terça-feira, 24 de março de 2009

Ah, meu Brasil!

De vez em quando, eu escrevo resmungando sobre o Brasil, os brasileiros, o jeitinho brasileiro, "o bom do Brasil é o brasileiro", e mais um monte de coisas ufanistas descabidas. Mas hoje vai ser diferente. Hoje eu vou ser só elogios aos nossos famosos governantes e midiáticos. Afinal, o que seria das minhas postagens - e das minhas piadas - sem eles?

1."Depois da morte de Clodovil, quem vai cuidar dos cachorros órfãos?"

Eis a pergunta que não quer calar. Pois não dá pra deixar os pobres bichinhos sem seu Pedigree Champ e suas vitaminas reforçadas. Eles não podem ir pra um canil, a Suípa, ou pior: ficar ao relento, como reles mendigos sem-teto. Eles não merecem o mesmo destino que esses malditos desafortunados esquecidos por nós, que só sabem passar fome, pedir dinheiro e roubar maçãs na feira. Não, esses cachorros merecem mais. Têm que ter um dono que dê atenção, amor e carinho a eles, pra que possam passar os útimos anos (ops) das suas vidas com a dignidade devida. Alguém tem que dar (ops) o que eles merecem.

Quem prestou esse grande serviço de utilidade pública foi nossa querida Luciana Gimenez - a biscateira mais profissional que já passou pela face da Terra. E em uma entrevista exclusiva com um amigo íntimo do Clô. Sim, ela ganhou a disputa ferrenha entre as várias redes de TV, incluindo as pagas e algumas estrangeiras, pra entrevistar quem conhecia o ex-tilista a fundo (ops).

Obrigado, nobre senhora. Da vida.

2.Eduardo e o Buracão

Dizem as más línguas que nosso querido prefeito, na verdade, é uma primeira-dama. Coincidência ou não, ele disse ao Extra que não quer ser conhecido como o "prefeito buracão".

Calma, ele não assumiu. Ainda. Ele só estava se referindo a um personagem criado por um fulano, que o jornal adotou para mostrar os buracos espalhados pela cidade. O João Buracão. Bem popular, mesmo. Pelo visto, bem mais que o prefeita, que resolveu tirar uma casquinha do buracão. Com B maiúsculo, pelo menos enquanto diante do fotógrafo.


Depois vou te mostrar quem é o buracão, gato!

A graça disso tudo é que ele se aproveitou de um personagem criado como crítica às mazelas da cidade para fazer politicagem a seu favor. Ou seja, desmoralizou a crítica. Transformou um ponto negativo em um aliado. Inteligente, nosso prefeita, né?

Obrigado, cariocas, pelo grande governante que me deram!

Sábio foi o mestre Dal que, conhecedor da sabedoria popular, levou adiante aquela história de que "quem canta, seus males espanta":

(aqui deveria entrar o vídeo pra vocês verem, mas como esqueci como se faz, cliquem que vai abrir um link; melhor que nada, né?)

"Ah, meu Brasil!"

segunda-feira, 23 de março de 2009

Momento João Hélio (post retroativo)

Eu sabia que minha postagem anterior tava confusa. Não deu outra, esqueci de um negócio que aconteceu antes do show, na sexta.

Estava esperando pra atravessar a rua atrás do metrô da Praça Onze, já que os carros passavam sem a menor piedade dos pedestres, quando um casal resolveu se aventurar num micro-intervalo entre dois carros e um bus. Com certeza eles não contavam que a mulher ia tropeçar e cair, como aconteceu. Um perigo. Mas aí o rapaz teve uma idéia brilhante: arrastar sua namorada até a calçada.

Imagino que ela não tenha achado tão brilhante assim. Primeiro, porque deve ter se machucado pelo metro e meio que foi puxada, fora a pancada no meio-fio. Segundo, porque foi uma cena ridícula, típica de matéria de abertura do JN. Se estivesse presa na porta de um carro, no dia seguinte ia ter gente acendendo vela no local.

Mesmo sendo salva, ela levantou chorando de leve e resmungando pesado com o cara. Talvez porque fosse mais fácil ele ter ficado na frente e pedido pro bus diminuir a velocidade ou desviar - eu acho pouco provável que o motorista fosse passar por cima deles, isso é mais coisa de video game ou menino perturbado de cidadezinha no interior dos EUA. De qualquer jeito, acho que faltou um pouco de gratidão. Afinal, vão-se os anéis (inclusive o arrastado) mas ficam os dedos (provavelmente na mão dele, pela força com que ele puxou a coitada).
***
Não dá pra levar a sério um colunista que escreve que os motoristas de táxi vão poder "fazer pipi". Por isso que o Joaquim Ferreira dos Santos é considerado a escória do universo, junto com o maldito do Anselmo Góis.

Tudo bem, quem considera sou eu. Mas isso não importa, você fala "fazer pipi" pro seu filho de 1 ano que está aprendendo a usar a privada. Aliás, pro meu filho eu vou dizer "vai lá, garoto, manda aquele mijão pro teu pai ficar feliz". Depois, vou levar o moleque pra matinê numa casa de festas no Leblon, pra já chegar pedindo uma chupeta pra primeira menininha loirinha que encontrar.

E quando ele fizer 10 anos, vou levar na porta da casa do já senhor Joaquim Ferreira dos Santos só pra mijar na porta dele, prender um palito na campainha e sair correndo, enquanto o senil maldito vai "fazer pipi"no fraldão geriátrico.
***
Hoje de manhã, meu sogro me liga rindo. Estava vendo TV. A repórter perguntou pra um biólogo se era mesmo verdade a história que "moscas têm uma visão de 360º". Ele deve ter se questionado sobre a teoria evolutiva.

domingo, 22 de março de 2009

Uma semana e tanto

Eu comecei a planejar essa postagem dias atrás. Como não fiz nada antes, esqueci o que ia escrever. Ou seja, mentalmente vou começar tudo de novo. Se alguma coisa não fizer sentido... Bom, dane-se.

O início da minha semana foi de trabalho razoável. Saí segunda 0h, por causa de uma concorrência. Era pra quarta, mas terça 19h o dono da agência diz que brifou errado. Saí às 21h, razoavelmente irritado. Mas isso não foi nada: saí quarta às 2h15 e quinta às 4h30.

Pelo menos eu não fui trabalhar sexta, e ganhamos a concorrência. Agora vamos ver se finalmente aumentam meu salário, porque vai entrar uma grana forte por lá.

Agora vamos ao que interessa.

Sexta era o dia de um show que eu esperava há muito tempo. Radiohead finalmente viria ao Brasil. E ainda ia ter Los Hermanos antes. Mas aí, minha pequena ficou mal e o negócio ia ser só com os gringos, mesmo. Lá fomos nós quatro (sim, tinham mais duas pessoas), chegando a tempo de ouvir "we are the robots" e outras coisas mais de Kraftwerk. Interessante. A galera devia estar viajando horrores com aquelas luzes e sons bizarros - com certeza tinha gente na onda de ácido e afins. Bom, que se dane. Subimos - como eu disse, estava com a minha pequena, um lugar alto era fundamental - e ficamos na expectativa.

(pausa: vou narrar tudo em primeira pessoa. Quero falar da minha impressão, e assim é mais fácil; quem quiser que escreva seu próprio texto.)

Eis que as luzes se apagam. E entra aquele povo estranho da banda, liderados pelo Tom Yorke. Aliás, se ele fosse brasileiro, com certeza moraria em Copacabana, iria toda sexta à Fosfobox e faria cinema na UFF.

Vou pular as músicas que não conheço, e vou seguir a ordem que lembro. Sei que rolou Airbag, There there, Karma police, Just e Creep fechou o show. Aliás, realmente um show. Vários momentos emocionantes, viajantes (pelo menos umas 3 vezes me peguei olhando pro céu, com a visão periférica naquelas luzes loucas que passavam nos tubos do palco e ouvidos ligados na música) e muito, muito valiosos. Daqueles que não se esquecem nunca. Depois de Roger Waters, um dos melhores concertos que já vi na vida. Inclusive por tanta coisa que passava na minha cabeça, e que só vou conseguir organizar pra explanar em breve.

Nem lembro quanto foi, mas valeu cada centavo.

Aí, sábado minha pequena foi pra casa (tava realmente mal, e achei bonito ela não querer arriscar passar virose pro pai em recuperação) e fiquei em Jaca. Resolvi ir com Alan ao cine, ver Watchman. E valeu pra fechar o fds cultural.

O filme é doido. Muito. A história é complexa. Muito. Mas é cheio de argumentos interessantes, que valem reflexão sobre coisas que você acredita. Sobre como consertar o mundo, se é que você tem essa ambição. Eu tenho. E, de quebra, ainda tem uma das melhores aberturas de filme que eu me lembro. Tão boa quanto Senhor da Armas (Guerra). E que se desenrola enquanto toca Times are a-changin', do mestre Bob. Fora o resto da trilha, que tem até Jimi Hendrix. Fora sei lá mais o quê, que já tô todo enrolado escrevendo um monte de coisas enquanto fico revoltado com o Flamengo tomando sacode do timeco do vasco e penso no que ainda tenho que fazer hoje.

Enfim, se você tem 2h40 livres e está com disposição de ver um filme cabeça com linguagem visual excelente e bem doido, vá ver. Vale cada centavo. E serão bem menos centavos que o show do Radiohead.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Post bobo primeiro

Com certeza você tem um amigo viciado em tecnologia, daqueles que gastam 32.000 dólares no iPhone GigaNano versão beta e sabem exatamente o que aconteceu entre o sub-executivo de novos parâmetros fisiológicos 3D de Silicon Valley e a estagiária indiana da gigante da Internet. Mas, com certeza, nenhum dos seus conhecidos é como nosso querido Jerry.

Porque Jerry, que não é desenho animado nem nada, substituiu a ponta perdida de um dedo por um pen drive. E o pior, por sugestão do médico.

Se fosse aqui, o malandrão da roupa e colarinho brancos ganhava um processo giga nas costas. De 2 gigas, como o USB do rapaz. Mas na Finlândia vale tudo. Quem sabe não vai ser ali o começo do ser humano híbrido com eletroeletrônicos acoplados e motor 1.6 aspirado no lugar do coração?

Em todo o caso, vale a pergunta: se você fosse colocar alguma coisa na ponta do dedo, o que seria?
***
Adam Ries, matemático alemão, com certeza vai ter problemas com a lei. Só não sei se a lei desse ou do outro mundo. Afinal, quando uma pessoa morta há 450 anos recebe a cobrança de contas atrasadas das mensalidades de TV, com quem ela se entende?

Eu realmente não sei, mas tenho certeza de que a fatura chegou alta. Ainda bem que o Ries é matemático, porque fica muito mais fácil contestar os juros. Assim que o advogado de defesa encontrar um médium para psicografar as contas.

E é sinal de que o lugar pra onde ele foi depois de morrer é bem chato. Por que outro motivo ele teria TV por assinatura? Ver filme pornô com a Angélica?

Poupando meu tempo

Na postagem passada eu dei algumas opções pra esse texto. Já estava tentado a falar da questão do aborto, mas aí vem a Igreja e excomunga a família da menina. E o Vaticano corrobora.

Obrigado, padres católicos e afins, por pouparem meu tempo. Não preciso escrever mais nada, essa decisão diz tudo.

Já, já volto a postagens normais. Sem discussões como a que viria aqui, que seria como bater em bêbado.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Momento G1 - a enquete

Tá bom, eu sei que já falei sobre o uso exagerado de notícias do G1 aqui. Já expliquei também que não sou pago por isso - infelizmente, senão minha receita mensal estaria bem mais gorda.

Acontece que as Organizações Globo têm dinheiro pra cobrir todo o sistema solar, fazendo com que eles ofereçam "bilhares" de notícias. Boas, ruins, idiotas, sempre tendenciosas, mas para todos os gostos. Ninguém pode reclamar. Nem eu.

Mas essa introdução foi só pra enrolar. Eu vou citar três fatos, todos tirados da página deles, e ainda não escolhi sobre qual vou escrever. Enfim:

Você é contra ou a favor do aborto? E se for numa menina de 9 anos? E se ela tiver sido estuprada? E se foi pelo padrasto? Vai pensando nisso.

Ainda não encontrou alguém pra passar o resto da sua vida? Calma, ainda dá tempo. Ele, pelo menos, acredita nisso.

Problemas com dinheiro? Não sabe como pagar as dívidas? Quer uma sugestão? Serve essa?

Vão pensando aí. Vou fazer o mesmo. Na próxima postagem a gente vê como fica. Até porque, eu mesmo não sei.

Arte na (e com a) Ponte

Um dia, a Ponte Elétrica vai ser muito famosa. E essa obra neo-pós-supra-contemporânea vai valer milhões. De libras. Ou yens, dependendo de quando isso acontecer.

O importante é que todos acompanhem o andamento da Ponte desde já.

*post profético

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Nazismo em cores e legendado


"Vocês sabem o que é um pontinho preto no milharal?"



"É sério? Você pegou a Preta Gil?"



"Tira a mão! E pára de me chamar de 'minha nêga'!"



"Soldado do samba é a música que eu mais gosto."
"Só Preto Sem Preconceito é a parada, neguin'!"

Um dia de fúria animal


"Gordo? Você tá me chamando de gordo?"

O mundo anda muito estressante, e nem a novela da Gloria Perez consegue acalmar os ânimos. Depois de ser obrigado por sua gorda esposa a assistir o capítulo de quarta, esse paquiderme (sem ofensa) tentou entrar em contato com a Globo Internacional para expressar suas preocupações com o enredo. Não conseguiu, acabou mandando um Bahuan nas calças porque não teve tempo de chegar no mato e se revoltou de vez.

Cansado de ser explorado em seu país como mão-de-obra barata, pago em amendoim e bebendo água do Ganges suja de cinzas de mortos e cueca de castas inferiores, saiu de casa destruindo tudo o que via pela frente. O que não era muita coisa, porque o povo é muito miserável. Mas, bem ou mal, foram 3 horas de uma catarse nervosa, mandando riquixás e kombis velhas pro espaço.

Não sei como acabaram com a festa do gordinho aí de cima, mas com certeza ele voltou pra casa muito mais relaxado depois da farra. Se bobear, até dormiu de conchinha.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

É do Brasil!

Além de boleiros, o Brasil tem exportado cada vez mais pilantras para os quatro cantos do mundo. Mas esses ficaram devendo na habilidade.Pô, perder pros hermanos não dá, né?

Depois da masoquista brasuco-suíça, foi a vez do jegue sul-matogrossensse fazer o povo passar vergonha e aumentar nossa (má) fama lá fora. Ainda bem que foi no Mercosul, porque nessa zorra quem manda é o Brasil e ai dos argentinos se reclamarem. A gente fecha as estradas e eles nunca mais vêm pra Búzios e Floripa e eles vão se matar lá dentro. Ou então, passam as férias em Asunción, comprando muamba e tomando sufoco de brasiguaio.

De qualquer jeito, fiquei com a impressão de que "se o bom do Brasil é o brasileiro" eu sou togolês até a alma.

Errata

Nas eleições presidenciais de 2002, o publicitário Alexandre (aka eu) votou no candidato Lula. Vejam bem, apenas em 2002 - em 2006, ele votou nulo.

Porque ver o presidente do seu país sendo padrinho de casamento de um puxador de escola de samba, em plena avenida, em pleno carnaval, em plena discussão sobre sua campanha eleitoral pela generalíssima Dilma é demais pra esse pobre crédulo. Pobre mesmo, meu salário é baixo. E crédulo mesmo, não importa o que aconteça eu continuo levando fé no Brasil.

Mas não vamos exagerar, né, vossa Excelência?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Doença de House

Dizem que a arte imita a vida. Ou o contrário. Tanto faz. Fato é que o caso da brasuco-suíça maluca me lembrou pelo menos umas oito tentativas dos pupilos do House de empurrar guela abaixo uma doença que só tinha ouvido falar no seriado. Tem um problema qualquer difícil de diagnosticar? Pode ser lúpus, doença de Pfalz-übber Neschling ou síndrome de Mutombo-Carl-Nakamura. No caso da nossa compatriota mentirosa, é lúpus, mesmo.

Sei que que aliviarem a barra dela por causa dessa mísera doença inflamatória, a gente vai ter escapado de uma boa saia justa. Depois de espernear e choramingar aos quatro ventos, pedindo investigação rigorosa e uma punição exemplar para os abomináveis monstros que tinham retalhado a menina e feito com que perdesse os gêmeos, ter que aceitar o fato de que ela mentiu e criou um mal-estar em muita gente (incluindo o alto escalão do governinho) é muito constrangedor.

Mas o pior é saber que nem isso vai fazer nossa política externa melhorar, ou o Lula ficar quieto de vez em quando. Ele devia ficar só com o programa na rádio, porque aí poderia falar à vontade e ninguém ia escutar de qualquer jeito.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Bela tese de doutorado

Você é uma pessoa curiosa? Sempre quis saber sobre a qualidade de vida de mulheres com bexiga hiperativa em uma cidade qualquer no interior de São Paulo - por exemplo, Sorocaba? Então aqui está o que você aguardava há tanto tempo!

Essa é pra guardar com aquela pitada especial de orgulho, hein, USP?

Tem coca aí na geladeira?

Não, na cama mesmo. Porque a cocaína não se guarda em locais frios, pelo risco das moléculas de CoCa3 se expandirem após violenta contração peptídica e formarem um novo composto inorgânico, o CoCaR17 - elemento semi-radioativo muito utilizado por índios durante práticas de canibalismo vingativo. Mas só pelos índios vegetarianos, que se aproveitam do efeito alucinógeno causado pelos elementos da nova fórmula para modificarem sua realidade florestal.

Se a mãe dessa história fosse da tribo dos comedores de gente da outra, teria seu nariz saboreado com farofa. De meleca.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Mein Kampf tupiniquim - a revanche

Lembra daquela história que contei umas semanas atrás sobre o alemão que fez gêmeos no Sul do Brasil, e sem precisar do tal do sexo (se não lembra, releia aqui)? Pois é, agora a cidadezinha que tinha o maior orgulho da sua fama já não quer mais saber dela.

Mengele é coisa do passado. E dos outros. Porque Cândido Godói, pelo menos segundo eles mesmos, não tem nada a ver com isso.

Se eu não fosse moreno, iria até lá conferir como isso vai terminar. Mas não quero morrer em prol da supremacia ariana deles.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Momento G1

Acho que vou pedir um por fora das Organizações Globo. Pô, toda hora eu fico repassando notícias do portal, gerando cliques (supondo que todas as pessoas que passem pela Ponte vejam o link), dando dinheiro, enquanto eu não ganho nem um migué. Beleza, passo um pouco por trouxa perante o império global, mas trago informações aos meus amigos e ilustres desconhecidos. E aí?

Em todo o caso, fiquei feliz com o Rob Plant. Mas também, com um resultado desses, quem não ficaria? O cara é fora-de-série, um quarto da alma do Led - seria injustiça dizer que ele era A alma, porque a banda era toda fora-de-série - e continua fazendo sucesso. E o sucesso, verdadeiro e duradouro, é pra poucos.

Enquanto vibro com Beto Planta, vejo que a humanidade ainda tem salvação. Pois não é toda hora que alguém se arrepende durante o crime cometido. Bom, você também pode chamar isso de covardia. Ou burrice. Ou covardia e burrice. Mas, pra renovar minha fé na humanidade numa época em que só recebo notícias desagradáveis dessa raça conhecida como ser humano, qualquer besteira é um alento.
***
Quem diria que eu iria escrever "alento" algum dia, nesse blog.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Bom dia pra quem?

E estamos nós aqui, eu e meu pai, fazendo hora(s) no Pasteur. Sim, já tem duas semanas que ele está aqui. E, infelizmente, é a primeira vez que posso ficar uma noite. Mas pra ser sincero, espero que seja a última. Por ele, principalmente. Mas não só, pra falar a verdade.

Quando eles dizem que pode ficar um acompanhante toda noite, devem se remoer por dentro. Aquele ódio mortal de ter que dar dois lençóis, um travesseiro, uma toalha e um cobertor. Café no dia seguinte, imagina que horror. Porque só isso explica o que eles oferecem pra quem fica.

A "cama" onde dormi é um sofá. Até aí, nada demais. Só que ele é de três lugares - e se divide por baixo, com um ferro entre as partes. Ferro que fica cruzando suas costas quando está deitado. E não tem como fugir. Se você é grande, como eu, vai ter que deitar em cima desse treco. E dói, viu.

Imagina minha mãe, com seus __ anos (se não se fala idade de mulher, imagine da própria mãe) e problemas na coluna, dormindo aqui. Por mais de uma semana. Isso é tortura. Deveria ter alguma coisa parecida durante o império romano ou a idade média, com certeza. Não vou me surpreender nada se vir um móvel desses no History Channel.

"Mas espere, não é só isso!" Tudo bem que esse não era o sono da minha vida (até porque, "sono da vida" soa como morte, né?), mas não precisava vir uma enfermeira às 5h e acender a luz, perguntando se estava tudo bem. Claro que não estava. Se você acorda alguém às 5h com a luz na cara, nunca vai estar tudo bem. Pelo menos pressão e temperatura do meu pai estavam normais.

"E ainda não acabou!" Às 7h entra alguém que eu nem vi, por estar tentando dormir de novo, e traz o café da manhã. Bom, pensem nele como café de hospital. Não pela comida, que era normal, mas pelo café em si. Tão fraco que eu acho que veio da UTI. Sem permissão dos médicos.

Mas como estou aqui pelo meu pai - que, aliás, está olhando pro teto, o que me faz parar de escrever logo - eu não reclamo. Mais.

Enfim, eu me senti uma visita indesejada. Daquelas que a dona da casa coloca vassoura atrás da porta, pra ir embora e nunca mais voltar.

Se Deus quiser, nunca vamos ter que voltar, mesmo.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Bom senso? Cadê?

Precisando de referências para a falta de noção? Quer saber por onde anda o ridículo? Já pensou em um dueto onde apenas uma das pessoas sabe cantar - em qualquer língua?

Se o Bono Vox aceitar essa proposta, o respeito que tenho por ele (e que já não é lá muita coisa, pra não dizer microscópico) vai pro espaço. Junto com a dupla, espero.

Dúvidas animais

Você sempre se pergunta, em situações onde parece que os problemas vão explodir, quem vai pagar o pato? Então a resposta está aqui.

Caso você esteja com preguiça de clicar na notícia, adianto que são eles mesmos. Patos. Os pobres coitados pagaram com a própria vida para que o povo mantivesse a expressão viva. Que belo exemplo de altruísmo, deram esses animais!

Mas se você é do tipo que prefere pensar em moda - e, mais que isso, adora criticar moda, essa notícia é pra você.

Realmente, vivemos em uma época estranha, onde qualquer vaca sai ganhando acessórios por aí. Mas pra não dizer que foi gratuito, pelo menos essas vão garantir o leitinho das crianças.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Combo de notícias (como sempre)

Pra não fugir à regra, volto a andar pela Ponte com aquele habitual combo de notícias, comentários, filosofias e baboseiras em geral. E tudo tirado da vida real porque, como meu irmão costuma dizer, "nada é mais engraçado do que a vida real".

A justiça tarda, mas não falha. Em ser engraçada. Não é? Mas é impressionante como, depois de tantas histórias que prejudicam a imagem do Brasil, depois de erros grosseiros envolvendo o nosso sistema judiciário (vide o caso Cesare Battisti - depois como os idiotas vão querer extraditar o Cacciola?), vem um juiz e explica sua decisão de multar uma loja de varejo por demorar a trocar a TV do indivídio porque assim ele não vai ver "as gostosas do BBB e Americano X Macaé". E o conceito dos brasileiros lá fora vai de vento em polpa. De bunda.

Mas eles também erram. Ou então Tico e Teco poderia muito bem ser verdade, com esquilos caçando tesouros e tudo o mais. Porque não acho muito provável um esquilo ter seqüestrado uma menina, um menino ou qualquer outro tipo de ser humano. Bom, talvez atendimento eles conseguissem.

Sua mãe é tão gorda que tem seu próprio centro gravitacional? Então ela deve ter que pagar duas passagens também, como essa pobre australiana. Quer dizer, pobre ela não deve ser, pra poder bancar a quantidade de comida que manda pra dentro todo dia. Toda hora. A cada minuto, na verdade. De qualquer jeito, a cobrança foi realmente injusta: a bunda dela é grande, mas não se divide em duas.

Pra compensar, um assunto sério: esse. Prometo que, muito em breve, vou voltar pra falar com calma sobre ele. Mas se eu não colocasse o link agora, ia esquecer. Quando for filosofar sobre isso eu digo o que penso. É até bom pra dar tempo de vocês pesquisarem também, porque não quero ninguém resmungando coisas como "Deus criou a vida, quem é a pessoa pra tirar" ou "ela tá sofrendo, é melhor morrer logo". Vamos embasar a lenga-lenga, né?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

José Saramago

"Quê?
By José Saramago

As perguntas: “Quem és?” ou “”Quem sou?” têm respostas fáceis: a pessoa conta a sua vida e assim se apresenta aos outros. A pergunta que não tem resposta formula-se de outra maneira: “Que sou eu?” Não “quem” mas “quê”. Aquele que fizer essa pergunta enfrenta-se com uma página em branco e o pior é que não será capaz de escrever uma palavra que seja."

Imagino que esse seja um belo exemplo da genialidade do Zé. Um estudo filosófico que só precisou de quatro linhas pra passar o recado. Sem livros de 800 páginas, sem linguagem complicada, sem jabá das editoras. Só uma pergunta.

Por falar nisso: que sou eu? Que é você?

ps: pra quem quiser, o link.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Mein Kampf tupiniquim

Adolfo era um cara pacato. Gostava de artes, esportes e da supremacia ariana. Em busca de auto-afirmação própria e de terceiros que se expressassem claramente (pelisticamente falando), escreveu um livro falando de sua ideologia política. Foi um sucesso em seu país, e posto em prática durante um bom tempo. Um projeto audacioso, apesar de queimar o filme - e o corpo inteiro - de seus vizinhos não tão claros, principalmente judeus.

Quando a vaca totalmente branca foi pro brejo, e por brejo entenda túmulo, seus fiéis companheiros se mostraram não tão fiéis e, no bom e velho português, ralaram peito. Provavelmente ao passarem pode debaixo das cercas de arame farpado. E foram parar em vários lugares diferentes do mundo, dando preferência sempre a sítios onde se reconhecessem nos outros. Ou outras.

Um desses foi Mengele. Um anjo. Da morte, pra ser mais exato. Ele veio para a América do Sul, dando escapadelas esporádicas para o Sul do nosso vasto país. Enquanto passeava pelas pradarias e outras espécies de vegetação que não me lembro, cuidava de futuras mamães. Um gesto nobre, que ajudou a dar continuidade a um grande número de acompanhamentos pré-natal. E aumentou consideravelmente a incidência de gêmeos - coincidentemente, loiros de olhos azuis, a preferência de Herr Hitler. Um nível muito acima da média mundial. Se isso faz você pensar, leia mais aqui.

E essa foi mais uma da série "explicando causos do mundo para leigos, ignorantes ou os dois".

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Dois cantores

Talvez vocês não conheçam William Naraine. Mas é impossível nunca terem ouvido - dançado - aquela tal de "you gotta run to me". Ou então "who's fooling who?, who's fooling who?". E "please, don't go/ don't gooooooo/ don't go away"?

Pois é. Double You. Todo mundo conhece, e mesmo que não admitam, todo mundo gosta. Por tudo isso, quinta passada foi um dia histórico na vida de um ser humano normal de bom gosto e com um pezinho da pré-adolescência nos anos 90. Eu fui ao show dele. De graça. E fiquei na primeira fila pós-área VIP, o que era melhor que a VIP porque tinha um degrauzinho que me deixava acima da cabeçada toda.

Na verdade, fomos eu, Carol, Cadé (amigo e ex-dupla na agência) e Rafa. Foi uma noite especial, daquelas em que suas memórias ganham cores e cheiros e as coisas que você fez (ou deixou de fazer) vêm à tona com força. E um jeitinho legal, que não deixa nada estragar a lembrança. Aí a gente cantou, dançou, esperou a energia - do Canecão, não nossa - voltar (tsc tsc tsc, Canecão), ouviu o ítalo-indiano falar português (e bem, ele até se corrigiu quando errou um plural), viu o mané tentar rebolar atrás da backing vocal e não conseguir, já que a bunda dela batia quase no peito dele... Enfim, hora e meia de fortes emoções.

Ah, sim. Ainda rolou aquele momento "aproveita e tira onda", quando ele pergunta "vuoi capisce l'italiano?" (foi mal se errei, mas não lembro como conjugar verbos e nem vou procurar) e eu mando um "io!" sacudindo as mãos. Pô, claro que ele acreditou. Todo mundo que fala italiano sacode a mão, é quase uma regra gramatical deles. Tanto que os tradutores "surdo-mudo" têm tradutores "gesto-mudo".


"Ma che! Parla l'italiano, bambino? Congratulazione, grazie, ma che!"

E quando a gente acha que já viu tudo no show, o que acontece? Duas mulheres - vejam bem, eu não disse uma, mas duas - sobem no palco e dão um beijão no cara, sendo retiradas logo depois pelos seguranças. Seguranças entre aspas, né, porque depois da primeira os caras não se preocuparam em prestar mais um pouco de atenção, e aí subiu a segunda. Pelo menos o fanfa aí de cima deve ter saído felizão.

E quando você finalmente pensa que já viu de tudo mesmo no show, mais uma surpresa acontece. Uma inimaginável, e ainda mais fanfarrona. Latino, o homem da festa no apê, sobe no palco, discursa sobre sua empresa ter tradizo o cara, promete Information Society (que vou, é claro!), canta com o senhor Double You e ainda dá uma palinha do quê? Sim, Festa no apê. Versão voz e violão. O cara é um gênio.

Quer dizer, sabe aquele "dois cantores" que dá título ao post? Pois é, é a tradução do Latinão pra Double You. O que me obriga a reduzir o status de "gênio" pra "besta sortuda". O que é até mais justo, pra ser sincero.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Combo rapidinho

Eu ia falar da vaga pra "zelador de ilha" na Nova Zelândia. Isso se tivesse postado uma semana atrás. Como essa notícia já é passado (graças a essa tal Internet, a mesma que me fez saber da vaga), vamos a outros assuntos interessantes. Um resumão comentado:

*nos EUA, um pai deu a filha de 14 anos em casamento pra um cara de 18, em troca de 16 mil dólares, 100 caixas de cerveja, umas de carne e mais sei lá o quê. Duvidam, tá aqui. Duvidando ou não, ele fez. E o mais bizarro é que só ficaram sabendo quando ele denunciou o outro por não ter pago o acordo, dizendo que sua filha tinha "fugido de casa". Se fosse um pouco mais inteligente, tinha vendido pra um sheik e pego uns petrodólares em troca. Se eles compram até o Anelka, com certeza comprariam mais uma esposa.

*o que a loteria do Alaska tem a ver com um novo conceito de ironia? Descubra aqui. De qualquer forma, isso prova mais uma vez que Deus tem senso de humor. Ou então que aqui se faz, aqui se paga e aqui se recebe muito mais depois.

*um carro movido a propulsão nuclear. Deve ser o único caso na história em que ninguém espera que ele seja um estouro.

*obesidade mórbida: será que as pessoas têm medo que um gordo coma seus filhos? É daí que vem aquela lenda que "comunistas comem criancinhas"? Comunistas eram (são, se ainda existirem) gordos? Agora, sim, entendo porque "regime comunista".

*ele vale mais do que o PIB de um país inteiro. Mais do que 1/3 das nações africanas. E tudo porque nasceu sabendo jogar futebol. Se disserem que ele está com a bola cheia, é de dinheiro. Deus é mesmo brasileiro, e o senso de humor dEle está cada vez vais apurado. Porque só pode ser piada eu trabalhar assim e ganhar menos do que uns cinco muinutos de salário do Kaká.

*Oasis lança documentário no MySpace. E enquanto as novas mídias dominam o mundo, eu faço uma mala direta pra um empreendimento imobiliário. Maneiro, né?

*desculpa, não sei o que dizer. Vou ter que acabar a postagem sem uma piada. Mas bem que meu irmão diz, a vida real é muito mais engraçada do que qualquer história. Mais pra tragicômica, nesse caso.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ou vai ou racha

Fernanda Venturini anunciou a aposentadoria. Oito vezes. E acaba de dizer que vai voltar. De novo.

Seria ela o Romário das quadras?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Máquinas de sexo

Bem que aquele funk antigo já dizia. Na verdade, essa notícia só veio confirmar o que todo mundo já sabia. Não só com relação às mulheres cariocas, mas aos cariocas em geral. A gente gosta, ué. E daí? Temos praias, gente bonita, culto ao corpo. Nosso carnaval tem gente pelada. Nossos eventos com gente vestida tem gente quase pelada. Esse guia aí é quase um elogio.

Falando sério, agora. É incrível como entra ano, sai ano, e sempre tem um guia turístico, um boca-a-boca (não sei se tem hífen, nem quero saber - vai ficar assim), um sei-lá-o-quê ligando brasileiros(as) e sexo fácil. Além da imagem de pouca roupa que levamos pro exterior, essa coisa de exportar prostitutas tanto quanto mandamos laranjas lá pra fora deve ajudar um pouco.

Só sei que eu moro no Rio e tenho minha pequena, então essa dica dos gringos não altera em nada minha vida.
***
Falando em alterações na vida, é incrível como coisas boas podem ser ruins e vice-versa. Não sei, não, mas acho que Deus tem um xis de ironia que está além da compreensão de reles mortais bobos e pecadores como eu.

Taí um domingo de sol com pancadas de lágrimas que não me deixam mentir.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Então foi Natal

Engraçado (força de expressão, isso não tem graça nenhuma), não lembrava como é difícil escrever depois do Natal. Dois dias parado e parece que eu esqueci o alfabeto inteiro. Ou melhor, só metade. Eu ainda sei grunhir umas palavras com um pouco de sentido.

Mas não vim aqui pra falar disso, porque com certeza algum colunista vai colocar a mesma coisa hoje no jornal - assim como, todo início de ano, pelo menos 2 deles escrevem sobre a dificuldade de se falar coisas diferentes no dia 1 (ou 2, 3, que seja) e como é quase impossível tirar assuntos do nada e falar sobre qualquer coisa, fazendo da falta de assunto um assunto. Batido.

Enfim, o importante é que uma parte da minha infância foi alimentada nesse Natal. Depois de 25 anos, recebi minha primeira pistola de água. Aliás, duas. E já parti pra guerra. Primeiro contra meu irmão, depois contra o líder opressor (vulgo pai), que usou de força desproporcional para combater os manifestantes (disparava com a mangueira do quintal). Se eu pudesse denunciar a situação ao tribunal de Haia, isso seria enquadrado como crimes de guerra contra a humanidade. Pobre povo, sempre sofre as piores conseqüências.

Essa pequena história de Natal prova algumas coisas. Carol me conhece. É sempre bom voltar pra casa dos pais e esquecer as contas a pagar. Família é insubstituível. Nunca é tarde pra brincar com pistola d'água. Meu lado criança é imortal. Eu não sei como acabar um post que começa num vazio da minha infância.
***
E já que não sei como acabar, continuo com uma dica de filme. Contos de Nova York. Comprei a 16,90 dinheiros brasileiros na Livraria da Travessa do Barrashopping, e valeu cada centavo. São 3 histórias dirigidas por 3 até-que-nada-mal diretores: Scorcese, Coppola e Woody Allen. O primeiro faz um trabalho genial, o segundo cuida de uma história muito louca e o terceiro... Bom, é o Woody Allen. Um excelente filme pra quem não quer dormir por esses dias de vagabundagem. Com todo respeito ao espírito natalino e às expectativas pro ano novo.
***
O melhor do Natal é você ver que pessoas importantes na sua vida, e pra sua vida, não esquecem de você. Na verdade, ainda são e se comportam como antes, mesmo estando há milhares de quilômetros de distância. Genial, tío!
***
Que seja mais fácil acabar de escrever na postagem de ano novo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Então é Natal?

Bom, vou resumir a postagem porque minha paciência não está lá essas coisas. E quem me conhece sabe que, pra eu chegar a esse ponto, pelo menos dois dos cavaleiros do apocalipse chegaram forte chutando meu saco – ao som de J Quest.

Hoje é dia 23, véspera do meu esperado descanso, e o ritmo na agência está frenético. Sinal de que as demissões de dias atrás foram, no mínimo, desnecessárias. Se não fosse assim, não estaria chovendo trabalho toda hora. Nos últimos dias (incluindo final de semana), matei uns 15. Sem exagero.

Não entrou bônus, vetaram um anúncio maneiro, vai chegar outro no mínimo perigoso, talvez tenha que trabalhar na sexta e pensar sábado e domingo pra trazer coisa pronta segunda, atendimentos não conseguem nem escrever um mísero briefing – quanto mais entender uma idéia. E por aí vai.

Tô começando a acreditar nessa coisa de inferno astral. E olha que falta exatamente um mês pro meu cumple.

Ainda bem que porte de armas não é legal no país.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O dia em que tentaram me matar

Quinta-feira passada dei início a uma série que promete revolucionar - só falta saber o quê. "Quinta criativa", onde pessoas com algo a conversar, idéias na cabeça e nenhum pudor de falar besteira se encontram pra discutir criatividade e coisas do mundo, seja lá o que for.

Eu, Rafa e Sñr Almeyda, publicitários, fomos ao Mug Bug. Um pub recém-aberto ao lado do Copacabana Palace. Ambiente muito bom, gringada, comida e bebida boas.

Peraí, eu disse bebidas?

Foi. Então, desculpa. Porque no meu segundo chope veio um caco de vidro de fazer inveja a acidentes de carro. Era praticamente meia borda de um copo qualquer, como de requeijão. E estava lá no fundo, esperando eu virar inocentemente a caneca pra cravar na minha garganta como uma espinha de peixe. Peixe, não, tubarão-martelo.

Chamei a garçonete, que estava atendendo legal a gente, brinquei e mostrei a arma da tentativa de homicídio. Ela se espantou e trouxe um chope grátis. A sensação de satisfação durou até o seguinte, quando encontrei no outro uma tampa de garrafa. Sendo que não havia garrafa na mesa.

Ok, um raio cai duas vezes no mesmo lugar. Ou então tinham algum problema comigo. Comecei a acreditar que, realmente, queriam me matar. E resovemos pedir uma solução pra o caso e a conta.

A gerente relutou, ofereceu tirar três chopes, mas depois de conversar por telefone com o boladão da casa liberou todos. Pagamos o resto da conta e saímos com aquele bonito sentimento de que sobrevivemos mais um dia em uma cidade perigosa como o Rio de Janeiro. Sendo que, dessa vez, era fogo amigo.

Moral da história? Pensem duas vezes antes de virar um chope, caso não estejam sozinhos e em casa.
***
Não vou falar de futebol. Um campeonato que termina com "erro de arbitragem" - entre alguns milhões de aspas, e sempre a favor de um time paulista, muito comumente o São Paulo - e a vergonhosa irregularidade, pra não dizer apatia patética, do time com a maior torcida do mundo e tantos craques e títulos importantes, não pode ocupar nem a pontinha do acostamento da Ponte.

Aqui só transita o que faz por merecer. E campeonato brasileiro, definitivamente, não é o caso.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Cega e desorientada

Primeiro, leiam essa notícia.

Leram? Então já entenderam onde quero chegar. Em todo caso, falo mesmo assim.

Como pode um país com tantos problemas graves se dar ao luxo de passar todo esse tempo, e mobilizando todas essas pessoas, para julgar a tentativa de roubo de um beijo? Por que tanta moralidade a troco de um caso tão insignificante? O que isso vai mudar no país?

A desigualdade social vai continuar a mesma, a sangria nos cofres públicos vai continuar a mesma, o descaramento dos nossos governantes vai continuar o mesmo. Até o técnico da seleção vai continuar o mesmo. Mas um pobre coitado idiota, que tentou dar um "bitoco" (como o juiz diz) numa mulher que, provavelmente, é horrorosa, levou um tempo sendo julgado por um monte de desocupados que gastaram o nosso dinheiro pra analisar esse caso.

Em um país onde a maior festa é cheia de gente pelada (não que me oponha, só estou citando), valorizar essa falsa moral é tão absurdo quanto pedir pra cagar em penico de ouro. Mas, como em todos os casos - no do penico, deve ter um árabe cagão-dourado -, tem sempre alguém que ache bom dar seqüência na palhaçada.

Você pode até não acreditar em destino, mas que o do Brasil parece estar gravado como apêndice e sublinhado duas vezes na pedrinha dos 10 mandamentos, isso parece.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Eu sabia que eu sabia!

Eu estava certo esse tempo todo que passei sem trafegar pela Ponte. Se vocês duvidam, vejam isso.

Bom, pra quem não tiver paciência de ler, fala sobre "slow blogging". É uma galera que defende uma velocidade menor para a distribuição das informações, já que a rapidez é prejudicial para a qualidade da notícia, assim como para sua absorção.

Ou seja, eu sempre estive certo de não encher vocês de texto. Melhor terem tempo pra refletir, né?
***
Mas pra não dizer que não falei de flores: hortênsia tem um nome estranho, porém legal.
***
E pra fechar com chave de ouro:


Hoje tô mais babaca que o normal. Já, já volto com coisas mais sérias.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Poder da marca X poder da Internet

Panco é uma famosa marca de comida. Com certeza, você já comeu - isso, se não estiver comendo agora - um pão fabricado por eles. Pois é. Vamos falar de pão.

Quinta passada dormi na Carol. Aniversário de um amigo meu, fiquei por lá. Acordo no dia seguinte, atrasado pra ir pro trabalho, mas com fome. Vou comer um pãozinho. Panco. Aí...


Olá, eu sou o novo garoto-propaganda da Panco!

Ainda bem que meu sono não estava muito forte, ou então eu teria perdido essa bela imagem registrada pela minha pequena. Aí vem a pergunta que não quer calar: é ou não é a cara da mãe (=Panco, no caso)?

Mais um serviço de utilidade pública prestado pela Ponte Elétrica. De nada.

Moral da história: sempre olhem pros dois lados do pão antes de atravessá-lo com a faca.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Mais uma vez de novo...

Essa é a tentativa 1.290.337 de voltar à Ponte. Se fosse no mundo real, ela estaria com buracos do tamanho de uma turbina de avião, mal iluminada e com mato no acostamento - que estaria com a faixa branca apagada. Talvez uma favela já tivesse até tomado conta das laterais da pista.

O poder público veio para tomar conta da situação.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Toma la, da ca

Primeiro, desculpa a falta de acentos e afins, mas to no computador do meu irmao e simplesmente nao existe isso aqui.

Agora, fatos. Sexta-feira, eu pegadaco no trabalho, resolvo almocar numa churrascaria na Barra (nao falo o nome pq esqueci, mesmo, nada a ver com anti-jaba - mas pra quem quiser tentar, fica ali atras duma pracinha em frente a praia). Queimo 5 tiquetes do meu minguado salario, comemorando sabe-se la o que. Eis que o motivo me encontra no caminho.

-Fala, Alexandre, e o Cade. Beleza?
-Beleza, diz ai?
-Ta almocando?
-To indo no xxxx. Bora?
-Nao, to aqui no japones. To ligando pra avisar que nossa peca foi aprovada. Vai sair na revista.
-Serio? Que irado!

E por ai vai. O importante e dizer que vai sair minha primeira peca realmente mais boladona e criativa. E o melhor: all-type (vulgo anuncio de texto). So nao posto agora pq nao to no meu cpu. Mas vcs vao ver.
***
Volto feliz, espero ansiosamente o fds com a grande estreia nao confirmada do incrivel craque Vandinho, top 5 artilheiro do Brasil no ano. Espero, espero, e antes tivesse desistido. Pq, quando finalmente ele aparece - e faz gol - a zaga, ponto forte ate entao, entrega o jogo com posicionamentos ridiculos e a maldita mania de entregar jogos. Entregou. E perdeu de virada, de 2 a 1, para o Cruzeiro.

E o pior de tudo e que nem da pra fazer aquela velha piada de "volta, fulano". O Joel e fanfarrao, o Marcinho e traidor, o Renato Augusto e amarelao e o Souza nao e nada. Simplesmente lamentavel.

Correcao. Simplesmente lamentavel e que saimos do G4. E bom o jornal inventar amanha algum termo tipo G8, senao vou ficar revoltado. E ja saio de casa de mau humor.
***
E trabalhar no fim de semana, como deveria, ate agora nada. Mas quem disse que eu preciso? Amanha posso ficar ate 0h no trabalho. Adoro essa vida desregulada.

sábado, 26 de julho de 2008

Ele pediu, ele pediu

E agora sai quase todo dia depois das 20h, 20h30. Muitas vezes depois das 21h. Realmente, eu gosto muito de criar pra levar essa vida rindo. E sem fazer como aquele policial do filme:

"Se você quer rir, tem que fazer rir!"

Caneta na cabeceira, nada na carteira...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Um, dois, três, testando

Bom, vocês já devem ter percebido que minha volta tem tardado mais do que o normal. Mas meu mundo fez oito translações em menos de dois meses, o que me obrigou a adiar um pouco o que minha vontade pedia. Enfim, que se dane. Estou (mais ou menos) de volta.

Agora como redator júnior de uma das agências que eu queria estar. Responsável pelo meu própio e proporcional nariz. Um pouco mais sinuquento e familiado, com a casa 01 completa. Um pouco mais feliz - como se isso fosse possível.

Ainda falta rever meus amigos com a freqüência que gostaria. Colocar a cabeça no lugar em alguns assuntos. Definir prioridades. Mas o importante é que tudo caminha e se encaminha do jeito que lutei por tanto tempo.

"Segura que eu quero ver, amigo!"

sábado, 22 de março de 2008

Obras à frente

Finalmente a Ponte será reconstruída. Um novo tempo para o tráfego de informações (segundo eu mesmo) está chegando. Aguardem.

Sério, aguardem.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Os mano

Final de semana cultural. Alexandre em Campinas, fazendo a ponte com São Paulo. Bienal de Arquitetura de São Paulo - a segunda mais importante do mundo, depois da de Viena - com trabalho exposto de meu irmão Bruno. Aliás, motivo de orgulho. Minha casa vai ser projeto dele, vou sair na "Casas e Jardins". O trabalho dele, pela simplicidade, funcionalidade e competência, dá gosto de ver.

Entra o "modo puxa-saco", mas com motivos de sobra pra isso. Poucas vezes me senti tão em casa fora de casa. Os pais me trataram como amigo de infância, o irmão me trata como se me conhecesse há tempos, a namorada me trata como se fosse do grupo e os amigos me tratam como se fosse um deles. Só isso já valeria tudo.

Mas ainda teve mais. Almoço de sábado aqui. Restaurante tradicionalíssimo no Bexiga, bairro italiano da capital. Ida à casa dos tios gente fina. Noite na cachaçaria ponto de encontro da cidade. Aliás, além de ser provavelmente a segunda maior do Estado, é cheia de ladeiras - por mais que o pessoal de lá não admita. Domingo de churrascão boladão neurótico fortemente na veia, com muita coisa boa. Muita, mesmo. E ainda volto com receitas, cortesia de Sônia.

Modo desativado, fica a conclusão: ganhei uma família em Campinas.
***
De recordação, além das excelentes experiências vividas, trouxe (mentira, achei na Internet porque esqueci de copiar) o hino informal do XV de Piracicaba, da terra de meu querido fiote e agora também de minha querida (com todo o respeito) Marília. Por favor, leiam com sotaque:

Carxara de forfe
Carcanha de grilo
Asara de barata
Suvaco de cobra
Oreia de besoro
Paster de carne
Garrafão de pinga
Minduim torrado
Já que tá que fique
Treis veis cinco é ...
XV XV XV
Vitória!


Agora vocês já podem enxugar as lágrimas. Ou o xixi.
***

Fatos da semana comentados freneticamente:

-Mengão na Libertadores - quase chorei;
-Bahia subindo e estádio descendo - quase chorei duas vezes;
-cisco no olho - quase chorei.

Minha vida, minha cabeça, tudo anda a mil. Por isso não tenho postado com a freqüência que gostaria. Mas até sexta entra aqui um conto que escrevi no trabalho. Sim, no trabalho. Em algum momento preciso aliviar a tensão caligrafisticamente, não acham?

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Feriadão boladão

Descansar? Não, obrigado.
Escrever? Não, obrigado.
Ler um livro inteiro? Não, obrigado.
Quem sabe arrumar a casa, finalmente? Não, obrigado.

Prefiro ficar assim, atrasando tudo. Afinal, a vida é melhor para quem precisa fazer tudo com pressa e sofre pressão de todos os lados. (Seria pressão uma pressa grande? As palavras têm o mesmo radical, press, do grego presius?)

E não é que ainda assim foi muito bom?
***
Planos, planos, planos. Me sinto o Cebolinha, ou um daqueles vilões do 007. Tomara que eu saia vencendo no final, porque de Mônicas e Bonds já estou farto (do latim fartius, boladão).

Só sei que eu continuo indo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Na beira da praia

Você abre o jornal e lê sobre o aquecimento global. Liga a TV vê os pobres ursos polares com cara de coitados, isolados em um bloco de gelo. Tenta relaxar na Internet e o Greenpeace alerta sobre todos os perigos possíveis e imagináveis dos males causados pelo homem à indefesa mãe natureza.

Vocês sabem, mãe a gente só tem uma. Mas, assim como as de carne e osso, essa também tem a última palavra. Por isso o revide e essa bagunça no mundo.

Se não se pode vencê-los, junte-se a eles. Vou fazer minha parte e ajudar a prejudicar o planeta. Jogar lixo no chão, andar com carro desregulado, deixar luzes acesas, gastar água. Reciclar, que nada. Vou cagar tudo.

Uma das consequências não é a elevação do nível dos mares? Pois é. Tomara que ele avance umas duas quadras pra dentro. Sem nenhum esforço, vou morar na beira da praia de Copacabana. Quer mais?

Um visionário, esse eu.
***
Não é por nada não, mas se você escuta sobre as vendas de veículos que movimentaram a economia brasileira e a felicidade das concessionárias em não manter o estoque e, logo depois e na mesma emissora, vê os males causados pelo excesso de carros nas ruas, não tem alguma coisa errada? Só eu enxergo incoerência nisso?

sábado, 3 de novembro de 2007

Ão, ão, ão...

Bem, amigos da Ponte Elétrica, estamos aqui imaginando a grande final da Copa do Mundo de 2014, a Copa do Brasil! E não é aquela que até o Fluminense ganha e o Vasco é vice, mas a de seleções. E não dá para imaginar uma competição com final no Maracanã sem a presença dele, o ídolo, o xodó, o mais aclamado pelas arquibancadas: Obina.

Pelas pressões que o técnico da seleção brasileira sofre, graças a contínua falta de pontaria dos atacantes escolhidos, ele é obrigado a abrir uma concessão e agradar aos mais de 200 milhões de técnicos que exigem a convocação do artilheiro do Campeonato Brasileiro. Obina é chamado às pressas e chega já recebendo a camisa 11.

Marca ao menos um gol por partida, mas na semi-final perde um pênalti que quase custa a classificação para a sonhada revanche contra um revigorado Uruguai. A síndrome do Maracanazo atinge a todos. Milhões de litros de cerveja são vendidos, o ouro líquido se esvai das prateleiras. Seja para comemorar ou esquecer uma possível derrota. E a esperança brasileira que depositavam no Obinão não é mais a mesma. O que fazer?

Em Salvador, macumba. Em Curitiba, choro emo. Em São Paulo, negócios. Em Rio Branco, tentativas de fazer chegar a luz elétrica. No Rio, pressão. Um corredor humano gigante se forma desde a concentração da seleção, em Jacarepaguá (novo centro econômico-social da cidade) até o estádio Mario Filho. Crianças gritam, mulheres choram, homens berram. Todos querem a vitória. É ela ou a cabeça de todos.

Começa o jogo, passa o jogo, vai acabar o jogo. Chance de ambos os lados, equipes nervosas, dois jogadores expulsos para cada lado, juiz pressionado errando sistematicamente, bandeirinhas com medo de olhar para trás, Joel Santana rouco à beira do gramado. Ninguém sabe mais o que fazer e já se conforma com os pênaltis.

É aí que Juan resolve se arriscar ao ataque. Passa do meio-campo e, vendo o relógio holográfico projetado na cobertura do estádio marcando 44:22, chuta a bola desesperadamente para a área, fazendo um centro de 33 metros. A zaga uruguaia se tenta afastar, mas a bola sobe. Como em filme brasileiro (agora premiado com Oscar todos os anos, junto com os chineses), todos vêem a bola cair em câmera lenta, quicar e subir outra vez, na altura da cabeça do atacante brasileiro mais bem posicionado na área. Obina. Que arma uma bicicleta perfeita, acerta um petardo e coloca a bola no ângulo direito de Izquierdo. Ela ainda bate caprichosamente no travessão, em cima da linha e morre no fundo das redes.

Os uruguaios correm para cima do juiz, pedindo pé alto. Obina corre para a torcida, que não se aguenta e invade o gramado do Maracanã. O Maracanazo é nosso, agora.

Com a confusão formada, os adversários correm para o vestiário, alegando falta de segurança. O trio de arbitragem faz o mesmo, e o árbitro anota a invasão na súmula. A Fifa age rápido, e pune o Brasil pela falta de segurança e organização, além do comportamento inaceitável da torcida.

E o Uruguai é tri com um gol do Obina.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Estou aqui

Repensando tudo. "A nível de" tudo. Por isso a demora. Peço desculpas, sei que não justifica, mas como quem escreve sou eu, posso justificar tudo. E podem ter certeza que faz sentido. Resumão estendido:

Saí da DPZ e fui pra Casa da Criação, pra quem não sabe. Fiz três meses ontem, dia 31. Desconheço meu futuro lá. Ao mesmo tempo, a profissão me dá o que pensar. Vocês já pensaram no que fazem da vida? O que a carreira de vocês traz? Realização profissional é uma meta alcançável para boa parte das pessoas com um tanto de talento e outro de dedicação. Mas é tudo? Botar dinheiro no bolso basta para vocês?

Para mim, não.

No meio do turbilhão de pensamentos desencontrados, assisti "Pão com mortadela", uma adaptação de "Misto quente", do Bukowski, que agora está no Teatro da Gávea. Vi no Leblon, saí com os olhos marejados e fui andando até a Gávea, depois Jardim Botânico, peguei um ônibus antes de ser pego por mendigos, passeei por Rio Comprido, Água Santa, Praça da Bandeira, Tijuca. Fiquei por ali, onde fui andando até o metrô Sans Peña para pegar o penúltimo da noite. Ou seja, tarde. Sempre pensando na vida.

Li "Tropicalista lenta luta", do Tom Zé. Uma aula de criatividade e dedicação (fora testemunhos muito engraçados de fatos ridículos e singelos de um iraraense - mais mal nascido que meu pai, o que me é motivo de orgulho, um dia explico o porquê).

Pensei-repensei-rerepensei a vida, andei mais por aí sozinho, acabei com meu parco dinheirinho do freela, andei mais, vi Piaf...

Piaf merece um comentário à parte. Vale ver um grande exemplo do que se deve e do que não se deve fazer, tudo ao mesmo tempo. E se você estiver pra baixo, ver alguém tomar tanto na cabeça lava sua alma, de certa forma. Afinal, você não é a pessoa mais cagada do mundo.

Andei mais, vi muita coisa pelas ruas - ver com outros olhos, não o viciado do dia-a-dia, mas o mesmo que vê as coisas pela primeira vez, como em viagens e descobertas surreais por aí.

Enfim, minha mente chegou ao primeiro bilhão de anos-luz rodados. E a sensação é de estar no meio do caminho para algum lugar desconhecido, e sem ter para quem perguntar porque ninguém foi por essa estrada. Ou pelo menos não conheço ninguém que tenha ido.

Resumindo meu resumo mal sucedido, a vida é curta para deixar as coisas para depois. Arrisque agora ou se cale forçosamente para sempre. E vai por mim, vocês não vão querer isso. Não importa quem está lendo, você tem tempo de mudar.
***
Não sei se fechei o texto anterior como gostaria, mas não faz mal. Deve ser a falta de prática de postar na Ponte. Espero voltar ao tráfego normal para recuperar a manha.

De qualquer jeito, preciso fazer menções honrosas aqui. Alan está bem, minha-pequena-que-não-deixa-eu-citar-o-nome-porque-tem-medinho está bem também. Os dois estão conquistando as coisas.

Graças a Deus. Até porque, convenhamos, alguém tem que ir para a frente.
***
Como não podia deixar de comentar, propaganda. Vi outro dia uma, acho que é do shampu Seda, que diz que "se você não tem brilho, não tem nada".

Sério mesmo? Então as posses de uma pessoa na vida se resumem ao brilho dos cabelos? Pelo que entendi, experiências, conquistas materiais e espirituais, nada disso vale. O bom mesmo é ter um cabelo RGB photoshopado em TV de LCD com mais todas as sglas que queiram demonstrar tecnologia e futuro. Bem que, pelas fotos da juba do Einstein, achava que ele era meio tapado, mesmo.

Nem pesquisei o nome dos gênios criativos para não me irritar. Apesar de que estaria errado.

Meu cabelo está sem brilho.
***
E não percam, na próxima (breve) atualização pontesca: um gosto repentino por academia, o projeto Libertadores 2008, todas as idéias que (não) vão sair do papel para a Copa de 2014 e a narração do gol de bicicleta do Obina na final no Maraca, o estádio da maior torcida do mundo - do lado direito das cadeiras brancas, no gol em frente à Raça, que a essa altura será toda da Flamanguaça, o futuro da Nação.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ah, o capitalismo!

Onde as coisas se resolvem assim.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Ditado presidencial popular

"Vão-se os anéis, ficam-se quase todos os dedos."

sábado, 6 de outubro de 2007

Boa noite?

"O único braço do Estado que sobe o morro é a polícia."

A frase é do Comandante Pimentel, a voz do BOPE no "Notícias de uma guerra particular". Não é preciso ser um gênio para entender o que ele quis dizer: o governo só entra no morro se for para reprimir. Nada de políticas públicas para os pobres. Excluídos serão sempre excluídos.

Uma vez meu pai foi à uma costureira que trabalhava com ele. Era no pé de um morro qualquer. E o lugar estava em festa, porque um caminhão de entrega do Ponto Frio havia sido roubado naquele instante e o conteúdo estava sendo distribuído aos moradores. Legal o traficante, né?

Não. O apadrinhamento que eles fazem não é função dos governantes, mas na falta de qualquer solução proposta aos miseráveis isso acaba valendo. E mais: se você, transeunte da Ponte, não conseguiria viver bem com um salário mínimo, por que alguém com família conseguiria? Ou melhor, como?

Exatamente. Não vive. E por isso aceita de bom grado o que os bandidos dão a eles. Porque o sonho de consumo dessa gente é como o seu. Só está mais distante de ser alcançado.

E por que os traficantes existem? Porque pessoas como vocês e/ou amigos compram o que é distribuído por eles. Oferta e procura. Preço de mercado. Oportunidade de emprego. Capitalismo. O nome não importa, o vício sim. E é graças a ele que se compram armas, que se pagam os salários acima da média dos envolvidos no crime, que se mantém a vida paralela.

Por isso, antes de reclamar que perdeu o celular ou o tio foi agredido covardemente por um pivete, pensa que o mesmo dinheiro que você (não necessariamente leitor, mas usuário) usou pra ficar doidão (doidona) serviria para fazer algo maior por alguém. Ou o básico, como dar um prato de comida.

Ahan, não é obrigação sua. Como não é obrigação do marginal saber distinguir quem faz alguma coisa boa, quem faz coisa ruim e quem não faz nada. Vamos chamar de daltonismo criminal: uma pessoa com arma na mão não sabe distinguir o verde bom do vermelho ruim. Escolhe um e aperta o gatilho.

E aí, quando vai ser a sua vez?

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Sinto muito

Ia escrever um monte. Agora, estou com sono demais pra isso. E ainda vou trabalhar.

Fica pra proxima.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Novidades

A Marta marcou um gol de placa. Crimes estão impunes. A Globo deu uma festa decadente com humor Zorra Total e atores encostados. Eu não acertei a mão na hora que precisei.

De tudo isso, só a última ainda é passível de mudanças. Então torçam aí, crianças, porque senão não vai haver realmente nenhuma novidade pra contar.

sábado, 22 de setembro de 2007

Uma votação que vale a pena

A dica é do Manu. A campanha passa a ser minha também. Se tem alguma coisa que ainda vale a pena votar, é em quem você acha que faz alguma coisa na nossa política. Admito, são poucos, mas até pelo seus esforços em lutarem sozinhos, somos quase obrigados a mostrar que estão sendo acompanhados de perto.

Não adianta só apontar os ladrões. Devemos mostrar admiração pelos honestos e votar certo - não só no site, mas na vid real.

2008 vem aí. Quem vai representar você no Congresso e no Senado?

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

E o vencedor é...

O ídolo. O mestre. O criador. O escritor e piadista Paulo Coelho acaba de me obrigar a escrever a postagem número 500 logo depois da 499. Tudo porque não consegue ficar sem falar (neste caso, escrever) asneira.

Estava calmamente lendo o BlueBus quando leio que Paulo Coelho avisa q volta após a morte caso seja necessario. Não é mentira, pode clicar lá. Ele disse que ninguém deve invocá-lo, que ele dá um jeito de aparecer se for preciso mesmo.

Muito bem, PC. Que você seja esquecido queimando no fogo do inferno, tentando abrir passagem entre as almas penadas, que nem você fazia quando queria passar pelos engarrafamentos. O que não vai faltar é livro pra queimar lá embaixo.

Mas juro que, se eu achasse possível, invocaria o Paulo Roger Rabbit só pra matar o morto.

E quando morrer, quero poder atualizar a Ponte de onde estiver, pra contagem de posts não parar nunca.

Amar é...

Trabalhar final de semana?

Depende. Se for amor à profissão, sim. O que, no meu caso, também prova que, quando se faz por amor, não se cobra nada. Literalmente.

Pelo menos, tomei a decisão de ler um livro por semana. Duas, se tiver mais de 500 páginas ou se for em língua diferente de inglês ou espanhol. Vamos ver se consigo. E não me perguntem o que tem a ver com trabalhar sábado e domingo. Só quis contar minha resolução de ano novo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Filosofia-segundo

"Do pó viestes, ao pó alguns retornam."
Kate Moss

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Um cara legal

Ele é um homem de vida pública. Pai de lindas crianças. Cuida do futuro de muita gente. E todo mundo fica aí, querendo pegar o cara.

Ora, bolas! Por que o Renan deveria ser cassado? Só por alguns poucos escândalos? Por umas ações ilegais de nada? Que preconceito! E ele estava tão seguro da sua inocência e da sua não-cassação que nem renunciou. Isso, sim, é confiança!

Ô homem bom, esse tal de Renan Calheiros!
***
Por outro lado, Raul HomemJung tentou pegar um segurança na mão. Mas quem conseguiu pegar alguém foi o Gabeira, que errou um soco só pra dar um beijinho. Profissional, esse maconheiro.
***
E já li que teve notícia saindo de lá de dentro pelos celulares de alguns políticos. Assim a mídia sabia de tudo mais rápido. Mas como ela é extremamente honesta e imparcial, isso não vai impedir que fale sobre os que a ajudaram, se for preciso.
***
Com isso eu me convenço cada vez mais que essa campanha é muito da verdadeira. Realmente, "o bom do Brasil é o brasileiro", não é?

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

iML

Eu disse, eu disse... Olha aí o iJobs, ó!

"Deu ontem no Tiago Doria. O blogueiro americano Adam Finley, 30, do TV Squad, morreu na ultima 5a feira, vitima de atropelamento. Nao carregava documentos no momento do acidente. Com a ajuda da Apple, a policia conseguiu identificar o atropelado atraves do numero de serie do iPod que carregava!"

Duvida? Tá aqui.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Meu nome é trabalho - escravo

Dormi pouco no final de semana. Almocei rápido, hoje. Passei por grande estresse para aprovar dois títulos (postarei em breve). Ainda assim, estou na agência. Às 20h43 desta segunda-feira.

Obviamente, não por vontade própria.

Fim.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Desculpa o atraso

Eu sei, foi falha minha. Deveria ter avisado antes. É que a vida esteve corrida neste final de semana. Ainda assim, espero que vocês não tenham perdido.

A MAIOR SESSÃO DE DESCARREGO DO MUNDO! E bem aqui pertinho, na Praia de Botafogo. Foi sexta, às 21 horas. E com a presença do "maior evangelista do mundo" em pessoa - segundo o cartaz que li no ônibus -, Edir Macedo.

Deus vai perdoar minhas piadas por motivos óbvios, então vamos lá. Será que ele chegou até a praia passando pelo meio da multidão ou abriu a platéia como Moisés separou o Mar Vermelho? Teria a polícia ido até lá cobrar alguma explicação ou cumprir mandato de prisão - se é que alguém conseguiu um? Por falar em cobrar, será que ele correu a sacolinha? Porque, se correu, com certeza o evento vai entrar para o Guinness como a maior arrecdação de dízimos da história. Nem a Inquisição ou o Quinto (cobrado pela metrópole portuguesa à colônia brasileira, se estiver errado passei perto mesmo assim, então dane-se) devem ter conseguido tanta grana de uma vez só.

Nada contra a religião em si, se todos os bandidos, drogados e jogadores de futebol que dizem que estão convertidos estiverem falando a verdade, o mundo está um pouco melhor. Mas o Edir pediu pra ser ladráo, Deus mandou pro inferno e ele roubou o estilo do capeta. E ainda cobrou por isso. E a corja dele não faz por menos.

Se um dia vocês passarem perto de qualquer um desses pastores, escondam a carteira. E se for perto do Macedão, deitem no chão e se finjam de mortos. Talvez ele não ataque.

Se tivesse que escolher alguma Universal, seria desse Universo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Blablá hiperlinkado

"Se fizermos o melhor que pudemos fazer, já triunfamos", disse Winn Davis. Acontece que, além de eu não fazer a menor idéia de quem foi esse sujeito - e não tenho vontade alguma de descobrir -, isso me lembra demais livros de auto-ajuda.

O que me lembra Paulo Coelho.

O que me lembra Playboy.

O que me lembra Barbara Paz.

O que me lembra Supla.

O que me lembra que ele fez um show na Barra sábado passado, algo que só descobri quando ia para casa-um com Alan.

O que me lembra que ele chegou hoje a Madrid.

Tudo bem, na verdade não precisava ter escrito absolutamente nenhuma dassas enrolações para falar dele. Mas é que, além de ficar muito mais divertido, abro portas para desfilar minha ira contra muitas dessas coisas que citei. Obviamente começaria pelo PC. Mas não vou.

Só quero deixar marcado aqui (mais um) início para meu querido garoto-prodígio e minha torcida para que essa estadia européiaseja a mais proveitosa e enriquecedora possível. Sei que vai.

E também para abrir as portas para uma possível temporada européia de minha pessoa, tal qual meu xará agora à milanesa. Mas sem ser Pato. (rá, que belo trocadilho só entendido por futebolistas)

Vambora pra terra dos sem-banho, mô?

domingo, 2 de setembro de 2007

Tô irritado

Ia postar um monte de coisas legais, mas o Flamengo acabou de empatar com o Sport. Em casa. E perdeu pontos preciosos. De novo.

Já que é assim, resumo os assuntos.

Paracatu vai ganhar área de proteção ambiental. É verdade, tá aqui. Agora, ele aqui vai poder voltar pra casa. Afinal, todo mundo sabe que disco voador que se preza se esconde em floresta.

Quixeramobim, realmente, é uma cidade mediováigel. Senão, vejam essa notícia sobre educação e essa aula de uma pessoa extremamente educada e, por que não, helpis no conhecimento de língua portuguesa.

Enfim, essa foi uma postagem cheia de links. Cliquem e divirtam-se.

ps: bonus para vocês se "cagarem, peidarem" de tanto rir, como diria o mestre Dal.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

iJobs

Alguém deveria impor limites ao seu Jobs. Depois do iPod, iPhone e iSei-lá-mais-o-quê, agora ele e o chairman (leia-se chefão boladão) da VW estão conversando sobre projetos conjuntos. Um iCar, talvez.

Cada vez mais eu acredito que aquela história de computadores dominando os humanos vai ser verdade, precisando apenas de uns anos a mais para aperfeiçoarem a técnica e perderem o controle sobre os eletrônicos. Inclusive, já faço minha fezinha sobre os próximos passos do Steve:

-iChair
-iWater
-iLatrine
-iPlane
-iCondom
-iMe

Esse seria o último passo antes da dominação total. Por isso, o dia em que qualquer um de vocês ouvir ou ler algo sobre a união "chíptica" entre a Apple e o ser humano, por favor: mate Steve Jobs.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Nossa!

Escrevi "hipodresia", ao invés de "hipocrisia". Mal aê. Gracias, mô.

domingo, 26 de agosto de 2007

Ah, se eu pudesse...

Acabei de ver Tropa de Elite, o filme que fala do BOPE. Só digo duas coisas:

1.vejam, mesmo antes de sair no cinema - inclusive, em outubro vejo nas telonas;

2.não vou falar do filme, mas admito que, se eu pudesse, queria muito fazer como o personagem em uma das cenas: entrar no meio de uma passeata pela paz da "elite dominante", como chama o mestre Dalborgha, e sair metendo dedo na cara de madame e chutando costela de playboy.

Não existe nada pior que hipocresia. Fumar um baseado, meter o nariz e pedir por paz? Subir o morro pra comprar parada da mão de traficante de 10 anos que eu tô tirando da escola pra comprar Nike na Uruguaiana? Reclamar da violência da polícia, que me deu dura quando eu tava indo pra rave com bala e haxixe? Ué, por que não?

Queria devassar a vida dessas pragas que vão chorar o filho preso, logo ele, um bom menino. Ou ela. Ou então atores e atrizes que chegam ligadões pra gravar o Criança Esperança.

Pra não perder o costume, pro inferno todos eles. E quem apóia, concorda e defende. Vai perder o filho com um tiro na cara e fazer o reconhecimento no IML pra ver o que é bom.

É como diz a louca drogada que mora lá no prédio: "moro com traficante, entram no prédio pra roubar, e só tem puritano!".

Que morram vocês todos.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Minuto de sabedoria

"Autodidata é um ignorante por conta própria."
Mário Quintana

Qualquer semelhança é a mais pura realidade.

domingo, 12 de agosto de 2007

Política de inserção de portadores de deficiência

Não sei como funciona a escolha de portadores de deficiência na Rede Globo, mas com certeza eles estão colocando em prática a algum tempo. Primeiro foi – ainda é, na verdade – contratar e manter a Milena Cerebelo no esporte por tanto tempo. Ela tem o QI de um peido. É inadmissível alguém assim comandar o programa de esportes. Mas vá lá, era só ela.

Aí veio o Marcio Canuto e seu super hilariante humor com sotaque nordestino. Nada contra o sotaque, mas contra o humor, sim. Até porque o que ele fazia não era engraçado nem se comparado a um livro do Sarney ou a uma videocassetada. Mas vá lá, eram só os dois.

Então colocaram uma horda de repórteres recém-formados pela APAE, cuja última turma graduou os de nomes difíceis: Glenda Kozlowsky, Tadeu Schmidt (tão idiota que o Oscar nunca tocou no seu nome, mesmo sendo irmão – o que prova, de certa forma, sua vergonha e um grande preconceito) e afins. Gente que não faço a menor questão de lembrar agora.

Mas hoje a coisa atingiu seu limite – ou o meu, pelo menos. Fui almoçar em casa, feliz e contente com minha comodidade, e aproveitei para assistir o Jornal Hoje. Sou um cara antenado, afinal de contas. Daí os âncoras, Sandra Annenberg e um fulano que esconde a rechonchudez no terno bonito da emissora, chamaram uma reportagem sobre um cozinheiro imigrante em Paris que virou sucesso na Internet.

VALE-ADENDO: tudo, absolutamente tudo, é sucesso na Internet; isso prova ou que a Internet é um sucesso como um todo ou que o ser humano exagera em tudo. Adivinha minha opinião.

Voltando, eles chamaram a reportagem, o negócio era interessante mas nada demais, e no final ele cantou uma versão em português (leia-se a repórter praticamente obrigou/implorou ao pobre coitado "canta coma kebab, coma kebab, vai, só pra fechar legal minha matéria; eu quero tomar o lugar da Anna, sabe?").

Tá. Normal. Graça um e meio. Acontece que a câmera volta para os âncoras e eles estão rindo. Absurdamente. Vejam bem, até entendo que rissem, eles são a cara do jornal e tinham que dar uma moral pra reportagem. Mas não era pra estarem se cagando de rir. Nunca, em hipótese alguma.

O que prova minha teoria de que a Globo exagerou na sua política de inserção de portadores de deficiência.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

A construção do discurso

Não, não sou Lula. Não, não sou PT. Não, pára de encher o saco com perguntas do gênero, você que já perguntou isso ou pensa em me questionar. Mas é sempre bom mostrar como as coisas funcionam.

Outro dia (que não lembro qual porque só pude postar hoje), apareceu no Jornal Nacional: "Lula anunciou hoje a intenção de transformar o Brasil em um imenso canteiro de obras". Lido pela Fátima Bernardes, com voz solene e ar de resignação/preocupação.

Então a Globo - e o Globo, a Veja e sei lá mais quantos meios de comunicação - passam dias, meses, anos enchendo o saco sobre infraestrutura; produzem reportagens especiais sobre o estado precário das rodovias brasileiras; educam todo o povo com seu profundo e quase atemporal conhecimento sobre tipos, qualidade e pormenores de pistas dos aeroportos; citam meios alternativos de transportes que poderiam, se não resolver, pelo menos ajudar o país a melhorar o caos em que está mergulhado - exemplo, recuperar a malha ferroviária.

Aí, quando o governo resolve anunciar investimentos na área a partir de muito em breve, isso demonstra a vontade do presidente em transformar o país em um imenso canteiro de obras. Ah, tá. Entendi.

Não preciso nem dizer que o Lula não disse a frase acima na coletiva. Mas isso "foi dito", nas entrelinhas. Então por que não se lê nas entrelinhas a intenção de punir os culpados, quando se diz que as investigações estão seguindo, ou por que não se lê nas entrelinhas a vontade de explorar os miseráveis, no discurso super bonito de união e ética da oposição?

Como não sou o Foucault, posso terminar meu estudo sobre a construção do discurso assim: vão pro inferno!
***
Agora, esportes: o Flamengo vai mal, hoje tem jogo e estou com medo de asistir. Infelizmente, não consigo deixar de ver, o que deve render uma boa grana para algum cardiologista em um futuro próximo.

E voltei a jogar bola, o que me faz deveras feliz.
***
Saúde: vai bem, obrigado, e parece que posso operar a miopia. Mas com isso não poderei jogar bola por um mês.
***
Emprego: trabalhando freneticamente para ficar em Casa. Se não for possível, pelo menos que minha estadia lá possa proporcionar bons trabalhos, algum prêmio e uma ida para outra agência - quiçá mais boladona.

Pelo menos tenho dado a sorte de trabalhar com pessoas extremamente criativas, competentes e engraçadas. Motto agora é aprender com o MC.

"Pronto! Atualização concluída com sucesso."

sábado, 4 de agosto de 2007

Hélio dos Passos - Fica Comigo Agora (clipe)

Bem que Alan disse que é o fim.

Hélio dos Passos - Morena do rio turvo

Não sei o que dizer.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Fui pra Casa

Após curto inverno, volto aqui. Pra dar boa notícia, inclusive. Foram sete meses de belas coisas todas daquilo tudo na DPZ, mas a vida segue. No meu caso, segue para Botafogo. Casa da Criação, minha nova casa por mais sabe-se lá quanto tempo.


Que seja eterno enquanto dure. E que meus trabalhos de nós todos de lá apareçam muito e resolvam os problemas de comunicação dos nossos queridos e amados clientes, para que soltem verbas polpudas para a gente. Afinal, toda Casa precisa de dinheiro para se manter, né?

Com licença, vou trabalhar. Daqui a pouco (pouco mesmo, amanhã) volto com mais textos.

E sim, o francês era o salope do Samir. Buena gente, Naty, has perdido un montón.

E mô, valeu pela força. Mudanças sem apoio são só confusões estabanadas na mente. Você sabe o poder da (sua) mente na (minha) vida, né? ;-)

Aos outros, mantenham o tráfego na Ponte. E visitem aqui, eu também tô lá. "Coé, pow!"

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Há quanto tempo!

Hoje resolvi dar uma passada pela Ponte e percebi que eu estou ficando cada vez mais parecido com os políticos brasileiros, largando as obras de lado e levando outra vida. Com a diferença de continuar pobre.

Acontece que motivos de força absurdamente maior me fizeram deixar a Ponte ao léu, coitada, esperando um simples tráfego de informação. Provavelmente continue assim mais alguns dias, mas já volta ao ritmo normal.

Acontece que tem um francês na minha casa, mudanças na vida e cabeça a mil. Fora a habitual falta de tempo. Mas não esqueço de vocês, transeuntes queridos nessa terra de quase-ninguém. Paciência, porfi.

Pra não dizer que não falei de flores e matadores... Obina hoje!

ps: não falo de caos aéreo em respeito ao último acidente. Sem piadas de humor negro, inclusive. Poderia ter sido eu ou você. E aí, até quando você quer isso?

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Ops

A revolta me fez esquecer do básico. Gotan Project é animal, um dos melhores shows da minha vida. Quase duas horas inesquecíveis. E tenho dito.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Foi mal

"O prefeito de Salvador, João Henrique, (PMDB) conseguiu proibir judicialmente a rádio, site, blog e revista Metrópole de citarem indevidamente seu nome.

Caso desrespeite a decisão, a empresa deverá pagar R$ 200 mil de multa, segundo decisão da 2ª Vara Cível, Silvia Lúcia Bonifácio Andrade Carvalho.

O prefeito entrou com recurso logo depois da publicação da primeira edição da Metrópole, distribuída gratuitamente, que usou uma caricatura sua na capa e abordou sua atuação na prefeitura.

A decisão impede os veículos da rede de publicarem "quaisquer alusão e referências explícitas ou implícitas, depreciativas ao nome, a honra, ao caráter, a intimidade, a vida privada e a imagem do autor ou ao cargo que o mesmo ocupa na Administração Municipal, ainda que tais alusões, referência ou imagem venham dissimuladas em personagem caricaturas, participantes, afiliadas ouvintes e outros"." (aqui)

***
"Geralmente quando aqui se fala da violência que tomou o Rio de Janeiro, da qual está vivo bárbaro exemplo no assassinato do menino João Helio, bom número de leitores localiza nas favelas, nos negros e pobres a origem de todos os males.

Alvo fácil para as propostas de sempre: remover essa gente, passar o trator, dar-lhe casa bem longe, na periferia, mas com ônibus para que possa continuar sendo doméstico, pedreiro, encanador e (por que não?) traficante, desde que suas balas perdidas só sejam achadas por seus iguais.

São opiniões respeitáveis, como todas as que aportam neste blog. Talvez delas se possa extrair destino para os cinco jovens que encheram de pancada Sirley Dias de Carvalho Pinto, 32 anos. Ela esperava um ônibus de madrugada numa das áreas mais abonadas da Barra da Tijuca." (e por aí vai, aqui)
***
"Os apresentadores Vesgo (Rodrigo Scarpa) e Silvio (Wellington Muniz) foram barrados da festa de lançamento da novela Sete Pecados, organizada pela Globo no último domingo dentro do Second Life. Diversos fãs foram também expulsos do local por fazerem a "dança do siri", de acordo com o blog de Vesgo." (pra quem ainda não viu, aqui - valeu, mô)
***
Depois desse combo, o que eu posso escrever? Estava vendo o jornal quando o pai de um dos garotos apareceu em cena. Literalmente, porque ele só podia estar atuando. Ou quem diz que "gostaria de pedir desculpas à ela, mas é necessário ver que seria uma injustiça manter jovens, estudantes, que trabalham, presos".

Ou seja, se fossem velhos, ou desempregados, poderiam ir presos. Talvez se fossem favelados. Pelo menos pobres.

Talvez isso seja tão injusto quanto prender um policial - ou coisa que o valha, já que a maioria é tão bandida quanto bandidos estabelecidos, só que com carteira assinada - por matar um aposentado na fila de um caixa eletrônico. Fila, aliás, que ele queria furar. Talvez por precisar correr de volta à delegacia para fazer alguma justiça.

Inacreditável. Ou melhor, dá pra acreditar, sim. Afinal, "o bom do Brasil é o brasileiro". E vejam bem os brasileiros que temos. Que somos. É muita viagem da minha parte ou alguém mais sente vergonha de ser do mesmo país que eles?

Será que vai passar a ser natural espancar quem você acha que merece? "Putz, achei que era gay". "Ih, jurava que era cearense". "Caramba, e não era Maria o nome dela?!".

Entramos na cultura do "foi mal".

Foi mal, mas isso eu não aceito. Ou a gente começa a mudar ou nosso país vai ficar (cada vez mais) um inferno. E eu quero demais ajudar o país, mas se achar que não tem jeito vou embora.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Esperem amanhã

Hoje, só digo que um lago no Chile sumiu em menos de dois meses, que a China constrói duas novas usinas de energia por ano (ou mês, nem lembro mais) e que a Hillary e o Bill tão tirando onda de Sopranos cover, só pra ganhar mais votos e deixar o negão ex-cheirador (não cheirador ex-negão) quase-Osama ou quase-Ibama - vulgo Obama - pra trás.

Nada disse tem importância. Hoje à noite, sim, vai ser boladão. Amanhã eu conto.

sábado, 16 de junho de 2007

A propaganda é a alma do negócio

Pois é. Foi só dizer que a pequena era a única a comentar aqui e um monte de gente comentou também. Agora, sim, volto à programação normal.

Não postei antes porque minha semana foi deveras corrida. Vejam bem, até portifólio novo eu tenho. Bonitão, boladão, com peças da DPZ, mas ainda faltando títulos únicos que falem por si só, sem necessidade de texto. Pois é, nem tudo é perfeito. Mas já é um bom começo.

Comecei oficialmente a temporada de caça à vaga de redator jr.

Enquanto a vaga não vem, observo com mais tempo os fatos do mundo, como a queda de qualidade da propaganda. Ou escândalos que envolvem políticos, vagabundas diplomadas e dinheiro por fora. Como esse assunto já encheu, falamos de publicidade.

Quem viu alguma vez o comercial do Pedrinho querendo cagar na casa do amigo, levante a mão. Quem quis matar o Pedrinho, a mãe dele e todos os que participaram desse atentado à inteligência levantem a mão com uma pistola.

Deus, será que tem gente tão imbecil assim no país? "Mãe, eu quero fazer cocô. Mas eu quero fazer na casa do Pedrinho!" é uma das coisas mais idiotas que já produziram por esses anos. Se tem gente que ganha dinheiro pra fazer isso, em algum lugar do país eu poderia ser um diretor de criação com um salário exorbitante.

Maldita desigualdade de oportunidades!

E por falar em mongolices, recebi uma carta do Credicard Citi. Claro, é pra eu fazer um cartão. Apesar de já ter um deles, o que mostra o tamanho da desorganização dos cretinos - nem tiram da lista de mala direta quem já tem o produto deles.

Mas o pior é o texto. Explica passo-a-passo as vantagens de se obter o cartão. E diz exatamente que "eu escolho uma data de vencimento (com asterisco dizendo que depende deles também) e todo mês pago nesta data". Não é incrível? Eu escolho uma data para pagar e, como benefício, eu pago na data que escolhi!

Sério, burrice tem limite. Ou não, no caso deles.

Pra fechar a postagem estilo "socorram a propaganda", fica a dica. Lá embaixo tem dois links. Uma é pro Buzina Louca, blog do professor e amigo Eduardo Barbato. Vale conferir pra ver o que acontece de melhor na propaganda mundial. E logo abaixo tem o blog da vovó danada, com o que acontece de pior nos bastidores da propaganda brasileira. Preparem seu estômago e divirtam-se.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Only you...

Saiu no início da semana, no jornal. Aos 102 anos (sim, porque não basta ser velha – tem que ter sido registrada antes, ainda por cima), Derci Gonçalves sofreu um acidente e saiu ilesa. Nem um arranhão. Ela é uma mistura de Corpo fechado com Highlander. Uma barata loira. Se bobear ela nem pinta o cabelo, porque a idade não chega para ela.

De mutantes, já bastam os X-Men.
***
Hoje de manhã eu estava aqui, tentando pensar em títulos (imagens, conveitos, aquilo tudo), quando algo excelente me veio à cabeça. Infelizmente não tinha nada a ver com o trabalho, mas ainda assim gostei bastante. E compartilho com vocês.

Um apelido legal para anão seria 1/3, né? Um terço. Um terço de parede.

Pode até ser humor negro. Mas que é legal, isso é.
***
Apesar das várias passagens aparentes na Ponte, parece que só minha-pequena-que não-posso-falar-o-nome-aqui estaciona suas idéias por essas bandas. Oh!, triste sina de uma via de idéias, caminho de mão única para a morte infinda de pensamentos prodigiosos.

Enfim, obrigado, mô. O título dessa postagem foi para você.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Medo

Não sei se o pior era estar ao lado - literalmente - de ratos e pombos que infestavam os prédios vizinhos (e a área do nosso albergue), os cubanos que dominavam as lojas da rua e viviam na defensiva, os mexicanos que dominavam as lojas da rua ao lado e viviam na defensiva, os seguranças do 50 cent que moravam na Coab-Carandiru em frente e viviam na defensiva ou os traficantes que moravam nos prédios da nossa rua. E que, por acaso, também viviam na defensiva.

Alan e eu nos divertimos muito, conhecemos gente legal, viajamos juntos pela primeira vez, e tudo começou aí; de qualquer jeito, rever isso dá medo.

Mas se querem saber, faria tudo de novo com um sorriso infinito. E aposto que ele também.

Olha só


Ele salva!

E por incrível que pareça, só ganhou bronze em mala direta...

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Leia o livro, vá saber...

Quarta foi um dia diferente. Não pela quarta em si, que existe desde que o calendário romano, a atual nomenclatura de dias da semana ou sei lá mais o quê foi estabelecido, mas por um evento único. Literalmente, já que lançamento de livro é um só.

Hélio de Almeida Fernandes, meu professor, orientador e, acima de tudo, amigo, fez a noite de autógrafos por sua nova publicação na livraria do Unibanco Artiplex, em Botafogo. Um espaço muito bom, diga-se de passagem. A não ser que o povo alternativo-cult-descolado-quase-emo te incomode. Aí, vai pro Caldeirão da Via Show.

Enfim, lá estava o Hélio com seu Epístolas ao Peixe e sua impressionante disposição, semi-sorrindo para fotos, assinando cópias e mais cópias e conversando com qualquer pessoa que se chegasse. Carminha, sua esposa, estava lá. Claro. Uma das senhoras com mais disposição que eu já vi. Andava de um lado para o outro, uma perfeita anfitriã. Se cordialidade valesse dinheiro, ela compraria o Eike Batista e mandaria ele lustrar seus sapatos com as bochechas.

Os dois estavam acompanhados de seus filhos, netos, parentes cuja relação não entendi muito bem e uma legião de amigos, colegas, fãs e afins. Estava cheio, o que deve ser difícil em um país como o nosso, repleto de escassos leitores. Entre essas pessoas estavam ainda meu pai, Alan e Señor Almeyda, prestigiando junto comigo.

Obviamente comprei o livro. Obviamente ele assinou, o que transforma esse no terceiro autógrafo da minha vida – o segundo dele, já que nunca me importei com assinaturas. O que vale aí é a amizade, não uma histeria pelo nome alheio escrito na publicação.

E só para saberem, o primeiro foi de um autor que não conhecia, mas era garoto e o professor incentivou a ir pegar seu autógrafo. Quase obrigou, na verdade. Coincidência ou não, foi um dos raros livros na minha vida que reli. Duas vezes. Então deve ser bom.
***
Por um acaso, esta calorosa noite de recepção e demonstração de amizades foi uma das mais frias do ano. O dia, que já tinha batido recorde (pra mim) ao marcar míseros 19º 13h30 em Ipanema (!!!), chegou aos 16º às 19h40, na praia de Copacabana.

É como diz a música. “Moro num país tropical / abençoado por Deus / e bonito por natureza”.

Aliás, vamos falar da parte de ser abençoado.
***
Reza a lenda-piada que Deus, ao escolher o que colocaria de catástrofe em cada país para equilibrar a criação do mundo, escolheu furacões nos EUA, terremotos no Japão, vulcões na Itália e políticos no Brasil. Acho que Ele exagerou na dose.

Vejam bem: no Japão, dois políticos acusados por irregularidades – acusados, não condenados – se suicidaram. Inclusive, na foto do enterro de um deles, a viúva sequer chorava. É a vergonha da desonra.

Na China, vira e mexe condenados por corrupção são mandados pra cucuia. A bola da vez é um fulado que recebeu 850 mil Tio Sans por uma coisa qualquer que não lembro. Aliás, eles estão endurecendo penas para pessoas de cargos públicos que forem pegas em seus erros: perda do cargo, expulsão do Partido Comunista e coisas mais.

E aqui? Ah, o Brasil tem um povo, amigo, solidário, tranqüilo e receptivo. Verdade: recebe muito bem quem mete a mão nos cofres públicos, quem sonega, rouba e atrasa nosso desenvolvimento. Colocou uma gravata, é doutor. E virou doutor, liberou geral.

É triste. Desanimador, na verdade. Outro dia discutia em sala (infelizmente, ainda preciso ser aluno) essa situação, e a professora disse que o brasileiro não quer saber das coisas. Não quer que mudem, muito menos vai se esforçar para isso. Estou cada vez mais inclinado a concordar. Enquanto isso, o Brasil caminha a passos largos para a beira do abismo. Ou o fundo do poço, o fim da linha ou qualquer outra analogia que vocês prefiram e represente bem nosso atual estado de degradação.

Mas “o bom do Brasil é o brasileiro”, não é verdade?