debochar do Real. E é uma das coisas mais engraçadas que já vi na tele. É um rolo meio Monty Phyton. Ou não. Só quero situar vocês.
Eles têm uma capacidade e uma facilidade incrível pra caricaturar os jogadores e personagens ligados ao mundo da bola. As imitações do Pujol (zagueiro e capitão do Barça), Messi, Ibra e Piquet são excelentes. As do Sérgio Ramos, Raúl, Guti e Cristiano Ronaldo, sem comentários. Fora as outras, que não devem nada a estas mas que não faço questão de citar.
Só pra vocês terem uma idéia de como eles são bons, um dos bordões do Guti - "pim-pom-pim-pom-pim-pom" (marcando ritmo de música de boate, já que ele é reconhecidamente festeiro) - está até pichado em muros da cidade. Os daqui usam pra se referir a várias coisas, como "aí a gente vai lá e pim-pom".
Aí embaixo tem um vídeo de exemplo. Quem quiser, com certeza acha mais no youtube. Adianto que é em catalão, mas é fácil de entender. É só pensar na língua como uma mistura de francês, português, castelhano e italiano. E imaginar o Mussum falando isso. No terceiro vídeo já dá pra entender una mica e rir junto. Nem que seja pra fingir que é inteligente.
Conselho de quem já merece um oscar por isso.
ps: só falei isso pra incentivar vocês, eu já falo um pouquinho e entendo bem catalão; nada como umas aulas e miles de amigos daqui pra adiantarem o aprendizado.
domingo, 29 de novembro de 2009
Vida corrida
Eu tinha muitos planos antes de vir pra Espanha. Chegar em forma era um deles. Representar bem a malemolência carioca. Viver o estereótipo. E, como vocês perceberam, falo tudo isso no passado.
Cheguei aqui com cor de agência estampada na cara, e um físico despreparado e duvidoso - ainda que com os resquícios de uma juventude atlética. Foi o mais pesado que estive em minha vida, algo como 83kg pra 1,85m. Estava no limite.
Assim que aterrisei, resolvi fazer um reconhecimento de campo. Fui andando até a praia. Como ela está a mais de 5km de onde vivo e fui de chinelo, ferrei meu pé. Ganhei de presente de boas-vindas um inchaço que durou quase um mês. Saía todo dia com uma bandagem no pé, caminhar muito me doía e se eu o virasse um pouco mais (o esquerdo), parecia que ele ia cair.
Pois o tempo e nenhum remédio curaram o problema, e resolvi que ia colocar meu plano pré-Barna em prática. Comecei a correr sempre que podia. O que quer dizer três vezes por semana. Também comecei uma série regular e frenética de abdominais e alongamento. E finalmente, os resultados começam a aparecer.
Vejo que a velha forma bate à porta. Tenho tido mais disposição pra tudo, agüento o dia-a-dia mais facilmente e, o melhor, tô mandando a preguiça pro quinto dos infernos. Goste ou não, queira ou não, me exercito. A ponto de sair pra correr depois das 18h, com menos de 14 graus e vento forte. Acreditem, crianças, isso dá um desânimo incrível para fazer qualquer coisa diferente de tomar chá e ler debaixo da coberta.
É legal também ver que as caras que passam por você são quase as mesmas todos os dias, e que elas também reconhecem a sua. É como uma irmandade silenciosa de atletas anônimos, que não ganha nada além de mais saúde. O que é muito, na verdade. Ainda que não pague seu aluguel ou recarregue seu celular.
E quando eu voltar, ainda posso escrever um livro de auto-ajuda aeróbica e ficar rico às custas da ignorância alheia.
Cheguei aqui com cor de agência estampada na cara, e um físico despreparado e duvidoso - ainda que com os resquícios de uma juventude atlética. Foi o mais pesado que estive em minha vida, algo como 83kg pra 1,85m. Estava no limite.
Assim que aterrisei, resolvi fazer um reconhecimento de campo. Fui andando até a praia. Como ela está a mais de 5km de onde vivo e fui de chinelo, ferrei meu pé. Ganhei de presente de boas-vindas um inchaço que durou quase um mês. Saía todo dia com uma bandagem no pé, caminhar muito me doía e se eu o virasse um pouco mais (o esquerdo), parecia que ele ia cair.
Pois o tempo e nenhum remédio curaram o problema, e resolvi que ia colocar meu plano pré-Barna em prática. Comecei a correr sempre que podia. O que quer dizer três vezes por semana. Também comecei uma série regular e frenética de abdominais e alongamento. E finalmente, os resultados começam a aparecer.
Vejo que a velha forma bate à porta. Tenho tido mais disposição pra tudo, agüento o dia-a-dia mais facilmente e, o melhor, tô mandando a preguiça pro quinto dos infernos. Goste ou não, queira ou não, me exercito. A ponto de sair pra correr depois das 18h, com menos de 14 graus e vento forte. Acreditem, crianças, isso dá um desânimo incrível para fazer qualquer coisa diferente de tomar chá e ler debaixo da coberta.
É legal também ver que as caras que passam por você são quase as mesmas todos os dias, e que elas também reconhecem a sua. É como uma irmandade silenciosa de atletas anônimos, que não ganha nada além de mais saúde. O que é muito, na verdade. Ainda que não pague seu aluguel ou recarregue seu celular.
E quando eu voltar, ainda posso escrever um livro de auto-ajuda aeróbica e ficar rico às custas da ignorância alheia.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Rádio 3
Quando você está em outro país, experimentando o dia-a-dia de uma cultura diferente, precisa se adaptar o mais rápido possível às coisas do local. Pra mim, que sou movido à música, um jeito legal de fazer isso é ouvindo rádio.
Por sugestão do Alberto, meu assessor (deu branco, espero que seja com esse monte de "s" mesmo) pra assuntos catalães, a melhor daqui é a Rádio 3. Eclética, pouco ou nenhum jabá, gente que conhece muito de música. Resolvi experimentar. Viciei. Ainda bem que isso não dá positivo em anti-doping.
Fato é que a rádio é a melhor que já ouvi na minha vida. Qualquer uma do Brasil perde de lavada pra ela. Se fosse Fórmula 1, as daí se comparariam ao Rubinho. Se fosse futebol, ao Botafogo. Se fosse vela, ao Lars Grael (sem uma perna, pra quem não entendeu o humor negro). Realmente, a estação é incrível.
Eles têm uns programas raros, é verdade. Tipo um em que uma espécie de robô recita frases desconexas com um som ao fundo. Os radialistas também são um pouco esquisitos, como um cara que tem voz de quem fumou até a certidão de nascimento e agora convive com um câncer de garganta de 3 quilos. Mas pasa res, porque esta mesma figura sabe tanto o que acontece no underground ganês quanto a última tendência dos novos sons paquistaneses. E sabe muito de Brasil. Muito.
Um dia, enquanto corria, tocou Wilson Simonal ("Nem vem que não tem"). Ah, mas é conhecido, o cara é cool das antigas, vocês poderiam dizer. Beleza. Pois hoje (dia 25 de novembro, no caso), ele e seu convidado colocaram Zeca Pagodinho. Fácil também? Um pouco antes tocou Maria Bethânia. Ainda não convencidos? Pois logo depois de sua música, que era do seu último álbum, eles discutiram Hermeto Pascoal. E, pra acabar com os mais céticos, meu argumento final. Um nome:
Emílio Santiago.
Sim, ele mesmo. O pontinho preto no milharal. O alvo de tantas piadas homofóbicas. Pois além de ser muito elogiado por sua voz - que é realmente sensacional - ele foi comparado a ninguém mais, ninguém menos que Nat King Cole e Frank Sinatra. Disseram que poderia ser tão famoso quanto qualquer um dos dois.
Claro, eles não sabem que o cara é considerado meio brega por aí. Nem que é razoavelmente excluído do grande circuito. Mas a verdade é que colocaram uma canção muito boa, e deu até vontade de ouvir mais. Coisa que não vou fazer. E senti certo orgulho de ver nossa cultura tão elogiada, e de forma tão abrangente.
Só não fecho este post com algo do tipo "dá neles, Emílio!" porque coisas assim, em se tratando do garotão aí, podem pegar mal. Pra mim, porque com certeza ele encararia com a maior naturalidade. De costas.
Por sugestão do Alberto, meu assessor (deu branco, espero que seja com esse monte de "s" mesmo) pra assuntos catalães, a melhor daqui é a Rádio 3. Eclética, pouco ou nenhum jabá, gente que conhece muito de música. Resolvi experimentar. Viciei. Ainda bem que isso não dá positivo em anti-doping.
Fato é que a rádio é a melhor que já ouvi na minha vida. Qualquer uma do Brasil perde de lavada pra ela. Se fosse Fórmula 1, as daí se comparariam ao Rubinho. Se fosse futebol, ao Botafogo. Se fosse vela, ao Lars Grael (sem uma perna, pra quem não entendeu o humor negro). Realmente, a estação é incrível.
Eles têm uns programas raros, é verdade. Tipo um em que uma espécie de robô recita frases desconexas com um som ao fundo. Os radialistas também são um pouco esquisitos, como um cara que tem voz de quem fumou até a certidão de nascimento e agora convive com um câncer de garganta de 3 quilos. Mas pasa res, porque esta mesma figura sabe tanto o que acontece no underground ganês quanto a última tendência dos novos sons paquistaneses. E sabe muito de Brasil. Muito.
Um dia, enquanto corria, tocou Wilson Simonal ("Nem vem que não tem"). Ah, mas é conhecido, o cara é cool das antigas, vocês poderiam dizer. Beleza. Pois hoje (dia 25 de novembro, no caso), ele e seu convidado colocaram Zeca Pagodinho. Fácil também? Um pouco antes tocou Maria Bethânia. Ainda não convencidos? Pois logo depois de sua música, que era do seu último álbum, eles discutiram Hermeto Pascoal. E, pra acabar com os mais céticos, meu argumento final. Um nome:
Emílio Santiago.
Sim, ele mesmo. O pontinho preto no milharal. O alvo de tantas piadas homofóbicas. Pois além de ser muito elogiado por sua voz - que é realmente sensacional - ele foi comparado a ninguém mais, ninguém menos que Nat King Cole e Frank Sinatra. Disseram que poderia ser tão famoso quanto qualquer um dos dois.
Claro, eles não sabem que o cara é considerado meio brega por aí. Nem que é razoavelmente excluído do grande circuito. Mas a verdade é que colocaram uma canção muito boa, e deu até vontade de ouvir mais. Coisa que não vou fazer. E senti certo orgulho de ver nossa cultura tão elogiada, e de forma tão abrangente.
Só não fecho este post com algo do tipo "dá neles, Emílio!" porque coisas assim, em se tratando do garotão aí, podem pegar mal. Pra mim, porque com certeza ele encararia com a maior naturalidade. De costas.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Crise à vista?
Anúncio na TV espanhola: uma menininha brincando com umas bonecas que estão todas maquiadas, têm carta de motorista e saem de farra por aí. "Já somos maiores", dizem.
Vaya, não sou o cara mais certinho do mundo. Mas, sinceramente, acredito que deveria existir limite pra tudo. Fazer meninas de 10 anos quererem ser mais velhas, por exemplo. Ou então, que anunciem de uma vez o vibrador da Hanna Montanna ou a mamadeira com whisky pro bebê de olhos vermelhos.
Eu gosto demais do que faço, sou apaixonado por criar, minha profissão é divertida, blablablá. Mas isso me lembra meu primeiro trabalho (pra cigarro, quando ainda era becário na DPZ). Ter que fazer algo desse nível me faz mal. Dói na consciência. E não adianta dizer que "se não quiser, não faz". É mentira. Ou faz, ou fica na corda bamba.
Cada vez tenho mais claro por que estou aqui - com relação a mim. Profissionalmente, cada dia imagino uma coisa diferente.
Mas calma. Que ninguém ache que vou surtar ou vender pulseirinhas nas Ramblas (o equivalente a vender mel no Sana). É só fase. Daqui a pouco me encontro, encontro o caminho certo e pronto. Ou ao menos que eu descubra logo como voltar a escrever diariamente porque, mesmo com tudo o que tenho visto e vivido, não tenho conseguido colocar nada no papel.
E crise pra escrever, a essa altura da vida, é muito retardado.
Vaya, não sou o cara mais certinho do mundo. Mas, sinceramente, acredito que deveria existir limite pra tudo. Fazer meninas de 10 anos quererem ser mais velhas, por exemplo. Ou então, que anunciem de uma vez o vibrador da Hanna Montanna ou a mamadeira com whisky pro bebê de olhos vermelhos.
Eu gosto demais do que faço, sou apaixonado por criar, minha profissão é divertida, blablablá. Mas isso me lembra meu primeiro trabalho (pra cigarro, quando ainda era becário na DPZ). Ter que fazer algo desse nível me faz mal. Dói na consciência. E não adianta dizer que "se não quiser, não faz". É mentira. Ou faz, ou fica na corda bamba.
Cada vez tenho mais claro por que estou aqui - com relação a mim. Profissionalmente, cada dia imagino uma coisa diferente.
Mas calma. Que ninguém ache que vou surtar ou vender pulseirinhas nas Ramblas (o equivalente a vender mel no Sana). É só fase. Daqui a pouco me encontro, encontro o caminho certo e pronto. Ou ao menos que eu descubra logo como voltar a escrever diariamente porque, mesmo com tudo o que tenho visto e vivido, não tenho conseguido colocar nada no papel.
E crise pra escrever, a essa altura da vida, é muito retardado.
domingo, 8 de novembro de 2009
Balanço do mês (e pouco)
NE: devido às obrigações de um estudante sem grana e ainda com muito por fazer, este texto está uma semana atrasado.
Depois de pouco mais de um mês na terra dos brancos de olhos azuis, e há um tempo sem escrever para a Ponte, volto com uma auto-entrevista pra resumir, explicar, dar notícias etc de como andam as coisas em Barna.
Eu: Barna?
Eu: Sim, Barna. Já me considero íntimo da cidade. Posso falar de bares, restaurantes, linhas de metrô, quanto está o quilo da laranja e forma de abordagem dos paquistaneses nos diferentes bairros turísticos. Assim, acho normal chamar pelo apelido. Como Zico, Mengo ou Pet.
Eu: Peraí, porque seus exemplos foram todos do Flamengo?
Eu: Porque o todo-poderoso acaba de colar de vez nos paulistas. E, quando você está fora de casa, qualquer alegria é uma grande vitória. Como esse 3x1. Essa taça vamos conquistar!
Eu: Concordo. Mas, voltando. Como é a vida em Barcelona?
Eu: Excelente. A cidade é tranqüila, limpa, o transporte público funciona perfeitamente, as pessoas têm se demonstrado simpáticas. Além do mais, quando se vive em outro país o dia-a-dia parece um grande período de férias. O único problema é que está chegando o frio.
Eu: Muito forte?
Eu: Pra um carioca, sim. Essa história de andar à noite ou ter que acordar às 7h fazendo 10 graus na rua não é nada legal. Fora que, por ser uma cidade de praia, venta muito. A sensação térmica agora deve ser de 273 kelvin.
Eu: Mas seu casaco agüenta, né?
Eu: Depende. Sempre esqueço do mais pesado. Saio sempre com um meio bunda que, na hora do vamos ver, peida. Eu até comprei um da Adidas por módicos 25 euros, que rasguei no metrô. Já era. Qualquer brecha que deixe passar frio congela até a alma dos seus ossos. Mas não tem nada. Março tá chegando, o sol vem aí!
Eu: Você esta conseguindo resolver tudo?
Eu: Espero. Sexta agora pego minha identidade de estrangeiro (NIE) - uma forma de te tacharem gringo e saberem que não está aqui escondido num cafofo e limpando privada no McDonald's no lugar de um espanhol. Com meu NIE posso abrir uma conta, pra pegar a grana que deixei no Brasil. Também vou poder faze o Bicing, um esquema de bicicletas da prefeitura que você pega e deixa em pontos espalhados pela cidade e sai por míseros 40 euros. Quando me mudar pra Barna, vai ser muito útil.
Eu: Ué, você não mora em Barna?
Eu: Quase. Vivo em El Prat de Llobregat, um ainda pueblo mas quase bairro de lá que fica a 10 minutos em trem. Como ele é pontual e tem o dia inteiro, é do lado. Mais perto que muita gente de lá mesmo. Além do mais, está me saindo bem em conta.
Eu: E as aulas?
Eu: Do mestrado, foram melhores esta semana. Na primeira foi tudo muito básico. Achei um absurdo mas, como o professor teve que explicar pra uma menina que apertando CTRL+Z juntos ela conseguiria voltar a cagada que tinha feito, entendi um pouco melhor. Na verdade, ainda não está do jeito que quero. Mas como o principal do máster é arrumar trabalho por aqui, não me preocupo tanto. Por enquanto.
Já as aulas de catalão estão muito boas. Às vezes, me parece que escolhi a carreira errada. Gosto de línguas e me saio bem com elas. Outra coisa: o català é muito parecido com o português. Mais que o espanhol. À primeira vista, parece complicado. Mas com um mínimo de boa vontade e inteligência, bastam duas aulas pra você entender o básico. Mas, como ajuda, basta pensar como o Mussum fala e tentar imitar. Vou escrever sobre isso mais pra frente.
Eu: Está saindo muito? Está em casa direto? Pode falar sobre isso?
Eu: Posso, Carol sabe o que tenho feito.
Eu saio muito com os amigos do Alberto, meu companheiro de piso, e da Bella, carioca que faz um máster em gestão cultural. Conheci os dois em Sevilla, e a vida nos colocou juntos de novo aqui. Os amigos deles são muito legais, alguns inclusive estão se tornando meus amigos. Vamos a muitos bares e restaurantes locais, o que me transforma num semi-camaco.
(camaco: do catalão "que maco!", ou "que bonito"; os daqui falam ou falavam muito isso, e acabaram sendo apelidados dessa forma pelos outros da província)
Não sou de boates, mas ontem fui a uma porque os amigos do Alberto estavam. Era como festa Ploc, mas com músicas espanholas dos 80 e 90. Mais perdido, impossível. Também fui num show de jazz grátis. E já recebi uns amigos gringos aqui em casa - apesar de que o conceito de gringo, agora, está muito expandido.
Mas estou boa parte do tempo em casa. Um, porque já conhecia a cidade. Dois, porque não sou turista e sim morador. Três, porque não tenho grana pra sair. Quatro, porque os deveres me chamam - dos trabalhos do mestrado a lavar cuecas. Poderia encontrar mais motivos, mas como não devo explicação a ninguém e já citei quatro, está de bom tamanho.
Eu: Já começou a procurar trabalho?
Eu: Fui a duas agências, falei com dois brasileiros, não consegui nada em nenhuma delas. Mandei e-mail pra uma conhecida de um deles que não me pareceu muito simpática. Tenho mais um contato e, depois, estou por conta própria. Vim sabendo que o mercado de trabalho não estava lá essas coisas, mas nunca é bom quando suas más suspeitas se confirmam. De qualquer jeito, agora que as aulas começaram eu posso procurar pelo cole. Eles devem me ajudar. Assim espero, claro.
Eu: Tem mais?
Eu: Claro! Acha que minha vida é só o que contei até agora? Acontece que já falei muito nessa postagem. E é bom saber o que os outros querem saber. Vou esperar comentários com novas perguntas (ou não) e escrevo outro texto.
Além do mais, tenho que estudar, escrever e não dá pra ficar me auto-entrevistando por muito tempo. Sou um homem ocupado. Marcamos um próximo papo entre você e eu em breve, vale?
Depois de pouco mais de um mês na terra dos brancos de olhos azuis, e há um tempo sem escrever para a Ponte, volto com uma auto-entrevista pra resumir, explicar, dar notícias etc de como andam as coisas em Barna.
Eu: Barna?
Eu: Sim, Barna. Já me considero íntimo da cidade. Posso falar de bares, restaurantes, linhas de metrô, quanto está o quilo da laranja e forma de abordagem dos paquistaneses nos diferentes bairros turísticos. Assim, acho normal chamar pelo apelido. Como Zico, Mengo ou Pet.
Eu: Peraí, porque seus exemplos foram todos do Flamengo?
Eu: Porque o todo-poderoso acaba de colar de vez nos paulistas. E, quando você está fora de casa, qualquer alegria é uma grande vitória. Como esse 3x1. Essa taça vamos conquistar!
Eu: Concordo. Mas, voltando. Como é a vida em Barcelona?
Eu: Excelente. A cidade é tranqüila, limpa, o transporte público funciona perfeitamente, as pessoas têm se demonstrado simpáticas. Além do mais, quando se vive em outro país o dia-a-dia parece um grande período de férias. O único problema é que está chegando o frio.
Eu: Muito forte?
Eu: Pra um carioca, sim. Essa história de andar à noite ou ter que acordar às 7h fazendo 10 graus na rua não é nada legal. Fora que, por ser uma cidade de praia, venta muito. A sensação térmica agora deve ser de 273 kelvin.
Eu: Mas seu casaco agüenta, né?
Eu: Depende. Sempre esqueço do mais pesado. Saio sempre com um meio bunda que, na hora do vamos ver, peida. Eu até comprei um da Adidas por módicos 25 euros, que rasguei no metrô. Já era. Qualquer brecha que deixe passar frio congela até a alma dos seus ossos. Mas não tem nada. Março tá chegando, o sol vem aí!
Eu: Você esta conseguindo resolver tudo?
Eu: Espero. Sexta agora pego minha identidade de estrangeiro (NIE) - uma forma de te tacharem gringo e saberem que não está aqui escondido num cafofo e limpando privada no McDonald's no lugar de um espanhol. Com meu NIE posso abrir uma conta, pra pegar a grana que deixei no Brasil. Também vou poder faze o Bicing, um esquema de bicicletas da prefeitura que você pega e deixa em pontos espalhados pela cidade e sai por míseros 40 euros. Quando me mudar pra Barna, vai ser muito útil.
Eu: Ué, você não mora em Barna?
Eu: Quase. Vivo em El Prat de Llobregat, um ainda pueblo mas quase bairro de lá que fica a 10 minutos em trem. Como ele é pontual e tem o dia inteiro, é do lado. Mais perto que muita gente de lá mesmo. Além do mais, está me saindo bem em conta.
Eu: E as aulas?
Eu: Do mestrado, foram melhores esta semana. Na primeira foi tudo muito básico. Achei um absurdo mas, como o professor teve que explicar pra uma menina que apertando CTRL+Z juntos ela conseguiria voltar a cagada que tinha feito, entendi um pouco melhor. Na verdade, ainda não está do jeito que quero. Mas como o principal do máster é arrumar trabalho por aqui, não me preocupo tanto. Por enquanto.
Já as aulas de catalão estão muito boas. Às vezes, me parece que escolhi a carreira errada. Gosto de línguas e me saio bem com elas. Outra coisa: o català é muito parecido com o português. Mais que o espanhol. À primeira vista, parece complicado. Mas com um mínimo de boa vontade e inteligência, bastam duas aulas pra você entender o básico. Mas, como ajuda, basta pensar como o Mussum fala e tentar imitar. Vou escrever sobre isso mais pra frente.
Eu: Está saindo muito? Está em casa direto? Pode falar sobre isso?
Eu: Posso, Carol sabe o que tenho feito.
Eu saio muito com os amigos do Alberto, meu companheiro de piso, e da Bella, carioca que faz um máster em gestão cultural. Conheci os dois em Sevilla, e a vida nos colocou juntos de novo aqui. Os amigos deles são muito legais, alguns inclusive estão se tornando meus amigos. Vamos a muitos bares e restaurantes locais, o que me transforma num semi-camaco.
(camaco: do catalão "que maco!", ou "que bonito"; os daqui falam ou falavam muito isso, e acabaram sendo apelidados dessa forma pelos outros da província)
Não sou de boates, mas ontem fui a uma porque os amigos do Alberto estavam. Era como festa Ploc, mas com músicas espanholas dos 80 e 90. Mais perdido, impossível. Também fui num show de jazz grátis. E já recebi uns amigos gringos aqui em casa - apesar de que o conceito de gringo, agora, está muito expandido.
Mas estou boa parte do tempo em casa. Um, porque já conhecia a cidade. Dois, porque não sou turista e sim morador. Três, porque não tenho grana pra sair. Quatro, porque os deveres me chamam - dos trabalhos do mestrado a lavar cuecas. Poderia encontrar mais motivos, mas como não devo explicação a ninguém e já citei quatro, está de bom tamanho.
Eu: Já começou a procurar trabalho?
Eu: Fui a duas agências, falei com dois brasileiros, não consegui nada em nenhuma delas. Mandei e-mail pra uma conhecida de um deles que não me pareceu muito simpática. Tenho mais um contato e, depois, estou por conta própria. Vim sabendo que o mercado de trabalho não estava lá essas coisas, mas nunca é bom quando suas más suspeitas se confirmam. De qualquer jeito, agora que as aulas começaram eu posso procurar pelo cole. Eles devem me ajudar. Assim espero, claro.
Eu: Tem mais?
Eu: Claro! Acha que minha vida é só o que contei até agora? Acontece que já falei muito nessa postagem. E é bom saber o que os outros querem saber. Vou esperar comentários com novas perguntas (ou não) e escrevo outro texto.
Além do mais, tenho que estudar, escrever e não dá pra ficar me auto-entrevistando por muito tempo. Sou um homem ocupado. Marcamos um próximo papo entre você e eu em breve, vale?
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Bud Spencer vai ao banco
Vocês lembram do Bud Spencer? Aquele que só andava junto do Terence Hill, aprontando as maiores confusões e botando pra quebrar - numa linguagem bem sessão da tarde. Não?
Bom, então, ele é esse aqui.
Depois de muito tempo sumido (ao menos pra mim), eis que ligo a TV e vejo sua cara de novo. Não numa reprise de Miami Supercops, mas sim num anúncio da Bancaja, um banco espanhol.
Sinceramente, não tenho visto muitos anúncios realmente inovadores, diferentes ou mesmo bons por aqui. Mas ver o velho Bud (que escolheu esse nome porque gostava de Budweiser) distribuindo tapa no meio da rua compensa.
Sitges
Segundo meu olhar fotográfico super aguçado.
Por esse belo cenário, passearam zumbis ridículos no sábado à noite. Ao fundo, um lugar que não sei o nome.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Acidentes
Durante 12 dias, Sitges, um povoado nos arredores de Barna, se transforma na capital intergaláctica da ficção científica. É que esse lugar bonitinho de praias limpas com casinhas brancas, mulheres de topless e um solitário banhista pelado sedia o Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha, que já está em sua 42a edição.
Dá de tudo no festival. Lançamento de produções como Rec 2, animes esquisitos, caminhada de zumbis (é sério, sábado tem a Zombie Walk, com direito a maquiagem grátis, pra todo mundo se sentir um pouco Thriller) e filmes que pessoas normais, como eu e vocês tentamos ser, queremos assistir.
Já que a carteira de estudante não dava direito à meia-entrada (alô, galera da UNE, chega aê pra gente protestar!), fui obrigado a escolher um filme. Eram várias opções, pra deixar qualquer um com sangue na boca – como o de um ator que interpretava a si mesmo ou uma série de entrevistas com velhos de um pueblo falando de coisas ruins que aconteceram onde viviam e que se relacionavam à loucura. Assim que rapidamente escolhi um filme que tinha buena pinta, como se diz aqui.
Acidentes (com direito à trailler, vale o clique). Filmado por um grande diretor de Hong Kong. Passado no país (província, segundo a China – tome partido e siga o texto). Sobre um grupo que assassinava forjando acidentes, até que algo acontece, o líder do grupo fica neurótico e caga tudo.
Ruim, não é. Mas achei lento, a ponto das cerca de 1h30 que estive dentro da sala parecerem o dobro. Além do mais, o pré-final é um pouco exagerado. Ainda assim, vale a pena baixar. Nem que seja pra saber o que andam fazendo do outro lado do mundo além de forjar acidentes.
Seja como for, nunca parem no meio da rua durante um eclipse solar.
Dá de tudo no festival. Lançamento de produções como Rec 2, animes esquisitos, caminhada de zumbis (é sério, sábado tem a Zombie Walk, com direito a maquiagem grátis, pra todo mundo se sentir um pouco Thriller) e filmes que pessoas normais, como eu e vocês tentamos ser, queremos assistir.
Já que a carteira de estudante não dava direito à meia-entrada (alô, galera da UNE, chega aê pra gente protestar!), fui obrigado a escolher um filme. Eram várias opções, pra deixar qualquer um com sangue na boca – como o de um ator que interpretava a si mesmo ou uma série de entrevistas com velhos de um pueblo falando de coisas ruins que aconteceram onde viviam e que se relacionavam à loucura. Assim que rapidamente escolhi um filme que tinha buena pinta, como se diz aqui.
Acidentes (com direito à trailler, vale o clique). Filmado por um grande diretor de Hong Kong. Passado no país (província, segundo a China – tome partido e siga o texto). Sobre um grupo que assassinava forjando acidentes, até que algo acontece, o líder do grupo fica neurótico e caga tudo.
Ruim, não é. Mas achei lento, a ponto das cerca de 1h30 que estive dentro da sala parecerem o dobro. Além do mais, o pré-final é um pouco exagerado. Ainda assim, vale a pena baixar. Nem que seja pra saber o que andam fazendo do outro lado do mundo além de forjar acidentes.
Seja como for, nunca parem no meio da rua durante um eclipse solar.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Tipos que você seguramente encontra em Barcelona
Considerem isso um guia de variedade cultural da capital catalã. Assim, quando vierem (ou voltarem) aqui, saberão o que encontrar e poderão se preparar pra qualquer situação. E atenção à equação: a ordem dos povos não altera a post.
Brasileiros
Não tem um dia que eu saia de casa sem encontrar vários. Grupos, obviamente. É impressionante como nosso povo viaja, independente de crise financeira, desemprego ou o que for. Eu queria saber que Brasil é este, pra me mudar pra lá.
Vale a pena evitá-los, a não ser que você esteja se sentindo só ou queira falar português. Porque existe um ímã verde-amarelo que simplesmente não dá pra desligar. Uma vez feito contato, vocês vão se esbarrar em todas as esquinas do universo.
Marrons
Primeiro: não são os parentes da Alcione. Segundo: essa classificação não é preconceito. É apenas pra facilitar o “reconhecimento de grupo”.
Em sua maioria, africanos são negros, europeus são brancos e asiáticos são os que andam com câmeras penduradas no pescoço. Mas existe um grupo, normalmente imigrantes-não-turistas, que tem um biotipo característico. São compostos basicamente por indianos, paquistaneses, marroquinos e o que os Simpsons já chamaram de “miscellaneous”. A única diferença entre eles é o bigode, mas ainda não sei dizer quem é quem.
Eles têm apenas das expressões: cansaço/tristeza e desafio.
Cansaço/tristeza – são os que parecem ter jogado a toalha. Sabem que não vão mudar de vida ou ser mais respeitados, que continuarão sendo olhados com desconfiança e nada do que fizerem vai mudar isso.
Desafio – sabem de tudo isso aí de cima, mas parece que, se não é pra serem respeitados, querem ser temidos. Variam entre a cara de mau e a de desdém. Toda vez que você passa por eles, acha que vai ser linchado.
Como estes dois tipos só andam em grupos grandes, tenho a forte sensação de que os figurantes de “Quem quer ser um milionário” se mudaram pra cá depois de ganharem uns trocados com o filme.
Turistas
Estamos no outono, Barna não é a cidade mais barata do planeta e, ainda assim, as ruas estão sempre lotadas deles.
Dizem que aqui era um lugar horrível, e que as Olimpíadas de 92 é que promoveram tantas mudanças. De um lugar em que mal dava pra chegar à praia (segundo os próprios catalães), hoje este é um dos principais destinos turísticos do mundo.
Espero que o Rio siga o exemplo. Há muito o que se fazer na cidade maravilhosa pra que ela mereça de fato este apelido e, se não for agora, eu sinceramente não sei quando vai ser.
Barcelona é a prova de que turista rima com competência. Metaforicamente, mas rima.
Brasileiros
Não tem um dia que eu saia de casa sem encontrar vários. Grupos, obviamente. É impressionante como nosso povo viaja, independente de crise financeira, desemprego ou o que for. Eu queria saber que Brasil é este, pra me mudar pra lá.
Vale a pena evitá-los, a não ser que você esteja se sentindo só ou queira falar português. Porque existe um ímã verde-amarelo que simplesmente não dá pra desligar. Uma vez feito contato, vocês vão se esbarrar em todas as esquinas do universo.
Marrons
Primeiro: não são os parentes da Alcione. Segundo: essa classificação não é preconceito. É apenas pra facilitar o “reconhecimento de grupo”.
Em sua maioria, africanos são negros, europeus são brancos e asiáticos são os que andam com câmeras penduradas no pescoço. Mas existe um grupo, normalmente imigrantes-não-turistas, que tem um biotipo característico. São compostos basicamente por indianos, paquistaneses, marroquinos e o que os Simpsons já chamaram de “miscellaneous”. A única diferença entre eles é o bigode, mas ainda não sei dizer quem é quem.
Eles têm apenas das expressões: cansaço/tristeza e desafio.
Cansaço/tristeza – são os que parecem ter jogado a toalha. Sabem que não vão mudar de vida ou ser mais respeitados, que continuarão sendo olhados com desconfiança e nada do que fizerem vai mudar isso.
Desafio – sabem de tudo isso aí de cima, mas parece que, se não é pra serem respeitados, querem ser temidos. Variam entre a cara de mau e a de desdém. Toda vez que você passa por eles, acha que vai ser linchado.
Como estes dois tipos só andam em grupos grandes, tenho a forte sensação de que os figurantes de “Quem quer ser um milionário” se mudaram pra cá depois de ganharem uns trocados com o filme.
Turistas
Estamos no outono, Barna não é a cidade mais barata do planeta e, ainda assim, as ruas estão sempre lotadas deles.
Dizem que aqui era um lugar horrível, e que as Olimpíadas de 92 é que promoveram tantas mudanças. De um lugar em que mal dava pra chegar à praia (segundo os próprios catalães), hoje este é um dos principais destinos turísticos do mundo.
Espero que o Rio siga o exemplo. Há muito o que se fazer na cidade maravilhosa pra que ela mereça de fato este apelido e, se não for agora, eu sinceramente não sei quando vai ser.
Barcelona é a prova de que turista rima com competência. Metaforicamente, mas rima.
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